31 de dezembro de 2014

Rede Brasil Atual: 'País está entregue à ignorância dos macroeconomistas', diz Belluzzo

Belluzzo, uma voz moderada em tempos de histeria induzida e fascista! relacionado.

Entrevista

Rede Brasil Atual: 'País está entregue à ignorância dos macroeconomistas', diz Belluzzo
 

Economista volta a defender a Petrobras e diz que companhia é vítima da 'lógica de dois grupos: um que quer simplesmente destruí-la, outro que quer privatizá-la'

São Paulo – A economia brasileira não tem como crescer com as políticas que devem ser adotadas pela equipe econômica do governo que se inicia nesta quinta-feira (1°). Baseado no chamado tripé macroeconômico – cujos pilares são meta de inflação, câmbio flutuante e superávit fiscal –, esse conjunto de princípios só interessa ao mercado financeiro. A opinião é do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, para quem os governos se submetem ao comando dos interesses desse mercado globalizado desde 1994.

Em sua opinião, os custos decorrentes dessa aliança em que só um lado ganha podem comprometer o emprego e a renda nos próximos anos. “Eles acham que devemos adotar as políticas que foram executadas na Europa e não deram certo, mas que aqui vai funcionar. O que vai acontecer? Eles vão cortar renda e emprego. Só que isso vai ser feito com uma recessão”, prevê. “O país está entregue à ignorância dos macroeconomistas.”

De acordo com Belluzzo, existe um consenso equivocado em torno da economia do país segundo o qual não há alternativas senão as do ajuste fiscal e do tripé macroeconômico, contemplados pela nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda. “O problema da discussão nos termos em que ela é feita pela imprensa e pelos economistas é como se isso fosse uma espécie de caminho infalível para recuperar o crescimento, e não é verdade”, critica.

Em entrevista à RBA, o economista diz que “previsão de economista está sujeita a chuvas e trovoadas”. Mas acrescenta que, devido a alguns indicadores, acredita que “a economia já está resvalando numa recessão”.

A situação da indústria, para ele, é significativa. Segundo o IBGE, por exemplo, os índices do setor industrial foram negativos não só no fechamento do terceiro trimestre de 2014 (-3,7%), como no acumulado dos nove meses do ano (-2,9%), em comparações com iguais períodos do ano anterior.

Belluzzo voltou a defender a Petrobras. Para ele, é preciso separar as denúncias de corrupção da importância da companhia para o país. “Não há que se misturar – e é o que a imprensa faz o tempo inteiro – esses escândalos de corrupção com a importância da empresa.”

Leia a entrevista a seguir:

Alguns setores progressistas criticam Dilma pela escolha de Joaquim Levy para a Fazenda, pois ela teria capitulado ao mercado, e outros acham que ela não tinha alternativa a não ser tentar um equilíbrio entre Levy e Nelson Barbosa no Planejamento. Como o senhor vê esse cenário?


Tenho poucas dúvidas de que a escolha do Levy, independentemente das características e qualidades pessoais dele, tenha sido pensada como uma espécie de, eu diria, um getulismo après la lettre, um getulismo depois do Getúlio. Só que estamos vivendo uma conjuntura histórica, mundial, muito diferente. O Levy está sendo visto como um ministro capaz de infundir confiança ao mercado, promete uma política econômica mais adequada ao que foi construído nos últimos, digamos, 20 anos, pelo consenso dos mercados financeiros. Precisamos ter claro quem é que manda em quem.

Ninguém com um mínimo de senso tem dúvida de quem comanda. Desde os anos 1980 foi-se fazendo a desregulamentação financeira, culminou na crise (de 2008), porém, a crise não reduziu o poder dos mercados. Ao contrário, continuaram fazendo as mesmíssimas coisas. Quem capitulou foram os governos. O Brasil, desde 1994, vem se submetendo a isso de maneira constante. Teve um momento, de 2004 a 2010, meados de 2011, em que a mudança de preços das commodities e bens industriais nos favoreceu enormemente. Isso abriu espaço para que o governo Lula, e sua equipe econômica, corretamente, de maneira virtuosa, executassem as políticas de inclusão e melhoria das condições de vida das populações submetidas sempre a situações vexatórias. Lula foi o governo que teve a taxa média de crescimento mais alta nos últimos 20 anos. Se você pega a curva do crescimento e junta ao boom de commodities, elas coincidem exatamente. Isso arrefeceu a partir de 2010, 2011, por várias razões, como a desaceleração chinesa.


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30 de dezembro de 2014

Le Monde Diplomatique Brasil: O naufrágio do Estado mexicano

A sucumbência de um Estado Nacional.

LIGAÇÕES ENTRE O PODER POLÍTICO E OS BARÕES DA DROGA

Le Monde Diplomatique Brasil: O naufrágio do Estado mexicano

Tráfico de drogas, assassinatos, extorsão e, cada vez mais, administração pública. A participação de organizações criminosas no Estado mexicano parece não ter limites. O massacre de 43 estudantes em setembro catalisou a cólera da população.

por Rafael Barajas e Pedro Miguel

Quando, num país, um grupo de policiais detém 43 estudantes, desaparece com eles e os envia a um grupo criminoso organizado ligado às drogas para que este, à guisa de “lição”, os assassine, uma constatação se impõe: o Estado se transformou em narco-Estado, um sistema em que o crime organizado e o poder político são a partir de agora indissociáveis.

Quando essas mesmas forças da ordem metralham estudantes, matando seis e ferindo gravemente outros seis; quando elas se apoderam de um desses jovens, lhe arrancam a pele do rosto, tiram os olhos e o deixam estendido na rua para que seus colegas o vejam, outra evidência aparece: esse narco-Estado pratica uma forma de terrorismo.

Tudo isso aconteceu no sul do México, em Iguala, terceira cidade do estado de Guerrero. Ali, a polícia agrediu brutalmente um grupo de estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa e, a se acreditar nos testemunhos atualmente disponíveis, os conduziu para a morte. José Luis Abarca, prefeito de Iguala, e sua mulher, María de Los Ángeles (ligados a um cartel da região), suspeitos de serem os instigadores da operação, foram presos na terça-feira, 4 de novembro.


Ilustração: Lollo - LMD

As escolas normais rurais, fundadas há oito décadas, têm por objetivo difundir um ensino de qualidade no campo oferecendo a jovens educadores, oriundos do meio camponês, a possibilidade de melhorar suas condições de vida. Esse duplo objetivo, herdado da Revolução Mexicana (1910-1917), enfrenta com força total o modelo econômico neoliberal, introduzido no país nos anos 1980. Segundo a lógica a ele subjacente, a educação pública freia o desenvolvimento do mercado do ensino, enquanto o campo abriga intoleráveis maus odores do passado (comunidades indígenas ou pequenos agricultores que entravam a expansão da agroindústria da exportação). Eis o motivo pelo qual as escolas normais rurais que sobrevivem no México, quinze ao todo, estão constantemente expostas à hostilidade, o que pode ser medido ao mesmo tempo pelos cortes orçamentários que sofrem e pela maneira como são mostradas pelos meios de comunicação e pelos dirigentes políticos: “viveiros de guerrilheiros”, segundo a ex-secretária-geral do Partido Revolucionário Institucional (PRI) Elba Esther Gordillo;1 refúgios “de gente delinquente e que não serve para nada”, em um debate na rede Televisa (1o dez. 2012); e, nos últimos tempos, “tocas do crime organizado”, para o jornalista Ricardo Alemán (El Universal, 7 out. 2014).

Tal como seus colegas das outras escolas normais rurais, os estudantes de Ayotzinapa lutam para assegurar a sobrevivência de sua instituição. Eles completam os magros subsídios do Estado – o equivalente a R$ 91 milhões anuais para cobrir os custos ligados a formação, alojamento e cobertura médica de pouco mais de quinhentos estudantes, quarenta formadores e seis empregados da administração – por meio de coletas de fundos. Em 28 de setembro de 2014, os estudantes de Ayotzinapa tinham ido a Iguala precisamente para realizar uma dessas coletas, quando foram sequestrados.

Eles teriam sido atacados com a fúria que os cartéis utilizam em relação a seus inimigos. Uma testemunha ocular – um policial – revelou que, apesar de feridos, os 43 estudantes teriam efetuado longos trajetos a pé, para, no final das contas, serem espancados, humilhados, regados com diesel e queimados vivos. Os corpos teriam se consumido durante 14 horas, até que só restassem cinzas, pequenas pontas de ossos e dentes.

Ainda que nós, mexicanos, estejamos habituados a informações chocantes (decapitações, execuções, torturas etc.), a indignação despertada por essa história não diminui. A certeza de que ela revela uma forma de terrorismo que emana de um poder no qual se misturam cartéis e líderes políticos coloca questões angustiantes: qual é a extensão do narco-Estado no México? Qual é a verdadeira amplitude da repressão política que ele coloca em ação?

O narco-Estado levanta um problema estrutural: o dinheiro da droga irriga a economia mexicana. Um estudo norte-americano e mexicano sobre os bens ilícitos, publicado em 2010, estima que a cada ano os cartéis transfiram entre US$ 19 bilhões e US$ 29 bilhões dos Estados Unidos para o México.2 Segundo a agência de segurança Kroll, essa cifra oscilaria entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões.3 O narcotráfico constituiria então a principal fonte de divisas do país, à frente das exportações de petróleo (US$ 25 bilhões) e das remessas de dinheiro de residentes no estrangeiro (também US$ 25 bilhões). Esse maná alimenta diretamente o sistema financeiro, coluna vertebral do modelo neoliberal. Secar a fonte conduziria ao colapso econômico do país. Em outras palavras, o México repousa sobre uma narcoeconomia, a qual não pode se manter sem a pilotagem adaptada de um narco-Estado.

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Pedro Porfírio [ Amigo da REFAZENDA2010 ]: Sobrou para os futuros pensionistas

Porfírio e também nós, combatemos contra a famigerada reforma da Previdência do primeiro governo Lula. Dilma começa a sua segunda gestão pelos mais fracos. Uma pena! Relacionado.

Pedro Porfírio: Sobrou para os futuros pensionistas

Dilma quer reduzir as pensões das viúvas dos trabalhadores.

Imagem do Blog do Pedro Porfírio
Já as dos governadores continuam mamando mais de r$ 20 mil por mês. Tudo conforme a bíblia do são Joaquim Levy.

Como é hoje: O BENEFÍCIO PAGO AOS VIÚVOS É INTEGRAL, vitalício e independente do número de dependentes (filhos). Não existe prazo de carência, bastando uma única contribuição à Previdência.

 
Como vai ficar: ACABARÁ O BENEFÍCIO VITALÍCIO PARA CÔNJUGES JOVENS (ATÉ 35 ANOS); a partir desta idade, a duração do benefício dependerá da expectativa de vida. O VALOR DA PENSÃO CAI PELA METADE (50%), mais 10% por dependente, até o limite de 100%.

Assim que o dependente completa a maioridade, a parte dele é cessada. Para ter acesso à pensão, é preciso que o segurado tenha contribuído para a Previdência Social por dois anos, pelo menos, com exceção dos casos de acidente no trabalho e doença profissional. Será exigido tempo mínimo de casamento ou união estável de dois anos.

O valor mínimo da pensão continua sendo de um salário-mínimo. AS MUDANÇAS VALERÃO TAMBÉM PARA OS SERVIDORES PÚBLICOS, QUE JÁ TEM PENSÃO LIMITADA A 70% DO VALOR DO BENEFÍCIO (QUE EXCEDE AO TETO DO INSS, DE R$ 4.390).

Enquanto isso...

As entidades abertas de previdência complementar (ligadas aos bancos) registraram até maio uma receita com a venda de planos privados de R$ 7,204 bilhões. Esse montante representa um aumento de 38,26% em relação ao mesmo período de 2003, quando as receitas de planos previdenciários totalizaram R$ 5,211 bilhões.

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29 de dezembro de 2014

Notícias do Dia! Governo dá um 'pau' na Previdência e Berzoini nas Comunicaçãoes - Reuters Brasil

O citado tomou uma tortada na cara. O resto, fecha algumas torneiras. Veremos!

Reuters Brasil: Governo muda regras para acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários

Reuters Brasil: Berzoini será ministro das Comunicações; PP fica com Integração Nacional, diz Planalto

Rede Brasil Atual: Belluzzo critica ação dos cartéis da construção e da informação na crise

Relacionado I.

Relacionado II.

Petrobras

 
Rede Brasil Atual: Belluzzo critica ação dos cartéis da construção e da informação na crise

Economista, diz que Dilma é uma das poucas pessoas por quem põe ‘a mão no fogo’. Para ele, presidenta é ‘atormentada’ por cartéis e o que ‘estão fazendo com a Petrobras é imperdoável’

São Paulo – “A economia brasileira tem os seus cartéis, dentre os quais os mais importantes são as empresas de construção”, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp. Em entrevista ao Seu Jornal, da TVT, Belluzo afirma que a importância do setor de construção da economia – junto com a Petrobras responde por sete a nove pontos percentuais da taxa de investimentos no país – não exime os empresários do setor de serem punidos com o rigor da lei. “Estou defendendo as empresas, e não os empresários, os que cometeram malfeitos têm de cumprir o que a lei manda.”

Ele vê no entanto, que a crise da Petrobras envolve, além os casos de corrupção – que têm de ser investigados e solucionados para que a empresa se recupere –, questões geopolíticas externas e interesse internos: “Está lá no Congresso o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) clamando pela mudança do modelo de partilha para o modelo de concessão. Concessão é adequado para quando você vai descobrir as reservas de petróleo. Você não pode aplicar isso a reservas já descobertas, seria uma impropriedade. Isso envolve uma questão geopolítica, de interesse, no fundo, de se privatizar ao máximo a exploração do petróleo e tirar do controle da Petrobras”, observa. “Por isso o caso da Petrobras é muito grave. Isso que foi feito é imperdoável, porque fragiliza muito a empresa.”

O economista se solidariza com a presidenta Dilma Rousseff: “É uma das poucas pessoas pelas quais eu ponho a mão no fogo. Eu sei que ela deve estar atormentada e é inacreditável que tentem imputar a ela alguma coisa parecida com corrupção”, diz. E faz uma referência à atuação da imprensa brasileira. “A imprensa brasileira é um cartel. Um cartel da informação, o que é grave para um país que quer avançar na democracia, na melhoria dos padrões de convivência. É preciso diversificar os meios de comunicação e não permitir que o cartel continue operando. E o cartel está operando.”




Assista à entrevista concedida a Talita Galli, da TVT.

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28 de dezembro de 2014

E agora, o que irão dizer os impolutos, os indignados, sobre Mariel?!

Carta Maior: Geografia e estratégia


José Luís Fiori
 

A reaproximação entre Cuba e os EUA contém um paradoxo e uma lição geopolítica, sobretudo para os países que se propõem subir na escada internacional do poder.

“O Brasil terá que  descobrir um novo caminho de afirmação da sua liderança e do seu poder internacional, dentro e fora de sua zona de influência imediata. Um caminho  que não siga o mesmo roteiro das grandes potências do passado, e que não utilize a mesma arrogância e a mesma  violência que utilizaram os europeus e os norte-americanos para conquistar suas colônias e protetorados”
J.L.Fiori, “História, Estratégia e Desenvolvimento. Para uma Geopolítica do Capitalismo”, Editora Boitempo, SP, 2014, p: 279

A geografia teve um papel decisivo na formação e no desenvolvimento político e econômico da América do Sul.  Por um lado, ela permitiu e estimulou a formação de um região geopolítica e geoeconômica plana, homogênea, de alta fertilidade e de crescimento econômico quase contínuo na Bacia do Prata; mas, ao mesmo tempo, ela  impediu que os países e a economia do Prata – incluindo o Brasil - se expandissem na direção da Amazônia, do Caribe e do Pacífico.

No caso do Brasil, em particular, a topografia do seu território atrasou a sua própria interiorização demográfica e econômica, e enviesou os seus processos de urbanização, crescimento e internacionalização, na direção do Atlântico. A  Floresta Amazônica, com suas planícies tropicas de baixa fertilidade e alto custo de exploração, dificultou a sua própria ocupação, e bloqueou o caminho do Brasil  na direção da Venezuela, Guiana, Suriname, e Mar do Caribe. O Pantanal e o Chaco boliviano, com suas montanhas e florestas  tropicais limitaram a presença do Brasil nos territórios entre a  Guiana e a Bolívia; e  a Cordilheira dos Andes, com seus 8 mil km de extensão e 6.900 metros de altitude, obstruiu o acesso do Brasil ao Chile e ao Peru, e o que é ainda mais importante, ao Oceano Pacífico com todas as suas  conexões asiáticas.

Esta geografia extremamente difícil explica a existência de enormes espaços vazios dentro do território brasileiro e nas suas zonas fronteiriças, e sua escassa relação econômica com seus vizinhos, durante quase todo o século XX, quando o Brasil não conseguiu – nem mesmo - estabelecer um sistema eficiente de comunicação e integração bioceânica, como aconteceu com os Estados Unidos, já na segunda metade do século XIX, depois da sua conquista da Califórnia e do Oregon, que se transformou num passo decisivo do seu desenvolvimento econômico, e da projeção do poder global dos Estados Unidos.

 Todas estas barreiras e dificuldades geográficas, entretanto, adquiriram uma nova dimensão e gravidade, no início do século XXI, graças:  i)  a transformação da China, do sudeste asiático, e da Bacia do Pacífico,  no espaço mais dinâmico da economia mundial; ii) sua transformação simultânea, e no tabuleiro geopolítico mais relevante para o futuro do sistema mundial no transcurso do século XXI; iii) a consequente, “chegada’  econômica da China ao continente sul-americano, e ao Caribe e América Central, sobretudo depois do anúncio da construção do novo Canal Interoceânico da Nicarágua, financiado e construído pelos chineses,  a um custo previsto de 40 bilhões de dólares; iv) a consequente revalorização geopolítica e geoeconômica do Caribe e da  América do Sul, como tabuleiros relevantes  da competição global entre os Estados Unidos e a China, e da competição regional destes dois países, com o Brasil.

Esta nova situação obriga o Brasil a redefinir ´inevitavelmente  -  sua estratégia, e o cálculo de custos do seu próprio projeto de integração regional, incluindo a ocupação dos “espaços vazios” da América do Sul, e da “conquista” do seu acesso ao Oceano Pacífico e ao Mar do Caribe. Este tem que ser o ponto de partida do debate sobre a Unasul e o Mercosul, e sobre o fortalecimento da soberania política e econômica do continente, incluindo, como é óbvio, os países sul-americanos da Aliança do Pacífico. Mas este ponto  é esquecido em geral pelos analistas, e é substituído por uma discussão sem fim sobre a “lucratividade” comercial ou financeira, do projeto e do processo da integração continental. Estes analistas não entendem ou não querem aceitar que se trata de um objetivo e de um processo que não pode ser avaliado apenas pelos seus resultados econômicos, porque envolve um jogo geopolítico e geoeconômico muito mais complexo e global.

Desta perspectiva, o recente reatamento das relações diplomáticas dos EUA com Cuba, explicita e aprofunda esta disputa pela supremacia regional. Foi uma vitória política indiscutível de Cuba e da América Latina, e também, do “internacionalismo liberal” de Barack Obama, que luta para sobreviver ao seu atropelamento pelo ultraconservadorismo dos republicanos, e de muitos dos seus próprios partidários democratas. Mas ao mesmo tempo, esta reaproximação é inseparável da expansão econômica chinesa no Caribe e na América Central, e do anúncio do novo “Canal da Nicarágua”, com 278 km de extensão, bem maior e mais complexo do que o Canal do Panamá, e com a obra programada para começar em dezembro de 2104. Uma disputa que começa no Mar do Caribe, mas se projeta e prolonga na luta pela liderança política, econômica e estratégica da América do Sul.

Neste sentido, a reaproximação entre Cuba e os EUA contém um paradoxo e uma lição geopolítica, sobretudo para os países que se propõem subir na escada internacional do poder e da riqueza:  uma vitória parcial, em qualquer tabuleiro do sistema provoca sempre o aparecimento de um novo desafio estratégico ainda mais complexo do que o anterior. Neste caso, foi uma vitória dos “povos latinos” e de certa maneira, da própria política externa brasileira, mas esta mesma vitória aumenta a urgência do Brasil abrir seus canais de comunicação e transporte com o Mar do Caribe e com  a Bacia do Pacífico, a qualquer preço, e por mais criticada que seja a rentabilidade econômica imediata do projeto.

Origem.
Quem é, quem são, o(s) cracker(s)?!

Após críticas a Obama, Coreia do Norte registra nova interrupção da internet

Da Agência Lusa
 

A Coreia do Norte registrou hoje (27) uma nova interrupção das conexões de internet, anunciou a agência estatal Nova China. O incidente ocorreu horas depois de Pyongyang ter acusado Washington de estar na origem do apagão online registado no início desta semana.

De acordo com a agência estatal chinesa, a interrupção, a terceira em uma semana, durou pelo menos duas horas. “Às 19h30, hora local de Pyongyang, a internet e a rede móvel 3G da Coreia do Norte ficaram paralisadas. A situação só regressou à normalidade às 21h30”, informou a agência Nova China.

Os jornalistas da agência chinesa na Coreia do Norte relataram que a internet esteve “muito instável” durante todo o dia.

A empresa norte-americana Dyn Research, especializada em segurança informática, confirmou a informação na rede social Twitter, afirmando que a Coreia do Norte tinha sofrido hoje “uma interrupção da internet em todo o país”.

Na segunda-feira (22), as conexões de internet na Coreia do Norte ficaram totalmente interrompidas durante nove horas. Esse primeiro apagão online ocorreu dias depois de o regime de Pyongyang ter sido responsabilizado pelo FBI, Polícia Federal norte-americana, por um dos mais graves ataques informáticos nos Estados Unidos.

O incidente, que envolveu os estúdios de cinema Sony Pictures, esteve relacionado com o filme Uma Entrevista de Loucos (The Interview, no título original), uma comédia que conta a história de dois jornalistas recrutados pela CIA, serviço secreto norte-americano, para assassinarem o líder da Coreia do Norte.

No dia seguinte, terça-feira (23), a Coreia do Norte registou uma nova paralisação, mas mais breve. As quatro redes de comunicações norte-coreanas estão todas ligadas à companhia chinesa Unicom, uma das maiores operadoras de telecomunicações da China.

A interrupção de hoje ocorreu algumas horas depois de a Coreia do Norte ter qualificado o presidente norte-americano, Barack Obama, de “macaco” por ter encorajado os cinemas a exibirem o filme Uma Entrevista de Loucos, cuja estreia quase chegou a ser cancelada.

O regime de Pyongyang também ameaçou os Estados Unidos com retaliações. “Obama é sempre imprudente nas palavras e nos atos, como um macaco numa floresta tropical”, criticou a comissão nacional de defesa norte-coreana, acusando o presidente norte-americano de ter incitado a exibição do filme.

“Se os Estados Unidos continuarem a ser arrogantes, déspotas e a utilizar métodos de gangster, apesar dos repetidos avisos [da Coreia do Norte], deverão ter em mente que as suas ações políticas fracassadas vão levar a golpes mortais inevitáveis”, ameaçou o porta-voz da comissão nacional de defesa norte-coreana.

Origem.

27 de dezembro de 2014

Emerson, Lake & Palmer - Fanfare for the common Man 1978 - Original mais Rick Wakeman - Vídeos REFAZENDA2010 - blog!

Relacionado.


Emerson, Lake & Palmer - Fanfare for the common Man 1978

 
Rick Wakeman 2000 Part 7- Jane Seymour
 
Atualizado às 2202 de 27/12/2014


Rick Wakeman-Journey To The Center Of The Earth

JB [NYT]->Meditação sobre mercados: uma análise sobre as quedas do preço do petróleo


Os preços sobem, os preços caem, nada de novo!

JB [NYT]->Meditação sobre mercados: uma análise sobre as quedas do preço do petróleo

Aswath Damodaran, da NYU, fala sobre previsões erradas e países mais prejudicados

Jornal do Brasil


Aswath Damodaran, professor de Finanças na Stern School of Business na New York University (NYU), analisa em seu blog as recentes quedas do preço do petróleo, as previsões equivocadas que foram feitas nos últimos tempos. Damodaran avalia também quais foram as empresas e países mais prejudicados e fala das expectativas para o futuro próximo.

Nas últimas semanas, o mercado financeiro foi sacudido pela queda nos preços do petróleo, e o processo nos fez lembrar de três realidades. A primeira é que para todo o dinheiro que é gasto em projeção do preço de commodity, há muito pouco que devemos mostrar para ele. A segunda é que todos os grandes acontecimentos macro-econômicos criam vencedores e perdedores e o efeito de rede dessa mudança no preço do petróleo, quando positivo, neutro ou negativo, pode levar um tempo para se manifestar. O terceiro é que investidores são geralmente prejudicados tanto pela venda feita em pânico de todas as coisas relacionadas ao petróleo ou a compra impensada das derrubadas ações do petróleo.

Petróleo: Preços caem e a incerteza aumenta

No início de 2014, o preço por barril de Brent era de aproximadamente US$ 108 por barril, depois de três anos de preços mais altos do que US$ 100 o barril. De fato, parecia haver poucos motivos para acreditar, visto os sinais de recuperação econômica nos Estados Unidos, que os preços do petróleo cairiam a qualquer momento pouco depois. Uma combinação de choque de demanda moderada (demanda reduzida da China) e, mais visível ainda, os choques de oferta que conspiram para criar a queda de preços, começando em setembro, acompanhada de mais incerteza sobre preços futuros:




O choque do petróleo (Reprodução)
JB - Reprodução

Embora a maior parte da atenção tenha sido direcionada para a queda de 40% nos preços de petróleo, a triplicação na volatilidade implícita nos preços do petróleo merece ser vista com atenção e, como vou argumentar mais adiante, poderia ter um efeito não só nas ações do petróleo, mas no mercado em geral.

No início, as matérias sobre o choque do preço do petróleo eram quase todas positivas, sugerindo que preços mais baixos de gás permitiriam que consumidores gastassem mais dinheiro no varejo, restaurantes e outros negócios, impulsionando assim a economia. Nas primeiras duas semanas de dezembro, porém, houve uma guinada abrupta no humor, quando os mesmos jornalistas que estavam louvando a queda dos preços do petróleo algumas semanas antes estavam apontando seus dedos  nela como a principal culpada por trás das quedas dos preços das ações em todo o mundo naquelas semanas.

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Toca Raul! Vídeos REFAZENDA2010 - blog!



Gita


Eu nasci há dez mil atrás


Tente Outra Vez Clipe


Raul Seixas Cowboy fora da lei 
 
Atualização às 08:18 de 27/12/2014

Maluco beleza

CMI [Emanuel Cancella]: Globo ou o pau que dá em Chico dá em Francisco

Realmente a grobo é um caso perdido e está de doer! Ontem por acaso, vimos o mau dia Brasil. Chico Pinheiro está em férias, seu substituto, um tal de pachelle, mostra-se um moralista exacerbado. É a velha puliça da grobo, que patrulha a tudo e a todos. Na vida privada, talvez, ou melhor, quase com certeza, cada um deve ser bem diferente do que apregoa. Cínicos! Quanto ao texto abaixo, reflete a indignação de quem luta pela e trabalha na nossa Petroleira e que vê, a todo instante, ataques desmesurados, de entreguistas conhecidos, que arrebentam a Empresa, arrebentam o País. E depois, cinicamente, repercutem o fel que essa mesma  imprensa marrom fermentou!

relacionado.

CMI: Globo ou o pau que dá em Chico dá em Francisco

Por Emanuel Cancella* 26/12/2014 às 16:57

A TV Globo sonegou o imposto de renda na transmissão da Copa do Mundo de 2002.

O cidadão comum cai na malha fina, muitas vezes por um erro fortuito na declaração. Já a maior emissora do país faz contrato em paraíso fiscal, para fugir das responsabilidades sociais, se apropriando de recursos públicos que iriam para a educação, saúde e obras de infra-estrutura.

Enquanto lesa os cofres públicos, a Globo entulha a mente dos brasileiros de porcarias e, como se fosse pouco, ainda torce contra o time da casa. Tem semeado o pânico e enfatizado notícias sobre investidores norte-americanos que vêm entrando com processos na Justiça contra a Petrobrás.

A última delas foi uma ação coletiva, por iniciativa de moradores da cidade de Provance, que se sentiram lesados na compra das ações da empresa brasileira. No entanto, a queda no valor das ações de petróleo não está atingindo apenas a Petrobrás. Shell, Chevron, Total, Gasprom e as demais estão tendo prejuízos imensos, com a queda do valor do barril de petróleo no mercado internacional.

Que tal se nós, cidadãos e contribuintes brasileiros, a exemplo dos cidadãos norte-americanos, também iniciássemos um amplo movimento, por nos sentirmos lesados diante da sonegação fiscal das Organizações Globo?

Ou a Justiça cobra da Globo o que nos deve, com juros e correção monetária, ou vamos recorrer junto à Receita Federal exigindo isenção do pagamento do Imposto de Renda. Por que só a trilionária Rede Globo pode sonegar?

A sonegação é a maior de todas as formas de corrupção. Trata-se da apropriação indevida de dinheiro que deveria ser destinado ao financiamento de escolas, hospitais públicos, creches, estradas, saneamento.

O Globo faz lobby em favor das empreiteiras de petróleo norte-americanas, alegando que as prestadoras de serviço brasileiras estariam sem moral para tocar nossas obras. O problema é trocar seis por meia dúzia. As multi do setor petróleo dos Estados Unidos são consideradas as mais sujas do mundo, inclusive responsáveis pelo maior vazamento de óleo do planeta, no Golfo do México.

A Globo estimula os acionistas da Petrobrás a entrarem na Justiça, usando como exemplo os investidores de Nova Iorque, e parece muito pouco preocupada com as consequências disso. De fato, age como se fizesse parte do time das petrolíferas e demais empresas estrangeiras, prontas para se abanquetar, também, com as riquezas nacionais.

Ir à Justiça e defender seus direitos é prerrogativa de qualquer cidadão, no Brasil e no mundo. Mas, no caso da Globo, não existe inocência entre intenção e gesto. Há uma estreita conexão entre a intenção de destruir a Petrobrás e as notícias divulgadas.

A Globo diz que já teria pago os impostos pela transmissão da Copa de 2002. Mas, cadê o Darf - recibo de pagamento? Já houve manifestação na porta da emissora cobrando que exibisse o comprovante, mas os donos da empresa desconversam.

Que moral tem as Organizações Globo para incentivar a entrega do nosso petróleo às empresas estrangeiras, escorada na crise que abala a Petrobrás, se ela própria entulha porcarias na cabeça do povo e sonega impostos?

Ou a Receita Federal estende o direito a sonegação ao cidadão comum ou cobra de quem deve, e muito, a cada um de nós. O pau que dá em Chico, também dá em Francisco.

*O autor é diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 2014;




Email: emanuelcancella@uol.com.br 

Origem.

25 de dezembro de 2014

Observatório da Imprensa [Luciano Martins Costa]: A deterioração da linguagem jornalística

Como definir uma imprensa quase que totalmente editorializada? ...

OSSOS DO OFÍCIO

Observatório da Imprensa [Luciano Martins Costa]: A deterioração da linguagem jornalística
 

Por Luciano Martins Costa em 24/12/2014 na edição 830
Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 24/12/2014

A uma semana do encerramento deste que foi um dos anos mais intensos do jornalismo no Brasil, é preciso colocar em discussão uma questão que a imprensa evita o quanto pode: a linguagem jornalística dá conta de decifrar adequadamente a realidade?

Analisada contra o cenário deteriorado da mídia brasileira, a pergunta pode parecer impertinente e até mesmo cândida, uma vez que o campo da comunicação institucionalizada se deixou contaminar por outros vícios, que levaram ao fim da ilusão da objetividade e do pressuposto da honestidade intelectual como princípios fundadores da imprensa.

Há muitos outros aspectos a serem contemplados numa análise do que vem a ser o jornalismo nesse contexto, em que uma tecnologia de ruptura se impõe ao mesmo tempo em que a gestão dos principais veículos da mídia tradicional se concentra e verticaliza. Esse movimento do sistema da imprensa para dentro de si mesmo bloqueia a inovação e condiciona as iniciativas a uma doutrina que em tudo é contrária ao espírito de liberdade do jornalismo.

A doutrina conservadora que domina a imprensa no Brasil levanta um muro de contenção para a criatividade, desestimula os espíritos livres e encoraja a mediocridade com melhores oportunidades de carreira. O fato de que os nomes mais lustrosos da mídia nacional, aqueles que mais vezes conquistam o espaço nobre dos noticiários, são justamente os que cumprem com entusiasmo o trabalho sujo da manipulação, é causa de empobrecimento da cultura jornalística. Existem, mas são raros os profissionais que, descolando-se da orientação centralizadora, ganham distinção pelo trabalho independente e de qualidade.

Por que a gestão vertical e centralizada resulta num jornalismo mais pobre, burocrático e em linha direta com a opinião do comando das empresas de comunicação? Porque a atividade jornalística exige que, na origem, o material que vai compor o noticiário e o conjunto de opiniões seja colhido livremente, condicionado apenas pela ética – e seja trabalhado até a edição final sob o crivo das múltiplas possibilidades de interpretação.

Uma reportagem que vem definida desde a pauta não entusiasma o bom repórter e não cumpre sua função: apenas confirma os pressupostos que colocaram o tema na agenda.

Leia tudo.

Carta Capital: Como integrar e desenvolver a Amazônia?

A Amazônia é um projeto perene.

Diálogos Capitais

Carta Capital: Como integrar e desenvolver a Amazônia?

Uma maior participação na renda gerada pelos produtos extraídos na região impulsionaria as grandes cidades amazônicas

por Marina Teles

Criar cadeias de valor capazes de estimular a economia da Amazônia e da cidade de Belém é uma missão permanente para os gestores públicos e empreendedores instalados na região. A cidade enfrenta problemas de uma metrópole ao mesmo tempo que precisa cuidar de comunidades ribeirinhas em dezenas de ilhas de seu litoral. Na visão do secretário-executivo da Rede Nossa Belém, José Francisco Ramos, que deu o tom do Diálogos Capitais – Metrópoles Brasileiras, último evento do ciclo de debates sobre o tema,
desta feita na capital do Pará, o desenvolvimento da região precisa de planejamento, definição de áreas prioritárias para investimentos e, principalmente, de verticalização de cadeias de valor. “O Pará importa 85% do que consome. É o maior produtor de mandioca do Brasil, contudo produz pouquíssima fécula. Qual é o nosso negócio? É hora de pensar e redefinir as áreas estratégicas de desenvolvimento.”

Segundo Ramos, os planos de desenvolvimento aplicados à região poucas vezes têm continuidade e não existe uma real mensuração de seus impactos e resultados. “É preciso estabelecer metas para setores com grande potencial de geração de emprego e renda e fazer os investimentos necessários.” Ele aponta o cooperativismo como um caminho para ampliar o valor dos produtos extrativistas, entre eles o açaí e a pesca, mas alertou para os descaminhos de diversas organizações criadas, onde a falta de gestão qualificada desmobiliza e produz fracassos. “É necessário estimular a participação social, e o poder público tem o papel estruturante de oferecer recursos e qualificação para as comunidades envolvidas.”

O diretor da Rede Nossa Belém alertou para a disparidade dos investimentos realizados na cidade, com mais de 1 bilhão de reais para saneamento e menos de 20 milhões para a mobilidade. Os dois temas, segundo ele, são essenciais, mas é preciso criar um meio-termo para avançar em todas as frentes importantes de demanda social. “É preciso tratar de resíduos, melhorar a mobilidade não apenas motorizada, mas de pedestres e ciclistas, além de dar prioridade ao transporte coletivo.” Problemas repetidos em todas as metrópoles visitadas pela série de Diálogos, que em 2014 debateu os principais desafios das grandes cidades em São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre.

Belém, com pouco mais de 1,4 milhão de habitantes, tem problemas típicos da Amazônia, e vive os mesmos dramas de outras metrópoles brasileiras. Para debater os impasses do desenvolvimento local na região, CartaCapital e o Instituto Envolverde levaram ao palco três especialistas de setores diferentes: João Coral, diretor institucional e de energia da Vale; João Meirelles, diretor do Instituto Peabiru, organização social que atua na área de desenvolvimento local; e Suênia de Souza, gerente do Centro Sebrae de Sustentabilidade. A mediação ficou por conta de Dal Marcondes, diretor do Instituto Envolverde.

A carência de serviços públicos e trabalho formal cria distorções e ilegalidades nas relações de trabalho, como é o caso da exploração do açaí nas ilhas e territórios próximos à capital paraense. “Milhares de crianças e adolescentes são obrigados a subir em palmeiras para a coleta do fruto”, explica João Meirelles. De acordo com dados da Procuradoria do Trabalho em Belém, na Amazônia existem 500 mil crianças de alguma maneira forçadas a realizar um trabalho considerado perigoso, muitas delas com menos de 16 anos, idade mínima para desempenhar uma atividade produtiva. E esse cenário de risco avança sobre outros ramos importantes na região, como a pecuária, que engloba cerca de 50 mil pequenos produtores. “É a atividade com o maior número de registros de acidentes de trabalho no estado do Pará”, conta Meirelles.

Questões relativas ao trabalho formal estão entre os desafios, a começar pela baixa qualificação da população, o que faz com que empresas grandes tenham em muitos casos de trazer profissionais de fora. “Temos uma política de fortalecimento de parceiros locais e estímulo ao empreendedorismo para fornecer insumos utilizados em nossos processos”, sugere Coral, da Vale, ao reafirmar o foco de investimentos na região. A empresa, explica, realiza projetos sociais e ambientais, mas nem sempre com a capacidade de suprir carências típicas da ausência do Estado. “Entendemos que é nosso papel ajudar na geração de renda e na qualificação de empresas e fornecedores, que é nossa missão apoiar o desenvolvimento da região, mas isso não pode ser trabalho de uma única empresa ou organização.”

Na mesma linha de fortalecimento do empreendedorismo, geração de renda e trabalho atua o Sebrae. “É um desafio apoiar a criação e consolidação de empresas em um cenário adverso, onde os empreendedores nem sempre têm qualificação técnica”, diz Suênia de Souza. Dados apresentados pela executiva mostram a importância das micro e pequenas empresas no País. “Mais de 99% dos registros de empresas no Brasil são de micro e pequenas, e a maior parte dos empregos gerados também estão ligados a esse setor da economia.” A solução para grande parte dos dilemas da região, avalia Suênia de Souza, seja em Belém, seja no interior da Amazônia, depende do crescimento do número de empreendedores capazes de gerar valor a partir de insumos locais de biodiversidade, prestação de serviços ou integrados às cadeias de valor das grandes empresas atuantes na região.

O trabalho precário e a ausência do Estado na busca de soluções foram consensos no diálogo. Há, porém, demandas estruturais que atrapalham o caminho das soluções, entre elas a má distribuição tributária e a informalidade de muitas atividades, como boa parte da exploração madeireira e da pecuária, além de pouco apoio para a qualificação e formalização de atividades extrativistas. Basta citar a castanha e o açaí, entre outros produtos da floresta ou dos rios da região. Metrópole amazônica, Belém é o centro irradiador de informação, formação e cultura na região, e arca com a responsabilidade de ser um grande polo de atração de trabalhadores. “Nas comunidades ribeirinhas praticamente só tem crianças e velhos”, compara João Meirelles, o que mostra o tamanho do desafio da capital em acolher e criar condições de educação, trabalho e qualidade de vida.


Origem.

Nassif [Jota A. Botelho]: O encontro da magia do cinema com clássicos da música brasileira

Imperdível, sensacional!

Nassif [Jota A. Botelho]: O encontro da magia do cinema com clássicos da música brasileira

23 de dezembro de 2014

Editorial da REFAZENDA2010-Blog - Mensagem de Fim de Ano



Mensagem de Fim de Ano

O ano é uma unidade real, o dia também. E esse ano foi muito difícil. A luta é perene, ou melhor, as lutas são permanentes. Uma pseudo onda de indignação, fermentada pelo que costumamos chamar de Velha e Podre mídia – VPm, a eterna imprensa marrom, a mesma que apoiou a ditadura e levou Getúlio ao suicídio; insiste diuturnamente em suas mentiras e factoides.

E o pior, uma boa parcela da população nela acredita e se rege por ela! Não importa se levam o País à beira do caos. Só têm um único objetivo: denegrir!

São bem mais eficientes que qualquer partido político de oposição.

E lamentavelmente, o Poder Central, se mostra tímido, tíbio e não reage, ou não reage à altura.

A loucura da oposição chegou às raias do absurdo, do non sense, quando pediu ao TSE a não diplomação da Presidenta – termo constante em dicionário desde 1921, dando lugar ao outro.

Se temos vícios, não temos como condenar vício de ninguém! Mas sandice tem limite, cara de pau também!

Então, não tem como se inferir um ano de 2015 tranquilo. Caberá a cada um de nós, que pensa Brasil, lutar, esclarecer e tenta desmistificar o ranço que não morre, da velha e egoísta classe média udenista, que não admite mais ninguém!

Boas Festas!

Nassif: Um Estado fragmentado, por Motta Araujo

Imagem do Nassif on line

O autor que nos perdoe, esquartejamos, mas o texto, poder e deve lido ao final do post, no termo Origem! 

Nota: Parece que o autor escreveu o texto abaixo fora do País, em um teclado não ABNT2, revisamos, portanto, a versão da origem é diferente, principalmente quanto à acentuação.

Nassif: Um Estado fragmentado, por Motta Araujo

Por Motta Araujo

UM ESTADO FRAGMENTADO - Quando o PT ascendeu ao poder, em 2003, o Partido passou a agir como pobre em festa de rico, com todo cuidado para se mostrar comportado e educado, carregando no subconsciente o pavor da Casa Grande , das elites poderosas, da carga histórica do caudilhismo, das capitanias e camarilhas traquejadas que de um golpe poderia tirá-lo do Poder. Nasceu dessa fragilidade, por ser um partido desvinculado do poder tradicional das elites, o "republicanismo" , uma postura de conferir ABSOLUTA independência a certos órgãos do Estado que, nas grandes democracias, nunca tiveram a capacidade soberana de exercer PODER POLÍTICO.

Os governos tradicionais que assumiram desde Sarney até FHC controlavam a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e em certo sentido a Justiça Federal através de cuidado nas nomeações de juízes nos tribunais superiores e da escolha política de Procuradores Gerais e Diretor Geral da Polícia.

Há uma diferença conceitual entre o PODER POLÍTICO ELEITO e o PODER ADMINISTRATIVO.

O PODER ELEITO é o único que tem legitimidade de operar Política de Estado. O poder administrativo EXECUTA a política de Estado mas jamais poderá ser a fonte dessa política, porque este não é o seu papel.

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O Brasil do PT admitiu uma inédita fragmentação do PODER POLÍTICO que deveria ser EXCLUSIVO DO ESTADO e não da Administração e da Justiça, corporações cujo papel não é fazer política.

A Polícia Federal executa operações de enorme efeito político sem avisar o Governo e muito menos pedir sua autorização, o Ministério Público Federal e os Estaduais não seguem linha alguma, cada um  faz o que bem entender, interferem no trânsito das cidades, na educação e saúde, determinam fornecimento de água e luz, como se esses serviços por mágica dependessem de um despacho, pior ainda, dentro dessas corporações não há um COMANDO ou uma LINHA CENTRAL, cada procurador ou delegado cria seu próprio Reinado e pratica ATOS DE ADMINISTRAÇÃO que saem só de suas cabeças.

O Poder Judiciário já entrou definitivamente na POLÍTICA, cria novas leis e extingue outras, inventa jurisprudência, aplica doutrinas exógenas. Só falta fazer política externa.

Um País com as dimensões do Brasil é INGOVERNÁVEL com um poder completamente fragmentado e um arquipélago de ilhas de poder paralelo e ilegítimo, sem a soberania do voto popular, cada qual com sua agenda própria.

O caso do Mensalão foi emblemático, fizeram com o PT o que não se faz com um morador de rua, o Partido foi fustigado e aceitou  com atitude masoquista ser açoitado, o Juiz Relator inventou doutrinas alemãs que nunca ninguém viu antes aplicadas aqui, só foi utilizada nesse caso e depois foi para o arquivo, os tradicionais princípios garantistas de nossa jurisprudência foram para a lata do lixo, na maior democracia do mundo, o Presidente sempre cuidou de controlar a Suprema Corte PARA PODER GOVERNAR, Roosevelt chegou ao desplante de tentar aumentar o numero de Juízes de 11 para 16 para poder ter a  maioria dele, ninguém o chamou de ditador por isso.

Governo precisa ter força, a eleição dá legitimidade, o Governo não pode temer essas corporações como se fossem Estados Soberanos, um concurso publico não é titulo de nobreza e nem dá poder de Príncipe.

O caso dessa Operação Lava Jato é emblemático. O Judiciário, a Procuradoria e a Policia são independentes MAS em operações e processos que tem GRANDES EFEITOS POLÍTICOS, o PODER ELEITO não pode ser acuado ou acossado ou pego de surpresa. Assim é na França, nos EUA, na Alemanha. Essa preponderância do PODER ELEITO não é para seu proveito e sim para a GOVERNABILIDADE DO ESTADO, o Estado é um valor mais amplo que o interesse de um processo, o Estado é o Pais no passado, no presente e no futuro, uma operação com a Lava Jato ACUA O CONGRESSO, A PRESIDÊNCIA, LIQUIDA EMPRESAS E EMPRESÁRIOS , causa muito mais danos que benefícios para regozijo de um salvacionismo que tem custos muito mais altos que seus eventuais benefícios.

Um País por mais democrático que seja tem que ter um PODER CENTRAL com autoridade maior , o PODER EXECUTIVO corre riscos muito maiores que os outros Poderes e precisa estar mais protegido do que esses, o PODER EXECUTIVO ve o Pais como um todo, os efeitos e consequências de atos que geram repercussão em múltiplos setores.

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A Presidente Dilma deveria ter indultado todos os réus do Mensalão, o País sairia lucrando.

Os danos da Lava Jato vão impactar o crescimento nos próximos anos, vão levar parte das empreiteiras à quebra, perda de milhares de empregos, essas empreiteiras eram as locomotivas de muitas PPP, concessões e obras do PAC, empresários que não estão na Lava Jato vão deixar de fazer novos negócios porque agora tudo é perigoso e arriscado no Brasil, executivos e empresários podem ser presos as 6 da manhã sem que exista processo formado, é tudo secreto antes da prisão, como fazia a NKVD ao tempo de Stálin, criou-se um clima de terror policial entre os empresários do Pais, evidentemente que os operadores da Lava Jato não estão nem um pouco preocupados com isso, só lhes interessa o processo, o resto não é problema deles, é só do País.

Origem.