20 de junho de 2012

Outras Palavras: A Grécia revive uma “vitória de Pirro”

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OP

A Grécia revive uma “vitória de Pirro”

– 19/06/2012

Partidos tradicionais vencem eleições, mas deparam-se com país arruinado e intransigência da “troika”. Nova esquerda planeja futuro. Mercados atacam Espanha

Por Antonio Martins

Considerado um dos maiores generais da Grécia antiga, Pirro, rei do Épiro, invadiu a Península Itálica em 280 a.C. disposto a frear a expansão dos romanos. Seu exército numeroso e muito bem-armado, dotado de vasta cavalaria e elefantes, alcançou inicialmente alguns triunfos. Mas, ao contrário do adversário, não tinha apoio da população local – e foi definhando ao longo dos combates. Em 279 a.C., Pirro venceu os romanos em Ásculo, mas perdeu 3,5 mil homens. Quando seus oficiais foram cumprimentá-lo pelo triunfo, respondeu com amargura: “mais uma vitória destas e estou arruinado”.

É possível que uma sensação semelhante tenha se apoderado, a esta altura, de Antonio Samaras, o grego que lidera o partido (de centro-direita) Nova Democracia. Depois de vencer por estreita margem as eleições parlamentares do domingo (29,7% x 26,9%), ele quer formar um novo governo, com duas outras agremiações menores – Pasok e Esquerda Democrática – que também se submeteram aos acordos impostos ao país pela oligarquia financeira e pela troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI). Três fantasmas o assombram.

Primeiro, terá de apresentar, a um país já muito combalido, nova bateria de más notícias, previstas no compromisso que seu partido endossou. Não há sinais de alívio. Horas depois do pleito, a troika exigiu respeito ao pacto e avisou que não fará concessões. Por fim, a Syriza, coalizão política que reúne partidos e movimentos cidadãos, anunciou que continuará na oposição e na luta por um Programa de Reconstrução Nacional. Samaras precisa de um fato novo que modifique repentinamente todo o cenário – ou suas chances de fazer um governo estável serão próximas de zero. Continue lendo.

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