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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Carta Capital-> Varoufakis vs. Piketty: um embate para prestar atenção

Carta Capital-> Varoufakis vs. Piketty: um embate para prestar atenção

O que leva o novo ministro da Fazenda grego a fazer críticas duríssimas ao professor francês, autor de 'O Capital no Século XXI'.

por Antonio Luiz M. C. Costa

É raro economistas de esquerda serem ouvidos pela mídia, quanto mais levados a sério, mas dois deles conseguiram essa façanha nos últimos meses: o francês Thomas Piketty, autor de O Capital no Século XXI e o grego Yanis Varoufakis, novo ministro da Fazenda de seu país. Ambos estão conquistando fã-clubes que não se resumem a colegas de profissão e despertam o interesse de políticos e militantes de esquerda em todo o mundo. Seria de se esperar que suas ideias fossem semelhantes ou complementares. Mas não os convide para a mesma mesa: o ministro grego é um crítico duríssimo do professor francês. Em artigo publicado na Real-World Economics Review, chega a chamá-lo de “O último inimigo do igualitarismo”.

Que as esquerdas não precisam de muitos motivos para se dividir é um clichê fácil, mas as razões da divergência são importantes e interessantes. Não há dúvidas sobre a importância da pesquisa inédita de Piketty sobre mais de duzentos anos de história da concentração de renda e riqueza e da importância das heranças no capitalismo. Nem sobre a “curva em U” que estas variáveis desenharam ao longo do século XX, de maneira a chegar a um mínimo depois da II Guerra Mundial e retornar hoje a um nível quase igual ao do século XIX – ou pior ainda, no caso dos Estados Unidos. O problema está em como o francês analisa teoricamente seus achados, propõe modelos e chega a conclusões sobre recomendações políticas.

A primeira dificuldade é que Piketty, embora reivindique com o título e a introdução de sua obra certa pretensão de atualizar e corrigir Karl Marx, sua conceituação está na prática muito mais próxima de A Riqueza das Nações, de Adam Smith, pois não distingue riqueza de capital e exclui apenas os bens móveis de consumo (tais como automóveis e eletrodomésticos). Moradias, obras de arte e barras de ouro não fazem diferença para o processo de produção, mas ele os trata da mesma maneira que tratores e robôs. Isso torna duvidosa qualquer tentativa de estudar e prever o crescimento e o desempenho da economia a partir dessa massa de “pseudocapital” da qual cerca da metade nada tem a ver com produção. Dificuldade análoga é tratar como “salários” os ganhos astronômicos de altos executivos, parte nada desprezível da renda nacional em países como os EUA, mesmo se são explicitamente vinculados ao lucro e constituídos de bonificações e opções de compra de ações.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Editorial do REFAZENDA2010-blog: Inferno em Janeiro



Inferno em Janeiro

Esse janeiro que se finda – e que já vai tarde – na verdade começou ao final de 2014, com as edições das Medidas Provisórias 664 e 665 em 30 de dezembro último. O Trabalhador já começa a pagar o pato.

Mal o mês começou, no plano internacional, atentados na França, mas muito mais mortes na Nigéria e no Iêmen. Mas a mídia ocidental se compadece muito mais com os franceses.

Por nossas bandas, já não bastasse a opção tímida e conservadora do segundo mandato da presidenta Dilma, que implicará em recessão ou o nome que se quiser dar, e segundo o próprio ministro, para o investidor ver; sobrevêm uma crise hídrica sem precedentes no Sudeste e, talvez, uma crise energética.

Simples, não choveu, mas também faltou planejamento. Porque não choveu, não se sabe. Temperaturas tórridas e alguns danos advindos, especialmente na agricultura e na pecuária, que serão os primeiros. A maior cidade do País pena, mas o govenador prefere eufemismos.

Alguma coisa boa aconteceu na Grécia. Espera-se que consigam romper com, digamos, a abutragem financeira internacional!

Por fim, estão conseguindo destruir a Petrobras e por incrível que pareça a sua administração ajuda. Amadorismo clamou a primeira mandatária. E foi mesmo. Como paradoxo advindo, pode-se vislumbrar o fim a indústria da construção nacional.

Imaginava-se um 2015 difícil, mas não tanto!

O Editor. Publicado em 31/01/2015.

Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos

Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos

A Carta Maior oferece um especial de matérias e análises sobre a experiência em curso na Grécia que deve ser acompanhada de perto pelos brasileiros.

Joaquim Ernesto Palhares - Diretor da Carta Maior
 

Uma das grandes vitórias do neoliberalismo em nosso tempo foi subtrair do capitalismo o seu conteúdo político e social.

A naturalização daquilo que está assentado em uma indissociável relação de poder consumou uma das mais eficazes operações ideológicas do nosso tempo.

A serviço dessa assepsia vicejam as editorias de economia e o colunismo dos vulgarizadores do capital metafísico.

Cabe-lhes o diuturno trabalho de reafirmar a petulante condição de ciência a uma economia encarregada de reproduzir um sistema ordenado pelo virulento antagonismo com o bem comum da sociedade.

Não se negue à economia leis próprias, circunstâncias limitadoras e incertezas a exigir gestão, equilíbrio e bom senso.

Mas dizer  ‘economia de mercado’ e não ‘capitalismo’, ou ‘intervencionismo’, em contraposição a ‘eficiência’, faz parte do serviço de entorpecimento social encarregado de preservar e engordar interesses sabidos.

De quando em vez, a operação falha.

Nas crises cíclicas do sistema, quando se descarrega sobre a sociedade um fardo de sacrifícios dificilmente vendável como ciência ou fatalidade, o labor da catequese midiática é afrontado pela natureza crua do regime.

Foi o que aconteceu na Grécia, de onde faísca agora um clarão de discernimento que ameaça iluminar o imaginário social para muito além de suas fronteiras.

A vitória eleitoral da frente de esquerda, o Syriza, no último domingo, carrega essa dimensão de um simbolismo com poder epidêmico.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Agência Brasil [Agência Lusa]-> Grécia: Syriza vence e declara fim da troika e da austeridade

Agência Brasil [Agência Lusa]-> Grécia: Syriza vence e declara fim da troika e da austeridade

Da Agência Lusa

O partido de esquerda grego Syriza, antiausteridade, obteve vitória clara nas eleições gerais desse domingo (25). O líder, Alexis Tsipras, declarou o fim da austeridade e da troika.

“O veredito do povo grego significa o fim da troika", a estrutura de supervisão da economia da Grécia constituída pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional que desde 2010 avalia as medidas impostas em troca de empréstimos de 240 mil milhões de euros.

Tsipras, 40 anos, afirmou que “o povo escreveu a história” e “deu um mandato claro” ao Syriza, “depois de cinco anos de humilhação”. Assegurou que vai negociar com os credores “nova solução viável” para o país.

O Syriza obteve clara vitória com 35,9% dos votos, quando estavam contados 50% dos boletins. O resultado não garante maioria absoluta (151 de 300 deputados) e vai possivelmente exigir negociações para uma coligação parlamentar.

A Nova Democracia (direita), do primeiro-ministro Antonis Samaras, obteve 28,3%. O terceiro partido mais votado foi o neonazi Aurora Dourada, com 6,4%.

Samaras reconheceu a derrota mas, tendo feito campanha pelo perigo de uma vitória do Syriza levar a uma saída da Grécia da zona do euro, deu curta declaração à imprensa: “Entrego um país que é parte da União Europeia [UE] e do euro. Para o bem desse país, espero que o próximo governo mantenha o que foi alcançado”.

Em Bruxelas, o presidente do grupo dos Socialistas Europeus no Parlamento Europeu, Gianni Pitella, considerou que o povo grego optou claramente por romper com a austeridade imposta pela troika. Segundo o líder, o povo grego quer que o novo governo traga mais justiça social, a renegociação da dívida e a extensão do seu programa de ajustamento. “A vontade do povo grego deve ser respeitada por todas as instituições da UE e Estados-Membros”, destacou.

O presidente do Bundesbank, banco central alemão, Jens Weidmann, considerou que a economia da Grécia continua a precisar de apoio externo. Ele disse esperar que "o novo governo grego não faça promessas ilusórias que o país não pode se permitir" e que continue com as reformas estruturais necessárias.

Origem.

domingo, 25 de janeiro de 2015

AFP: Partido Syriza perto de "vitória histórica" (boca de urna)

AFP: Partido Syriza perto de "vitória histórica" (boca de urna)
 

Syriza, o partido de esquerda radical anti-austeridade, deve obter ampla vitória nas eleições legislativas gregas deste domingo, com mais de 8 pontos à frente do partido de direita no poder, segundo pesquisas de boca de urna.

A diferença é, assim, de 8,5 a 16,5 pontos percentuais, para além das últimas pesquisas para esta eleição crucial para o país e para a Europa. O Syriza obteria, então, entre 146 e 158 lugares no Parlamento - 151 representando maioria absoluta.

"Essa é uma vitória histórica" e uma "mensagem que não afeta somente os gregos, mas ressoa em toda a Europa, já que traz um alívio", declarou o porta-voz da formação, Panos Skourletis.

A vitória foi comemorada com uma explosão de alegria no comitê do Syriza, no centro de Atenas.

O partido de Alexis Tsipras obteria entre 35,5% e 39,5% dos votos, enquanto a Nova Democracia, do primeiro-ministro Antonis Samaras, é creditado com entre 23 e 27%.

Caso as pesquisas se confirmem, Tsipras, 40 anos, será o mais jovem primeiro-ministro do país em 150 anos.

O ponto principal do programa do Syriza é "colocar um fim à austeridade" e renegociar a imensa dívida do país, que corresponde a 175% do PIB

Origem.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Carta Maior [Saul Leblon]: Somos todos o quê?

Carta Maior [Saul Leblon]: Somos todos o quê?

A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau. O endurecimento contra imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre em Paris.

por: Saul Leblon


O emblema totalizante, ‘somos todos Charlie’ teve curta unanimidade no ambiente trincado de uma Europa onde, de fato, não há lugar para todos serem a mesma coisa em parte alguma.

Os números da exclusão em marcha no continente são suficientes para esfarelar essas ‘uniões’ nascidas da emoção da tragédia,  como é o caso, mas que historicamente se mostram insuficientes para regenerar as partes de um  todo que já não se encaixava mais.

Como recompor o cristal da liberdade, da igualdade e da fraternidade, diante de uma Europa unificada pela lógica do  mal estar social?

Com políticas pública que hoje  irradiam chantagem, regressão , niilismo, intolerância  e medo diante do futuro rarefeito?

Somos todos o quê?

É justo perguntar quando o Estado a serviço dos mercados  mastigou  todas as pontes para a construção de uma cidadania convergente e soberana.

A polêmica linha de humor do ‘Charlie Hebdo’  deve seu sucesso, em grande parte, justamente   à acentuação dessa rachadura em uma  chave religiosa.

Deve-se respeitar a sua liberdade. Mas a forma como escolheu exerce-la fez do jornal parte do estilhaçamento  que procurava  criticar;  tornou-se assim mais um referido do que  referência.

A Europa tem hoje 8 milhões de imigrantes sem papeis; 120 milhões de pobres e 27 milhões de desempregados.

Após seis anos de arrocho neoliberal, o desemprego e o esfarelamento do padrão de vida dos trabalhadores e da classe média –condensado em uma geração de jovens que dificilmente repetirá  a faixa de renda dos pais, turbinou a rejeição ao estrangeiro, criou o medo da  'islamização da sociedade', alimentou a extrema direita e liberou  a demência terrorista.

Não necessariamente nessa ordem, mas com essa octanagem abrangente.

 A imponente marcha em Paris neste domingo não escapou do liquidificador de nitroglicerina.

Seria irônico , não fosse trágico.

Na  comissão de frente da principal coluna da manifestação, que reuniu um milhão de pessoas,  ao lado do presidente François Hollande , e de Merkel, lá estava Benjamin Netanyahu.

Sim,  o premiê de Israel.

Ele que  acaba de se aliar à extrema direita para transformar o Estado israelense em um estado religioso.

Responsável por alguns dos mais impiedosos massacres do século XXI, contra populações civis encurraladas por Israel  na  Faixa de  Gaza, a presença de Netanyahu a engrossar o  ‘somos todos Charlie’ convida a pensar sobre o alcance das unanimidades.

É  um silogismo barato afirmar  que a recusa  ao bordão dominante endossa o abismo ensandecido  do terrorismo.

Num texto de 1911, ‘Porque os marxistas se opõem ao terrorismo individual’,  e quando ainda nem desconfiava que ele próprio seria uma vítima futura, León Trostsky  criticou exemplarmente aquilo que, nas suas palavras, ‘mesmo que obtenha "êxito" (e) crie confusão na classe dominante (...)  terá vida curta; o estado capitalista não é eliminado; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento. Todavia, a desordem que  um atentado terrorista produz  nas fileiras da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido?’, criticava o líder da Revolução de Outubro, banido e assassinado por Stálin, para concluir em seguida: ‘Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência e (desvia)  seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador, que algum dia virá cumprir sua missão’.

Cento e quatro anos depois, o alerta ganha atualidade diante das medidas cogitadas após o massacre em Paris.

Os indefectíveis Le Pen, pai e filha, pedem, nada menos que a restauração da pena de morte, abolida em 1981.

A nostalgia da guilhotina é  só o primeiro degrau do patíbulo.

O endurecimento contra os imigrantes, na verdade,  já avançava em marcha batida antes do massacre da quarta-feira (07/01) .

Agora, porém, que  ‘somos todos Charlie’, quem irá detê-lo –se até Netanyahu  aderiu?

Ofuscados habilmente pelo ‘consenso’, os antecedentes da tormenta esticam o elástico de uma gigantesca armadilha histórica.

Desemprego com deflação e captura do Estado e da política pela alta finança.

 É disso que se trata a tragédia europeia, vista de corpo inteiro.

A zona do euro enfrenta deflação recessiva; a Itália tem desemprego recorde; Alemanha e França assistem a uma espiral de xenófobia; Grécia tem 59% da juventude fora do mercado; Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social.

Assim por diante.

Foi preciso que um economista moderado, Thomas Piketty, coligisse uma enciclopédia estatística  do avanço rentista sobre a riqueza da sociedade para que o tema da desigualdade merecesse algum espaço –fugaz—  no debate econômico e midiático sobre a crise europeia.

E mesmo assim colateral às decisões da troika, que estala o relho no lombo da cidadania e exige ordem unida ao abismo.

É sobre essa base de rigidez que a  alavanca da tragédia move o curso da história.
Não Maomé, não Charlie Hebdo, não a juventude niilista.

Não os  filhos de imigrantes pobres , que se convertem  cada vez mais ao islamismo como ponto de fuga à meia cidadania da desordem neoliberal  que nada tem a lhes propor hoje.

E  não o fará amanhã também.

Entregue aos ajustes fiscais, na ressaca dos mercados após o fastígio neoliberal, a Europa é hoje um museu de lembranças do acolhimento humanitário e político, que a transformaria em legenda da civilização e da fraternidade.

Na Itália, sob o afável Berlusconi, o Estado elevou para seis meses o tempo que imigrantes ilegais podem ser detidos em ‘ centros especiais’ e autorizou a criação de falanges civis para “ajudar a polícia a combater o crime nas ruas”.


Na Grécia, onde as taxas de desemprego triplicaram sob o chicote de Frau Merkel, os integrantes do partido Aurora Dourada sequer dissimulam a inspiração nazista: sua faxina étnica avança contra árabes, africanos, ambulantes, ciganos e homossexuais.

‘Somos todos Charlie’?

As notícias contraditórias que chegam dos EUA, surfando em uma recuperação feita de empregos com salários aviltados, e da Europa sem Estado à altura para reagir, evidenciam a profundidade de uma desordem  que não cederá tão cedo, nem tão facilmente.

A consciência dessa longa travessia é um dado fundamental para renovar a ação política em nosso tempo.

Recuos e derrotas acumulados pela esquerda mundial desde os anos 70, sobretudo a colonização de seu arcabouço pelos interditos neoliberais, alargaram os vertedouros ao espraiamento de uma dominância financeira que  agora produz  manifestações mórbidas em todas as esferas da vida.

Quando a economia se avoca  um templo sagrado, dotado de leis próprias, revestido de esférica coerência endógena, avessa ao ruído das ruas, das urnas e das aspirações por cidadania plena, o que sobra à democracia?

A pauta dos mercados autorregulados revelou-se uma fraude.

Gigantesca.

Era o  fim da história, replicava o colunismo áulico.

Não era, mostrou setembro de 2008.

Pior que isso.

O sete de janeiro francês avisa que se a sociedade continuar apartada do seu destino, os próximos capítulos serão dramáticos.

No Brasil, os que incitavam o governo a jogar o país ao mar em 2008, retrucam que o custo de não tê-lo afogado na hora certa acarretou custos  insustentáveis.

E eles terão que ser pagos agora.

Na forma de um afogamento incondicional.

Recomenda-se vivamente beber a cota do dilúvio desdenhada em 2008 em uma talagada única.

Não há alternativa, diria Margareth Tatcher.

As escolhas intrínsecas a uma repactuação do desenvolvimento brasileiro, de fato, não são singelas.

Nada que se harmonize do dia para a noite.

Por isso, o crucial é erguer linhas de passagem, repactuar  metas,  ganhos, perdas, salvaguardas e prazos.

Mas há um requisito para isso: tirar a economia do altar sagrado da ortodoxia e expô-la ao debate democrático do qual participem todas as forças sociais.

Quando a mídia conservadora tenta tropicalizar  o bordão ‘somos todos Charlie’, seu objetivo mal disfarçado vai no sentido oposto.

Tenta-se  reduzir uma  tragédia ciclópica a um atentado à liberdade de expressão.

E de forma rudimentar desdobrar a comoção aqui em um veto ao projeto de regulação da mídia brasileira.

Para quê? Justamente para interditar o debate sobre o passo seguinte do desenvolvimento do país.

O apego da emissão conservadora à liberdade de expressão, como se sabe, é relativo.

No dia seguinte ao massacre em Paris, a Folha de São Paulo, por exemplo, dedicou 256 palavras,  uma nota de rodapé,  para tratar do caso do blogueiro saudita, Raif Baddawi.

Baddawi dirigia o fórum on-line ‘Liberais Sauditas Livres’;  foi condenado por isso a dez anos de prisão e  multa de US$ 260 mil.

Seu caso é uma referência do padrão de justiça que impera na democrática sociedade saudita, principal aliada dos EUA no mundo árabe, onde mulheres não podem dirigir sequer automóveis  e inexiste judiciário independente da vontade dos mandatários.

Além de dez anos de prisão, Baddawi também será punido com mil chibatadas por "insultar o Islã" – 50 por semana, durante 20 semanas.

A primeira cota foi aplicada na última 6ª feira.

Uma nota com 256 palavras foi tudo o que o liberal Baddawi obteve de um dos principais veículos de informação do país.

Compare-se com as cataratas de tinta, imagem e som dedicadas à blogueira  cubana Yoani Sánchez que, livre, leve e solta, viajando pelo mundo, mereceu da mesma Folha de SP mais de 90 mil  citações; 155 mil no Globo e 110 mil no Estadão.

É difícil imaginar algo do tipo ‘somos todos Baddawi’ alastrando-se pelo colunismo pátrio que dispensou às visitas de Yoani um tratamento de chefe de Estado.

São dois pesos e mil chibatadas.

Uma diferença sugestiva.

Que recomenda cautela com as unanimidades produzidas pela mesma fonte.

Aqui ou em Paris.


Origem. Publicado em 13/01/2015.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'

A revista conservadora está apavorada, a Alemanha também. Já é hora de se romper o status quo que só aumenta a pobreza e a miséria. Modelo esse que só beneficia os bancos e o sistema financeiro internacional. Relacionado.

Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'

por Patrícia Viegas

Economista Simon Baptist acusa a UE de ter memória curta. Syriza mantém-se em primeiro nas sondagens para eleições de dia 25.

Apesar de os líderes do Syriza garantirem que não estão contra a Europa e que não pretendem sair do euro caso o partido chegue ao poder após as legislativas de dia 25, a influente The Economist, publicada a partir de Londres, continua a garantir que, da forma como as coisas estão, a Grécia só pode rebentar com o projeto europeu.

A Itália e Portugal serão os primeiros a ser apanhados na onda de choque, acredita Simon Baptist, o economista-chefe da The Economist Intelligence Unit (EIU). A revista é uma das mais influentes na difusão das ideias de política económica do paradigma dominante. Numa nota enviada aos jornais intitulada "Memória curta", Simon Baptist acusa tudo e todos: os gregos, as instituições europeias, os mercados. Está pessimista.

Origem.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Outras Palavras [Nuno Ramos de Almeida]: A democracia começa na Grécia

A Islândia rompeu com o modelo de exploração bancária e se deu bem!

Outras Palavras: A democracia começa na Grécia
 

Por Nuno Ramos de Almeida

Gregos vão às urnas em 25/1, podendo derrubar políticas de “austeridade” e iniciar uma revolução democrática. Por isso, FMI e Alemanha já chantageiam… Do Outras Palavras.

Talvez 2015 — um ano que promete tudo, menos pasmaceira — tenha começado antecipadamente nesta quarta-feira, 29/12. Fracassou uma manobra do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, para assegurar seu próprio mandato até 2016. Como resultado, haverá eleições parlamentares antecipadas em 25/1. Segundo as pesquisas, a Syriza — Frente de Esquerda Radical — é favorita para formar novo governo. Seu principal líder, Alexis Tsipras, declarou, minutos depois: “uma página foi virada. Em pouco tempo, as políticas de ‘austeridade’ impostas ao país farão parte do passado”. São, em dose mais radical, o mesmo que Joaquim Levy, o ministro da Fazenda escolhido por Dilma Roussef, quer impor ao Brasil, também a partir de 2015…

Uma vitória da Syriza teria consequências além da Grécia e da Europa. Desafiaria o estranho retorno do neoliberalismo — a política ultracapitalista que provocou a crise iniciada em 2008, mas que paradoxalmente recuperou influência, por faltarem, ainda, opções sistêmicas. Por isso, não será fácil. Imediatamente após anunciadas as eleições,  o Fundo Monetário Internacional (FMI) suspendeu o pagamento de um empréstimo à Grécia, com o qual havia se comprometido. E o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaueble, dirigiu-se aos gregos repetindo, “ipsis literis”, a frase de Margareth Thatcher: “não há alternativas”…

Os gregos se curvarão? Talvez seja o primeiro grande desafio de 2015, o primeiro ato a definir seu sentido. “Outras Palavras” celebrará, nas próximas horas: por um ano que sacuda os acomodados e acalente os inquietos! Foi ótimo ter sua companhia em 2014. Estejamos juntos nos tempos áridos, porém cheios de oportunidades, que se abrirão. Tin-tim! (A.M.)[Antonio Martins]

 

Quando os EUA ocuparam o Iraque enviaram um homem para mandar no país: Paul Bremer foi o escolhido. O homem que usava terno e gravata com botas militares notabilizou-se por ter defendido publicamente o seguinte: os iraquianos vão ter uma democracia, vão poder eleger todo mundo, menos os partidos com que os americanos não estão de acordo.

Apesar de o Iraque desse tempo viver sob ocupação militar e a União Europeia ser um espaço formalmente constituído por países independentes, esta é a situação dos povos a mando da troika [FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu]: os povos são livres para votar, desde que não ponham  em causa a ordem imposta a partir do eixo Berlim-Bruxelas. E para lembrar isso aos mais recalcitrantes, usam-se todas armas disponíveis: depois de o FMI anunciar a suspensão do pagamento da sexta parcela de um empréstimo, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble veio a público afirmar que “os gregos não têm alternativa” às políticas de austeridade.

A receita da chantagem e da pressão é velha, mas tem dado até agora os seus resultados. Em 2011 a troika anunciou também a suspensão de uma parcela, do primeiro empréstimo à Grécia. A decisão de ouvir o povo e fazer um referendo às medidas da troika, anunciada pelo então primeiro-ministro grego, Papandreu, deixou Berlim e Bruxelas em estado de guerra. O governo grego foi obrigado a recuar em toda a linha e a assumir que as imposições da troika não estavam sujeitas às decisões democráticas.

Nesta segunda tentativa de chantagem, a Grécia tem mais uns anitos de medidas impostas pelo estrangeiro que levaram à destruição do país e ao empobrecimento da sua população, o que faz com que nenhum habitante ignore que esta chantagem pode ser poderosa, porque apela ao medo do desconhecido. Mas sabem o fundamental: que a política da troika se limitou a garantir os lucros dos especuladores: roubar aos pobres para dar aos ricos. Nenhum dos problemas estruturais da economia grega foi resolvido: o país produz menos, tem mais desempregados, deve mais e está mais pobre e desigual. A única coisa que estas políticas, com selo da chanceler alemã, conseguiram foi dar mais dinheiro aos do costume: os especuladores e os muito ricos.

No dia 25 de Janeiro realizam-se eleições legislativas antecipadas na Grécia e pela primeira vez um partido antitroika pode ganhar. As sondagens dão como vencedor o Syriza (coligação de esquerda radical). Este pode ser o primeiro episódio de uma mudança diversa mas considerável na Europa. Depois da possível vitória da extrema-esquerda na Grécia, as sondagens dizem que em Espanha o Podemos poderá disputar o primeiro lugar das eleições. Na França, pode vir a triunfar a Frente Nacional e no Reino Unido cresce o UKIP. Todos estes partidos são diferentes, a única coisa que os une é responderem a um mal-estar crescente dos povos em relação à integração europeia e às políticas ditadas pelo governo de Berlim.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Diário de Notícias: "O que a troika faz é ganhar o seu dinheirinho"

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Mário Soares Fotografia © António Henriques - Global Imagens - DN

"O que a troika faz é ganhar o seu dinheirinho"

O antigo Presidente da República Mário Soares disse hoje, no Porto, que "o que a 'troika' faz é ganhar o seu dinheirinho" e acrescentou que "os mercados continuam a mandar nos Estados", transformando-nos numa "espécie de protetorados".

"Toda a gente me caiu cima quando disse que era preciso acabar com a 'troika'", referiu Mário Soares, que interveio num sessão plenária do VII Congresso Português de Sociologia, ao lado do ex-secretário-geral da CGTP, carvalho da Silva.

Após recordar que Portugal tem um longa história, Soares perguntou: "Como é possível, que haja uns tecnocratas que decidem sobre o nosso futuro e as pessoas não se sentem, patrioticamente, vexadas por nós estarmos a ser um protetorado da 'troika'?".

"Temos que mudar rapidamente, porque, se não, vamos para uma situação gravíssima", opinou.

Mário Soares disse "ter esperança nesse tal vento democrático" que, na sua óptica, sopra desde que o socialista François Hollande foi eleito Presidente da República francesa, a 06 de Maio passado, em substituição de Nicolas Sarkozy.

O ex-chefe de Estado afirmou esperar que "o vento" seja "a favor do crescimento e contra a austeridade, contra o flagelo do desemprego e possa dominar a Europa". Continue lendo.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Caros Amigos: Nova Democracia inicia negociações para compor seu governo

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Nova Democracia inicia negociações para compor seu governo

Esta segunda-feira foi dia de reuniões e negociações em Atenas

Por Caio Zinet

Enviado Especial de Caros Amigos


ATENAS - Os principais líderes do Nova Democracia passaram toda essa segunda-feira em reuniões na tentativa de conformar coalizões com os demais partidos para formar um governo. Antonio Samaras, principal líder e provável futuro primeiro-ministro da Grécia, afirmou ontem que quer fazer um governo de União Nacional com todos os partidos. Seu desejo, no entanto, não irá se concretizar.

Os conservadores dos Gregos Independentes (racha do Nova Democracia), que são contra as medidas de austeridade, também não devem fazer parte do governo com o Nova Democracia. “Não podemos fazer parte de um governo nas condições que Samaras coloca”, afirmou Pannos Kamennos.

Sem Alianças

O Partido Comunista Grego (KKE) já havia dito que não faria coalizões, qualquer que fosse o resultado das eleições de 17 de junho. O Nova Democracia decidiu não fazer reunião com o fascista Amanhar Dourado. Dessa forma, as últimas opções de coalizão para o Nova Democracia são o Esquerda Democrática (racha da Syriza) e o Pasok (Movimento Socialista Pan-Helênico). O primeiro deixou claro antes das eleições que acredita que o mais importante para a Grécia nesse momento é conformação de um governo, e portanto devem fazer parte de uma coligação que dê suporte ao novo primeiro-ministro grego.

A aliança com o Pasok, que antes da eleição era dada com certa, ainda não está confirmada. Evangelos Veninzelos, líder do partido, surpreendeu os gregos em seu discurso ontem a noite quando afirmou que só participaria de um governo com o Nova Democracia caso a Syriza também participasse. “Precisamos da uma governo nacional de co-responsabilidade”, afirmou.
Como esse cenário está descartado, há uma possibilidade de o Pasok não compor o novo governo. A expectativa, no entanto, é que Venizelos recue da posição adotada no discurso pós-eleitoral e participe do governo.

Pela legislação grega, o primeiro partido nas eleições tem 3 dias para formar um governo, mas a expectativa é que a composição final seja anunciada nesta terça (19) quando todos os partidos principais se reunirão. O novo governo deverá ter a participação da Esquerda Democrática e do Pasok, além do vencedor nas eleições, Nova Democracia. Nesse cenário, a base de apoio de governo teria 179 deputados dos 300 que compõem o parlamento.
 
Amanhecer Dourado “comemora” resultado

Os fascistas do Amanhecer Dourado realizaram mais um ataque na noite de ontem. A vítima foi um imigrante paquistanês que foi esfaqueado em uma estação de trem de Atenas. Testemunhas dizem que 11 homens vestidos de preto, espécie de uniforme do partido, deram socos e pontapés no imigrante e em seguida o esfaquearam. A vítima foi encaminhada para o hospital, e embora esteja muito machucado não corre risco de morte.

Esses ataques se tornaram comuns, em especial depois das eleições de 6 de maio que deram 7% de votos para os nazistas. Poucos responsáveis foram presos, e nenhum foi punido até o momento. O principal motivo para a impunidade é que os principais apoiadores dos fascistas estão na polícia grega. Estima-se que 50% dos policiais votaram no Amanhecer Dourado que manteve os resultados das últimas eleições e terá direito a 18 cadeiras. Origem.

domingo, 17 de junho de 2012

El Mundo: Los partidos proeuro logran la mayoría en el Parlamento griego mais JB

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Este movimento de retorno para a direita já foi visto na Espanha. O que aconteceu?!...

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Los partidos proeuro logran la mayoría en el Parlamento griego

Nueva Democracia intentará formar un Gobierno de coalición

Los datos oficiales, con el 96,92% de los votos escrutados, dan la victoria al partido pro-europeísta de Nueva Democracia sobre la coalición de izquierda radical Syriza. Hasta ahora, Nueva Democracia ha conseguido el 29,71% de los votos, mientras que el partido a favor de abolir las medidas de austeridad ha logrado al 26,85%.

Eso significa que Nueva Democracia se anota el bonus de 50 diputados que la legislación griega reserva al vencedor. Y que junto con el socialista Pasok, el partido que ha aprobado los duros ajustes impuestos a la población griega, podrían formar Gobierno al haber conseguido más de 150 escaños entre los dos (162 de los 300 escaños que componen el Parlamento).

Pero, aunque tengan suficientes escaños, no está claro que Nueva Democracia y Pasok vayan a poner en pie un Ejecutivo. El Pasok pone como condición para entrar a formar parte de una Gobierno con los conservadores de Nueva Democracia que también la izquierda radical de Syriza forme parte del mismo. Y Siriza se niega en redondo a gobernar con los dos partidos que han apoyado las medidas de austeridad. Continue lendo.


JB: Projeção oficial aponta vitória de conservadores em eleição na Grécia

Hoje às 16h48 - Atualizada hoje às 16h52

Jornal do Brasil

De acordo com a projeção oficial anunciada pelo governo grego, o partido conservador Nova Democracia liderava neste domingo (17) a contagem de votos com 29,5% das preferências, contra 27,1% do esquerdista radical Syriza.

Dados recentes do Ministério do Interior grego indicam que  a Nova Democracia obteve 128 lugares no Parlamento, enquanto o Syriza conseguiu 72 lugares. Os socialistas do partido PSOK ficaram com 33 lugares.

As eleições gregas geram grande expectativa em todo o mundo por sua importância na Zona do Euro. Enquanto a Nova Democracia apoia o plano de resgate financeiro da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, o Syriza promete romper com os termos do pacote para evitar a derrocada da Grécia, o que potencialmente levaria o país para fora da Eurozona. Origem.

sábado, 16 de junho de 2012

Caros Amigos: Financial Times alemão recomenda voto no conservador Nova Democracia

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Recomenda-se votar no carrasco!

Financial Times alemão recomenda voto no conservador Nova Democracia
 
Por Caio Zinet, de Atenas

A edicão alemã do jornal Financial Times (FTD) estampou na capa dessa sexta-feira (15) um texto, em grego, conclamando o povo grego a votar "certo" nas próximas eleições. Para a publição, votar no Nova Democracia e nos partidos pró-austeridade é a decisão mais sensata.

"No domingo é preciso votar de forma corajosa, não com raiva contra a reestruturação necessária e dolorosa. Somente com os partidos que aceitam os termos de doadores internacionais o país será capaz de permanecer no euro".

Ataques à Esquerda

O texto também dedica parte do espaço para atacar a coligação de esquerda Syriza, que considera irresponsável, incapaz de manter a Grécia na Zona do Euro e de recuperar a economia do país. "Resista à demagogia de Alexis Tsipras e Syriza. Não confie em suas promessas, de que é possível sem consequências a rescisão de todos os acordos".

O artigo do Financial Times joga com o sentimento de 80% dos gregos que, de acordo com as pesquisas, querem seu país na União Europeia. "O Financial Times Alemao (FTD) e a maioria dos gregos têm um interesse comum: o seu país deve permanecer no euro. As eleições de domingo são um momento histórico, não só para a Grécia, mas para o futuro de toda a Zona do Euro". Continue lendo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Carta Maio[Saul Leblon]: Mídia e crise: os conselheiros da servidão

Mídia e crise: os conselheiros da servidão

Carta Maior

A sociedade grega vive uma das escolhas mais difíceis da história:agarrar-se às migalhas da servidão ou lutar contra ela com o risco de perder? De um lado o abismo conhecido, de outro o escuro sem nome. Seu povo foi levado ao corredor da morte pela endogamia entre uma elite dissociada dos interesses da população e uma matilha de espoliadores financeiros que reduziu o país a um simulacro de Nação soberana.

O PIB da Grécia despenca desde 2008; deve fechar em 2012 1/5 menor que o nível pré-crise. Os aposentados foram 'convidados' a viver com pensões entre 20% a 30% menores;o salário mínimo foi cortado em 20% e o desemprego lambe a borda dos 25%. Todo o país está sendo extirpado nessa proporção.

Macrodados não conseguem traduzir o que se passa nas vísceras de uma agonia quando ela atinge esse padrão. São os detalhes que exprimem a brutalidade quando as taxas de suicídio dão um salto de 40%. O orçamento grego da educação sofreu um corte de 60% este ano. Nenhum organismo subsiste ceifado em 60% do seu todo: nem a merenda foi poupada do arrocho imposto pelos credores. Das periferias mais pobres chegam relatos de desfalecimentos em sala de aula: fome.

A tragédia miúda funciona como uma endoscopia das consequências sociais e éticas de se preservar a riqueza financeira quando o mecanismo que a sustenta colapsou nos seus próprios termos. A riqueza financeira é o grande cadáver desta crise que resiste insepulto. Exercer seu direito de saque sobre a riqueza material da sociedade implica a partir de agora cortar a merenda das crianças que desmaiam de fome nas periferias da Grécia. É preciso desinflar o poder leonino da banca mas não será o mercado a fazê-lo. Talvez as urnas; quem sabe as ruas. Sempre a política.Nunca as leis da autossuficiência mercadista.

A camada de gelo fino trinca na primavera sombria da Europa.Mas é o lago todo que se revolve por baixo. As engrenagens vitais do mecanismo econômico colapsaram; em vez de emprestar à produção e ao consumo os bancos mantém mais de 600 bilhões de euros no BCE depois de receberem dele um socorro de liquidez de valor equivalente. A cobra come o próprio rabo. Continue lendo.

sábado, 12 de maio de 2012

REFAZENDA2010-blog: Notícias da Hora 15:06 sábado 12/05/2012

(Ao pé de cada post existem em vermelho, marcadores (tags), que levam aos demais posts sobre o mesmo assunto, ou tema, das notícias linkadas. Experimente!)



Esta máquina está mais para um relógio mecânico completo do que um computador. E os chineses fizeram máquinas tão complexas ou mais, na mesma época ou próxima!




Como diz o jornal: "Polêmica". Nesses tempos de politicamente correto é temerário se questionar as verdades mitificadas...

Aquarela de Carlos Julião - EM

Sempre desconfiamos deste índice. Não há lógica em se usar a mesma fórmula para homens e mulheres. Comparando-se com anterior: homens, altura(em metro) menos 1, mulheres, altura menos 1,1; que na verdade, era uma abordagem para o peso ideal, cremos, portanto, que corrobora, em parte a nossa desconfiança. Quem não acredita que faça alguma simulações! A nossa premissa apenas se baseia na aparência estética, é claro.
Folha: 'Novo IMC' compara cintura com altura