PSDB: O Estado-anunciante e a liberdade suja
A representação do PSDB ao Procurador Geral Eleitoral contra blogs que criticam suas lideranças e agenda partidária, é um pastel revelador. O recheio exala as prendas do quituteiro; a oleosidade da fritura qualifica o estado geral da cozinha. Na primeira mordida fica explícito que a referência de 'bom' jornalismo do PSDB é a revista VEJA, uma ferradura editorial adestrada para escoicear três dimensões da sociedade: agendas progressistas; lideranças que as representem; governos que lhes sejam receptivos.
Curto e grosso, o poder tucano pleiteia a asfixia publicitária - com supressão de publicidade estatal -de qualquer outra forma de imprensa que não se encaixe no tripé que o espelha. A singular concepção de pluralidade afronta boa parte dos sites e blogs alternativos que se reservam o direito de exercer a crítica política da sociedade e do desenvolvimento de uma perspectiva não conservadora. 'São blogs sujos', fuzila a representação tucana, cuja coerência não pode ser subestimada. Há esférica sintonia entre a forma como o PSDB se exprime e o higienismo de uma prática que São Paulo, a 'cidade limpa', tão bem conhece.
O tema da publicidade estatal mereceria um discernimento mais amplo do que o reducionismo estreito do interesse eleitoral tucano. O Estado deve se comunicar com a sociedade. A comunicação deve se pautar pelo interesse público. Campanhas educativas e institucionais não podem ser confundidas com propaganda partidária, nem servir aos seus interesses, sejam eles quais forem. Dito isso, resta o ponto sensível ao PSDB: quem merece veicular tais mensagens de pertinência pública reconhecida?
O tucanato e certos 'especialistas em comunicação' parecem convergir, ainda que por caminhos diversos, a um consenso: a mídia alternativa deve ser alijada dessa tarefa. O 'Estado anunciante', uma corruptela do cacoete neoliberal 'Estado interventor', teria atingido, asseguram, uma hipertrofia perigosa; deslizamos a centímetros do abismo anti-democrático. No país que tem um dispositivo com o poder intromissor da Rede Globo, insinua-se que a principal ameaça à democracia é o Estado impor seu 'monólogo' à sociedade. Afirma-se isso com ares de equidistância acadêmica e engajamento liberal. Continue lendo.
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Carta Maior[Saul Leblon]: PSDB: O Estado-anunciante e a liberdade suja
Estado de Minas: Ipsemg revoga licitação que previa instalação de hotel em prédio na Praça da Liberdade
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A UEMG necessita de um campus na Capital! Porém... Quanto ao patrimônio do Ipsemg, como fica?!
Ipsemg revoga licitação que previa instalação de hotel em prédio na Praça da Liberdade
Edifício vai abrigar uma das unidades da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
Agência Minas
Publicação: 24/07/2012 14:55 Atualização: 24/07/2012 15:16
O Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg) revogou a licitação que previa a instalação de um hotel na sua antiga sede, que integra o conjunto paisagístico e arquitetônico da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O ato de revogação foi publicado na edição desta terça-feira, no “Minas Gerais”, diário oficial dos Poderes do Estado.
Projetado em estilo modernista e inaugurado em 1965, o prédio, que é tombado pelo Patrimônio Histórico, terá nova destinação: abrigará uma das unidades da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) – um atrativo a mais dentro do Circuito Cultural da Praça da Liberdade.
Justificativas da revogação
A principal justificativa para a revogação da licitação é a mudança no cenário do setor de hotelaria da capital. Quando o processo teve início, em 2009, a decisão pela instalação de um hotel no prédio do Ipsemg tomou como base estudos que identificaram a necessidade de suprimento da demanda por hotéis de alto padrão em Belo Horizonte, uma vez que a cidade será uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 e, por isso, receberá grande afluxo de turistas.
Em março do ano passado, o Ipsemg concluiu o processo licitatório, que foi vencido pela incorporadora JHSF. Entretanto, a assinatura do contrato ainda aguardava a conclusão de um processo em curso no Tribunal de Contas do Estado (TCE) que, apesar de reconhecer a regularidade do procedimento licitatório, questiona a conveniência de manter a instalação de um hotel no imóvel, diante do tempo decorrido desde os estudos iniciais.
O Instituto fez, então, uma consulta junto à Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo, a qual concluiu que a oferta de hotéis, incluindo alguns de alto padrão, aumentou de forma expressiva na capital nos últimos meses. Tal mudança de cenário levou à conclusão de que não há mais necessidade da intervenção do Estado como agente indutor do crescimento da rede de hotéis na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Além disso, neste período, venceu o prazo para apresentação de projetos de acordo com a Lei Municipal 9.952/2010, que trata do uso de incentivos de regulação urbana para o setor hoteleiro – o que dificultaria a implantação do hotel dentro dos parâmetros da licitação e dentro do prazo para atender aos turistas que estarão na Capital por ocasião da Copa do Mundo de 2014.
“Diante destes fatos, decidimos pela revogação da licitação que previa a concessão do prédio a um parceiro privado, pois não havia como sustentar, neste momento, a mesma motivação que deu origem à licitação. Em paralelo, o Governo de Minas resolveu destiná-lo a uma instituição pública que agregasse valor aos espaços que já existem no Circuito Cultural da Praça da Liberdade”, afirma a presidente do Ipsemg, Jomara Alves. Continue lendo.
Edifício vai abrigar uma das unidades da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
Agência Minas
Publicação: 24/07/2012 14:55 Atualização: 24/07/2012 15:16
O Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg) revogou a licitação que previa a instalação de um hotel na sua antiga sede, que integra o conjunto paisagístico e arquitetônico da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O ato de revogação foi publicado na edição desta terça-feira, no “Minas Gerais”, diário oficial dos Poderes do Estado.
Projetado em estilo modernista e inaugurado em 1965, o prédio, que é tombado pelo Patrimônio Histórico, terá nova destinação: abrigará uma das unidades da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) – um atrativo a mais dentro do Circuito Cultural da Praça da Liberdade.
Justificativas da revogação
A principal justificativa para a revogação da licitação é a mudança no cenário do setor de hotelaria da capital. Quando o processo teve início, em 2009, a decisão pela instalação de um hotel no prédio do Ipsemg tomou como base estudos que identificaram a necessidade de suprimento da demanda por hotéis de alto padrão em Belo Horizonte, uma vez que a cidade será uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 e, por isso, receberá grande afluxo de turistas.
Em março do ano passado, o Ipsemg concluiu o processo licitatório, que foi vencido pela incorporadora JHSF. Entretanto, a assinatura do contrato ainda aguardava a conclusão de um processo em curso no Tribunal de Contas do Estado (TCE) que, apesar de reconhecer a regularidade do procedimento licitatório, questiona a conveniência de manter a instalação de um hotel no imóvel, diante do tempo decorrido desde os estudos iniciais.
O Instituto fez, então, uma consulta junto à Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo, a qual concluiu que a oferta de hotéis, incluindo alguns de alto padrão, aumentou de forma expressiva na capital nos últimos meses. Tal mudança de cenário levou à conclusão de que não há mais necessidade da intervenção do Estado como agente indutor do crescimento da rede de hotéis na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Além disso, neste período, venceu o prazo para apresentação de projetos de acordo com a Lei Municipal 9.952/2010, que trata do uso de incentivos de regulação urbana para o setor hoteleiro – o que dificultaria a implantação do hotel dentro dos parâmetros da licitação e dentro do prazo para atender aos turistas que estarão na Capital por ocasião da Copa do Mundo de 2014.
“Diante destes fatos, decidimos pela revogação da licitação que previa a concessão do prédio a um parceiro privado, pois não havia como sustentar, neste momento, a mesma motivação que deu origem à licitação. Em paralelo, o Governo de Minas resolveu destiná-lo a uma instituição pública que agregasse valor aos espaços que já existem no Circuito Cultural da Praça da Liberdade”, afirma a presidente do Ipsemg, Jomara Alves. Continue lendo.
Estado de Minas: MP busca quadrilha suspeita de sonegar impostos e adulterar combustíveis em Minas
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MP busca quadrilha suspeita de sonegar impostos e adulterar combustíveis em Minas
Estimativa da Secretaria Estadual de Fazenda é que prejuízo gerado pela fraude chegue aos R$ 10 milhões
Fernanda Borges
Publicação: 24/07/2012 09:52 Atualização: 24/07/2012 10:33
O Ministério Público Estadual deflagrou uma operação no início da manhã desta terça-feira contra uma quadrilha suspeita de adulterar combustíveis e sonegar impostos em vários municípios do Sul do Estado. As fraudes ocorriam por meio de uma rede de postos de gasolina e uma distribuidora cuja autorização para funcionamento já foi cassada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) estima em R$ 10 milhões o prejuízo gerado pelas fraudes.
Segundo o MP, estão sendo cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em Campo Belo, Lavras, Cana Verde e Candeias. Durante as investigações, foram constatados indícios de manipulação das bombas de combustíveis por meio do retorno ou reversão dos encerrantes - componente eletrônico que registra a quantidade acumulada de litros vendidos - propiciando a ocultação do volume vendido clandestinamente nos postos. Continue lendo.
Fernanda Borges
Publicação: 24/07/2012 09:52 Atualização: 24/07/2012 10:33
O Ministério Público Estadual deflagrou uma operação no início da manhã desta terça-feira contra uma quadrilha suspeita de adulterar combustíveis e sonegar impostos em vários municípios do Sul do Estado. As fraudes ocorriam por meio de uma rede de postos de gasolina e uma distribuidora cuja autorização para funcionamento já foi cassada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) estima em R$ 10 milhões o prejuízo gerado pelas fraudes.
Segundo o MP, estão sendo cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em Campo Belo, Lavras, Cana Verde e Candeias. Durante as investigações, foram constatados indícios de manipulação das bombas de combustíveis por meio do retorno ou reversão dos encerrantes - componente eletrônico que registra a quantidade acumulada de litros vendidos - propiciando a ocultação do volume vendido clandestinamente nos postos. Continue lendo.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Marcelo Gleiser explica Bóson de Higgs no Canal Livre da Band!
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Carta Maior[Saul Leblon]: O "novo normal"
Ao mesmo tempo em que demonstra infinita capacidade de se multiplicar enquanto capital fictício - existem US$ 600 trilhões em supostos direitos de saque sobre um PIB mundial de US$ 60 trilhões - o capitalismo financeiro impõe normas e interditos à sociedade que a impedem de ativar seu pleno potencial produtivo. Capturado por esse redil, o Estado abdica de exercer uma tributação efetiva sobre a plutocracia. A 'opção' pelo endividamento de modo a cumprir funções básicas restringe sua capacidade de ordenar o crescimento e, sobretudo, tracionar a economia em período de recessão, como agora. Às vezes o recurso até existe, mas a estrutura para operacionalizá-lo foi desmontada. O governo Dilma sabe o que isso significa.
A espiral da dívida pública, inerente à sub-taxação, faz dos títulos soberanos o novo lastro da riqueza financeira. Graças à livre mobilidade dos capitais , hoje essa 'funcionalidade' é exercida pelos títulos alemães, suíços e norte-americanos. Seus bônus pagam juro negativo, mas representam um cais de repouso confiável à ' bolha financeira', ou ao que restou dela.
A contrapartida é a quebradeira de Estados zumbis que não conseguem captar nem pagando taxas recordes, caso da Espanha, Portugal, Grécia entre outros. Dá-se assim o desconcertante paradoxo: de um lado sobram recursos a certos Tesouros que se financiam a taxas negativas. De outro, imensas poças de potencial produtivo se acumulam no resto do mundo na forma de desemprego obsceno, fome bíblica , infra-estrutura em frangalhos, cidades caóticas, periferias conflagradas, pobreza e sub-consumo.
Convencer a sociedade de que esse é o 'novo normal' parece ser o plano B do neoliberalismo para ganhar tempo e digerir seu imenso passivo, sem alterar o escopo de poder que o consagra. Nos EUA já se especula que uma taxa de desemprego da ordem de 8% seria o 'novo normal'. Na Europa, admite-se que uma década de atividade rebaixada, até a conclusão do ciclo de ajuste, seria o novo normal do euro.
Eventos climáticos extremos são reportados como o novo normal, dada a impossibilidade de se carrear recursos para projetos globais de reordenação energética e controle de emissões.Continue lendo.
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domingo, 22 de julho de 2012
REFAZENDA2010-blog: Notícias da Hora 20:59 domingo 22/07/2012
"Segundo pesquisa da Tax Justice Network, a fortuna “offshore” dos ricos do Brasil chega a US$ 520 bilhões, atrás somente dos chineses, russos e coreanos"
Sem intermediários!
Nassif[Eider]: A situação da Telefonia Móvel no Brasil
A situação da Telefonia Móvel no Brasil
Enviado por luisnassif, dom, 22/07/2012 - 09:08Por Eider
Luis Nassif, boa noite.
Trabalho como Engenheiro na área de Telecomunicações desde 1989, tendo começado em uma das operadoras do antigo Sistema Telebrás (8 anos), passado por uma multinacional fabricante de equipamentos (8 anos) e nos últimos 7 anos trabalho em uma das operadoras de telefonia móvel do Brasil. Em 1993, já atuava em Telefonia Móvel, participando da implantação do Sistema Móvel Celular.
Quando ainda no sistema Telebrás, fiz uma defesa da relevância do "Fator Humano" para a qualidade e produtividade, contrapondo-me a uma tese defendida pela empresa de que o ganho de produtividade era resultado tão somente do investimento em equipamentos.
Quando da medida da Anatel, proibindo a comercialização de novas "linhas" móveis pelas operadoras, pensei em escrever-lhe sugerindo que um futuro fórum do Brasilianas viesse a discutir a questão da Telefonia Móvel no Brasil e explicando-lhe meu ponto de vista. Mas confesso que tive receio de fazê-lo, temendo alguma represália por parte das empresas do setor e, em especial, daquela em que trabalho no momento.
Mas, lendo agora o boletim da Agência Dinheiro Vivo sobre o acidente da TAM, vejo que você já sabe onde está o xis da questão: Os chamados “exterminadores de custos” têm "cortado os custos com machado", promovendo um "desmonte dos padrões de qualidade", incluindo terceirização extrema da mão de obra, jornada de trabalho extenuante e desumana, não pagamento de horas extras, redução do quadro de funcionários e não aumento de salários, cortes profundos em programas de treinamento. Os valores dos investimentos na área estão bem maiores que os de custeio, e os números aparecem bonitos para os acionistas, pois assim reza a cartilha destes gestores "exterminadores": é preferível descuidar da manutenção corretiva (a preventiva já não existe há anos) para que se priorizar a implantação.
Na época das estatais, não conseguíamos reinvestir o lucro e vivíamos num eterno contingenciamento de despesas.
Hoje, esses lucros possivelmente sejam remetidos para o exterior, onde a sede destas mesmas empresas não possuem a pujança econômica dos seus braços brasileiros e precisam de reforço de caixa.
Muito atenciosamente,
Eider
Eider
Vi o mundo[Azenha]: Cláudio Puty: Celpa, um caso clássico de Privataria Tucana
Cláudio Puty: Celpa, um caso clássico de Privataria Tucana
publicado em 21 de julho de 2012 às 17:29
por Luiz Carlos Azenha
A Celpa, Centrais Elétricas do Pará, está em recuperação judicial.
No popular, faliu.
De acordo com o deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), é um caso clássico de Privataria Tucana.
A Celpa foi privatizada em 1997. O presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. O ministro encarregado da desestatização era José Serra. E o governador do Pará era Almir Gabriel.
O Grupo Rede comprou a Celpa em 1997 com dinheiro da União. O estado do Pará foi avalista do negócio.
Como a Celpa não pagou o que devia, o Fundo de Participação (FPE) do Pará tem sido descontado mensalmente.
Hoje um dos estados que mais produzem energia elétrica no Brasil, exportador de energia (segundo Lúcio Flávio Pinto) sofre com apagões.
Sim, o Pará da hidrelétrica de Tucuruí sofre com apagões.
O programa Luz Para Todos está paralisado no Pará.
Na privataria, o Grupo Rede é acusado de ter transferido R$ 700 milhões de reais da Celpa a outras empresas do grupo.
Segundo o deputado Puty, “isso fragilizou, de maneira mortal, as Centrais Elétricas do Pará”.
O deputado também denuncia a ação tíbia da ANEEL, a Agência Nacional de Energia Elétrica.
Terceiro escândalo, segundo Cláudio Puty: o interventor judicial da Celpa, indicado pela Justiça do Pará, é o advogado eleitoral do atual governador do Estado, Simão Jatene, que teve papel importante, lá atrás, em 1997, na privatização da empresa.
Trocando em miúdos: o governo tucano do Pará atua nas duas pontas do negócio, como credor e devedor da Celpa.
Cláudio Puty acredita que, agora, o objetivo é obter a re-privatização da Celpa, com o uso de dinheiro público e o aumento das tarifas cobradas dos consumidores de energia paraenses.
Por isso, ele defende que a Celpa seja federalizada. Continue lendo.
publicado em 21 de julho de 2012 às 17:29
por Luiz Carlos Azenha
A Celpa, Centrais Elétricas do Pará, está em recuperação judicial.
No popular, faliu.
De acordo com o deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), é um caso clássico de Privataria Tucana.
A Celpa foi privatizada em 1997. O presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. O ministro encarregado da desestatização era José Serra. E o governador do Pará era Almir Gabriel.
O Grupo Rede comprou a Celpa em 1997 com dinheiro da União. O estado do Pará foi avalista do negócio.
Como a Celpa não pagou o que devia, o Fundo de Participação (FPE) do Pará tem sido descontado mensalmente.
Hoje um dos estados que mais produzem energia elétrica no Brasil, exportador de energia (segundo Lúcio Flávio Pinto) sofre com apagões.
Sim, o Pará da hidrelétrica de Tucuruí sofre com apagões.
O programa Luz Para Todos está paralisado no Pará.
Na privataria, o Grupo Rede é acusado de ter transferido R$ 700 milhões de reais da Celpa a outras empresas do grupo.
Segundo o deputado Puty, “isso fragilizou, de maneira mortal, as Centrais Elétricas do Pará”.
O deputado também denuncia a ação tíbia da ANEEL, a Agência Nacional de Energia Elétrica.
Terceiro escândalo, segundo Cláudio Puty: o interventor judicial da Celpa, indicado pela Justiça do Pará, é o advogado eleitoral do atual governador do Estado, Simão Jatene, que teve papel importante, lá atrás, em 1997, na privatização da empresa.
Trocando em miúdos: o governo tucano do Pará atua nas duas pontas do negócio, como credor e devedor da Celpa.
Cláudio Puty acredita que, agora, o objetivo é obter a re-privatização da Celpa, com o uso de dinheiro público e o aumento das tarifas cobradas dos consumidores de energia paraenses.
Por isso, ele defende que a Celpa seja federalizada. Continue lendo.
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sábado, 21 de julho de 2012
Notícias do Dia: Sábado, 21/07/2012 - REFAZENDA2010-blog
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11:59 Correio do Brasil: Forças sírias reagem após rebeldes entrarem na capital Damasco
11:31 Vi o mundo: Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre
11:59 Correio do Brasil: Forças sírias reagem após rebeldes entrarem na capital Damasco
11:31 Vi o mundo: Adriano Benayon: Brasil paga para se tornar pobre
| Alvimar Perrella prestou depoimento no Ministério Público - HD |
11:15 Hoje em Dia: Acusados de fraudes na merenda responderão a pelo menos quatro crimes
Muita calma nessa hora... O jogo é sujo e pesado!
| O Pará está entre os estados brasileiros que mais possuem trabalho escravo - CC |
11:15 Carta Capital[Marcelo Pellegrini]: Crise no Incra expõe a precariedade da reforma agrária
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Vi o mundo[Azenha]: Malco Camargos: Aécio não é imbatível em BH
publicado em 21 de julho de 2012 às 0:37
por Luiz Carlos Azenha
A política mineira voltou à normalidade. Depois da “anormalidade” de 2008, quando Fernando Pimentel do PT e Aécio Neves do PSDB apoiaram o mesmo candidato — Márcio Lacerda, do PSB –, desta vez o eleitor terá escolha na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte.
Tudo indica que não haverá segundo turno, já que a candidata do PSTU, Vanessa Portugal, luta para marcar 2% dos votos.
O senador Aécio Neves, embora importante cabo eleitoral, “não é imbatível” na capital mineira.
As considerações são do doutor em Ciências Políticas e professor da PUC de Minas Gerais, Malco Camargos.
Ele registra que as três pesquisas divulgadas até agora dão vantagem a Márcio Lacerda (PSB) sobre Patrus Ananias (PT), variando de 5% a quase 20%.
Afirma que o tempo de televisão será decisivo, aumentando a importância da batalha judicial pelo apoio do PSD, o partido fundado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Por influência dele, o partido anunciou apoio a Patrus Ananias, mas lideranças locais ligadas a Aécio Neves se rebelaram.
Se o PSD ficar com o candidato petista, Patrus terá apenas 2 minutos a menos de tempo de TV que Lacerda. Caso contrário, a diferença será de 6 minutos (14 a 8 para o candidato do PSB, uma enormidade).
Malco Camargos afirma que o candidato petista terá pela frente a tarefa de relembrar os eleitores não só de sua gestão como prefeito da capital mineira, mas também dos mais de cinco anos que comandou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Para o cientista social, o ex-presidente Lula e o senador Aécio Neves serão os cabos eleitorais mais importantes na disputa, mais até que a presidente Dilma e o governador Antonio Anastasia.
Malco afirma que Aécio Neves “não é imbatível” em Belo Horizonte. Em 1993, foi derrotado pelo próprio Patrus na disputa pela prefeitura. E, nas eleições presidenciais mais recentes, em 2010, Marina Silva foi a mais votada em Belo Horizonte, deixando para trás o candidato apoiado formalmente por Aécio, José Serra. Continue lendo e ouça os audios aqui.
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sexta-feira, 20 de julho de 2012
Laerte Braga: “O CAVALEIRO DAS TREVAS”
“O CAVALEIRO DAS TREVAS”
Laerte Braga
James Holmes, um jovem, invadiu quatro salas de projeções num cinema numa cidade do estado do Colorado e munido de uma espingarda, um fuzil e uma pistola “Glock”, disparou a esmo matando pelo menos 12 pessoas e ferindo perto de 60, algumas das quais em estado grave.
O presidente Barack Obama, pela enésima vez diante de tragédias assim reuniu a mídia e disse que lamentava pelos mortos e feridos, apresentou seus pêsames à família, pediu a proteção divina e disse que “nós nunca vamos entender isso”.
Milt Romney, candidato republicano às eleições de novembro, tanto quanto Obama, disse mais ou menos a mesma coisa e ambos fizeram caras de compungidos diante da dor de familiares das vítimas. Os candidatos suspenderam os anúncios de suas campanhas no estado.
As quatro salas exibiam o filme BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS.
O fato aconteceu em Aurora e o chefe de Polícia da cidade disse que na casa do atirador foram encontradas armadilhas, dispositivos químicos e inflamáveis. O acusado vestia uma armadura de aço, dos pés à cabeça e proteção contra bombas de gás lacrimogêneo.
No início desta semana um pai foi visitar o filho, irritou-se com o fato dele estar cantando músicas countries num karaokê, foi até o seu carro, muniu-se de uma pistola e atirou no filho. William Henry Oller Sr, de 70 anos é o nome do pai, o fato aconteceu em Shasta na Califórnia.
É claro que Obama entende os motivos que geram tragédias como essa aos borbotões nos EUA. Milt Romney, por outro lado, nem está aí para esse tipo de acontecimento. Quer saber se tem alguém ao alcance para demitir e que possa gerar mais recursos em suas contas bancárias nas Ilhas Cayman.
Jung em seu “CHEGANDO AO INCONSCIENTE” (O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS, Ed. Nova Fronteira, 2002) ao falar dos sonhos diz o seguinte – “quanto mais a consciência for influenciada por preconceitos, erros, fantasias e anseios infantis, mais se dilata a fenda já existente, até chegar-se a uma dissociação neurótica e a uma vida mais ou menos artificial, em tudo distanciada dos instintos normais, da natureza e da verdade”.
O conceito de nação pressupõe povo, língua comum, tradições e território, embora hoje sejam reconhecidas como nações povos que tem língua, costumes e tradições comuns, caso dos ciganos, dos próprios judeus antes de Israel e agora dos palestinos, depois de Israel. O território não se torna fator imprescindível.
Em boa parte dos casos se torna anseio.
Num dos mais importantes livros sobre a sociedade contemporânea o francês Guy Débord, afirma o seguinte – “a classe ideológica totalitária no poder, é o poder de um mundo invertido: quanto mais forte ela é, mais afirma que não existe, e sua força serve-lhe em primeiro lugar para afirmar sua existência. É modesta apenas nesse ponto, pois sua inexistência oficial também deve coincidir com o nex plus ultra do desenvolvimento histórico, que ao mesmo tempo seria devido a seu infalível comando. Espalhada por toda parte, a burocracia deve ser a parte invisível à consciência de modo que toda a vida social se torna demente. A organização social da mentira absoluta decorre dessa contradição fundamental” (DÉDORD, Guy, a SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, Ed. Contraponto, 1997, 2ª impressão).
É possível comprar uma Glock em qualquer casa de armas em qualquer cidade dos Estados Unidos. Basta uma entidade e uma certidão negativa de crimes e pronto. Sem falar no comércio clandestino. Cada militar que participa de missões de guerra tem o direito de levar sua arma pessoal quando passa à reserva, ou dá baixa.
É fabricada por uma empresa austríaca, tem três travas de segurança, é leve em relação a outras e privativa de forças militares e policiais. A maior parte das polícias do mundo usa a Glock.
Quando num dos filmes do Superman o ator abre mão de seus poderes e liga-se a Lois Lane, a ameaça de uma catástrofe o traz de volta à sua mansão num dos pólos da Terra onde ludibria seus algozes. Salva a humanidade, é obrigado a fazer com Lois Lane esqueça o que aconteceu e se veja novamente de posse de sua eterna virgindade.
Os roteiristas do filme sabiam que o público reagiria a um Superman vivendo nos subúrbios de New York ou qualquer cidade dos EUA, aparando grama, ajudando Lois em suas matérias jornalísticas, enquanto o mundo capitalista estivesse enfrentando riscos permanentes.
O criador do super herói, na última edição da revista, renegou toda a ação do Superman e se declarou indignado com seu país.
No Brasil o máximo que conseguimos foi Jerônimo o Herói do Sertão e hoje o Saci foi substituído pela cabeça de abóbora do Haloween. Numa concessão de Walt Disney, tudo para levar o País a entrar na 2ª Grande Guerra, foi criado o personagem Zé Carioca, um papagaio esperto e safo, que se bem todas, mas não vai a lugar nenhum.
Essa cultura da barbárie é exportada por essa corporação invisível, mas material e presente em cada canto do mundo. Quem disse que os EUA são ainda uma nação?
Desde os tempos de Ronald Reagan todo um delicado processo de transformação vem sendo construído e George Bush - o filho – exatamente por ser um “moita”, deu foros definitivos à corporação. Os controladores são grupos sionistas e essa sociedade “demente” é produto disso”.
ISRAEL/EUA TERRORISMO HUMANITÁRIO S/A.
As mesmas empresas que receberam contratos de terceirização do governo dos EUA para recrutar, treinar e armar mercenários na guerra contra a Líbia, apoiados por bombardeios criminosos da OTAN – ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE – atuam na Síria, recebem contratos de reconstrução dos países destruídos e começam a ocupar o Paraguai. São donas da Colômbia.
No filme, normal, típico filme de ação, CONSPIRAÇÃO, o ator Val Kilmer interpreta um ex-fuzileiro que vai a busca de um amigo mexicano numa cidade distante e lá percebe que o companheiro de tropa fora assassinado pelo grande empresário que fornece armas e equipamentos para a destruição de outros países e depois assume os contratos de reconstrução.
O “chefão”, cercado do aparato policial, fala com freqüência em patriotismo, em sociedade americana recuperando seus valores, sem “mestiços”. Mas explora a mão obra barata dos mexicanos, humilha-os e quando necessário mata. Para dar mais explosão ao filme, o personagem de Val Kilmer não tem uma parte da perna, perdeu-a em combate. No filme, o “mocinho” derrota a todos e ainda termina com a mocinha.
Já noutro filme, esse magistral, de Orson Welles, O PROCESSO, a obra de Franz Kafka, o personagem em busca de justiça abre uma porta e entra numa sala da justiça onde perto de duas mil máquinas de escrever batucam sem parar processos que nunca vão chegar a um fim.
James Holmes é produto desse meio demente que se espalha por todo o mundo. Como os traficantes que assumiram o poder no Paraguai com a contribuição da brasileira – conselheira de imigrantes - Marilene Sguarizi e o apoio disfarçado, invisível do governo brasileiro na omissão e cumplicidade, no cinismo de falar o contrário. Prática dos dois últimos governos, ligar a seta para um lado e virar para outro.
Trecho da carta de Marilene escrita aos brasileiros que moram no Paraguai:
A presidente Dilma se dirige a comunidade Brasileira no Paraguay através de minha pessoa a fim de transmitir "os bons ofícios do governo brasileiro para dar tranqüilidade no sentido de que não haverá travas comercias e econômicas entre o Brasil e Paraguay. O governo brasileiro fará todos os esforços para que os ´´Brasiguaios`` tenham a tranqüilidade te continuar trabalhando e de que não terão prejuízos de nenhuma índole na situação política atual do Paraguai. A mensagem dirigida aos senhores/as segue dizendo que a confiança entre os dois povos não foi alterada, da mesma forma que o novo governo do Paraguai é reconhecido pela sua legitimidade"
É a tal força invisível. É o que Débord chama de SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, é a barbárie numa Glock, na mídia de mercado a serviço das elites, e na compensação idílica do personagem do filme a A CONSPIRAÇÃO, sobre patriotismo.
Segundo o inglês Samuel Johnson, “o último refúgio dos canalhas”. Ou seja, Obama sabe e não quer saber e Milt Romney não quer ter a menor idéia, enquanto os negros em Israel são deportados como eram os judeus nos campos de concentração de Hitler.
O filme é o mesmo, mudaram os figurantes, o tempo e se acrescentou à violência algo em torno de cinco mil ogivas nucleares capazes de destruir o planeta cem vezes se necessário for.
Sai a suástica, entra a águia e a estrela de David. Já o HSBC lava o dinheiro dessa gente. E o dístico in God we trust.
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Carta Maior[Saul Leblon]: Ninguém aguenta mais: a Espanha vai às ruas; mais El País
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Ninguém aguenta mais: a Espanha vai às ruas
Mais de 100 mil pessoas ocuparam a praça do Sol, em Madrid, na noite desta 5ª feira. Protestos tomaram outras 80 cidades da Espanha. As centrais sindicais exigem um plebiscito para definir o futuro da sociedade e da economia. As manifestações explodiram no mesmo dia em que o Congresso -dominado pela direita do PP - aprovou o novo pacote de arrocho ditado pela cúpula do euro à Madrid. O governo conservador de Mariano Rajoy já não comanda; o Palpacio de la Moncloa está sob intervenção direta dos homens de negro de Bruxelas que impõem medidas, fiscalizam políticas e fuçam as contas do Estado.
Em troca de empréstimos para salvar os bancos, cuja primeira parcela de 30 bi foi liberada esta semana, o Eurogrupo determinou cortes adicionais da ordem de 65 bi no fragilizado tecido social espanhol. O pacote sancionado nesta 5ª feira impõe perdas salariais aos funcionários públicos, eleva impostos e retalha adicionalmente orçamentos essenciais e restringe o auxílio desemprego em meio a um quadro de reduçao epidêmica de vagas. Bombeiros aplaudiam manifestantes nas ruas de algumas cidades nesta 5ª feira --os homens do fogo também foram atingidos pelo incêndio neoliberal em que se transformou a Espanha.
O sacrifício é visto como inútil até pelos economistas conservadores: a Espanha já quebrou. Ao alimentar a recessão com mais arrocho o governo sabota sua própria capacidade de obter receita e pagar contas. Os capitais sabem e fogem do país; mais de 200 bilhões de euros saíram este ano da Espanha: é o dobro do volume que Bruxelas acena emprestar para salvar os bancos.
A conta não fecha. Investidores preferem guardar o dinheiro na Alemanha, e receber juro negativo, do que financiar o governo desastrado da direita espanhola, que lhes paga taxas recordes insustentáveis de 7%. A derrocada espanhola é a síntese de dois momentos do ciclo neoliberal: a omissão estatal no ciclo de alta, feito de supremacia das bolhas de crédito e desregulamentação especulativa; e a ausência de soberania estatal agora, no colapso do modelo, quando a finança submete toda a sociedade à opressão para salvar-se.
O que as ruas de Madrid estão dizendo, finalmente, é que os espanhóis querem o Estado de volta para defendê-los; não para dilapidá-los com aguilhões e espetos da impunidade rentista. Trata-se de uma agenda universal. Continue lendo.
Atualização às 14:33
Imagens: Vídeo Atlas - El País
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Hoje em Dia: TRT garante que divulga salários nesta sexta-feira
TRT garante que divulga salários nesta sexta-feira
Ezequiel Fagundes - Do Hoje em Dia
Termina nesta sexta-feira (20) o prazo estipulado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para os tribunais de todo o país divulgarem na internet informações completas sobre a remuneração de juízes e servidores. A determinação do CNJ atende as exigências da Lei de Acesso de Informação.
Com a abertura dos contracheques do Judiciário, a expectativa é de que os dados do Executivo e do Legislativo sejam disponibilizados a reboque. O Supremo Tribunal Federal (STF) e governo federal já divulgaram os dados.
Em Minas, só o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) vai divulgar os rendimentos dos desembargadores e servidores a partir de hoje.
“Vamos divulgar as remunerações de desembargadores, juízes e servidores do TRT”, garantiu o juiz Orlando Tadeu Alcântara, auxiliar da presidência do TRT.
O Tribunal de Justiça (TJ) não vai seguir o prazo estipulado pelo CNJ. Por meio de sua assessoria de imprensa, o TJ informou que irá, nesta sexta, se manifestar sobre o assunto.
A Justiça Federal em Minas Gerais, que engloba a primeira instância, não quis se manifestar. Alegou que a adequação será feita pelo Tribunal Regional Federal (TRF), em Brasília. Contactado, a assessoria de imprensa do TRF não se pronunciou até o fechamento desta edição.
Assembleia Legislativa, governo estadual, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Estadual (MPE) informaram, na quinta-feira (19), que vão seguir as regras. No entanto, não estipularam data para fornecer os dados.
Em nota, o Governo de Minas informou que “irá divulgar os salários de seus servidores, embora a Lei de Acesso à Informação não faça nenhuma referência direta a essa divulgação”. Ainda de acordo com a nota, “está sendo elaborado um decreto para regulamentar a matéria”.
Também por meio de nota, a Assembleia informou “que está analisando a Lei de Acesso à Informação e outras normas a ela relacionadas. Está também acompanhando a adequação de outros órgãos e poderes à legislação, para então elaborar a regulamentação interna sobre o assunto”.
Ezequiel Fagundes - Do Hoje em Dia
Termina nesta sexta-feira (20) o prazo estipulado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para os tribunais de todo o país divulgarem na internet informações completas sobre a remuneração de juízes e servidores. A determinação do CNJ atende as exigências da Lei de Acesso de Informação.
Com a abertura dos contracheques do Judiciário, a expectativa é de que os dados do Executivo e do Legislativo sejam disponibilizados a reboque. O Supremo Tribunal Federal (STF) e governo federal já divulgaram os dados.
Em Minas, só o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) vai divulgar os rendimentos dos desembargadores e servidores a partir de hoje.
“Vamos divulgar as remunerações de desembargadores, juízes e servidores do TRT”, garantiu o juiz Orlando Tadeu Alcântara, auxiliar da presidência do TRT.
O Tribunal de Justiça (TJ) não vai seguir o prazo estipulado pelo CNJ. Por meio de sua assessoria de imprensa, o TJ informou que irá, nesta sexta, se manifestar sobre o assunto.
A Justiça Federal em Minas Gerais, que engloba a primeira instância, não quis se manifestar. Alegou que a adequação será feita pelo Tribunal Regional Federal (TRF), em Brasília. Contactado, a assessoria de imprensa do TRF não se pronunciou até o fechamento desta edição.
Assembleia Legislativa, governo estadual, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Estadual (MPE) informaram, na quinta-feira (19), que vão seguir as regras. No entanto, não estipularam data para fornecer os dados.
Em nota, o Governo de Minas informou que “irá divulgar os salários de seus servidores, embora a Lei de Acesso à Informação não faça nenhuma referência direta a essa divulgação”. Ainda de acordo com a nota, “está sendo elaborado um decreto para regulamentar a matéria”.
Também por meio de nota, a Assembleia informou “que está analisando a Lei de Acesso à Informação e outras normas a ela relacionadas. Está também acompanhando a adequação de outros órgãos e poderes à legislação, para então elaborar a regulamentação interna sobre o assunto”.
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Hoje em Dia[Editorial]: A vez das telefônicas
Pelo menos uma operadora de telefonia móvel no Brasil acreditava que nunca seria punida pelo descaso com os consumidores, a julgar pela nota da TIM, de que recebeu “com bastante surpresa a medida tão extrema adotada pela Anatel”. A medida foi o bloqueio à expansão do número de clientes, em 18 estados em que a empresa italiana tem concessões no Brasil, inclusive Minas Gerais. Por certo, não foi surpresa para os clientes cansados de reclamar desta e de outras operadoras de celulares.
As três operadoras atingidas pela tardia ação da Anatel – TIM, OI e Claro – poderão recorrer à própria Agência, mas dificilmente terão sucesso. Para recomeçarem a venda, vão ter que apresentar, em 30 dias, um plano convincente de melhoria da qualidade do serviço. O sentimento de Dilma Rousseff, a esse respeito, parece ter sido bem expresso pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Ou seja, se não fossem levadas em conta as reclamações dos consumidores, o governo ficaria numa posição completamente indefensável.
Os clientes reclamam, sobretudo, de erros nas contas, de quedas frequentes de ligações e das dificuldades para serem ouvidos pelas operadoras. A presidente Dilma parece ter decidido fazer o que concessionários de serviços públicos não fazem, e sair em defesa dos consumidores. Depois de abrir guerra contra os juros altos cobrados pelos bancos e contra planos de saúde, chegou a vez da telefonia privatizada durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Nos governos seguintes, ocorreu uma espécie de reforço na privatização. Houve uma concentração no setor, com a fusão da OI e Brasil Telecom, anunciada em 2008 e aprovada em outubro de 2010 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Anatel, por sua vez, não exigiu a obediência à Lei Geral de Telecomunicações. Esta determina que os serviços essenciais devem ser prestados no regime público, mesmo que concomitante com o regime privado. Diante da omissão da agência, as empresas passaram a visar o lucro apenas, abandonando aquelas regiões com menos poder aquisitivo. Não fosse isso, já teríamos a universalização do uso do telefone e o compartilhamento do serviço entre operadoras, em benefício dos clientes. E não estaria tão difícil hoje, para o governo, estender a banda larga e o uso da internet nas regiões mais pobres do país. Se não agir logo, vai frustrar também a expectativa de um salto tecnológico, com a telefonia 4G, até a Copa do Mundo. Origem.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Notícias do Dia: Quinta-feira, 19/07/2012 - REFAZENDA2010-blog
"Esquadrão antibomba O PSDB aproveita o recesso para tentar desarmar a bomba que atende pelo nome de "Paulo Preto" na CPI do Cachoeira. O partido negocia com a base aliada o cancelamento do depoimento em troca da anulação das convocações de Fernando Cavendish, da Delta, e Luiz Pagot, ex-Dnit. Outra hipótese avaliada é que o ex-diretor da Dersa encaminhe esclarecimentos por escrito. Tudo para evitar justamente o que o PT deseja: que a oitiva prejudique a campanha de José Serra"
11: 58 Folha[Painel - Vera Magalhães]: PSDB negocia cancelamento da convocação de 'Paulo Preto' em CPI
11:38 Estado de Minas: Movimentos sociais divulgam documento em defesa do candidato do PT, Patrus Ananias
"Em maio, o Hoje em Dia mostrou que dois dias depois de a Polícia Federal prender o bicheiro Carlinhos Cachoeira na operação Monte Carlo e virem à tona as relações do contraventor com a construtora Delta, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) emitiu nota de empenho para pagar a Delta separadamente de sua parceira. Até então, os pagamentos eram realizados para o Consórcio."
11:38 Hoje em Dia: Delta abandona obra do BRT na capital, orçada em R$ 171 milhões
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
Folha: Anatel decide suspender vendas de Claro, Oi e TIM; mais ANATEL
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ANDREZA MATAIS
JULIA BORBA
DE BRASÍLIA
A Anatel decidiu suspender a partir desta quarta-feira a venda de chips de três das maiores operadoras de telefonia móvel do país: TIM, Oi e Claro.
Somadas, as três empresas têm cerca de 70% do mercado de telefonia móvel no país -- Claro (24,59%), Oi (18,59%) e TIM (26,88%).
A Folha apurou que as vendas ficarão interrompidas até que elas apresentem um plano de investimento para os próximos dois anos, com metas para resolver problemas na qualidade dos serviços prestados aos consumidores.
Os técnicos da Anatel trabalhavam, nesta manhã, com previsão de impedir a venda e a ativação de novas linhas pela TIM em cerca de 15 Estados, pela Oi em 6 e pela Claro em 3.
A medida, que deve ser anunciada pela Anatel nesta tarde, em coletiva à imprensa, foi motivada pelo índice de reclamação dos consumidores sobre essas três empresas.
A Vivo, que é a maior operadora do país, não será afetada. Todas as operadoras, porém, serão obrigadas a melhorar os serviços. Continue lendo.
Atualização às 19:07
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Telefonia móvel é a mais cara entre os BRICs
Brasil247: Lavagem nos EUA afeta HSBC no Brasil; mais Agência Brasil
Mais uma lavanderia, gigantesca!
Lavagem nos EUA afeta HSBC no Brasil
Plano de recuar no setor do varejo, com o fechamento de agências no Brasil, já havia sido anunciado pela direção do banco; estrago feito por investigação do senado americano deve acelerar cortes; HSBC pode ter licença cassada nos EUA; bilhões em dinheiro sujo de traficantes mexicanos e até terroristas da Al-Qaeda ficavam limpos em seus cofres
18 de Julho de 2012 às 13:29
247 – O bilionário escândalo de lavagem de dinheiro envolvendo o banco HSBC nos Estados Unidos pode acelerar, no Brasil, a redução da presença dessa bandeira no setor de varejo, com o fechamento de agências. A direção do banco no País já havia anunciado a decisão de concrentrar negócios entre clientes de alta renda, mas o tamanho do estrago que pode levar até mesmo à cassação da licença para o HSBC funcionar nos EUA terá reflexos na operação global da instituição. Com sede nacional no Paraná, o britânico HSBC se estabeleceu aqui pela incorporação do quebrado Bamerindus, em 1997, numa operação obscura que envolveu milhões em dinheiro público. O caso foi descrito pela revista Veja, à época, como uma doação:
“ O Bamerindus foi doado da seguinte maneira: os ingleses darão os 381,6 milhões ao BC, em troca de 1 241 agências, ativos de mais de 10 bilhões de reais e uma das seguradoras mais rentáveis do país. Pagarão em sete anos, o que já é uma facilidade. Na surdina, o HSBC recebeu 431,8 milhões de reais do BC para reestruturar o Bamerindus e saldar reclamações trabalhistas. O dinheiro serve para comprar computadores novos, contratar consultores, fechar ou abrir agências. O HSBC já sacou esse dinheiro, em três parcelas. Não foi um empréstimo, já que o dinheiro não retornará ao BC. O cálculo aritmético fica bem simples. Além de agências, prédios, depósitos e perspectiva futura de lucro, o HSBC ainda recebeu um troco de 50,2 milhões”, registrou reportagem da revista.
Neste momento, as acusações formais do Senado americano apontam para o crime de lavagem de dinheiro de cartéis de traficantes mexicanos, empresas russas e remessas pesadas para o Irã. Há suspeita de lavagem em torno de recursos de empresas fantasmas ligadas à rede terrosta Al-Qaeda. O Bamerindus foi doado da seguinte maneira: os ingleses darão os 381,6 milhões ao BC, em troca de 1 241 agências, ativos de mais de 10 bilhões de reais e uma das seguradoras mais rentáveis do país. Pagarão em sete anos, o que já é uma facilidade. Na surdina, o HSBC recebeu 431,8 milhões de reais do BC para reestruturar o Bamerindus e saldar reclamações trabalhistas. O dinheiro serve para comprar computadores novos, contratar consultores, fechar ou abrir agências. O HSBC já sacou esse dinheiro, em três parcelas. Não foi um empréstimo, já que o dinheiro não retornará ao BC. O cálculo aritmético fica bem simples. Além de agências, prédios, depósitos e perspectiva futura de lucro, o HSBC ainda recebeu um troco de 50,2 milhões. aíses como o Irã.
Segundo o relatório de uma comissão de senadores, os cartéis mexicanos utilizaram as filiais do banco para realizar operações que os permitiu lavar milhões de dólares procedentes da droga no sistema americano.
O relatório legislativo também aponta que o HSBC e sua filial nos EUA ocultaram suas operações com o Irã por seis anos, totalizando um valor de US$ 16 bilhões.
As movimentações violaram as regras americanas que proíbem relações comerciais e financeiras com países como Irã, Sudão e Coreia do Norte.
O chefe da auditoria interna do HSBC, David Bagley, anunciou que vai deixar o seu cargo. O responsável foi um dos executivos chamado pelo Senado americano para responder a acusação de que o banco permitiu que houvesse lavagem de dinheiro na unidade do banco nos EUA.
Segundo informações da agência de notícias pública, Lusa, o HSBC reconheceu as ”falhas” e apresentou publicamente desculpas, por ter falhado na fiscalização de possíveis operações. Continue lendo.
Atualização às 23:45
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Novojornal: Alexandria: Golpe contra soberania e autonomia do Vale do Aço
Governo de Minas cria e entrega a Alexandre Silveira lei retirando autonomia e soberania municipal para viabilizar empreendimento bilionário
Agora aparece o verdadeiro motivo da “fidelidade e luta” de Alexandre Silveira (PSD) ao projeto político do PSDB. A origem de tudo está na permissividade e audácia do governo paralelo instalado pela “Gangue dos Castros” em Minas Gerais, que parece não ter limites. Após corroer as estruturas das instituições estatais, apoderando dos principais cargos e figuras dos Poderes, transformando-os em peças no tabuleiro do jogo econômico e político, chegando mesmo a atender com este esquema grupos criminosos.
Alexandre da Silveira, através da Secretaria de Estado Extraordinária de Gestão Metropolitana (SEGEM), vem afrontando abertamente a autonomia e soberania municipal assegurada pela Constituição Federal para viabilizar projeto privado bilionário. Segundo pessoas que acompanham o dia a dia na secretaria afirmam que Silveira não estaria defendendo a aliança com o PSB por questões ideológicas e partidárias e sim o seu cargo diante da ameaça de sua exoneração.
Estaria principalmente a serviço de Danilo de Castro, assim como, Clesio Andrade e Newton Cardoso ao impedir que o deputado Sávio Souza Cruz fosse o candidato do PMDB a vice na chapa de Patrus Ananias concorrendo à prefeitura de Belo Horizonte. Alexandre, segundo informa fontes das empresas participantes do empreendimento, teria uma cláusula de sucesso de 10% sobre o empreendimento, “Alexandria”, que lhe rendera no mínimo R$ 2 bilhões.
Numa Assembléia Legislativa, onde quase a totalidade de seus membros encontra-se submissa ou participa da “Gangue dos Castros”, vigora a defesa de interesses poucos “Republicanos”. Lavam as mãos como Pilatos, aprovando Leis que delegam as funções legislativas ao executivo, o que em outras épocas ocorria apenas em regimes totalitários. Diante deste quadro, o governo vem aprovando Leis que são verdadeira afronta a princípios constitucionais. Leis que retiram direitos e prerrogativas dos municípios, que refém da situação não tem a quem recorrer, pois seus representantes no legislativo abandonaram sua defesa em troca de cargos e outros benefícios para seu grupo. Continue lendo.
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Correio do Brasil: Cerco sobre Serra e Paulo Preto se fecha após doação milionária; mais Brasil247
Cerco sobre Serra e Paulo Preto se fecha após doação milionária
Atualização às 17:21
Diz o Brasil247: "Assista, abaixo, ao vídeo, que capta o momento da entrega do dinheiro:"
Brasil247: Empreiteiro do DF aproxima Serra da CPI
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
Outras Palavras: Nova onda de violência policial em São Paulo
| Desde junho, quando PM praticou chacina brutal na Zona Leste, clima de terror alastrou-se pelas periferias, estimulado por silêncio dos jornais - OP |
Nova onda de violência policial em São Paulo
Por Guilherme Boulos e Guilherme Simões
Nas últimas semanas, a Polícia Militar tem sitiado vários bairros periféricos da Região Metropolitana de São Paulo. Numa suposta reação a ataques do crime organizado, policiais tomam comunidades, fecham ruas e abordam de forma indiscriminada e frequentemente agressiva os moradores. Como costuma ocorrer em casos como este, a “reação” é inteiramente desproporcional à ação. Além de desorientada.
Desde o início de junho, quando a ROTA protagonizou uma brutal chacina na Zona Leste, executando seis pessoas que estariam em uma “reunião do PCC”, o clima de terror alastrou-se pelas periferias. Segundo a própria PM, cerca de 100 mil pessoas foram abordadas entre os dias 24 e 30 de junho. Neste mesmo período, cerca de 400 pessoas foram presas. Mas estes números são apenas a face pública da situação.
Momentos como este, em que a polícia – estimulada pela maior parte da imprensa e pelo sentimento fascista de um setor da classe média – coloca-se como vítima, que precisa reagir em nome da lei e do Estado de Direito, são extremamente perigosos. Abre-se então a temporada de caça aos “criminosos”, identificados sem muita restrição aos pobres, moradores da periferia, negros e, preferencialmente, jovens. Julgamentos sumários, extermínios e acertos de contas são feitos em nome da lei e da ordem.
Crimes de Maio de 2006
Há seis anos o mesmo estado de São Paulo vivenciou uma situação análoga. O resultado foi a maior chacina, ainda que descentralizada, de que se tem notícia nas últimas décadas no Brasil. Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, 493 pessoas, em sua maioria jovens da periferia, foram mortos pela PM. À época, associaram-se tais mortes a uma reação da PM aos ataques e os mortos a criminosos do PCC. Os relatos daquele maio sangrento foram recuperados e podem ser acessados por todos através do Movimento das Mães de Maio, organização de mulheres que perderam seus filhos na suposta reação ao crime organizado.
Esta Cruzada contra o “crime” de 2006 naturalmente não reduziu os índices de criminalidade no estado. Não era esse seu objetivo. É mais do que sabido que o combate ao crime organizado passa, antes de tudo, por enfrentar suas profundas ramificações dentro do próprio Estado e, em particular, da polícia. O que a chacina de 2006 representou foi uma oportunidade privilegiada de criminalização da pobreza, de extermínio sádico e de mostrar aos trabalhadores mais pobres qual deve ser o seu lugar nesta sociedade.
Pesadelo revivido
As últimas semanas nos fizeram reviver este pesadelo. Toques de recolher, prisões e mortes obscuras estão novamente sendo naturalizados pelo governo e imprensa sob o argumento do combate ao crime. Não nos parece natural que a PM imponha toques de recolher no Capão Redondo, Jardim São Luiz e Grajaú ou em regiões de Guarulhos, como ocorreu dias atrás.
No Capão Redondo, depois da morte de um policial que estava de folga, pelo menos 8 pessoas foram executadas por um grupo encapuzado. Após um destes extermínios, o do copeiro Eleandro Cavalcante de Abreu, de 21 anos, um ônibus foi incendiado em protesto. Entre 17 e 28 de junho já foram 21 assassinatos no bairro. Moradores do bairro Jd. São Bento Novo afirmam que a polícia baleou três jovens que não tinham sequer passagem pela polícia. No Jardim São Luiz, 6 jovens foram executados em situação semelhante.
O hospital do M’Boi Mirim, na mesma região, atendia cerca de 6 feridos por bala nos dias que seguiram os ataques. A média desse tipo de atendimento era de 2 por semana, segundo funcionários do hospital.
No Grajaú, também na zona sul, após ataque a uma base da PM, a quinta feira dia 27 foi de bastante temor para os moradores. Helicópteros e ostensiva presença da Força Tática impunham toque de recolher como forma de retaliação. Moradores do bairro dos Pimentas, em Guarulhos, afirmam que além do toque de recolher, cerca de 13 pessoas foram executadas nos últimos dias. No último dia 2 de julho, a Rota executou dois jovens em Sapopemba, zona leste da capital. Apenas entre os dias 17 e 28 de junho, 127 pessoas foram assassinadas, o que é 53% mais do que o mesmo período do ano passado. Continue lendo.
domingo, 15 de julho de 2012
Carta Maior[Saul Leblon]: 'Que se jodan': o escárnio neoliberal. Acredite, isso é a Europa hoje
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| Carta Maior |
'Que se jodan': o escárnio neoliberal. Acredite, isso é a Europa hoje
Funcionários públicos pediram a cabeça de Mariano Rajoy neste domingo, nas ruas de Madrid. O premiê espanhol pertence ao Partido Popular, uma espécie de Demos no poder, vitaminado pelo neoliberalismo tucano e, como estes, obcecado pelas 'reformas'. Herdeiro do franquismo, o PP exuda um conservadorismo político visceral, caramelado de ranço religioso opressivo.
Buñuel entendia dessa estirpe que vive seu fastígio político como braço executivo das 'reformas' tão acalentadas pelo elitismo em outras plagas também. A cepa de origem exibe perfeita aderência à natureza extremada das medidas requeridas para equacionar o colapso neoliberal sem afrontar os seus próprios termos.
A diferença agora é que sobra menos espaço para formalidades, digamos assim, quando se trata de tirar em espécie do tecido social para proceder a uma plástica na face do credo e no balanço dos credores. O cirurgião desse tipo de empreitada não pode hesitar. Mas o PP vai além da frieza.
Na 4ª feira da semana passada a face catatônica do impenetrável premiê Rajoy recitava aos deputados do Congresso a lista de sacrifícios adicionais determinados pelo Eurogrupo. A intervenção de Bruxelas no Estado espanhol visa impor à 4ª economia da UE o mais dramático arrocho da história do ciclo democrático, pós Franco: 65 bilhões de euros serão extirpados da população, via impostos, mais cortes sociais e menos gastos públicos( incluindo-se cortes salariais).
Em troca, os homens de preto do euro vão liberar um socorro de 30 bilhões de euros para salvar a banca espanhola. A desastrada aposta no arrocho para equilibrar as contas fiscais, como se sabe, agrava a recessão e reduz receitas, o que torna a economia incapaz de gerar recursos próprios para se reerguer, tudo apontando para uma nova escalada de demissões. No caso espanhol, significa engordar um explosivo contingente de 5,5 milhões de desempregados, a mais alta taxa de desemprego da UE. Continue lendo.
Funcionários públicos pediram a cabeça de Mariano Rajoy neste domingo, nas ruas de Madrid. O premiê espanhol pertence ao Partido Popular, uma espécie de Demos no poder, vitaminado pelo neoliberalismo tucano e, como estes, obcecado pelas 'reformas'. Herdeiro do franquismo, o PP exuda um conservadorismo político visceral, caramelado de ranço religioso opressivo.
Buñuel entendia dessa estirpe que vive seu fastígio político como braço executivo das 'reformas' tão acalentadas pelo elitismo em outras plagas também. A cepa de origem exibe perfeita aderência à natureza extremada das medidas requeridas para equacionar o colapso neoliberal sem afrontar os seus próprios termos.
A diferença agora é que sobra menos espaço para formalidades, digamos assim, quando se trata de tirar em espécie do tecido social para proceder a uma plástica na face do credo e no balanço dos credores. O cirurgião desse tipo de empreitada não pode hesitar. Mas o PP vai além da frieza.
Na 4ª feira da semana passada a face catatônica do impenetrável premiê Rajoy recitava aos deputados do Congresso a lista de sacrifícios adicionais determinados pelo Eurogrupo. A intervenção de Bruxelas no Estado espanhol visa impor à 4ª economia da UE o mais dramático arrocho da história do ciclo democrático, pós Franco: 65 bilhões de euros serão extirpados da população, via impostos, mais cortes sociais e menos gastos públicos( incluindo-se cortes salariais).
Em troca, os homens de preto do euro vão liberar um socorro de 30 bilhões de euros para salvar a banca espanhola. A desastrada aposta no arrocho para equilibrar as contas fiscais, como se sabe, agrava a recessão e reduz receitas, o que torna a economia incapaz de gerar recursos próprios para se reerguer, tudo apontando para uma nova escalada de demissões. No caso espanhol, significa engordar um explosivo contingente de 5,5 milhões de desempregados, a mais alta taxa de desemprego da UE. Continue lendo.
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Juntos Somos Fortes: UM CARDEAL SEM PASSADO
UM CARDEAL SEM PASSADO
O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão "Uma cidade sem passado", de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.
O filme
Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é "Minha cidade natal na época do III Reich". Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing - como é denominada no filme - considerada até então baluarte da resistência antinazista.
Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória - o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen - fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma "judia e comunista" futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.
A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço - perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha - resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.
Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.
Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.
Deus tá vendo
E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.
Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação "Deus tá vendo", organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?
Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio - O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.
Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.
O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das "candocas" - como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As "candocas" desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as "candocas", que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada "Marcha da família com Deus pela liberdade", que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro "1964: A Conquista do Estado" (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.
Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia - e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa - posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos. Continue lendo.
O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão "Uma cidade sem passado", de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.
O filme
Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é "Minha cidade natal na época do III Reich". Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing - como é denominada no filme - considerada até então baluarte da resistência antinazista.
Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória - o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen - fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma "judia e comunista" futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.
A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço - perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha - resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.
Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.
Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.
Deus tá vendo
E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.
Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação "Deus tá vendo", organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?
Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio - O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.
Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.
O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das "candocas" - como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As "candocas" desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as "candocas", que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada "Marcha da família com Deus pela liberdade", que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro "1964: A Conquista do Estado" (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.
Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia - e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa - posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos. Continue lendo.
"José Ribamar Bessa Freire é professor universitário (UERJ), reside no Rio há mais de 20 anos, assina coluna no Diário do Amazonas, de Manaus, sua terra natal, e mantém o blog Taqui Pra Ti. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz"
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sábado, 14 de julho de 2012
Le Monde Diplomatique Brasil: Soldados africanos para guerras norte-americanas
| Alves - LMDB |
Soldados africanos para guerras norte-americanas
Assim que se engajaram na “guerra ao terror” e passaram a enviar um número crescente de soldados ao exterior, os EUA depararam com um problema: encontrar combatentes. Como seus cidadãos não se entusiasmaram com a ideia de morrer pela pátria, apelou-se para companhias privadas, que recrutam mão de obra “descartável”
por Alain Vicky
Logo me dei conta de que estava cometendo o maior erro da minha vida. Mas já era tarde: havia assinado contrato por um ano e devia agir como um homem”, suspira Bernard,1 contratado por uma empresa de segurança privada norte-americana no Iraque. Esse jovem ugandense pertence ao “exército invisível”2 recrutado pelos Estados Unidos como reforço ao aparato de guerra. De volta a seu país no fim de 2011, doente, ele se encontra sem nenhum acesso à segurança social e à saúde, direitos previstos em seu contrato.
Enquanto seus colegas brancos expatriados – norte-americanos, israelenses, sul-africanos, britânicos, franceses ou sérvios, contratados por empresas em convênio com o Pentágono – se beneficiaram de remunerações confortáveis que ultrapassam os US$ 10 mil mensais, os residentes estrangeiros (third country nationals, ou TCNs) como Bernard depararam com arbitrariedades, desprezo ao direito ao trabalho e maus-tratos. Muitos feridos foram reenviados para casa sem qualquer cuidado e hoje não recebem nenhum tipo de apoio ou auxílio de seus antigos empregadores.
Em junho de 2008, quando Washington iniciou a desocupação do Iraque, os TCNs somavam 70.167, e os soldados regulares, 153.300. No fim de 2010, a proporção era 40.776 TCNs e 47.305 norte-americanos. Os homens e mulheres recrutados de forma adicional vêm, sobretudo, de países do Sul. Aos milhares, foram encarregados de missões de diversos tipos nas 25 bases do Exército norte-americano no Iraque, entre as quais está a famosa Camp Liberty, uma “pequena cidade dos Estados Unidos” construída perto de Bagdá e que em seu apogeu contou com 100 mil residentes. Os TCNs – que constituem 59% dos efetivos do setor chamado “necessidades básicas” – se ocupam da cozinha, limpeza, manutenção dos edifícios, restauração rápida, eletricidade e até da aparência das soldadas.
De todo modo, muitos podem ser igualmente afetados pela falta de segurança do ambiente de guerra, às vezes em binômio com os soldados regulares. É o caso, particularmente, dos recrutas africanos, que em particular controlam o acesso e os muros das bases. Esses subsaarianos fornecem 15% dos guardas estáticos recrutados pelas empresas militares privadas na conta do Pentágono.
Entre esses guardas de baixo custo, os ugandenses são maioria: somam quase 20 mil. Como um cruel paradoxo, muitas vezes são designados para reprimir semelhantes, como em maio de 2010, quando foram chamados a Camp Liberty para conter a rebelião de cerca de mil TCNs originários do subcontinente indiano.
A sobrerrepresentação de ugandenses no Iraque se explica pelo contexto político do início dos anos 2000 na África Central. Na época, no leste de Uganda, a Guerra dos Grandes Lagos tinha sido oficialmente encerrada. No norte do país, a guerra civil chegara ao fim e abrira caminho à independência da porção sul de Uganda.3 Mais de 60 mil homens de tropas ugandenses se viram desmobilizados. O Iraque surgiu, então, como uma alternativa de trabalho. Ademais, Kampala, principal aliado dos Estados Unidos na região, é uma das raras capitais africanas que apoiava a administração Bush quando a Guerra do Iraque foi deflagrada, em 2003. Desde meados da década de 1980, os militares dos dois países colaboram entre si. “Em 2005, a demanda norte-americana por pessoal no setor paramilitar e de segurança explodiu. O Pentágono buscava mão de obra anglófona, eficaz e com experiência em guerra. É natural que recorresse a Uganda”,4 conta o jornalista e blogueiro ugandense Angelo Izama.
Para Norbert Mao, candidato derrotado do Partido Democrático para a presidência em 2011, o envio de ugandenses ao Iraque responde também a outra razão: “Antigos combatentes desempregados podem gerar problemas, e o governo considerou o Iraque uma boa forma de se livrar dos desmobilizados”.5 Para alimentar esse novo filão do mercado, explica, “as empresas fundadas por ex-militares norte-americanos estabeleceram relações com outras criadas por antigos altos funcionários do Exército ugandense”.
Cunhada de um dos mais célebres donos de empresas do setor de segurança de Uganda – o general Salim Saleh, que por sua vez é irmão do presidente Yoweri Museveni –, Kelen Kayonga fundou a empresa Askar, que desde o fim de 2005 recruta pessoal para a companhia Special Operation Consulting (SOC), criada no estado de Nevada por dois ex-oficiais norte-americanos. Sua principal concorrente no mercado local, a paquistanesa Dreshak International, abriu no mesmo ano uma filial em Kampala e começou a trabalhar para a empresa militar privada norte-americana EODT, que funciona no Iraque. A partir de 2006, uma dezena de “empresas de conflitos” se instalou no país. Nos bairros populares de Kampala, o Iraque se tornou a nova fronteira dos kyeyos(trabalhadores candidatos à imigração). Um antigo combatente que se reengaja pode ganhar até US$ 1.300 por mês, ou seja, muito mais do que os salários oferecidos em Kampala no setor florescente de segurança e proteção civil local. Continue lendo.
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