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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Colaboradores XVIII: VENCEMOS, POIS SOMOS A GERAÇÃO QUE IRÁ DERROTAR MAIS UMA VEZ O ÓDIO E A INTOLERÂNCIA

VENCEMOS, POIS SOMOS A GERAÇÃO QUE IRÁ DERROTAR MAIS UMA VEZ O ÓDIO E A INTOLERÂNCIA



Vencer não é a única análise. Longe de qualquer susto e do desalento das nossas expectativas, do amedrontamento coletivo de que mais uma vez veremos um pesadelo se materializando em um projeto de ódio e intolerância, é hora de recompor as nossas mentes e corações para continuar uma luta que não se inicia no nosso tempo.

Seremos a geração que irá derrotar mais uma vez o ódio e a intolerância, marcas do fascismo, presentes no processo de violências e opressões que se constitui na formação sócio histórica do país e que configura as relações de poder que precisam definitivamente serem enfrentadas.

O patriarcado, o racismo, a lgbtfobia se correlacionam ao ódio aos pobres, aos povos e comunidades tradicionais, a população nordestina, a diversidade religiosa e passeiam no imaginário e na prática social que nos configura enquanto nação. Mas sejamos flores, mais uma vez na chegada da primavera.

Nossa luta é feita por antepassados e descendentes daquelas e daqueles que constituíram quilombos, criaram resistência, deram parte de suas vidas na luta por pão, terra e trabalho. Pelas gerações que saíram às ruas, mesmo com todas as restrições para dizer não às ditaduras impostas em nosso país. De mulheres, negras e negros, de professoras e pedreiros que construíram as riquezas e morreram sem delas aproveitar.

Mas deixaram para essa geração a responsabilidade que dia a dia vem se construindo na continuidade da luta pela reforma agrária, moradia, agroecologia, feminismo, pelo direito de viver. Essa nossa geração tem conseguido um congresso mais feminismo e feminista, de mulheres negras e indígenas. Mas tem conseguido continuar construindo os movimentos sindicais, mesmo após a reforma trabalhista e previdenciária. Essa geração, a qual fazemos parte, resiste mesmo com tantas barragens em risco, para dizer não ao modelo de nação que não cabe aos pobres.

É hora de esperançar, como ensina Paulo Frente, de lutar por noites vivas como ensina Lélia Gonzalez, de acreditar que a nossa luta coletiva nos trará um amanhã de liberdade parafraseando Rosa Luxemburgo. Precisamos de todas, todes e todos para que o Lula ganhou as eleições e conseguirá sim ter a base social necessária para governar. Precisamos acreditar em nós, na beleza que temos, por sermos uma classe trabalhadora que resiste aos tempos, mantém a nossa diversidade e caminha pela alvorada para que a tristeza do hoje seja substituída para um dia que venha nascer feliz.

02/11/2022 - Leonardo Koury Martins é assistente social, professor, conselheiro do CRESS-MG e militante da Frente Brasil Popular.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Colaboradores XVII: Necropolítica Colonial

Necropolítica Colonial

O Grito - Edvard Munch - Imagem da Web
A necropolítica, que dizima os indígenas, retira os direitos trabalhistas, aumenta o preço dos alimentos, gás e gasolina, aumenta a violência urbana, polui rios e mares, agride as matas, autoriza garimpos, boiada e mineração em áreas de preservação, beneficia os milionários megaempresários, banqueiros e latifundiários, está destruindo todo um processo democrático conquistado com muitas lutas por direitos durante anos.

O Brasil está um caos. As ruas temerosas. Carência de tudo o que se possa imaginar. O próximo presidente terá um desafio imenso para tentar reconstruir quatro anos de destruição, ou, a depender do eleito, enlamear mais ainda o país. Um país vendido, a velha colônia. Tudo parece irrecuperável.

O neoliberalismo, o Estado mínimo, o sucateamento do serviço público, o aumento expressivo da pobreza e a privatização de bens importantes do país, vendidos à valores irrisórios, apontam o fim da democracia e uma nova ditadura, cuja máscara não disfarça mais. O povo parece cansado e foge à luta.

A passividade diante do caos é um indício de falta de perspectiva de melhoria. "Todo ano tem eleição e continua a mesma porcaria", ouvi de uma moça esperando no ponto de ônibus, ônibus que nunca chegava. E aí? Aí que eu não sei.

06/05/2022 - Marie S.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Colaboradores XVI: Os perigos do relativismo e do negacionismo rondam a vida social

Os perigos do relativismo e do negacionismo rondam a vida social

Leonardo Koury Martins*


A construção da vida social não é linear e nem mesmo presa na lateralidade das condições ideais. A sociedade vivencia a partir da amplitude das oportunidades e dos direitos constituídos como irá caminhar dia após dia. Na vida social, não existe apenas o mundo do trabalho ou da família, mas as instituições religiosas, esportivas, o papel do lazer e da cultura propiciam avanços, mas também, por vezes, regressos coletivos inimagináveis.

É nesse processo que o relativismo e o negacionismo podem se tornar grandes vilões dos direitos conquistados pela classe trabalhadora. Esses vilões no Brasil apregoam nos últimos anos proporções nunca antes sentidas por nossa geração. A presença de governos que ignoram o saber científico e relativizam a realidade social e econômica da população em geral, amplia as vozes intolerantes que acreditam que os termos vida e morte são uma questão de opinião.

Para contribuir com as reflexões sobre estes fenômenos, o relativismo é do ponto de vista epistemológico a afirmação da relatividade do conhecimento humano e a inconscibilidade do absoluto e da verdade. É neste processo que à razão de fatores aleatórios e/ou subjetivos se tornam inerentes ao processo cognitivo.

Quanto ao negacionismo é a escolha de desacreditar na realidade como forma de escapar de uma verdade desconfortável. Quando tratamos do conhecimento baseado na ciência, o negacionismo deve ser definido como a rejeição dos conceitos básicos, incontestáveis e apoiados por consenso científico a favor de ideias que ao mesmo tempo são radicais e também controversas.

Se explicam esses fenômenos aliados à pandemia quando os governos em geral ignoram desde o papel da ciência (como no caso da celeridade na vacinação), quanto a não tomada de medidas sanitárias (ausência do papel do Estado por normatizar as restrições e o distanciamento); que possam diminuir os casos de contaminação. Nos equilibramos nos últimos anos entre ignorar a realidade pandêmica, quanto relativizar os limites e os desafios para a saúde coletiva e para o direito à vida, esses tão necessários.

Porém os desafios vão além da Pandemia, que neste estágio entre sintomas gripais diversos afetam milhões de pessoas por dia em todo o mundo a partir da infecção e óbito de crianças, idosos e pessoas com baixa capacidade imunológica. A irresponsabilidade quanto ao aumento dos casos de Covid19 e o H3N2 são pontas de um iceberg que se encontram em nossos mares.

É a partir do negacionismo e do relativismo os casos de feminicídio, de lgbtfobia, de desmatamento nas florestas, dos ataques às populações das favelas e do campo se ampliam e normalizam no imaginário social. O respeito a vivência e a cultura dos povos e comunidades tradicionais, assim como o ataque aos direitos públicos estão interligados hora porque não se acredita na importância da história e hora na imobilidade de reação futura, por acreditar que não existe nada mais a se fazer.

Mas, existe entre esses vilões dos direitos conquistados a capacidade de esperançar. O verbo pronunciado pelo educador Paulo Freire, a partir da palavra esperança. A racionalidade dominante, como descreveu Milton Santos, é incapaz de nos convencer que as “coisas” sempre foram e sempre serão assim. Nas marés mais cheias, também existem os ventos que sopram a favor das pessoas que negavam, são os ventos da esperança.

É na esperança que possamos visualizar a tarefa de que todas as vezes que dizemos não às práticas do relativismo e do negacionismo, nós nos (re) posicionamos. E quando fazemos isso, várias vezes ao longo do dia; e no dia a dia de todos os dias; temos uma esperança maior do que a nossa própria existência.

Essa esperança e este esperançar é parte do projeto popular que não apenas nos inspira no Brasil, mas em toda a América Latina e no mundo. Um outro mundo é possível, e necessário.

25/01/2022 - *LeonardoKoury Martins

Leonardo Koury Martins é assistente social, professor, conselheiro do CRESS-MG e militante da Frente Brasil Popular

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Colaboradores XV: O Mito da Desgraça

O Mito da Desgraça

Imagem da web

Ele é realmente um mito. O mito da desgraça, da morte, da violência, da violação de direitos. Poderia escrever um livro: Como destruir um país com louvor e glória. Os filmes e documentários da ditadura militar não diferem muito dos tempos sombrios em que vivemos. A desigualdade social aumenta consideravelmente. Quem é rico no Brasil, principalmente os homens do agronegócio, esses mesmos que passam a boiada na Amazônia, os megaempresários isentos de pagar impostos milionários, os bancos, ficaram mais ricos, e os pobres, mais pobres.
 
Um auxílio eventual em dinheiro compra mais votos que uma política de inclusão e empregabilidade. O processo eleitoral em 2022 promete ser sujo e amoral. É preciso um levante da esquerda, mas será tamanho estrago reversível? O patrimônio brasileiro vendido arbitrariamente e abaixo do valor de mercado não pode ser comprado de volta, a árvore queimada ou derrubada não volta, um ente que morreu pela ausência da vacina ou falta de oxigênio, não volta.

Há quantos anos não víamos tantos pedintes famintos pelas ruas? Crianças são vistas cada vez com maior frequência no meio do tráfico e prostituição. A miséria é moral, física e mental.
Estamos em um labirinto, desmotivados e cansados. Quantas lutas por direitos e herois mortos ou presos, para tudo ser desmontado, desconstruído tempos depois.

O povo não quer auxílio; quer emprego, quer ser visto e não usado como número nas urnas, incluído e não marginalizado.

O abismo social só aumenta. E a reversão, caso seja possível, demandará muito trabalho e união. Sem essa de bandeira do Brasil versus bandeira vermelha. Aliás, a bandeira do Brasil foi indevidamente apropriada pelos fanáticos. Um povo desunido, separado e em conflito, é um povo fraco. A luta exige união e a união faz a força e açúcar, como dizem.

O Natal está aí. Mesas fartas e desperdício de alimento de um lado e do outro, pratos vazios.

Que não nos calem novamente. Porque sempre haverá um de nós lutando diariamente pelos nossos direitos e pelos direitos dos outros. Estamos em todos os lugares. Sejamos a fala dos sem voz!

15/12/2021 - Liberté, Égalité, Fraternité

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Colaboradores XIV: Se comer é um direito, a fome por consequência é uma escolha política

Se comer é um direito, a fome por consequência é uma escolha política

 

"Há a necessidade de políticas públicas que atendam a demanda trazida no último período pelas lutas e pelos atos de rua: vacina no braço e comida no prato" - Roberto Parizotti

 Leonardo Koury Martins*

 

Imagem da web

Enfrentar a fome deve ser parte de uma agenda política governamental

Ao longo de séculos, o fim da escravidão ainda deixa rastros sociais e econômicos no Brasil, que foi configurado a partir da realidade de pobreza e fome vivenciada por milhões de pessoas. Não por acaso, o país que mais produz alimentos no mundo tem governos que não tratam a fome como agenda pública. Se comer é um direito, a fome por consequência é uma escolha política.

Na semana da alimentação saudável – que a partir do dia mundial da alimentação (16 de outubro) integra diversas lutas em um amplo calendário político apresentado pelos movimentos populares – se busca a atenção sobre o direito humano à alimentação adequada. No Brasil, este direito está previsto no artigo 6º da Constituição e em diversos instrumentos jurídicos, como a Lei Federal 11.346/06 que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, articulando um amplo cronograma de políticas estaduais e municipais.

Porém, na atual conjuntura, de um total de 211,7 milhões de brasileiros, 116,8 milhões convivem com algum grau de insegurança alimentar, de acordo com a pesquisa apresentada em 2021 pela Rede de Pesquisadores em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), cujo tema é insegurança alimentar em meio à pandemia de covid-19. A fome atravessa a vida da população que sofre com o desemprego, a ausência de políticas eficazes de acesso à renda e de fortalecimento do trabalho cooperativo.

Como resultado da ausência de políticas públicas no enfrentamento à pobreza e à fome, assistimos todos os dias a rotina de pessoas que fazem filas para a doação de ossos, famílias que complementam a sua alimentação com ração animal, ou mesmo o agrupamento ao redor de caminhões de lixo. Esse cenário coloca para a sociedade que não vivemos um problema individual, apenas dos que têm fome, como nos ensina Carolina Maria de Jesus.

Em todo o território brasileiro a produção de alimentos é possível. E também, em todo o país, há a necessidade de políticas públicas que atendam a demanda trazida no último período pelas lutas e pelos atos de rua: vacina no braço e comida no prato.

O projeto de ampliação do direito à alimentação e à nutrição, no primeiro quarto do século 21, apresentava por meio do governo Lula uma série de políticas articuladas entre o campo e a cidade. Desde programas de aquisição de alimentos, compra da alimentação escolar, fomento à agroecologia, mas também relacionada à política de assistência social e à transferência de renda como direito social.

Aliada ao fomento da geração de emprego e renda, e de uma ampla capacidade de seguranças garantidas pelo Estado, a economia nacional possibilitou a retirada de 40 milhões de pessoas da linha da pobreza extrema. Porém, é um trabalho que descontinuado traz à realidade as recorrentes cenas de desespero e de indignidade vividas por tantas famílias no país.

Não há dúvidas que a fome deve ser enfrentada e deve ser parte de uma agenda política governamental. As experiências que vivemos nos governos Lula e Dilma, interrompidas no golpe de 2016, nos dão fôlego para resistir e lutar. Romper com a escravidão da fome só será possível se neste momento conseguirmos dizer não ao genocídio que nos ceifa vidas todos os dias. Um projeto popular é necessário.

08/11/2021 - *LeonardoKoury Martins

Leonardo Koury Martins é assistente social, professor, conselheiro do CRESS-MG e militante da Frente Brasil Popular

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Colaboradores XIII: NEM ZEMA E NEM BOLSONARO IRÃO RESOLVER O PROBLEMA DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS

NEM ZEMA E NEM BOLSONARO IRÃO RESOLVER O PROBLEMA DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS

Leonardo Koury Martins*

Na semana passada, Zema afirmou que não é responsável pelo alto preço dos combustíveis. O Governador, propõe que só as privatizações irão resolver este problema.

Através de pesquisa o DIEESE, apresenta que o menor preço do litro da gasolina encontrado em Minas Gerais era de R$ 5,899 em Uberlândia, no Triângulo; e o maior custo nas bombas chegou a R$ 6,759 em Paracatu, no Noroeste do estado. O preço médio foi de R$ 6,185 por litro entre os dias 15 e 21 deste mês.

Importante ressaltar que no ano de 2016, o preço médio da gasolina no Brasil era de R$ 2,79. O que fazia os preços serem acessíveis neste momento era a garantia de que a riqueza produzida pelo povo deveria estar a serviço de toda população.

A dolarização não está apenas no custo final dos combustíveis, mas no preço dos alimentos e de várias outras necessidades básicas. A população brasileira hoje paga preço internacional para usufruir do que é produzido no país.

Por isso, estar atentas e atentos ao que tange a soberania nacional, é necessário. O golpe vivenciado por toda população não tem limite e localidade geográfica. Portanto, defender os serviços públicos e as estatais são bandeiras de luta do tempo presente.

02/09/2021 - *LeonardoKoury Martins

Leonardo Koury Martins é assistente social, professor, conselheiro do CRESS-MG e militante da Frente Brasil Popular.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Colaboradores XII: É preciso parar! Não podemos romantizar o acúmulo de trabalhos e a polivalência

É preciso parar! Não podemos romantizar o acúmulo de trabalhos e a polivalência

Leonardo Koury*

 

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Bruno Aziz

Passados mais de um ano, a Pandemia provocada pelo Coronavírus 19, trouxe a aceleração de mudanças no mundo do trabalho e na relação cotidiana entre as pessoas que não podem ser consideradas frutos da modernidade. A lógica da multitarefa e a leitura frente às inovações informacionais e tecnológicas todos somos capazes de administrar melhor o tempo para resolver inúmeras questões, não pode ser um caminho para a verdade. É preciso questionar!

Esta perspectiva de polivalência no trabalho esconde a categoria da mais-valia, a qual procura retirar na venda da força de trabalho todo o nosso suor. A ideia de ser colaborador, não se faz em um mundo em que o resultado desta economia é a venda da força de trabalho. A proposta de vestir a camisa, não nos torna igualitários entre patrão e empregados. A condição de dar o sangue (querem nosso suor e sangue), não nos faz estar aproximados na mesma condição de justiça.

O que se pretende com a lógica de apresentar o conforto do trabalho remoto é mais uma etapa de precarização da vida humana. O acúmulo de trabalho não é utilidade, deve ser lido por nós, frente a desigualdade provocada pelo sistema de produção vigente que nos condiciona a acreditar que somos parte de uma riqueza que é socialmente produzida, mas não se reparte. O capitalismo quer que nós, a classe trabalhadora, romantize a utopia de que estamos chegando lá. Que lá? Quem lá?

Ser útil, não significa estar disponível a toda hora. É necessário parar!

Nossas vidas, não podem ser determinadas, a partir do pressuposto de que estamos a serviço de um mercado que não nos incluiu. As decisões dos donos dos meios de produção no COVID19 trataram que a economia não pode parar, mesmo que custe as nossas vidas. Nos ônibus ou por trás das telas, morremos entre o vírus e o Genocídio anunciado.

Portanto, é necessário parar! É importante entender o ser social para além do trabalho. Até mesmo para compreender a que custas existimos.

No processo de produção capitalista a exploração nos tira a real capacidade de sermos felizes, uma vez que as nossas condições materiais básicas são construídas a prestação. Na venda a venda na nossa mão de obra, de uma produtividade a cada dia mais barata e fragilizada.

Ao parar, podemos compreender o horizonte que não nos inclui. Na parada podemos olhar para trás. No momento da “paragem”, conseguimos ver que a nossa diversidade enquanto classe não compõe os espaços de poder. É neste movimento de paralisação que temos a capacidade teleológica de refletir, que podemos nos comprometer com o poder popular. Que traz à distância como capacidade de síntese para uma nova alvorada.

Parar não significa estabilidade, ao contrário, significa mudança.

Uma outra ordem, é possível, urgente e necessária!

17/08/2021 - *LeonardoKoury Martins

Leonardo Koury Martins é assistente social, professor, conselheiro do CRESS-MG e militante da Frente Brasil Popular.

[Matéria correlata: Radiografia da nova contrarreforma trabalhista]

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Colaboradores XI: O Direito à Política de Assistência Social

O Direito à Política de Assistência Social

Leonardo Koury*

 

Arquivo pessoal

A Assistência Social, ainda mais neste momento de extrema calamidade tendo a população a escolha cotidiana entre morrer de fome ou de covid deve estar sendo uma reflexão cotidiana para este ano. Aprender que todo trabalhador da política de assistência social é por si um comunicador em potencial. Gramsci tinha razão quando colocou o conceito de comunicação popular como forma de organizar a população contra aqueles que querem o povo pobre e servil. Que a população usuária deve lutar, pela sua cidadania.

Pois bem, é momento de falar, em especial sobre a Assistência Social e os direitos que na sua garantia podemos fortalecer. Dizer desta política pública descrita na constituição e que ainda muito pouco está presente no dia a dia das pessoas mais simples, seja na cidade ou no campo.

O corte proposto no orçamento pelo Governo Federal para a Assistência Social retoma em alguns meses a volta de um modelo que em boa parte já superamos no país. Nas últimas décadas conversamos com a população, gestores públicos, entidades, trabalhadoras e trabalhadores sobre romper cada vez mais com o assistencialismo e o clientelismo e garantir de forma gratuita (sem dever favor para ninguém) a Assistência Social como um Direito.

Porque não o assistencialismo e o clientelismo? Porque assistencialismo é fazer, mesmo que se justificando como missão ou bom coração, remendos na vida das pessoas que precisam muito mais do que ajuda e clientelismo é agir de forma equivocada, imaginando que o direito a alimentação fica só na cesta básica, ou mais, fica só no favor e que o mesmo pode ser retribuído, as vezes com outro favor ou até mesmo com o voto que deve ser visto como um direito político inegociável, porém estas distorções tiram dos mais pobres o caráter de cidadania.

Pois bem, direitos não podem ser vistos como favor. Não estarei aqui para falar de números, mas para facilitar o entendimento do corte orçamentário no Sistema Único de Assistência Social SUAS, imaginem que antes você tinha 3000 reais e amanhã terá para fazer as mesmas coisas apenas 79 reais. Imagine quando estes três mil deixam de ser mil e se transformam em Bilhões e estes reais pouco passam de mil para financiar todos os estados e municípios brasileiros.

Mas que direitos são estes? Vamos lá! Direitos para todos os seres humanos se organizando enquanto direitos socioassistenciais. Direito da mulher em situação de violência em ser atendida, de que as pessoas em situação de rua possam ter garantido diálogo com o estado de forma ética e respeitando sua cultura e vivências, direitos da população idosa e de pessoas com deficiência de serem compreendidas sobre suas vulnerabilidades temporais.

E como se dão estas vulnerabilidades e risco referente ao trabalho da Assistência Social? Através da oferta de serviços públicos em Centros de Referência no âmbito da Proteção Social Básica (os CRAS) e Proteção Social Especial (os CREAS e outros equipamentos).

E são nestes serviços que se garante a melhor qualidade de vida, a transferência de renda, os encaminhamentos para as políticas de Saúde, Educação, Emprego e Renda, Transporte e vários outros acessos, pois não se trabalha o fim da pobreza, por exemplo, sem pensar em todas as possibilidades do povo ter uma condição de vida melhor e seus direitos de forma integral garantidos.

Contudo direitos são direitos. Nenhum direito a menos é reconhecer que mesmo quando não temos como agora o país vivenciando a Democracia, não devemos abrir mão do que já conquistamos, mesmo que o caráter do Golpe seja contra o povo brasileiro. Viva o Dia D proposto pelo COGEMAS e pelos Fóruns de trabalhadores, entidades e usuários da política de Assistência Social. Nenhum direito a menos se faz na garantia do direito à greve, a paralisar os serviços públicos, em garantir o diálogo com a população sobre o que está posto e na garantia de sonhar no que o Chico Buarque cantou. Um amanhã como um novo dia.

08/07/2021 - *Leonardo Koury Martins - Assistente Social, Professor. Servidor Público da Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves e Conselheiro do CRESS-MG

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Colaboradores X: A segurança alimentar em tempos de Pandemia

A segurança alimentar em tempos de Pandemia

 

Leonardo Koury Martins*

 

 

Imagem de Outras Palavras  

 

Comer é um ato político, como nos ensina Carlo Petrini, porém não garantir acesso à alimentação, em especial na Pandemia provocada pelo COVID19 deve ser considerado uma escolha política. Apesar das iniciativas governamentais como a garantia de continuidade do auxílio emergencial em 2021, assim como a defesa das políticas de transferência de renda a partir de legislações estaduais e municipais, a luta contra a fome vem sendo uma das principais bandeiras nestes tempos.

Se considerarmos a política central como a fome sendo o auxílio emergencial, os dados apresentados pelo portal Dataprev nos traz um enorme alerta. O contingente de 107 milhões de beneficiários diretos tem como público em especial as mulheres, estas responsáveis pelo cadastro e no ano de 2021 aproximadamente 70% recebem o valor médio de 150 reais. No ano passado, o mesmo público tinha o destino de orçamento no valor de 1.200 e 600 reais, o qual foi reduzido pela metade. Neste ano, os desempregados entre 2020 e 2021, não terão acesso ao programa, tendo muitas das vezes como único acesso as cestas básicas que garantem alimentos em maioria industrializados.

A miséria ronda a sociedade brasileira, em especial aos mais pobres. Esta grande preocupação nacional é acompanhada com o lema: vacina no braço a comida no prato, não pode deixar de ser dita! Não é possível um país que alimenta o mundo e tem um dos mais importantes sistemas de saúde ter pessoas se equilibrando nos ônibus entre o COVID e a Fome.

Porém, a saída nesta pandemia de forma emergencial se apresenta a partir de ações governamentais de uma forma delicada. As arrecadações de alimentos e a estratégia de doação de cestas básicas de alimentos e higiene são uma resposta importante, mas precarizada, pois não considera a realidade de longo prazo. Se coloca para a sociedade civil uma responsabilidade que é também estatal.

É na pandemia que a fome, realidade anterior à calamidade, se configura na vida dos mais pobres. E como garantir uma Segurança Alimentar e Nutricional a partir do Estado? Na atualidade, o baixo orçamento destinado para as outras dimensões da vida preocupa o futuro do país. A desproteção da população inicia desde a EC 95 e amplia a precariedade da política de Assistência Social, de Saúde, de Agricultura Familiar, de Geração de Emprego e Renda e de Educação. Políticas Públicas devem ser uma resposta integrada no combate a pobreza e a fome. Além de que a Segurança Alimentar e Nutricional, como preconiza a Lei Federal 11.346/2006. A SAN, como é carinhosamente chamada pelos movimentos sociais só existe se o seu caráter intersetorial for motivado, assim como o respeito a Democracia e a Participação Política, em tempos, que o atual governo extingue o principal instrumento democrático que debate alimentação e nutrição no país: o CONSEA.

O mês de junho, traz a simbologia do Dia Mundial da Segurança Alimentar. O Brasil, foi durante décadas exemplo de enfrentamento à fome, tendo a saída de milhões de famílias da linha da pobreza extrema. Essa trajetória foi construída através da luta pela efetivação do direito em SAN. Não podemos deixar no campo do passado aquilo que mais nos importa, a vida.
 
Lutar pela garantia de acesso a alimentos e que estes sejam produzidos de base agroecológica e que sejam nutricionalmente adequados à população não deve deixar de estar em nossos horizontes. Toda produção científica que apresenta esta realidade como o Inquérito da Insegurança Alimentar, todo apoio aos movimentos camponeses e das cidades e toda oportunidade de trazer o direito à vida no dia a dia das nossas conversas é parte da resistência coletiva que nos marca enquanto povo brasileiro, classe que luta, resiste e sonha, mesmo em tempos turvos como o de agora.


16/06/2021 - *Leonardo Koury Martins é professor, assistente social e militante na Frente Brasil Popular. Post anterior.

sábado, 15 de maio de 2021

Colaboradores IX: Educação tem o poder de nos transformar

Educação tem o poder de nos transformar

 

Leonardo Koury Martins*

 

Ilustração de Edgar Vasques -imagem web

Uma educação libertadora, pressupõe, no conceito mais amplo, perceber, assim como Paulo Freire, que ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.  É preciso construir no dia a dia do mundo uma verdadeira possibilidade de perceber o outro nas suas diferenças pois, se falamos em autonomia e vivemos no coletivo, somente poderíamos viver de forma harmônica se nossa liberdade não nos levasse à prisão, seja ela de forma concreta ou no silêncio do não dito.

Na formulação mais ampla que se atribuiu ao sentido político e pedagógico da educação, a dimensão humanista e criadora de novas possibilidades nos deu as experiências do espaço educativo aplicadas à possibilidade de perceber o quanto é perigoso apenas a teorização dessas perspectivas educadoras, que para alguns campos trouxe apenas a linguagem do politicamente correto. O dizer que se acredita em outras possibilidades pedagógicas apenas para esconder preconceitos e conflitos na busca positivista de um mundo sereno.

Dialogo sobre este papel de teoria e prática, pois acreditar em um modelo transformador de educação é construí-lo justamente com a movimentação do conflito, com a possibilidade da diferença quando essa diferença não a transforma em desigualdade, pois se esta possibilidade de diferença trouxe uma deformidade de condições é porque apenas vivenciamos em nossos discursos, o que não possibilitamos ao coração. Passaríamos assim como Raul Seixas na música “Por Quem os Sinos Tocam” a dizer que convencemos as paredes do quarto e dormimos tranquilos, mas sabemos que no fundo do peito não era nada daquilo, era apenas uma forma do tempo passar.

Continuando, conforme Raul Seixas, a explorar a música, “Por Quem os Sinos Tocam” trazemos a responsabilidade de, antes da aplicação do que chamamos de Projeto Político Pedagógico – PPP lembrando que o mesmo não se serve apenas para a Unidade Escolar,  buscarmos um projeto societário que se permeia também pela educação. Devemos constantemente nos perguntar, por quem fazemos, para quem fazemos e com quem fazemos? Para que diálogo nesta perspectiva? e Essa perspectiva tem o compromisso de mudança ou de apenas manter o modelo de produção como está?

Se nosso planejamento e nossa ação servirem para a continuidade, nosso papel será, como Florestan Fernandes ressalta, aliado daqueles que exploram. Nesse espaço, a educação apenas será o lugar do treinamento e domesticação e não o da educação que desejamos que transmitisse, em seu cotidiano com o mundo, suas possibilidades revolucionárias de pensar o diferente. Sem a possibilidade de construir o novo, apenas nos cabe o estabelecimento da ordem vigente.

Uma educação que se permita ao mundo, deve ser além de humanista, para que ela não perceba apenas a humanidade como transformadora, porque em uma ótica ambiental, nossa construção enquanto humanas e humanos trouxe ao mundo em que vivemos mais degradação do que consolidação do papel educativo, a liberdade. É importante perceber que não simplesmente buscamos  educar, mas vivenciamos a educação no dia a dia do mundo, este sim não pode considerar como educador ou educando apenas os seres humanos, mas todos os seres vivos que contribuem em algum momento com a construção da vida.

Essa educação para a vida tem que perceber nas possibilidades do todo a integralidade das relações que se formam no seu fazer coletivo; desejos de ordem individual ou coletiva se completam e não se priorizam.

Uma nova ordem societária deve ser pensada pelas vias da educação, não se pode ser concretizada se não percebemos a importância de olhar a educação não como possibilidade finalista de atuação, mas como parte de um processo em que percebamos que seres vivos ofertam, de forma individual ou coletiva, a possibilidade de uma construção do todo.

Afinal, dizemos o tempo todo que um mundo melhor precisa de Educação, porém que educação é esta? Para quem ela serve? Com quem ela se constrói? Ela está a serviço de quê?. Não acredito em uma educação que não provoque mudança.

Termino este pequeno pensamento, possibilitando, assim como Buda, uma grande reflexão que nos traz o concreto e abstrato nas nossas possibilidades de observar e possibilitar construções, pois apenas vivemos porque queremos a busca da felicidade, que me impossibilitou acreditar que possa ser apenas minha, pois não vivo sozinho no planeta. Esse pensamento retrata a seguinte expressão: Se as pessoas percebessem que a única realidade definitiva é a mudança, elas seriam mais felizes. Para que eles e elas sejam felizes temos que buscar uma educação para além de tudo já proposto, mas que se proponha a se construir na dialética pela vida.  

15/05/2021 - *Leonardo Koury Martins é professor, assistente social e militante na Frente Brasil Popular. Post anterior.

sábado, 1 de maio de 2021

Colaboradores VIII: Sobre as manifestações DO GADO, hoje, primeiro de maio de 2021

 

Sobre as manifestações DO GADO, hoje, primeiro de maio de 2021
 
 
"QUEM NÃO CONHECE A PRÓPRIA HISTÓRIA, COM CERTEZA, VAI REPETIR OS MESMOS ERROS".
 
Em 1962, 1963 e início de 1964, ainda criança e entrando na adolescência, presenciei manifestações como a de hoje.
 
 

Deu no que deu, até hoje o país não se recuperou do GOLPE. "Coisa ruim" é pródiga em dar cria. É cada ninhada que não tem inseticida que dê conta.
 
Nas décadas de 1920 e 1930, a BOIADA alemã e a BOIADA italiana apoiaram o nazismo e o fascismo. O resultado catastrófico está registrado pelos historiadores.
 
Chile em 1973 e Argentina em 1976 seguiram o modelo golpista brasileiro. Lá, como cá, o resultado foi a prática de atos desumanos - e a miséria continua.
 
Alguém disse: "Brasil, pátria do evangelho, coração do mundo".
QUE DEUS SALVE O MUNDO.
 
01/05/2021 - ailton vale - ailtonvale@yahoo.com.br

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Colaboradores VII: É tudo verdade...

 

É tudo verdade...
 
Renato Sigiliano*
 
 


 

Apenas um pequeno roteiro das primeiras informações numa bela manhã de sábado, colhidas numa rápida visita ao Whatsapp, no surreal Brasil governado por genocidas em plena pandemia de covid-19. 

Neste pequeno roteiro cinematográfico descrevo ipsis litteris uma ‘fala’ do Mourão e associo com algumas notícias que leio quase que simultaneamente no Whatsapp. Junto tudo e revejo homenagem ao Alípio Freire, feita pelo Sato Brasil, a única coisa que realmente salva nesta história toda. Depois assisto de novo um vídeo do Malafaia, pedindo dízimo aos seus fiéis. Lembro do Ricardo Boechat mandando o bispo ‘chupar uma rola’. Pra encerrar, antes do café, imagens de duas mulheres peladas muito bonitas, que não posso mostrar, porque é sacanagem. 

CENA 1: Acordo e vou direto pro celular, que passou a noite carregando na tomada da sala. Se fosse antigamente, pegaria o jornal debaixo da porta. Deito esparramado no confortável sofá, abro a primeira das dezenas, talvez centenas de mensagens que vou ver durante o dia no Whatsapp. O arquivo chama ‘Xeque-mate no STF’ e mostra o general e vice-presidente da República Hamilton Mourão, fardado, sentado diante da bandeira nacional, com dois homens sentados, um de cada lado, numa pequena bancada. O general diz o seguinte, ipsis litteris, o que ele falou e foi gravado, foi transcrito e está escrito aí:  

VOZ DO MOURÃO - ‘’É óbvio que quando nós olhamos com temor e com tristeza os fatos que estão nos cercando, a gente diz, pô, por que não vamos derrubar esse troço todo? Na minha visão, né, e aí é a minha visão que coincide com a dos meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos numa situação daquilo que poderíamos lembrar lá da ‘tábua de logaritmo’, né, aproximações sucessivas, né? Até chegar o momento em que, ou as instituições solucionam o problema político, né, pela ação do judiciário, né, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isto, né? Agora qual é o momento pra isto? Não existe fórmula de bolo, né? Tem... nós temos uma terminologia militar que se chama ‘O Cabral’, né? Uma vez que o Cabral descobriu o Brasil, quem segue o Cabral descobre alguma coisa. Então, não tem Cabral, não existe Cabral de revolução, não existe Cabral de intervenção... nós temos planejamentos... muito bem feitos, né? Então, no presente momento, o que que nós vislumbramos, né? Os poderes terão que buscar solução, se não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E esta imposição ela não será fácil, ela trará problemas, podem ter a certeza disso aí. E a minha geração, isto é uma coisa que as senhoras e senhores têm de ter consciência, ela é marcada pelos sucessivos ataques que a nossa instituição recebeu, de forma... covarde, muito obrigado, Ricardo, né? De forma não coerente com os fatos que ocorreram no período de 64 a 85, né? Isto marcou a geração, a geração é marcada por isto e existem companheiros que até hoje eles dizem assim, poxa, nós buscamos fazer o melhor e levamos pedradas de todas as formas. Mas, por outro lado, né, quando a gente olha o juramento que nós fizemos, o nosso compromisso é com a nação, com a pátria, independente, né, de sermos aplaudidos ou não. O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, né, de qualquer maneira atingir este objetivo. Então, se tiver que haver, haverá. Mas hoje nós consideramos que as aproximações sucessivas terão que ser feitas. Esta é a realidade.’’  

APLAUSOS RALOS AO FUNDO.  

O vídeo é recheado de imagens com transcrições de ‘partes fortes’ do discurso do general, dos oficiais do Alto Comando numa grande mesa, emblemas do ‘Toneladas de Democracia’ e ‘Pé na Porta’. 

CENA 2: Ainda esparramado no sofá, abro um segundo arquivo, agora de texto. Este foi enviado num grupo de amigos com afinidades políticas e reproduz nota publicada na coluna do Ancelmo Gois, do Globo golpista. 

‘’Veja a história que circula no chamado Forte Apache, como é conhecido o Quartel General do Exército, em Brasília: num encontro recente, o ex-comandante do Exército Edson Leal Pujol comentou com Eduardo Pazuello, o ex-ministro da Saúde de Bolsonaro: 

“Pazuello, quando o Bolsonaro lhe proibiu de comprar vacinas, você deveria ter pedido demissão. Obedecendo, você se ferrou e nos ferrou junto”.’’ 

CENA 3: Levanto do sofá, vou até a varanda e vejo a linda manhã de sábado. Mas, meio que automaticamente, volto, pego o celular e de novo esparramo no sofá. Agora abro um arquivo que mostra a página do blog do Ricardo Noblat na Revista Veja, estou muito mal acompanhado hoje. A matéria está linkada também no grupo antibozo. Vi o seguinte: 

TÍTULO: ‘’Mourão prova na pele que vice-presidente para pouco serve’’ 

SUBTÍTULO ‘’Comandante do Conselho da Amazônia é posto à margem da Cúpula do Clima’’   

MATÉRIA (Consegui acessar o início, apesar de não assinar a Veja.): ‘’Tão logo o presidente Jair Bolsonaro indicou seu vice, o general Hamilton Mourão, para comandar o Conselho da Amazônia, assessores de Mourão, em júbilo, se apressaram em confidenciar a jornalistas que o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, conheceria doravante “o que é bom para tosse”.  

Queriam dizer que Salles perderia o protagonismo em uma área em que reinava soberano com a ajuda dos filhos de Bolsonaro e o aval do presidente da República. Mourão animou-se. Fora-lhe dada, afinal, uma boa ocupação depois de amargar tantos meses sem ter o que fazer – salvo sonhar com a renúncia de Bolsonaro.  

Vice-presidente é nada. No Brasil, é só expectativa de poder. Mesmo assim, o destino deles, do fim da ditadura militar de 64 para cá, não tem sido tão infeliz. José Sarney sucedeu a Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse. Itamar Franco a Fernando Collor, derrubado. Pela mesma razão, Temer a Dilma Rousseff.  

A oposição ao governo Bolsonaro prefere que ele sangre até o seu último dia de mandato a ver Mourão no seu lugar. É o trauma da farda que por 21 anos governou o país. E se Mourão desse certo? E se, por dar certo, ele tentasse se reeleger? E se os militares o apoiassem para continuar mandando no país? Fica, Bolsonaro!  

O possível brilho de Mourão no comando do Conselho da Amazônia durou pouco tempo. A ele, Bolsonaro prefere a companhia de Salles. Mourão não foi ouvido nem cheirado sobre a posição que o Brasil deveria adotar na Cúpula do Clima que começa hoje. Limitou-se a dizer para desagrado de Bolsonaro: 

– O Brasil não deve se comportar como mendigo.  

É como deverá comportar-se. ‘’ 

CENA 4: Dou um ligeiro suspiro e vou até a cozinha beber um copão de água. Sempre faço isto em jejum. Enquanto bebo a água, penso que preciso escrever alguma coisa sobre estas primeiras informações do dia. Tenho a ideia de montar esta estrutura de roteiro e incluir com um texto que recebi anteontem, enviado pela Carla, mãe do meu filho, sobre a morte do primo dela, Alípio Freire, que tive o privilégio de conhecer. 

CENA 5: Pego o celular em cima da mesa da sala, volto pro sofá e acesso o arquivo que a Carla mandou. A homenagem a seguir foi escrita por Sato do Brasil e publicada no Jornalistas Livres, anteontem, Dia do Descobrimento do Brasil.   

‘’Seu Alípio Freire. RIP. Mais um dos gigantes que se vai pela COVID. Aqui, no Cordão da Mentira. @cordaodamentira . Lutou contra a ditadura, lutou pelo MST, lutou contra a censura, lutou pela liberdade. Conheci Seu Alípio no Cordão. E pelos Jornalistas Livres, sempre o encontrava onde existisse luta. Manifestações, atos, encontros, debates. Sempre com gentileza, fala tranquila, sua barba imensa, sorriso. Nas entrevistas que eu sempre pedia, ele sempre me respondeu com brilho nos olhos e firmeza nas palavras. Vi imagens de Seu Alípio jovem, vociferando contra as agruras das desigualdades, dando nomes aos bois, botando dedo nas feridas, provocando pensamentos e ideias de transformação da nossa sociedade. Até hoje. Me lembraram de uma história que mostra quem é Alípio Freire. No filme (tenho quase certeza) Hoje, de Tata Amaral @amaral , a personagem de @denisefraga tem medo de sair na rua e encontrar seu torturador dos tempos da ditadura. Uma amiga ou amigo tenta acalmá-la e fala algo assim: “- Uma vez o Alipio Freire estava no metrô e percebeu que o torturador dele estava no mesmo vagão. Ele olhou de frente pro cara com tanta firmeza e altivez que o torturador baixou os olhos e desceu na estação seguinte. Se você encontrar na rua quem te fez mal, faça como o Alípio.” Não sei se o texto era exatamente esse, mas esse com certeza era o Seu Alípio. Tempos de tristeza imensa mas tempos de luta também, não é, Seu Alípio?’’ 

CENA 6: Ainda deitado no sofá, abro vídeo e assisto de novo mais uma vez novamente o pastor picareta Malafaia pedir o dinheiro do aluguel de ‘fiéis’. Depois abro vídeo de uma linda loira sambando pelada. A seguir uma morena musculosa tatuada nua na piscina. Ambos os vídeos enviados por um amigo. Penso que vejo mais mulher pelada em uma única semana, que o meu pai durante a vida dele toda. Não que eu não goste.   

CENA 7: Levanto e vou pra cozinha fazer o café.  

CENA 8: Sento diante do computador pra escrever este pequeno roteiro.

CENA 9: O THE AND parece realmente próximo, esse governo golpista e a picaretagem religiosa realmente são ‘o fim’.

Renato Sigiliano é quase nada, mas gosta muito de beber cerveja com os amigos; é anti bolsonaro raiz, apesar de ter amigos e parentes bolsonaristas; ama o Brasil mais que demonstra o Mourão; e não acredita no deus do Malafaia. 

29/04/2021 - Renato Sigiliano é jornalista. 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Colaboradores VI: Outdoor denuncia Bolsonaro genocida e sofre vandalismo em Muriaé

Outdoor denuncia Bolsonaro genocida e sofre vandalismo em Muriaé

Renato Sigiliano*

 


Dois outdoors denunciando a condução genocida da pandemia no país, feita pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, foram instalados ontem em Muriaé, cidade de 120 mil habitantes da Zona da Mata Mineira. Um deles, na Rua Benedito Valadares, bairro da Barra, ficou pronto no final da manhã.

O segundo, na Rua Santa Rita, foi entregue no final da tarde. Ambas as ruas têm grande circulação e muita visibilidade.

A ação foi amplamente elogiada nas mídias sociais, mas irritou bolsonaristas, que ontem mesmo, por volta das 21h, vandalizaram o outdoor da Rua Santa Rita. ''Como esta gente pode negar que o Bolsonaro é genocida?

Parece que se recusam a constatar o óbvio'', comentou um senhor ao ver a pichação. Ele disse que está desempregado e preferiu não se identificar.
 
“Eu até gostei desta pichação que fizeram, ficou abstrata. Todo mundo continua vendo e entendendo os dizeres, Bolsonaro genocida, e ainda pode ver a assinatura, feita com a tinta vermelha usada pelo pichador, que simboliza o sangue das mais de 350 mil vítimas da ação e omissão deste governo genocida, além da dor dos entes queridos'', acrescentou uma jovem que também preferiu não se identificar.

Nos últimos três anos, Muriaé abrigou vários outdoors pró Bolsonaro e nenhum sofreu qualquer ato de vandalismo.

É sintomático que estes, os primeiros denunciando a pior condução da pandemia em todo o mundo, não tenha sobrevivido cinco horas.

19/04/2021 - Renato Sigiliano é jornalista.

terça-feira, 30 de março de 2021

Colaboradores V: COMO A TELEVISÃO INVERTE A TRISTE REALIDADE DO AUXÍLIO EMERGENCIAL EM 2021

 

COMO A TELEVISÃO INVERTE A TRISTE REALIDADE DO AUXÍLIO EMERGENCIAL EM 2021

Leonardo Koury Martins*
 

Alguém consegue sobreviver com 150 reais mês? Segundo alguns canais de TV como apresenta a imagem desta publicação é possível viver inclusive com 5 reais por dia.

O papel do Jornalismo tem como responsabilidade defender a verdade e os Direitos Humanos. A verdade é que as famílias pobres não conseguem viver com tamanhas limitações. 

Além do mais a reportagem apresenta uma forma de limitar o Direito Humano à Alimentação Adequada sem valorizar a Soberania Alimentar e a Agricultura Familiar como alternativas ao consumo de industrializados.

O que vai garantir uma qualidade de vida melhor para a população é a Plena Democracia. Desde 2016 o destino do país está nas mãos da Direita Neoliberal e do negacionismo humano.

O que resta lutar é pelo Fora Bolsonaro e por todo modelo político neoliberal que se encontra disposto na atualidade. Não podemos esquecer que a Renda e a Cidadania devem ser encarados enquanto um direito e não como favor.

Salvar vidas neste período de Pandemia se trata em garantir enquanto essencialidade pública acesso para a população à Saúde, à Assistência Social, à Segurança Alimentar e Nutricional dentre outras políticas sociais. Porém o dia a dia do trabalho nestas políticas não pode nos deixar robotizados pela tarefa. É necessário se posicionar contra as violências praticadas pelo neoliberalismo em nossas vidas. E como o tempo não para, a luta é o que muda, o resto só ilude.

30/03/2021 - *Leonardo Koury Martins é professor, assistente social e militante na Frente Brasil Popular. Post anterior.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Colaboradores IV: QUEM PRODUZ A RIQUEZA

 
[Koury nos brinda com um artigo - exclusivo - necessário, pois esclarecedor e ao mesmo tempo didático, para tempos tão difíceis!]

 

QUEM PRODUZ A RIQUEZA

Leonardo Koury Martins*

 

Imagem: Capa do livro de Ricardo Antunes, Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil IV

 

Quem realmente produz riqueza? Não há dúvidas seja pelo acúmulo teórico ou pelas experiências práticas de dois séculos do modo de produção capitalista.

Quem produz a riqueza que vem das fábricas e do campo?

Os operários e operárias que em seus postos de trabalho atuam constantemente. Não é diferente as situações das lojas dos comércios em que as vendedoras e vendedores se desdobram para vender o que está ali exposto. Das lanchonetes das periferias, no serviço público e até mesmo nas empresas de comunicação.

Quem vive de salário é trabalhador, é trabalhadora. Diretores de empresas, chefes de repartição não são patrões. São também funcionários, que vendem sua força de trabalho.

Em resumo, quem trabalha é a classe trabalhadora.

Mas não é ela quem fica com a riqueza. Por quê? A resposta está na diferença entre tudo que se gastou para produzir e o total do que se vendeu. O excedente é o que se chama mais-valia.

Essa diferença fica para os patrões, que enganam o povo trabalhador oferecendo o salário como recompensa pelo trabalho produzido. O salário é apenas parte, e uma parte pequena, da riqueza produzida pelo trabalhador.

Precisamos ter consciência que o dono de uma rede supermercados, o patrão (não estamos falando do gerente este é o trabalhador também) em nenhum momento esteve no caixa, no estoque ou mesmo cultivando legumes e hortaliças.

Enquanto escrevo este singelo texto, meus patrões (a burguesia) voam possivelmente para a Suíça com vistas a aproveitar o inverno europeu. Trabalharam muito? Férias? Não. Apenas contratam quem administra nossas vidas e suas riquezas que foram produzidas por nossas mãos.

A consciência é o momento em que paramos de competir pela vaga do trabalho do outro, de julgar os colegas, de compreender que todas as dores ali têm uma causa. Esta causa a cada dia se torna mais esquecida pela alienação. A alienação é o Alzheimer social que nos deixa a cada momento mais distante de romper com a possibilidade de termos um futuro livre.

Ah! A liberdade.

Para os ricos, nossa liberdade tem o preço de sua morte econômica, mas para nós, a nossa liberdade tem o preço de não mais ter preço. A vida e a liberdade não têm preço.

17/03/2021 - *Leonardo Koury Martins é professor, assistente social e militante na Frente Brasil Popular. Post anterior.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Colabadores III: Inflação

Inflação

Lembro que há um tempo eu ia ao mercado com 10 reais e saía com uma sacola. Hoje saímos com 1 sacola com no mínimo 50 reais (quem tem 50 reais né). Ontem paguei 1,20 em uma cebola. Nem precisa descascar para chorar. Pão já foi 20 centavos e passagem de ônibus já foi 69 centavos. Eu bem me lembro. As melhores carnes, as melhores laranjas, o café e a soja vão para exportação e o brasileiro fica sem carne porque é uma fortuna. Estou usando banha na cozinha porque não pago 8 reais numa lata de óleo! Somos muito desrespeitados internamente! 

23/02/2021 - Liberté, Égalité, Fraternité

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Colaboradores II : ​De 2016 para cá! Os ministros e o novo Ministério da Cidadania de João Roma

[Koury, da área da Assistência Social Pública, traça um panorama dos perigos e ameaças que o setor poderá sofrer.]

 

De 2016 para cá! Os ministros e o novo Ministério da Cidadania de João Roma

 



Sem dúvidas não anda fácil nossa vida, mas quando foi? Ainda mais depois do Golpe de 2016, da aprovação da EC 95, Lei de Terceirização, Reformas da Previdência e do Trabalho.​ ​Mas falando sobre ministros e ministérios! Osmar Terra, indicado por Temer, é médico dono de uma rede de Comunidades Terapêuticas. Trouxe do Criança Feliz a ideia de internação compulsória aos adolescentes (decreto 9926/19) e adultos forçando as normativas do ECA principalmente.

Ônix entregou o SUAS para Paulo Guedes. Um ministério subserviente à Economia, até o auxílio emergencial migrou para o Dataprev (que é hoje uma ferramenta fora da previdência social, alimentada por uma empresa privada). Com Ônix tivemos mais portarias do que diálogo nas instâncias de controle social e de pactuação. Sem falar no novo cadastro único.

Com o novo Ministro João Roma, indicado de ACM Neto, teremos também na base do Ministério da ​Cidadania​ os neopentecostais, reinando por completo os cargos dos ministérios Lá tem o SUAS, a Segurança Alimentar e Nutricional e o que sobrou de muitas das nossas regulamentações. O pacto do Governo via DEM para 2022 é maior do que as demandas dos mais pobres.

O que temos que ter nos nossos horizontes é que sem fortalecer os segmentos do SUAS não vamos dar conta das mudanças rotineiras que eles colocam para nós. Fortalecer os Conselhos, os Fóruns e as Frentes de Defesa é a nossa principal estratégia. Não há muito o que fazer diferente disso.

Nossa luta é árdua, sim. Mas não são mais os governos do PT. Saudades do passado ou não, no hoje temos a luta como principal instrumento para resistir e poder continuar sonhando.​ ​Parafraseando Mário Quintana, Eles passarão, (nós) passarinho!.​ ​Somos mais importantes para o povo que eles, não nos esqueçamos disso.

19/02/2021 - Leonardo Koury Martins - publicado originalmente no blog do autor.
 
Leonardo Koury assistente social do SUAS​ em Ribeirão das Neves​ e professor em Belo Horizonte.