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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Laerte Braga: “O CAVALEIRO DAS TREVAS”

“O CAVALEIRO DAS TREVAS”


Laerte Braga


James Holmes, um jovem, invadiu quatro salas de projeções num cinema numa cidade do estado do Colorado e munido de uma espingarda, um fuzil e uma pistola “Glock”, disparou a esmo matando pelo menos 12 pessoas e ferindo perto de 60, algumas das quais em estado grave.

O presidente Barack Obama, pela enésima vez diante de tragédias assim reuniu a mídia e disse que lamentava pelos mortos e feridos, apresentou seus pêsames à família, pediu a proteção divina e disse que “nós nunca vamos entender isso”.

Milt Romney, candidato republicano às eleições de novembro, tanto quanto Obama, disse mais ou menos a mesma coisa e ambos fizeram caras de compungidos diante da dor de familiares das vítimas. Os candidatos suspenderam os anúncios de suas campanhas no estado.

As quatro salas exibiam o filme BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS.

O fato aconteceu em Aurora e o chefe de Polícia da cidade disse que na casa do atirador foram encontradas armadilhas, dispositivos químicos e inflamáveis. O acusado vestia uma armadura de aço, dos pés à cabeça e proteção contra bombas de gás lacrimogêneo.    

No início desta semana um pai foi visitar o filho, irritou-se com o fato dele estar cantando músicas countries num karaokê, foi até o seu carro, muniu-se de uma pistola e atirou no filho. William Henry Oller Sr, de 70 anos é o nome do pai, o fato aconteceu em Shasta na Califórnia.

É claro que Obama entende os motivos que geram tragédias como essa aos borbotões nos EUA. Milt Romney, por outro lado, nem está aí para esse tipo de acontecimento. Quer saber se tem alguém ao alcance para demitir e que possa gerar mais recursos em suas contas bancárias nas Ilhas Cayman.
Jung em seu “CHEGANDO AO INCONSCIENTE” (O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS, Ed. Nova Fronteira, 2002) ao falar dos sonhos diz o seguinte – “quanto mais a consciência for influenciada por preconceitos, erros, fantasias e anseios infantis, mais se dilata a fenda já existente, até chegar-se a uma dissociação neurótica e a uma vida mais ou menos artificial, em tudo distanciada dos instintos normais, da natureza e da verdade”.
O conceito de nação pressupõe povo, língua comum, tradições e território, embora hoje sejam reconhecidas como nações povos que tem língua, costumes e tradições comuns, caso dos ciganos, dos próprios judeus antes de Israel e agora dos palestinos, depois de Israel. O território não se torna fator imprescindível.
Em boa parte dos casos se torna anseio.
Num dos mais importantes livros sobre a sociedade contemporânea o francês Guy Débord, afirma o seguinte – “a classe ideológica totalitária no poder, é o poder de um mundo invertido: quanto mais forte ela é, mais afirma que não existe, e sua força serve-lhe em primeiro lugar para afirmar sua existência. É modesta apenas nesse ponto, pois sua inexistência oficial também deve coincidir com o nex plus ultra do desenvolvimento histórico, que ao mesmo tempo seria devido a seu infalível comando. Espalhada por toda parte, a burocracia deve ser a parte invisível à consciência de modo que toda a vida social se torna demente. A organização social da mentira absoluta decorre dessa contradição fundamental” (DÉDORD, Guy, a SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, Ed. Contraponto, 1997, 2ª impressão).
É possível comprar uma Glock em qualquer casa de armas em qualquer cidade dos Estados Unidos. Basta uma entidade e uma certidão negativa de crimes e pronto. Sem falar no comércio clandestino. Cada militar que participa de missões de guerra tem o direito de levar sua arma pessoal quando passa à reserva, ou dá baixa.
É fabricada por uma empresa austríaca, tem três travas de segurança, é leve em relação a outras e privativa de forças militares e policiais. A maior parte das polícias do mundo usa a Glock.
Quando num dos filmes do Superman o ator abre mão de seus poderes e liga-se a Lois Lane, a ameaça de uma catástrofe o traz de volta à sua mansão num dos pólos da Terra onde ludibria seus algozes. Salva a humanidade, é obrigado a fazer com Lois Lane esqueça o que aconteceu e se veja novamente de posse de sua eterna virgindade.
Os roteiristas do filme sabiam que o público reagiria a um Superman vivendo nos subúrbios de New York ou qualquer cidade dos EUA, aparando grama, ajudando Lois em suas matérias jornalísticas, enquanto o mundo capitalista estivesse enfrentando riscos permanentes.
O criador do super herói, na última edição da revista, renegou toda a ação do Superman e se declarou indignado com seu país.
No Brasil o máximo que conseguimos foi Jerônimo o Herói do Sertão e hoje o Saci foi substituído pela cabeça de abóbora do Haloween. Numa concessão de Walt Disney, tudo para levar o País a entrar na 2ª Grande Guerra, foi criado o personagem Zé Carioca, um papagaio esperto e safo, que se bem todas, mas não vai a lugar nenhum.
Essa cultura da barbárie é exportada por essa corporação invisível, mas material e presente em cada canto do mundo. Quem disse que os EUA são ainda uma nação?
Desde os tempos de Ronald Reagan todo um delicado processo de transformação vem sendo construído e George Bush - o filho – exatamente por ser um “moita”, deu foros definitivos à corporação. Os controladores são grupos sionistas e essa sociedade “demente” é produto disso”.
ISRAEL/EUA TERRORISMO HUMANITÁRIO S/A.
As mesmas empresas que receberam contratos de terceirização do governo dos EUA para recrutar, treinar e armar mercenários na guerra contra a Líbia, apoiados por bombardeios criminosos da OTAN – ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE – atuam na Síria, recebem contratos de reconstrução dos países destruídos e começam a ocupar o Paraguai. São donas da Colômbia.
No filme, normal, típico filme de ação, CONSPIRAÇÃO, o ator Val Kilmer interpreta um ex-fuzileiro que vai a busca de um amigo mexicano numa cidade distante e lá percebe que o companheiro de tropa fora assassinado pelo grande empresário que fornece armas e equipamentos para a destruição de outros países e depois assume os contratos de reconstrução.
O “chefão”, cercado do aparato policial, fala com freqüência em patriotismo, em sociedade americana recuperando seus valores, sem “mestiços”. Mas explora a mão obra barata dos mexicanos, humilha-os e quando necessário mata. Para dar mais explosão ao filme, o personagem de Val Kilmer não tem uma parte da perna, perdeu-a em combate. No filme, o “mocinho” derrota a todos e ainda termina com a mocinha.
Já noutro filme, esse magistral, de Orson Welles, O PROCESSO, a obra de Franz Kafka, o personagem em busca de justiça abre uma porta e entra numa sala da justiça onde perto de duas mil máquinas de escrever batucam sem parar processos que nunca vão chegar a um fim.
James Holmes é produto desse meio demente que se espalha por todo o mundo. Como os traficantes que assumiram o poder no Paraguai com a contribuição da brasileira – conselheira de imigrantes - Marilene Sguarizi e o apoio disfarçado, invisível do governo brasileiro na omissão e cumplicidade, no cinismo de falar o contrário. Prática dos dois últimos governos, ligar a seta para um lado e virar para outro.
Trecho da carta de Marilene escrita aos brasileiros que moram no Paraguai:
A presidente Dilma se dirige a comunidade Brasileira no Paraguay através de minha pessoa a fim de transmitir "os bons ofícios do governo brasileiro para dar tranqüilidade no sentido de que não haverá travas comercias e econômicas entre o Brasil e Paraguay. O governo brasileiro fará todos os esforços para que os ´´Brasiguaios`` tenham a tranqüilidade te continuar trabalhando e de que não terão prejuízos de nenhuma índole na situação política atual do Paraguai. A mensagem dirigida aos senhores/as segue dizendo que a confiança entre os dois povos não foi alterada, da mesma forma que o novo governo do Paraguai é reconhecido pela sua legitimidade"
É a tal força invisível. É o que Débord chama de SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, é a barbárie numa Glock, na mídia de mercado a serviço das elites, e na compensação idílica do personagem do filme a A CONSPIRAÇÃO, sobre patriotismo.
Segundo o inglês Samuel Johnson, “o último refúgio dos canalhas”. Ou seja, Obama sabe e não quer saber e Milt Romney não quer ter a menor idéia, enquanto os negros em Israel são deportados como eram os judeus nos campos de concentração de Hitler.
O filme é o mesmo, mudaram os figurantes, o tempo e se acrescentou à violência algo em torno de cinco mil ogivas nucleares capazes de destruir o planeta cem vezes se necessário for.
Sai a suástica, entra a águia e a estrela de David. Já o HSBC lava o dinheiro dessa gente. E o dístico in God we trust.

sábado, 30 de junho de 2012

Laerte Braga: “GOLPE SUAVE” - BRASILGUAIOS ASSUMEM O CONTROLE ACIONÁRIO DO BRASILGUAI S/A

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A SEMANA


“GOLPE SUAVE” -  BRASILGUAIOS ASSUMEM O CONTROLE ACIONÁRIO DO BRASILGUAI S/A


Laerte Braga


Dilma Roussef tomou duas trombadas dentro de “casa”. A primeira delas o chanceler Anthony Patriot (que alguns chamam de Antônio Patriota), um corpo estranho num governo que pretende a integração latino-americana, pelo menos no discurso e no papel, Na prática é outra coisa. A segunda com a declaração do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva legitimando o golpe no Paraguai S/A, empresa controlada por latifundiários brasileiros cognominados de brasiguaios, ao declarar que o novo governo, o governo golpista, deve ser punido até que realize eleições em abril do próximo ano.

Manoel Zelada foi deposto em junho/julho de 2009. O rito “constitucional” traçado na madrugada por forças golpistas, e as eleições em seguida legitimando o golpe. Pepe Lobo foi eleito. Está enchendo as cadeias de adversários, assassinando pessoas. Há cerca de quinze dias um helicóptero norte-americano cedido ao governo de Lobo para o combate ao tráfico de drogas disparou contra uma embarcação lotada de civis. Crianças, idosos, homens e mulheres. Matou mais de trinta pessoas. No dia seguinte um comunicado oficial falou em “equívoco”, “inquérito para apurar responsabilidades” e “pedido de desculpas”.

As prisões começam a ficar lotadas na empresa Paraguai S/A, sob controle de latifundiários brasileiros que lá residem e possuem terras. Os brasiguaios.

O golpe em Honduras, num primeiro momento, foi condenado pelo presidente dos EUA Barack Obama. Em dois ou três dias o líder republicano John McCain levou lideranças políticas do país ao Congresso norte-americano e legitimou o golpe à revelia do presidente. Daí para a frente faltou a Obama peito para reverter a situação. Peito e vontade.

Os brasiguaios diante da reação de Dilma Roussef, condenando publicamente o golpe e das sanções políticas inócuas adotadas pelos países do MERCOSUL, chamaram não John McCain, mas Álvaro Dias, senador tucano e irmão do governador do Paraná. É pelo porto de Paranaguá que o latifúndio paraguaio/brasileiro exporta grãos, principalmente soja.

Dilma ainda não entendeu que está sendo enrolada pelas beiradas e no centro do mingau está o seu chanceler, absolutamente sem compromisso com qualquer processo de integração latino-americana, mas subordinado aos interesses dos EUA e seus acionistas (bancos, grandes corporações sobretudo de armas, petróleo).

Ao olhar as pesquisas a presidente não vê por trás dos muros, pintados com elevados índices, as incoerências de seu governo e o precipício à frente. Vai tocar o barco de olho na reeleição em 2014.

A partir de abril de 2013 abre as portas ao consórcio BRASILGUAI S/A.

O que há naquele país é simples. As elites políticas e econômicas paraguaias são subordinadas aos interesses de grandes corporações do agronegócio e sustentadas politicamente pelo latifúndio brasileiro, base do governo de Dilma. Há dois dias Kátia Abreu, senadora e chamada de “miss moto serra”, defendeu abertamente a reeleição de Dilma e agradeceu a decisão do governo de criar linhas de crédito de 115 bilhões para “pequenos e médios” agricultores.

Me chama de pequeno e médio que eu gosto.

Farsa, pura farsa.

De concreto mesmo só a confirmação que a Venezuela faz parte do MERCOSUL. O veto até então era do Senado paraguaio. O Senado, naquele país, é um departamento de PARAGUAI S/A. a Razão social da empresa, aliás, deve mudar – BRASILGUAI S/A.

A nova data cívica a ser fixada vai ter um desfile de latifundiários, seus agregados, os carros alegóricos empurrados pelos camponeses escravos e na última alegoria Álvaro Dias e Kátia Abreu. Breve o novo Código Floresta brasileiro inserido dentro do contexto do Plano Grande Colômbia e Dilma Roussef com Patriot ao lado anunciando que somos uma grande potência.

Potência da ilusão. Do “capitalismo a brasileira”. O representante dos imigrantes brasileiros na corporação BRASILGUAI S/A vai ganhar lugar de destaque no desfile.

Brilhante Ustra já pode ser chamado de torturador. Uma corte de justiça reconheceu que o coronel torturou, assassinou e comandou um esquema brutal e violento durante a ditadura militar, em si, brutal e violenta.

A rateada de Cristina Kirchner deve ter sido inspiração de algum dos chefões da FOLHA DE SÃO PAULO. O jornal brasileiro – mídia de mercado – que chamou a ditadura de “ditabranda”. A FOLHA emprestava seus caminhões para a desova de corpos mortos nos porões da ditadura. A presidente argentina chamou o golpe de “golpe suave”.

Quem se lembrar dos velhos livros de história vai se lembrar da antiga Província Cisplatina, o hoje Uruguai. Pertencia ao Brasil. Lutou e conseguiu sua independência. O Paraguai fez o caminho inverso. As elites políticas e econômicas pegaram o país e entregaram a latifundiários. As contas em bancos estrangeiros devem estar recheadas.

Quem sabe não criam um império e coroam Álvaro Dias imperador e Kátia de Abreu imperatriz? Por que não? Aí não há necessidade de novas eleições e nem riscos de serem derrotados, o que vai criar a obrigação de outro golpe.

Se tiverem pretensões maiores podem aproveitar FHC, disponível para esse tipo de situação. É louco para ser imperador de alguma coisa. Numa entrevista no curso da semana declarou que o Plano Real, implantado no governo Itamar Franco, deveria ter o seu nome, Plano Fernando Henrique. O grande problema do “imperador tucano” é que não conseguiu desgarrar-se do espelho mágico do Palácio do Planalto. Mas, quem não tem Brasil quem sabe acaba sua majestade no BRASILGUAI S/A, empresa voltada para o agronegócio e controlada por latifundiários, DOW CHEMICAL e MONSANTO, entre outros menores?

Tenho certeza que Álvaro Dias e Kátia Abreu (a nova aliada de Dilma) vão se contentar com o título de duque e duquesa. O palácio imperial poderia ser construído no centro de Assunção e ganhar o nome de Palácio Imperial Alfredo Stroessner, em homenagem ao germânico que governou por décadas o extinto país.

Se José Serra perder as eleições em São Paulo pode vir a ser o ministro da Economia, o esquema FIESP/DASLU vai se sentir a vontade no novo consórcio. Sonegação e contrabando, aliadas do agronegócio.

Sem nos esquecermos, é lógico, da base norte-americana, em breve a principal atração turística do BRASILGUAI S/A.

Ah! Podem até criar um novo “vaticano”, concedendo a Edir Macedo o título de papa. Aí fecha o cerco golpista. Nomear Carlos Cachoeira para o Ministério das Obras Públicas, Demóstenes Torres para a pasta da Justiça e nessa faina de construir a nova empresa acham “mão de obra” aos montes no Brasil. William Waack – o preferido de Hilary Clinton – Secretário das Comunicações e VEJA sai do buraco virando diário oficial da empresa. Arnaldo Jabor vai para o Ministério da Cultura.

Uai! Primeiro Maluf e quem chega à frente do cortejo agrotóxico e desmatamento  é Kátia Abreu. O que de pior pode acontecer?

domingo, 24 de junho de 2012

O Golpe de Estado no Paraguai - Plantão do REFAZENDA2010-blog!

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Estamos fazendo a cobertura sobre este novo tipo de golpe desde 21/06/2012. Acompanhe conosco!







O Povo na praça resistindo ao justiçamento. 22/06/2012 - Foto: UH.COM

O Povo Paraguaio resiste!
Video: Tv Pública.Ultima Hora

sábado, 23 de junho de 2012

Laerte Braga: AHMADINEJAD – “ATACAM E INVADEM OUTROS TERRITÓRIOS PARA ESCRAVIZAR OS POVOS”

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Cobertura do noticiário sobre o golpe no Paraguai aqui!


A SEMANA – II

AHMADINEJAD – “ATACAM E INVADEM OUTROS TERRITÓRIOS PARA ESCRAVIZAR OS POVOS”



Laerte Braga


“Os norte-americanos e sionistas têm bombas de todas as espécies e as usam contra as pessoas”. A afirmação é do presidente do Irã Mahamoud Ahmadinejad em entrevista que concedeu num hotel do Rio, um dia depois de discursar na RIO+20 defendendo uma nova ordem mundial “baseada na paz e no respeito entre os povos”.

Sem citar uma única vez o nome da presidente Dilma Roussef, mas classificando de “definitivo” o documento firmado entre os governos do Brasil, da Turquia e do seu país sobre a questão nuclear, Ahmadinejad lembrou Lula, à época desse acordo o presidente da República.

Lúcido e seguro em sua análise o presidente iraniano não teve dúvidas em falar da guerra midiática, uma das frentes do complexo terrorista ISRAEL/EUA TERRORISMO “HUMANITÁRIO” S/A. “Mostram nosso povo como pobre e atrasado. Somos a décima sétima economia do mundo, breve seremos a décima quinta e temos posição de ponta nas questões que envolvem biotecnologia”.

Distorcem para criar uma realidade que não existe, mas agrade aos seus interesses.

“Querem as nossas riquezas naturais, explorar nossos povos”.

Mahamoud Ahmadinejad fez alusão ao regime anterior à revolução islâmica, que definiu como de submisso aos interesses dos EUA. “Tínhamos uma população de 35 milhões de iranianos e 90% vivia na pobreza”. Hoje somos bem mais e a realidade é diferente daquela”. Enfatizou que quatro milhões de iranianos são judeus e muitos “foram tentar a vida em Israel após a revolução, mas voltaram, pois não conseguiram viver naquele país”.

Um estado islâmico não significa necessariamente restrição de liberdade religiosa. A Noruega, por exemplo, não é um estado laico e isso está escrito em sua constituição.

O presidente do Irã reuniu-se com intelectuais brasileiros e representantes dos movimentos sociais destacando a história de luta pela democracia, da qual todos foram partes.

Denunciou mais uma vez que a ONU faz o jogo dos EUA, através do controle do Conselho de Segurança. Com isso, países que dispõem de arsenais nucleares não são punidos com sanções, caso de Israel, com mais de 300 artefatos, enquanto o Irã que usa energia atômica para fins pacíficos sofre sanções severas e constantes ameaças.

“Temos sete mil anos de história e não nos submetemos nunca. Querem nos escravizar, voltar à ordem antiga, do regime antigo e assim explorar nossas riquezas. Por isso nos satanizam. Transformar o povo em escravo”.

“Os que querem o monopólio da energia nuclear são os que têm bombas e já usaram em tempos passados, na Segunda Guerra, contra seres humanos. Energia nuclear para todos, bombas para ninguém. São os mesmos desse passado”.

“Seis milhões de barris de petróleo dia os Estados Unidos tiravam do Irã no regime antigo e nosso povo estava na miséria”, disse Ahmadinejad. “É o que querem fazer de novo”.

O presidente lembrou a guerra Iraque e Irã. “Armaram Saddam contra nós, inclusive com armas químicas e biológicas, numa guerra que custou milhares de vidas e depois destruíram o Iraque para ficar com o petróleo”.  “Não têm respeito pelos seres humanos”.

Citou o fato dos EUA apoiarem ditaduras no Oriente Médio como forma de assegurar o controle da região, de ignorar o arsenal nuclear de Israel e permitir a opressão contra o povo e o território palestinos.

Sobre a questão síria o presidente declarou que “tem que ser resolvida entre os sírios, pelo povo sírio e não com intervenção de outros países”.

“Não existem pessoas, seres humanos para os norte-americanos e sionistas, só interesses. Querem dominar para explorar”

Ahmadinejad deixou claro que só uma nova ordem mundial poderá assegurar a todos os povos “paz e respeito” e isso passa por contrariar os negócios das grandes potenciais mundiais, de Israel e dos Estados Unidos.

Citou a fome na África, as guerras do Afeganistão e travadas mundo afora pelos “colonizadores”, inclusive na América Latina, onde lembrou a exploração das riquezas pelos países que colonizaram a região e agora, pelos interesses norte-americanos diante das dificuldades com vários governos contrários a essa exploração.

“É uma luta de todos os povos oprimidos a nova ordem”.

A entrevista do presidente Ahamadinejad, ao contrário das normalmente concedidas por chefes de governo e estados, não registrou nenhuma paranóia típica de agentes norte-americanos e israelenses. Foi descontraída, a segurança limitou-se aos procedimentos normais e nenhum deles constrangedores. Nem o hotel onde estava hospedado e nem as ruas nas imediações foram fechadas, nada de franco atiradores. E pela primeira vez jornalistas das mídias alternativa e virtual lado a lado com os da mídia de mercado, fato que, numa certa medida, inibe a costumeira mentira de GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, etc.

Foram poucos os comentários sobre a RIO + 20, levando em conta que seu discurso abrangeu bem mais que as questões que ali estavam sendo discutidas. Foi um documento de amplo teor político com diagnóstico da conjuntura atual e a posição de seu país, sob constante ameaça de ataques tanto por parte dos EUA, como de Israel.

Coincidência ou não, no dia seguinte, na sexta-feira, as avaliações de Ahmadinejad sobre a intervenção norte-americana em função de interesses políticos, econômicos e militares, se materializou no Paraguai, no golpe que derrubou o presidente Fernando Lugo. Um dos objetivos dos norte-americanos é construir ali uma base militar que permita monitorar o Brasil e a posse do quinto maior aqüífero do mundo, o Guarani. A água hoje, segundo o presidente da Coca Cola, “vale mais que petróleo”. Afirmação que dá, mais uma vez, razão ao pensamento de Ahmadinejad.

A afirmação do presidente da Coca Cola foi feita na RIO + 20, num fórum restrito de empresários, quando defendeu a privatização plena e absoluta da água. Ou seja, o controle pelas grandes corporações e em função dos interesses que representam.

Ao contrário do “monstro” que a mídia de mercado (GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, RBS, ESTADO DE SÃO PAULO, ÉPOCA, etc) vende, o presidente do Irã se mostrou lúcido, sereno e correto em suas avaliações e análises.

Não é um fato que possamos ignorar levando em conta o que ocorre em todo o mundo hoje.

A percepção que a luta transcende ao chamado mundo institucional, controlado em sua maioria – no Brasil inclusive – por grupos ligados a interesses do imperialismo norte-americano, do capitalismo internacional.

A luta é nas ruas como aconteceu na Cúpula dos Povos, evento paralelo à RIO + 20.

Laerte Braga: O GOLPE PARAGUAIO[Nova Edição]

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Laerte Braga continua o seu artigo de mesmo nome, ampliando a sua corretíssima visão do cenário internacional, em tempos perigosos, que podem chegar a um neocolonialismo impingido pelas botas ianques! (Cobertura do golpe, aqui)


A SEMANA – I


O GOLPE NO PARAGUAI


Laerte Braga


No dia anterior ao golpe branco contra o presidente Fernando Lugo – Paraguai – um outro presidente, o do Irã, Mahamoud Ahmadinejad, em entrevista coletiva que incluiu a mídia alternativa e virtual e num hotel no Rio de Janeiro, diagnosticou com precisão o que ocorre hoje no mundo. A ordem política, econômica e militar imposta pelos EUA, ao sabor das conveniências de Israel e seus aliados e que se estende tanto aos países do Oriente Médio, como aos da África, da Ásia e América Latina, sempre contra a liberdade, os seres humanos e com claro caráter colonizador.

Em 2008 o governo de Álvaro Uribe, a partir de orientação e dados do governo de Washington, determinou o bombardeio de um acampamento no território do Equador, onde estava o chanceler das FARCs-EP (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas – Exército Popular), Raul Reyes. Havia participado de um encontro de forças populares naquele país e se preparava para retornar aos quartéis da guerrilha. Foram assassinados, além de Reyes, dezenas de estudantes de vários países latino-americanos que lá estavam e participaram também do encontro.

A cumplicidade dos militares equatorianos ficou evidente. Se manifestou na passividade com que assistiram ao bombardeio feito pela força aérea colombiana. Evidenciou o caráter da maior parte das forças armadas dos países da América Latina. Não têm compromissos com seus países, mas são subordinadas aos norte-americanos. A esmagadora maioria dos militares brasileiros não é diferente.

Em 2009 o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto num golpe “constitucional”, dado pela madrugada e com cumplicidade do congresso e da corte suprema de seu país, organizado pelo senador John McCain, republicano. Foi o adversário de Obama nas eleições presidenciais de 2008.

Em todos esses momentos, o golpe contra Lugo, o bombardeio colombiano e o golpe contra Zelaya, o governo dos EUA, de imediato, reconheceu e deu “legitimidade” a essas ações.

Em 2002, semelhante tentativa foi feita na Venezuela contra o presidente Hugo Chávez. Preso numa quinta-feira retornou ao poder no domingo diante de milhões de venezuelanos que, nas ruas de Caracas e de todo o país, exigiam a sua volta. Um referendo popular, em agosto daquele ano, legitimou por maioria absoluta o governo de Chávez e Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA e enviado da ONU como observador para o referendo foi obrigado a reconhecer a legitimidade do presidente.

No dia da prisão de Chávez a tevê norte-americana (e a GLOBO aqui, Bonner por pouco não teve um orgasmo no ar) anunciaram que “o povo exigiu a saída de Chávez.

A Colômbia hoje é presidida por Manoel Santos que foi ministro da Defesa de Uribe, é ligado ao narcotráfico (como Uribe). A denúncia foi feita pelo Departamento anti-drogas dos EUA. As forças armadas desse país são inteiramente subordinadas aos norte-americanos e seus “conselheiros”, na prática, a Colômbia é uma colônia, faz parte de um plano de controle da América do Sul denominado Grande Colômbia. Já integra o antigo projeto SIVAM – SISTEMA DE MONITORAMENTO DA AMAZÔNIA -, antes restrito ao Brasil e aos EUA, controlado por empresas privadas e forças militares brasileiras e norte-americanas. O nível de subordinação aos interesses norte-americanos é total. O alvo é a Amazônia em toda a sua extensão.

As vitórias eleitorais de presidentes considerados hostis pelos EUA deflagraram um processo de retomada da América Latina como quintal daquele país. Se já detinham o controle do México e do Canadá (chamam o Canadá de “México melhorado”) essa ordem neoliberal, globalizada por ações políticas, econômicas e militares, se faz presente em quase todo o mundo.

Os pretextos são sempre os mesmos desde tempos passados. Democracia, direitos humanos, etc, etc.

Com o desaparecimento da União Soviética os norte-americanos escancararam seus objetivos. A paz anunciada não veio, pelo contrário, a escalada militar ganhou dimensões de barbárie, a guerra foi privatizada por Bush, a violência é a palavra de ordem dos interesses nazi/sionistas comandados por Israel e com os EUA desintegrados e transformados numa grande corporação terrorista comandada por bancos e grandes empresas, principalmente a indústria armamentista e a do petróleo, vivemos o terror de Estado, o terror capitalista.

A democracia e os direitos humanos foram para o brejo em situações como as guerras do Iraque (destruído), do Afeganistão, da Líbia (mais de cinco mil ações de bombardeios aéreos e um país esfacelado), países como o Paquistão se transformando numa espécie de geléia de interesses de generais com instinto primitivo de barbárie e as chamadas potências emergentes, caso do Brasil, em políticas de equilibrismo e alianças complicadas no padrão dá e toma, ou uma vela a Deus e outra ao diabo. O precário equilíbrio, por exemplo, de democracias montadas sob a tutela e o temor de ações golpistas de militares comprometidos com os EUA, como aconteceu em 1964.

Essa boçalidade se materializa no uso de armas químicas no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, em todos os cantos onde se faz necessário (muitos veteranos de guerra padecem de doenças provocadas pelo uso de tais armas), nas pressões econômicas, no campo de concentração de Guantánamo, no massacre constante de palestinos, na tentativa de destruir a revolução islâmica no Irã com denúncias falsas como sempre fazem e fizeram, principalmente, no controle das nações da União Européia, outro grande conglomerado de bancos e corporações.

Para países como Paraguai, o Brasil e outros, se associam a primatas conhecidos como latifundiários. Os donos da terra, hoje no chamado agronegócio.

O mundo privatizado.

Aqui, esse caráter ganhou dimensões plenas no governo do funcionário do Departamento de Estado e da Fundação Ford Fernando Henrique Cardoso. Uma espécie de “sargento Anselmo”, o célebre cabo da Marinha que infiltrado dedurou todos os companheiros. FHC chegou a sargento. Fulgêncio Batista também era sargento (felizmente muitos sargentos lutam a luta popular dentro e fora das forças armadas).

O golpe contra Fernando Lugo está dentro desse contexto. Uma das acusações contra o presidente foi a de “humilhar as forças armadas”. Lugo ficou ao lado de trabalhadores sem terra vítimas de militares e pistoleiros do latifúndio num conflito agrário, no qual latifundiários brasileiros estão envolvidos (são os donos do Paraguai), junto com empresas como a MONSANTO e a DOW CHEMICAL – o agrotóxico nosso de cada dia.

É impossível humilhar o que não existe. Forças armadas paraguaias? Onde? Bando de generais controlados à distância pelos senhores do mundo, abertos a qualquer grande negócio no mundo do contrabando, do tráfico de drogas, de toda a sorte de estupidez e crime possíveis em função de interesses, aí, pessoais.

Uma elite medieval. Não difere muito do latifúndio brasileiro. Uns grunhem outros nem isso.

O Plano Grande Colômbia, especificamente voltado para a América do Sul tem objetivos imediatos. Derrubar os governos da Venezuela, do Equador e da Bolívia, o controle das reservas de petróleo e gás desses países, isolar o Brasil e impedir que o País consiga avanços efetivos e consolide o processo democrático (mantê-lo sempre na corda esticada, no fio da navalha). Volta do curso tucano das “coisas”, mesmo com o caráter de “capitalismo a brasileira” inventado por Lula e o domínio de tecnologias essenciais longe do alcance dos brasileiros.

Em toda a América Latina, por fim à revolução cubana, derrubar Daniel Ortega na Nicarágua e impedir que governos considerados hostis aos interesses da corporação terrorista, ISRAEL/EUA TERRORISMO “HUMANITÁRIO” S/A sejam eleitos.

A fórmula encontrada para derrubar Zelaya se manifestou agora no Paraguai.

E ainda, no Brasil, temos um chanceler de sobrenome Patriota, que vem a ser um dos mais terríveis mísseis norte-americanos. Não é o caso do chanceler, é apenas um funcionário obediente da corporação terrorista num governo de puro equilibrismo. E nem deve saber direito o que acontece, ou o que é, tamanha sua dimensão anã como diplomata.

Em relação ao golpe paraguaio, só foi possível com a debilidade de nossa política externa e a falta de informações precisas e corretas do governo. Se a proposta da presidente Dilma de expulsar o país do MERCOSUL e adotar sanções severas for real, ótimo. Caso contrário, breve circulando pelas ruas da cidade de Eduardo Paes os novos modelos de diligências da Wells Fargo, com espetáculos de clones/drones de Búfalo Bil em todas as paradas.

Como afirma com correção a professora Nezah Cerveira, é a “Operação Condor IV” em curso.

Há uma guerra total em curso afirma o presidente do Equador Rafael Corrêa. A resistência não será nos gabinetes fechados, via de regra cúmplices diretos ou por omissão dessa selvageria. Será nas ruas, na organização popular.

Ou, todos aprendendo inglês e treinando para carregar malas dos colonizadores. O velho “bwana” dos tempos de Tarzã.  

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Laerte Braga: O GOLPE PARAGUAIO

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O GOLPE PARAGUAIO


Laerte Braga


O golpe sumário dado pelo Parlamento do Paraguai contra o presidente Fernando Lugo tem a marca registrada da classe dominante naquele país. Latifundiários associados a multinacionais, uma força armada corrompida e cooptada por interesses de grandes corporações, bancos e os donos da terra.

O Paraguai jamais se recuperou da guerra contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai (1864/1870). O conflito foi estimulado pela Inglaterra, então maior potência do mundo, em defesa de seus interesses econômicos. O Paraguai não dependia de países da Europa, tinha uma indústria têxtil competitiva e era um dos grandes exportadores de mate, concorrendo com o império britânico.

O capital para a guerra foi dos ingleses e em meio ao conflito é que, praticamente, se construiu as forças armadas brasileiras, inteiramente despreparadas para um confronto de tal envergadura. Nos primeiros anos da guerra os soldados brasileiros passavam fome e os armamentos eram mínimos, insuficientes para o genocídio que viria mais à frente. Foi a conseqüência inicial da avidez do governo imperial de aceitar as libras inglesas.

Os países que formaram a chamada Tríplice Aliança, numa selvageria sem tamanho, mataram 70% da população paraguaia e até hoje a maioria acentuada entre os que nascem naquele país é de homens.

De lá para cá o Paraguai tem sido governado por ditadores, numa sucessão de golpes de estados e o breve período “democrático” que se seguiu à deposição do último general, Alfredo Stroessner (morreu exilado no Brasil, era capacho da ditadura militar brasileira), encerra-se agora com a deposição branca de Fernando Lugo. Um ex-bispo católico, conhecido como o “bispo dos pobres”. O mandato de Lugo terminaria no próximo ano. O vice-presidente é do Partido Liberal, aquele jogo político de amigos e inimigos cordiais, onde os donos se revezam no poder.

O pretexto para a deposição de Lugo foi um massacre de trabalhadores rurais sem terra, numa região próxima à fronteira com o Brasil. Morreram manifestantes e integrantes das forças de repressão. De lá para cá Lugo enfrenta um inferno.

Latifundiários brasileiros, a classe dominante paraguaia – subordinada a interesses do Brasil e de corporações internacionais – se uniram contra Lugo e o apoio de empresas como a MONSANTO, a DOW CHEMICAL. o silêncio formal e proposital dos EUA, todos esses ingredientes foram misturados e transformados em golpe de estado.

Tal e qual aconteceu em Honduras contra Manoel Zelaya. A nova “fórmula” para golpes de estado na América Latina. A farsa democrática, o rito constitucional transformado em instrumento golpista na falta de pudor da classe dominante. No caso do Paraguai, como no de Honduras, miquinhos amestrados do capitalismo internacional.

A elite paraguaia jamais permitiu ao longo desses anos todos, desde 1870, que o país se colocasse de pé novamente. Tem sido um apêndice de interesses políticos e econômicos de corporações estrangeiras e do sub-imperialismo brasileiro. Carregam as malas dos donos enquanto submetem os trabalhadores a um regime desumano e cruel que não mudou e nem vai mudar enquanto não houver resistência efetiva e nas ruas contra esse tipo de procedimento, contra essa subserviência corrupta e golpista.
 E cumplicidade de governos vizinhos. Mesmo que por omissão, ou fingir que faz alguma coisa.

E necessária a consciência dos governos de países como o Brasil que situações de golpe são inaceitáveis. Que a integração latino americana é fundamental e se faz com democracia e participação popular. Não com alianças com Paulo Maluf.

Fernando Lugo cometeu erros. O maior deles o de acreditar que era possível governar o país com grupos da direita. As políticas de conciliação onde a elite é implacável e medieval, as forças armadas são agentes – em sua maioria esmagadora – de interesses estranhos aos nacionais e as forças populares sistematicamente encurraladas pela violência e barbárie.

Ou se percebe que o golpe contra Lugo é um golpe contra toda a América Latina, ou breve situações semelhantes em outros países. Por trás de tudo isso, em maior ou menor escala, mas de forma direta os EUA e o que significam no mundo de hoje.

No que o presidente do Irã, Mahamoud Ahmadinejad chama de colonizadores. No ano 2000 o economista César Benjamin, numa palestra na cidade mineira de Juiz de Fora espantou os ouvintes ao dizer que “o século XIX foi o dos grandes impérios colonizadores, o século XX o do fim do colonialismo, o século XXI vai assistir a um novo ciclo de colonização de países periféricos às grandes potências”.

A previsão está se confirmando.

O secretário geral da UNASUL, Ali Rodriguez disse em entrevista a vários jornalistas que “o Paraguai pode estar em meio a golpe de Estado devido à rapidez do julgamento político do presidente do país, Fernando Lugo” e mostrou-se preocupado com um possível “processo de violência. Tudo indica que uma decisão já foi tomada e que pela rapidez com a qual os eventos estão acontecendo, poderíamos estar perante um golpe de Estado”.

Basta que países como o Brasil e a Argentina, por exemplo, asfixiem econômica e politicamente o novo governo para que ele não se sustente. Depende da vontade política de um e outro de manter a democracia no Paraguai, mesmo frágil, de pé.

A classe dominante paraguaia nunca deu muita importância a isso, pois sempre consegue espaço para se acomodar e continuar a transformação do país em uma espécie de vagão a reboque principalmente do Brasil. Desde o fim da guerra, em 1870 tem sido assim.      

Fernando Lugo foi acusado, entre as farsas várias, de humilhar as forças armadas (existem, ou são esbirros do capitalismo?) e colocar-se ao lado dos trabalhadores sem terra.

É velho e boçal latifúndio que no Paraguai é a força econômica mais poderosa.

Os protestos populares acontecem próximo ao Parlamento, mas já com forças policiais prontas para massacrar e impedir qualquer reação.

É preciso ir às ruas em toda a América Latina e é fundamental asfixiar essa elite que cheira a esgoto.

Se o governo brasileiro quiser não tem golpe que sobreviva. O problema é querer. A preocupação hoje, no entanto, é de “consenso possível” (um fracasso na RIO+20) e as eleições de outubro.

A mídia de mercado – fétida também – no Brasil já desestimula qualquer atitude mais forte do governo. Afirma que Lugo declarou que aceitará o “julgamento político”. É mais uma das muitas e constantes mentiras padrão GLOBAL.    

O golpe no Paraguai fere o arremedo de democracia que sub existe no Brasil e outros países com o consentimento dos “poderes moderadores”. As elites políticas e econômicas são as mesmas, arcaicas, podres e totalitárias. Quando querem colocam as garras de fora.

Foi o que fizeram com Lugo. O que querem fazer com Chávez. Com Evo Morales e outros tantos.

E no fim de tudo atribuir a culpa ao Irã.

sábado, 16 de junho de 2012

Laerte Braga: A CÚPULA DOS POVOS – CAPITALISMO NÃO É DALTONISMO, É CINISMO E BARBÁRIE

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A SEMANA

A CÚPULA DOS POVOS – CAPITALISMO NÃO É DALTONISMO, É CINISMO E BARBÁRIE


Laerte Braga


O verde mais cinza, em tons Marina da Silva. Não é daltonismo. É o cinismo e a barbárie capitalista. Pode estar com sombreados Greenpeace, um dos negócios mais lucrativos do planeta. O que é sustentabilidade? Sustentar o quê?

Milhares de ogivas nucleares, cinco mil ataques aéreos para devastar a Líbia, a fome na África, o trabalho escravo em países periféricos (expressão que adoram no jornalismo global podre e venal), a guerra civil montada na Síria, o genocídio contra palestinos na versão sionista do nazismo, as bases militares espalhadas pelo mundo, o agrotóxico, o transgênico, os salários dos professores, a privatização da saúde, o governo Dilma na prática de uma no cravo e outra na ferradura. Será isso a tal sustentabilidade?

Ou um convescote de entidades, partidos do clube de amigos e inimigos cordiais, num Rio de Janeiro transbordando de gente e os preços estratosféricos, tudo regado a vastos recursos oficiais ou semi oficiais. Os trabalhadores, óbvio, do lado de fora das cercas eletrificadas do capitalismo.

Daniel Dantas e Paulo Maluf estão citados entre os mais corruptos do mundo nos dados do Banco Mundial. Um é deputado e apóia a candidatura petista à Prefeitura de São Paulo (indicou um nome para o Ministério das Cidades como compensação) e Dantas tem um “ministro” de plantão na mais alta corte de justiça do País para eventuais habeas corpus.

Quem sabe sustentabilidade serão os cem bilhões de euros para salvar bancos espanhóis enquanto o rei caça elefantes na África, ou búfalos em campos privados na Suíça a cinco mil dólares por cabeça? Um quarto da população adulta da Espanha desempregada e mais da metade dos jovens que chegam ao chamado “mercado de trabalho” sem qualquer perspectiva?

Os gregos lutam nas ruas para preservar seu país. Os egípcios assistem seus militares curvarem-se e lustrarem as botas do sionismo num golpe de estado que mantém o regime de Mubarak sem Mubarak. Tal e qual os golpistas de 64 por aqui lustraram as botas de Lincoln Gordon e Vernon Walthers, pelo “direito” de encher as prisões, torturar, assassinar e depois transformar documentos confidenciais em secretos para escapar da vergonha das práticas criminosas, tudo recheado de patriotismo. “O último refúgio dos canalhas” na frase sempre necessária de Samuel Johnson.

Não há compromisso algum dos países ricos com políticas mínimas de preservação ambiental, de mudanças no sistema econômico, nada disso, enquanto é evidente a tentativa de países como o Brasil de salvar o que não tem salvação, o capitalismo. Pela voz de Anthony Patriot, o profeta do equilibrismo. Vai atravessar num cabo de aço a vários mil metros de altura, a distância entre a RIO+20 e Wall Street carregando uma nova proposta de dez mandamentos que não mudam mandamento algum. Dilma chega só para cortar a fita simbólica do cabo.  

O espetáculo, o show midiático. Os “especialistas” deitando falação sobre como salvar o planeta enquanto o planeta vai sendo destruído por drones e outros artefatos mortais, cuja última preocupação é o ser humano, o trabalhador.

A classe média acha ótimo. Aboleta-se num automóvel, entope as ruas – paulista, por exemplo. adora um congestionamento e espera entrar no Guines num desses feriadões da vida – e exibe aos filhos o progresso, todo esse mundo colorido que se junta para dizer que vai catar o lixo jogado nas ruas e depositá-lo em recipientes que irão permitir a reciclagem.

Não se pode criticar a VALE. A quadrilha privatizada no governo de FHC não admite críticas. É uma das principais acionistas do Estado brasileiro, detém o poder de veto sobre decisões do governo federal, de governos estaduais e municipais. Um moçambicano foi deportado pela Polícia Federal do Brasil. Estava chegando para a cúpula dos povos e ia relatar os crimes ambientais cometidos pela VALE em seu país. As técnicas de monitoramento e vigilância tem o made IN USA e o MADE MOSSAD, em estrita colaboração nos acordos assinados pelos de governos de FHC e Lula (esse inventou o “capitalismo a brasileira” e acha que ainda é presidente, fala vinte e quatro horas por dia , FHC pensa que é divindade).

Do lado de fora das cercas o povo da Cúpula dos Povos.

Consciente que a luta foge às “regras” impostas pelo poder, pela classe dominante e que o movimento popular há que ser como o de gregos, egípcios, trabalhadores espanhóis que acorrem às ruas e repudiam seus governos, ou os que de fato governam. Grandes corporações, bancos, empresas fomentadoras do latifúndio em países como o Brasil.

Quem governa a União Européia? Os governantes detentores de mandatos populares na farsa democrática? Ou as centenas de instituições e agências sem mandato popular, mas senhoras absolutas do poder e dos governantes?

Quem governa o Brasil? Os acordos com Paulo Maluf para eventuais vitórias nas eleições – como se eleições fossem atestado completo de democracia – ou as manobras para manter impávido o poder de Carlinhos Cachoeira? Quem sabe as agências e escuros túneis do poder de bancos, empresas, latifúndio, agências que tornam milionários os seus integrantes e adjacências?

A grande lição da Cúpula dos Povos é que não existe alternativa dentro do sistema, lutando por dentro.

É nas ruas.

Muhamad Ali dizia a diferença entre ele “o maior de todos” e os outros, é que “luto por fora, não luto por dentro, não permito que se acheguem a mim, eu os destruo”.

Quanta masturbação verbal nos salões com ar condicionado da farsa da RIO+20. O discurso “popular” das entidades agregadas ao poder.

A mídia resplandecente no exibir o show, o espetáculo e a mostrar a “turba”, ou seja, os que pagam essa espécie de “farra do boi” disfarçada em “vamos salvar o planeta”.

E ainda falta a senhora Hilary Clinton para a histeria da mídia e os noticiários carimbados pelo Departamento de Estado. Carimbados e autorizados.

O tom sombrio dessa gente é a volta às cavernas como previu Stanley Kubrick.

Só que essas defendidas por ogivas nucleares, bunkers com a suástica transformada em verde pelos marqueteiros do capitalismo, ar condicionado e farto estoque de iguarias para os novos barões na nova Idade Média, a Idade Média da Tecnologia do Terror.

Dizem que a senhora Clinton deve chegar numa nuvem escura chamada de Tempestade no Deserto e semear mercenários por todos os lados num discurso de “paz” e advertência que “estamos vigilantes para garantir a democracia”.

Transmissão exclusiva da GLOBO, o resto pega a rebarba.

Quem sabe o ATO PATRIÓTICO, que entre outras coisas define modalidades de torturas permitidas, assassinatos em qualquer parte do mundo em nome dos direitos humanos, não salva o planeta?

Em todo o caso, em várias barracas, fragrâncias diversas oriundas de pesquisas cientificas capazes de tornar a realidade do dia a dia mais perfumada e palatável em meio ao esgoto capitalista?

Tudo é possível.

A luta é nas ruas e aos poucos vai tomando forma em todo o mundo. É a percepção que é luta de sobrevivência para que se possa construir a alternativa socialista (sem aspas, vale dizer com os trabalhadores). Também aqui!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Laerte Braga: OS DETALHES

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OS DETALHES


Laerte Braga


Carlos Alberto Parreira jamais disse que o “gol é um detalhe”. Mas que “o gol é o detalhe”. Na avidez de criticar o antigo técnico da seleção brasileira de futebol, a mídia distorceu suas palavras e transformou-as numa espécie de estigma do anti futebol. Sem favor algum Parreira é um dos melhores técnicos de toda a história do esporte no Brasil ou no resto do mundo.

Ou como ele mesmo disse ao final de Copa do Mundo de 1994, em seguida à conquista do título, “is may way”. A Copa foi nos EUA e Parreira se referia à música consagrada na voz de Frank Sinatra. Quer dizer bem mais que  o meu modo, o meu caminho. A certa altura da letra fala em “no regretes”, ou seja, sem arrependimento.

“É sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... Ele considera que a ilusão é sagrada e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado” – Feuerbach, prefácio da segunda edição de A Essência do Cristianismo”.

Cá embaixo, no cotidiano da mídia tanto destituída de princípios como de grandeza, o momento em que o apresentador do JORNAL NACIONAL usa o personagem Homer Simpson para rotular o telespectador de idiota, de passivo diante de uma prática constante de alienação, sem ter a menor idéia de quem seja Feuerbach, ou qualquer pensador que não os anunciantes do tele jornal que apresenta, está apenas refletindo isso como zumbi também passivo, mas que aceita o vazio do espetáculo capitalista e se empenha em transformá-lo em verdade, algo assim como um soldado de 1984, a obra de George Orwell.

Millôr Fernandes tinha uma concepção simples e objetiva – como todas as que enunciava – sobre grandes obras públicas, ou sobre governos, enfim, sobre essa febre que chamam progresso e no duro mesmo é capitalismo, embora o jornalista, nesse momento não o dissesse.

“Não há automóvel que justifique a remoção de um só ser humano em nome do progresso”

A Justiça deu ganho de causa ao governo de São Paulo no caso da desocupação de Pinheirinhos e os políticos exibem uma pesquisa em que as pessoas à volta de Pinheirinho se dizem felizes com a remoção das famílias que lá estavam.

Em Belo Horizonte a Prefeitura da cidade promoveu ato semelhante numa comunidade. No Rio estão prestes a remover famílias da Vila Autódromo.

A justificativa? A necessidade de obras públicas para transformar a cidade, construir o futuro.

Quem se detiver numa análise simples sobre o período da Idade Média vai perceber semelhanças entre o que ocorre nos dias atuais e aquele tempo. Os castelos e seus barões, os servos ao redor, sujeitos as leis da opressão e da barbárie, típicas da classe dominante.

Os castelos hoje são o poder da tecnologia. Quem detém a tecnologia, esse saber que muitas vezes é predador, subjuga os que dela dependem.

O ser humano é detalhe. Os servos bem entendido. Os trabalhadores que gravitam ao redor dessa dimensão desumana e cruel de “progresso”.

Esse “detalhe” mais que nunca dá razão a Marx. É luta de classes. Nada além de luta de classes, disfarçada na parafernália do espetáculo, na alienação produzida pelo espetáculo, que leva um trabalhador a supor que vestindo uma calça jeans de marca, tal e qual um Eike Batista, na tal de produção em série, é também parte do que Eike é.

Darcy Ribeiro falava no abestado, aquele que ao encontrar, andando pelo mundo nos primórdios do ser, o seu semelhante, disparou temendo ter encontrado a morte, quando no inevitável momento se tocassem, sentissem o sal de cada um e começassem a partilhar e compartilhar, até que a primeira sombra, como disse Milôr, gerasse a propriedade privada.

Ou o mais esperto virasse rei, o mais inteligente o sumo sacerdote e os tributos fossem instituídos, com a garantia do mais idiota, no caso o mais forte, armado de borduna para garantir a lei e a ordem divinas.

Há quem diga que guerras são necessárias para que haja uma espécie de realocação das pessoas, antes que o mundo seja exaurido daquilo que o mundo pode no fornecer.

Se assim o for nem o mundo cristão tem sentido.

Remover pessoas para que um empresário notoriamente ligado ao crime organizado, Nagi Nahas, possa construir, por exemplo, um shopping, para regalo da classe média em tubos e tubos de catchup e mostarda nas pizzas americanizadas (Felini dizia que pizza com requeijão e frango não era pizza, era coisa de americano), é bem mais que um crime.

É o solene desprezo pelo ser humano. Pode ser sintetizado na frase do jornalista Boris Casoy – “mas que merda, o mais baixo trabalhador na escala social” – referindo-se aos garis.

Remoções em áreas urbanas, em áreas rurais, soam como rebanhos transferidos de um curral para outro, ou abandonados nos pastos, enquanto o governador Sérgio Cabral e amigos gastam fortuna em Paris e exibem o poder em solas de sapatos de suas caras metades, ao custo de cinco ou seis mil dólares.

São os detalhes do “progresso”. Os castelos ampliados.

A Constituição proíbe praias particulares. As temos aos montes em condomínios fechados e garantidas pela Polícia Militar. Uma “instituição” de pistoleiros a serviço das elites, da classe dominante. Teve sua extinção recomendada pelas Nações Unidas.

O trabalhador é um detalhe em todo esse processo. O trabalhador é um detalhe no capitalismo.

O número de suicídios de soldados dos EUA nas guerras travadas mundo afora na política terrorista de dominação supera o número de baixas em combate no Afeganistão.

Para Obama ou qualquer presidente norte-americano isso é um detalhe. Nem se fala nos milhões de civis massacrados desde o fim da Segundo Grande Guerra nas políticas de expansão do império terrorista que hoje se associa ao sionismo e faz com que desapareçam as nações emergindo ISRAEL/EUA TERRORISMO “HUMANITÁRIO” S/A.

Os norte-americanos têm um quarto dos detentos em todo o mundo e a esmagadora maioria formada por negros, mulheres e pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Manoel Santos, presidente da Colômbia e ligado ao narcotráfico, como as forças armadas de seu país e grupos paramilitares, são os principais aliados no combate ao “terrorismo”.

Um condenado à morte na câmara de gás, por exemplo, leva pelo menos um minuto para morrer, aspirando cianeto e ácido sulfúrico. Amarrado a uma cadeira, acorrentado. O ato macabro é antecedido por uma prece tipo “que Deus guarde sua alma e faça o julgamento final” e em seguida um médico assina um atestado de óbito em que declara que o condenado morreu “sem sentir dor”.

A dor está em Pinheirinho, está nas áreas desocupadas em Belo Horizonte, na Vila Autódromo no Rio de Janeiro, nas fazendas do latifúndio que nos serve transgênicos e agrotóxicos todos os dias. Nos assaltos/juros que os bancos praticam com dinheiro público para salvá-los. Está nas ruas entupidas de automóveis com IPI mais baixo para permitir o sonho do carro próprio à classe média, aos trabalhadores.

O estômago está vazio e professores são tratados como se animais fossem por governo desumanos e robôs do modelo, do sistema.

O ser é detalhe para o capitalismo. E não há alternativa sem luta nas ruas, sem coesão e unidade nessa luta, sem percepção que é luta de classes. Isso a despeito das milhares de ogivas nucleares que dispõem ou de governos erráticos como o nosso.

Mas não é o detalhe. É um detalhe desprezível do qual se lembram de quatro em quatro anos no período eleitoral. Como se eleições fossem um fim e não um instrumento, dentre vários outros, para construir a democracia popular.

É só um detalhe, nada além de um detalhe. Como o desempregado que salvo por um bombeiro ao tentar pular do alto de prédio, foi vaiado pela multidão que esperava pela “tragédia” para seguir seu caminho e conferir os detalhes no JORNAL NACIONAL. Ou pagar o dízimo nas igrejas

E para cada um dos bilhões de trabalhadores/detalhes, incômodo, diga-se de passagem, existe um Ratinho, um Faustão, um Huck, um Gugu, uma novela, para garantir o horário comercial do JORNAL NACIONAL. Recebido por e-mail. Disponível também em.