2 de janeiro de 2012

Geraldo Elísio(novojornal): O CALENDÁRIO MAIA

Cada vez melhor, destaquei o que achei mais importante.

Origem: EDITORIAL I: O CALENDÁRIO MAIA

O CALENDÁRIO MAIA

Geraldo Elísio escreve no "Novojornal". Prêmio Esso Regional de jornalismo, passado e presente embasam as suas análises

Por Geraldo Elísio

“Disseram que o mundo ia acabar e o mundo não se acabou (...) – Geraldo Pereira, sambista mineiro radicado no Rio de Janeiro

Estou feliz porquê o mundo vai acabar em 2012. E esta felicidade decorre da esperança, a última herança de Pandora.

Esperança de que o mundo vai acabar com as guerras – todos nós poderemos viver a paz cantada por John Lennon em “Imagine”; vai acabar com as doenças, com a fome, o analfabetismo, a ganância e a avareza.

Esperança de que no caso particular do Brasil 2012 vai acabar com a corrupção; com os bandidos de toda natureza, inclusive os “togados”, como disse a corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon.

Que em 2012 o mundo acabe com o medo do Supremo, que já foi presidido por um ministro que tem capangas, segundo o ínclito ministro Joaquim Barbosa, dizendo para o Brasil todo ouvir diante das câmeras de televisão da TV do próprio Poder, e que hoje está dividido em relação aos poderes ou não do CNJ. Quem não deve não teme.

Que o mundo acabe em 2012 ainda em 2012 no que diz respeito ao Brasil com a prática de exonerar delegado que puniu um juiz; de perseguir delegados da Polícia Federal a exemplo do hoje deputado federal Protógenes Queiroz, por prender um banqueiro-condenado,

Parece uma ladainha, mas é necessário. Que o mundo acabe em 2012, ainda em termos brasileiros com a roubalheira de alguns ministros, obviamente ressalvadas as exceções e com os mensaleiros de todos os gêneros como diz o Direito.

Tomara que o Calendário Maia tenha previsto igualmente que o “fim do mundo” inclua em seu rol o prefeito de Belo Horizonte no cargo que ele ocupa. Tornando Beagá passível e com inteira justiça de solicitar ao governo federal uma unidade da Marinha para as montanhas. No final de ano estamos precisando menos taxis e mais canoas.

Que em 2012 o mundo chamado Minas Gerais acabe com a censura e algo assemelhado à Gestapo implantado no Ministério Público – também ressalvadas as honrosas exceções que começam a levantar a cabeça. Que em 2012 o mundo acabe com a malversação de dinheiro público, pois “todo Poder emana do povo e em seu nome será exercido” e os Códigos garantem que “somos todos iguais em Direitos e Deveres perante a Lei”.

Que o mundo acabe com a apatia de todo o povo brasileiro. Que o mundo acabe com o preconceito e alguns moralistas, em vez de protestar contra o número de pessoas que comparecem às marchas gays e a ausência dos que não vão aos movimentos de protestos contra a corrupção, e, reconhecendo o poder de mobilização deles os solicite a fazer uma passeata contra a roubalheira. Porquê com a escolha particular de cada um ninguém tem nada com isso a respeito do modo da sexualidade de viver. Mas lutar contra a corrupção é dever de todos.

Que em 2012 o mundo acabe com a ganância, voracidade e maldade (valeu a rima) dos banqueiros de goela larga, pais e mães dos indignados do mundo inteiro a protestar nas ruas e praças pelo simples e elementar direito de viver. Quer seja na Praça Thair, no Cairo, Roma, Londres, Atenas, Paris, Berlim, Nova York, Lisboa ou Madri.

Ou onde quer que seja que existam pessoas morando nas ruas, esfomeadas e sem perspectiva de futuro como os irmãos do norte obrigados a ocupar Wall Street. Não pensem os mais afoitos que eu seja comunista, até porque é a própria direita quem anuncia que isso acabou. Embora não fale que ela enfrenta as imensas contradições existentes nela mesma, como se fosse maldição, a confirmar o que disse Marx que o capitalismo traz o germe da destruição em si mesmo.

Não, eu não creio nas balelas."Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; (...) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna desse nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (...)" – Bakunin.

E graças a Deus com o apoio da escritora Zélia Gatai.

Faz pouco relembramos o nascimento do Deus Menino, quando adulto crucificado pelos fariseus, Entre festas, presentes que alegaram o comércio e a indústria, tilintar de taças e castanhas sem que multidões se lembrassem do dono verdadeiro da festa.

Mas a cada guerra que explode o mundo, a cada gesto de corrupção, a cada criança desnutrida da África ou das favelas brasileiras ou de qualquer lugar do mundo, a cada prostituição que avilta o amor que nasceu livre, os que praticam tais ignomínias o reconduzem de novo ao Gólgota, sem ao menos o auxílio de um cireneu e reproduzem o seu martírio.

Mas felizmente eu creio que o mundo vai acabar em 2012, com a doença, com a fome, com as guerras, com a ambição. Não importa que seja em partes, desde que comece pela corrupção, porque se dela for dado cabo ou punição, as demais mazelas por si mesmo irão extinguir.

Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e instituições aqui citadas.

geraldo.elisio@novojornal.com

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