A segurança alimentar em tempos de Pandemia
Leonardo Koury Martins*
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Comer é um ato político, como nos ensina Carlo Petrini, porém não garantir acesso à alimentação, em especial na Pandemia provocada pelo COVID19 deve ser considerado uma escolha política. Apesar das iniciativas governamentais como a garantia de continuidade do auxílio emergencial em 2021, assim como a defesa das políticas de transferência de renda a partir de legislações estaduais e municipais, a luta contra a fome vem sendo uma das principais bandeiras nestes tempos.
Se
considerarmos a política central como a fome sendo o auxílio
emergencial, os dados apresentados pelo portal Dataprev nos traz um
enorme alerta. O contingente de 107 milhões de beneficiários diretos tem
como público em especial as mulheres, estas responsáveis pelo cadastro e
no ano de 2021 aproximadamente 70% recebem o valor médio de 150 reais.
No ano passado, o mesmo público tinha o destino de orçamento no valor de
1.200 e 600 reais, o qual foi reduzido pela metade. Neste ano, os
desempregados entre 2020 e 2021, não terão acesso ao programa, tendo
muitas das vezes como único acesso as cestas básicas que garantem
alimentos em maioria industrializados.
A miséria ronda a sociedade brasileira, em especial aos mais pobres. Esta grande preocupação nacional é acompanhada com o lema: vacina no braço a comida no prato, não pode deixar de ser dita! Não é possível um país que alimenta o mundo e tem um dos mais importantes sistemas de saúde ter pessoas se equilibrando nos ônibus entre o COVID e a Fome.
Porém,
a saída nesta pandemia de forma emergencial se apresenta a partir de
ações governamentais de uma forma delicada. As arrecadações de alimentos
e a estratégia de doação de cestas básicas de alimentos e higiene são
uma resposta importante, mas precarizada, pois não considera a realidade
de longo prazo. Se coloca para a sociedade civil uma responsabilidade
que é também estatal.
É na pandemia que a fome, realidade anterior à calamidade, se configura na vida dos mais pobres. E como garantir uma Segurança Alimentar e Nutricional a partir do Estado? Na atualidade, o baixo orçamento destinado para as outras dimensões da vida preocupa o futuro do país. A desproteção da população inicia desde a EC 95 e amplia a precariedade da política de Assistência Social, de Saúde, de Agricultura Familiar, de Geração de Emprego e Renda e de Educação. Políticas Públicas devem ser uma resposta integrada no combate a pobreza e a fome. Além de que a Segurança Alimentar e Nutricional, como preconiza a Lei Federal 11.346/2006. A SAN, como é carinhosamente chamada pelos movimentos sociais só existe se o seu caráter intersetorial for motivado, assim como o respeito a Democracia e a Participação Política, em tempos, que o atual governo extingue o principal instrumento democrático que debate alimentação e nutrição no país: o CONSEA.
O mês de junho, traz a simbologia do Dia Mundial da Segurança Alimentar. O Brasil, foi durante décadas exemplo de enfrentamento à fome, tendo a saída de milhões de famílias da linha da pobreza extrema. Essa trajetória foi construída através da luta pela efetivação do direito em SAN. Não podemos deixar no campo do passado aquilo que mais nos importa, a vida.
Lutar
pela garantia de acesso a alimentos e que estes sejam produzidos de
base agroecológica e que sejam nutricionalmente adequados à população
não deve deixar de estar em nossos horizontes. Toda produção científica
que apresenta esta realidade como o Inquérito da Insegurança Alimentar,
todo apoio aos movimentos camponeses e das cidades e toda oportunidade
de trazer o direito à vida no dia a dia das nossas conversas é parte da
resistência coletiva que nos marca enquanto povo brasileiro, classe que
luta, resiste e sonha, mesmo em tempos turvos como o de agora.
16/06/2021 - *Leonardo Koury Martins é professor, assistente social e militante na Frente Brasil Popular. Post anterior.

Um comentário:
Nosso trabalho na assistência social vai contra a realidade decadente do país. Nosso trabalho é RESISTÊNCIA.
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