É preciso parar! Não podemos romantizar o acúmulo de trabalhos e a polivalência
Leonardo Koury*
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| Bruno Aziz |
Passados mais de um ano, a Pandemia provocada pelo Coronavírus 19, trouxe a aceleração de mudanças no mundo do trabalho e na relação cotidiana entre as pessoas que não podem ser consideradas frutos da modernidade. A lógica da multitarefa e a leitura frente às inovações informacionais e tecnológicas todos somos capazes de administrar melhor o tempo para resolver inúmeras questões, não pode ser um caminho para a verdade. É preciso questionar!
Esta perspectiva de polivalência no trabalho esconde a categoria da mais-valia, a qual procura retirar na venda da força de trabalho todo o nosso suor. A ideia de ser colaborador, não se faz em um mundo em que o resultado desta economia é a venda da força de trabalho. A proposta de vestir a camisa, não nos torna igualitários entre patrão e empregados. A condição de dar o sangue (querem nosso suor e sangue), não nos faz estar aproximados na mesma condição de justiça.
O que se pretende com a lógica de apresentar o conforto do trabalho remoto é mais uma etapa de precarização da vida humana. O acúmulo de trabalho não é utilidade, deve ser lido por nós, frente a desigualdade provocada pelo sistema de produção vigente que nos condiciona a acreditar que somos parte de uma riqueza que é socialmente produzida, mas não se reparte. O capitalismo quer que nós, a classe trabalhadora, romantize a utopia de que estamos chegando lá. Que lá? Quem lá?
Ser útil, não significa estar disponível a toda hora. É necessário parar!
Nossas vidas, não podem ser determinadas, a partir do pressuposto de que estamos a serviço de um mercado que não nos incluiu. As decisões dos donos dos meios de produção no COVID19 trataram que a economia não pode parar, mesmo que custe as nossas vidas. Nos ônibus ou por trás das telas, morremos entre o vírus e o Genocídio anunciado.
Portanto, é necessário parar! É importante entender o ser social para além do trabalho. Até mesmo para compreender a que custas existimos.
No processo de produção capitalista a exploração nos tira a real capacidade de sermos felizes, uma vez que as nossas condições materiais básicas são construídas a prestação. Na venda a venda na nossa mão de obra, de uma produtividade a cada dia mais barata e fragilizada.
Ao parar, podemos compreender o horizonte que não nos inclui. Na parada podemos olhar para trás. No momento da “paragem”, conseguimos ver que a nossa diversidade enquanto classe não compõe os espaços de poder. É neste movimento de paralisação que temos a capacidade teleológica de refletir, que podemos nos comprometer com o poder popular. Que traz à distância como capacidade de síntese para uma nova alvorada.
Parar não significa estabilidade, ao contrário, significa mudança.
Uma outra ordem, é possível, urgente e necessária!
17/08/2021 - *LeonardoKoury Martins
Leonardo Koury Martins é assistente social, professor, conselheiro do CRESS-MG e militante da Frente Brasil Popular.
[Matéria correlata: Radiografia da nova contrarreforma trabalhista]

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