Diário de Notícias: FMI arrasou governo. Portugal só fez um terço das reformas exigidas pela 'troika'
por Luís Reis Ribeiro
A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal fez uma avaliação muito severa do programa de ajustamento português, mas a Comissão Europeia, que divulgou a sua versão no final de dezembro, também não se fica atrás e dá nota de 36% no exame das reformas estruturais.
O governo, através do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, argumentou na sexta-feira que as conclusões do FMI refletem "uma realidade que já não existe".
Em todo o caso, uma análise da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), divulgada anteontem à noite, mostra que a Comissão Europeia também deu uma nota negativa à concretização do pacote de reformas estruturais na economia: apenas 36% das medidas combinadas (cinco em 14) foram "observadas". Chumbou três e carimbou seis com "progresso limitado". A avaliação europeia é de final de dezembro.
Origem.
Barra
Mostrando postagens com marcador FMI Fome Miséria Internacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FMI Fome Miséria Internacional. Mostrar todas as postagens
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Diário de Notícias: FMI arrasou governo. Portugal só fez um terço das reformas exigidas pela 'troika'
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
BCE,
Diário de Notícias,
economia,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
neoliberalismo,
política,
Portugal
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos
Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos
A Carta Maior oferece um especial de matérias e análises sobre a experiência em curso na Grécia que deve ser acompanhada de perto pelos brasileiros.
Joaquim Ernesto Palhares - Diretor da Carta Maior
Uma das grandes vitórias do neoliberalismo em nosso tempo foi subtrair do capitalismo o seu conteúdo político e social.
A naturalização daquilo que está assentado em uma indissociável relação de poder consumou uma das mais eficazes operações ideológicas do nosso tempo.
A serviço dessa assepsia vicejam as editorias de economia e o colunismo dos vulgarizadores do capital metafísico.
Cabe-lhes o diuturno trabalho de reafirmar a petulante condição de ciência a uma economia encarregada de reproduzir um sistema ordenado pelo virulento antagonismo com o bem comum da sociedade.
Não se negue à economia leis próprias, circunstâncias limitadoras e incertezas a exigir gestão, equilíbrio e bom senso.
Mas dizer ‘economia de mercado’ e não ‘capitalismo’, ou ‘intervencionismo’, em contraposição a ‘eficiência’, faz parte do serviço de entorpecimento social encarregado de preservar e engordar interesses sabidos.
De quando em vez, a operação falha.
Nas crises cíclicas do sistema, quando se descarrega sobre a sociedade um fardo de sacrifícios dificilmente vendável como ciência ou fatalidade, o labor da catequese midiática é afrontado pela natureza crua do regime.
Foi o que aconteceu na Grécia, de onde faísca agora um clarão de discernimento que ameaça iluminar o imaginário social para muito além de suas fronteiras.
A vitória eleitoral da frente de esquerda, o Syriza, no último domingo, carrega essa dimensão de um simbolismo com poder epidêmico.
Leia tudo.
A Carta Maior oferece um especial de matérias e análises sobre a experiência em curso na Grécia que deve ser acompanhada de perto pelos brasileiros.
Joaquim Ernesto Palhares - Diretor da Carta Maior
Uma das grandes vitórias do neoliberalismo em nosso tempo foi subtrair do capitalismo o seu conteúdo político e social.
A naturalização daquilo que está assentado em uma indissociável relação de poder consumou uma das mais eficazes operações ideológicas do nosso tempo.
A serviço dessa assepsia vicejam as editorias de economia e o colunismo dos vulgarizadores do capital metafísico.
Cabe-lhes o diuturno trabalho de reafirmar a petulante condição de ciência a uma economia encarregada de reproduzir um sistema ordenado pelo virulento antagonismo com o bem comum da sociedade.
Não se negue à economia leis próprias, circunstâncias limitadoras e incertezas a exigir gestão, equilíbrio e bom senso.
Mas dizer ‘economia de mercado’ e não ‘capitalismo’, ou ‘intervencionismo’, em contraposição a ‘eficiência’, faz parte do serviço de entorpecimento social encarregado de preservar e engordar interesses sabidos.
De quando em vez, a operação falha.
Nas crises cíclicas do sistema, quando se descarrega sobre a sociedade um fardo de sacrifícios dificilmente vendável como ciência ou fatalidade, o labor da catequese midiática é afrontado pela natureza crua do regime.
Foi o que aconteceu na Grécia, de onde faísca agora um clarão de discernimento que ameaça iluminar o imaginário social para muito além de suas fronteiras.
A vitória eleitoral da frente de esquerda, o Syriza, no último domingo, carrega essa dimensão de um simbolismo com poder epidêmico.
Leia tudo.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
BCE,
Carta Maior,
economia,
Europa,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
Grécia,
Internacional,
neoliberalismo,
política
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'
A revista conservadora está apavorada, a Alemanha também. Já é hora de se romper o status quo que só aumenta a pobreza e a miséria. Modelo esse que só beneficia os bancos e o sistema financeiro internacional. Relacionado.
Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'
por Patrícia Viegas
Economista Simon Baptist acusa a UE de ter memória curta. Syriza mantém-se em primeiro nas sondagens para eleições de dia 25.
Apesar de os líderes do Syriza garantirem que não estão contra a Europa e que não pretendem sair do euro caso o partido chegue ao poder após as legislativas de dia 25, a influente The Economist, publicada a partir de Londres, continua a garantir que, da forma como as coisas estão, a Grécia só pode rebentar com o projeto europeu.
A Itália e Portugal serão os primeiros a ser apanhados na onda de choque, acredita Simon Baptist, o economista-chefe da The Economist Intelligence Unit (EIU). A revista é uma das mais influentes na difusão das ideias de política económica do paradigma dominante. Numa nota enviada aos jornais intitulada "Memória curta", Simon Baptist acusa tudo e todos: os gregos, as instituições europeias, os mercados. Está pessimista.
Origem.
Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'
por Patrícia Viegas
Economista Simon Baptist acusa a UE de ter memória curta. Syriza mantém-se em primeiro nas sondagens para eleições de dia 25.
Apesar de os líderes do Syriza garantirem que não estão contra a Europa e que não pretendem sair do euro caso o partido chegue ao poder após as legislativas de dia 25, a influente The Economist, publicada a partir de Londres, continua a garantir que, da forma como as coisas estão, a Grécia só pode rebentar com o projeto europeu.
A Itália e Portugal serão os primeiros a ser apanhados na onda de choque, acredita Simon Baptist, o economista-chefe da The Economist Intelligence Unit (EIU). A revista é uma das mais influentes na difusão das ideias de política económica do paradigma dominante. Numa nota enviada aos jornais intitulada "Memória curta", Simon Baptist acusa tudo e todos: os gregos, as instituições europeias, os mercados. Está pessimista.
Origem.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
desemprego Grécia,
Diário de Notícias,
economia,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
Grécia,
Internacional,
miséria Grécia,
miséria Portugal,
neoliberalismo,
The Economist
sábado, 3 de janeiro de 2015
Outras Palavras [Nuno Ramos de Almeida]: A democracia começa na Grécia
A Islândia rompeu com o modelo de exploração bancária e se deu bem!
Outras Palavras: A democracia começa na Grécia
Por Nuno Ramos de Almeida
Talvez 2015 — um ano que promete tudo, menos pasmaceira — tenha começado antecipadamente nesta quarta-feira, 29/12. Fracassou uma manobra do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, para assegurar seu próprio mandato até 2016. Como resultado, haverá eleições parlamentares antecipadas em 25/1. Segundo as pesquisas, a Syriza — Frente de Esquerda Radical — é favorita para formar novo governo. Seu principal líder, Alexis Tsipras, declarou, minutos depois: “uma página foi virada. Em pouco tempo, as políticas de ‘austeridade’ impostas ao país farão parte do passado”. São, em dose mais radical, o mesmo que Joaquim Levy, o ministro da Fazenda escolhido por Dilma Roussef, quer impor ao Brasil, também a partir de 2015…
Uma vitória da Syriza teria consequências além da Grécia e da Europa. Desafiaria o estranho retorno do neoliberalismo — a política ultracapitalista que provocou a crise iniciada em 2008, mas que paradoxalmente recuperou influência, por faltarem, ainda, opções sistêmicas. Por isso, não será fácil. Imediatamente após anunciadas as eleições, o Fundo Monetário Internacional (FMI) suspendeu o pagamento de um empréstimo à Grécia, com o qual havia se comprometido. E o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaueble, dirigiu-se aos gregos repetindo, “ipsis literis”, a frase de Margareth Thatcher: “não há alternativas”…
Os gregos se curvarão? Talvez seja o primeiro grande desafio de 2015, o primeiro ato a definir seu sentido. “Outras Palavras” celebrará, nas próximas horas: por um ano que sacuda os acomodados e acalente os inquietos! Foi ótimo ter sua companhia em 2014. Estejamos juntos nos tempos áridos, porém cheios de oportunidades, que se abrirão. Tin-tim! (A.M.)[Antonio Martins]
Quando os EUA ocuparam o Iraque enviaram um homem para mandar no país: Paul Bremer foi o escolhido. O homem que usava terno e gravata com botas militares notabilizou-se por ter defendido publicamente o seguinte: os iraquianos vão ter uma democracia, vão poder eleger todo mundo, menos os partidos com que os americanos não estão de acordo.
Apesar de o Iraque desse tempo viver sob ocupação militar e a União Europeia ser um espaço formalmente constituído por países independentes, esta é a situação dos povos a mando da troika [FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu]: os povos são livres para votar, desde que não ponham em causa a ordem imposta a partir do eixo Berlim-Bruxelas. E para lembrar isso aos mais recalcitrantes, usam-se todas armas disponíveis: depois de o FMI anunciar a suspensão do pagamento da sexta parcela de um empréstimo, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble veio a público afirmar que “os gregos não têm alternativa” às políticas de austeridade.
A receita da chantagem e da pressão é velha, mas tem dado até agora os seus resultados. Em 2011 a troika anunciou também a suspensão de uma parcela, do primeiro empréstimo à Grécia. A decisão de ouvir o povo e fazer um referendo às medidas da troika, anunciada pelo então primeiro-ministro grego, Papandreu, deixou Berlim e Bruxelas em estado de guerra. O governo grego foi obrigado a recuar em toda a linha e a assumir que as imposições da troika não estavam sujeitas às decisões democráticas.
Nesta segunda tentativa de chantagem, a Grécia tem mais uns anitos de medidas impostas pelo estrangeiro que levaram à destruição do país e ao empobrecimento da sua população, o que faz com que nenhum habitante ignore que esta chantagem pode ser poderosa, porque apela ao medo do desconhecido. Mas sabem o fundamental: que a política da troika se limitou a garantir os lucros dos especuladores: roubar aos pobres para dar aos ricos. Nenhum dos problemas estruturais da economia grega foi resolvido: o país produz menos, tem mais desempregados, deve mais e está mais pobre e desigual. A única coisa que estas políticas, com selo da chanceler alemã, conseguiram foi dar mais dinheiro aos do costume: os especuladores e os muito ricos.
No dia 25 de Janeiro realizam-se eleições legislativas antecipadas na Grécia e pela primeira vez um partido antitroika pode ganhar. As sondagens dão como vencedor o Syriza (coligação de esquerda radical). Este pode ser o primeiro episódio de uma mudança diversa mas considerável na Europa. Depois da possível vitória da extrema-esquerda na Grécia, as sondagens dizem que em Espanha o Podemos poderá disputar o primeiro lugar das eleições. Na França, pode vir a triunfar a Frente Nacional e no Reino Unido cresce o UKIP. Todos estes partidos são diferentes, a única coisa que os une é responderem a um mal-estar crescente dos povos em relação à integração europeia e às políticas ditadas pelo governo de Berlim.
Leia tudo.
Outras Palavras: A democracia começa na Grécia
Por Nuno Ramos de Almeida
![]() |
| Gregos vão às urnas em 25/1, podendo derrubar políticas de “austeridade” e iniciar uma revolução democrática. Por isso, FMI e Alemanha já chantageiam… Do Outras Palavras. |
Talvez 2015 — um ano que promete tudo, menos pasmaceira — tenha começado antecipadamente nesta quarta-feira, 29/12. Fracassou uma manobra do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, para assegurar seu próprio mandato até 2016. Como resultado, haverá eleições parlamentares antecipadas em 25/1. Segundo as pesquisas, a Syriza — Frente de Esquerda Radical — é favorita para formar novo governo. Seu principal líder, Alexis Tsipras, declarou, minutos depois: “uma página foi virada. Em pouco tempo, as políticas de ‘austeridade’ impostas ao país farão parte do passado”. São, em dose mais radical, o mesmo que Joaquim Levy, o ministro da Fazenda escolhido por Dilma Roussef, quer impor ao Brasil, também a partir de 2015…
Uma vitória da Syriza teria consequências além da Grécia e da Europa. Desafiaria o estranho retorno do neoliberalismo — a política ultracapitalista que provocou a crise iniciada em 2008, mas que paradoxalmente recuperou influência, por faltarem, ainda, opções sistêmicas. Por isso, não será fácil. Imediatamente após anunciadas as eleições, o Fundo Monetário Internacional (FMI) suspendeu o pagamento de um empréstimo à Grécia, com o qual havia se comprometido. E o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaueble, dirigiu-se aos gregos repetindo, “ipsis literis”, a frase de Margareth Thatcher: “não há alternativas”…
Os gregos se curvarão? Talvez seja o primeiro grande desafio de 2015, o primeiro ato a definir seu sentido. “Outras Palavras” celebrará, nas próximas horas: por um ano que sacuda os acomodados e acalente os inquietos! Foi ótimo ter sua companhia em 2014. Estejamos juntos nos tempos áridos, porém cheios de oportunidades, que se abrirão. Tin-tim! (A.M.)[Antonio Martins]
Quando os EUA ocuparam o Iraque enviaram um homem para mandar no país: Paul Bremer foi o escolhido. O homem que usava terno e gravata com botas militares notabilizou-se por ter defendido publicamente o seguinte: os iraquianos vão ter uma democracia, vão poder eleger todo mundo, menos os partidos com que os americanos não estão de acordo.
Apesar de o Iraque desse tempo viver sob ocupação militar e a União Europeia ser um espaço formalmente constituído por países independentes, esta é a situação dos povos a mando da troika [FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu]: os povos são livres para votar, desde que não ponham em causa a ordem imposta a partir do eixo Berlim-Bruxelas. E para lembrar isso aos mais recalcitrantes, usam-se todas armas disponíveis: depois de o FMI anunciar a suspensão do pagamento da sexta parcela de um empréstimo, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble veio a público afirmar que “os gregos não têm alternativa” às políticas de austeridade.
A receita da chantagem e da pressão é velha, mas tem dado até agora os seus resultados. Em 2011 a troika anunciou também a suspensão de uma parcela, do primeiro empréstimo à Grécia. A decisão de ouvir o povo e fazer um referendo às medidas da troika, anunciada pelo então primeiro-ministro grego, Papandreu, deixou Berlim e Bruxelas em estado de guerra. O governo grego foi obrigado a recuar em toda a linha e a assumir que as imposições da troika não estavam sujeitas às decisões democráticas.
Nesta segunda tentativa de chantagem, a Grécia tem mais uns anitos de medidas impostas pelo estrangeiro que levaram à destruição do país e ao empobrecimento da sua população, o que faz com que nenhum habitante ignore que esta chantagem pode ser poderosa, porque apela ao medo do desconhecido. Mas sabem o fundamental: que a política da troika se limitou a garantir os lucros dos especuladores: roubar aos pobres para dar aos ricos. Nenhum dos problemas estruturais da economia grega foi resolvido: o país produz menos, tem mais desempregados, deve mais e está mais pobre e desigual. A única coisa que estas políticas, com selo da chanceler alemã, conseguiram foi dar mais dinheiro aos do costume: os especuladores e os muito ricos.
No dia 25 de Janeiro realizam-se eleições legislativas antecipadas na Grécia e pela primeira vez um partido antitroika pode ganhar. As sondagens dão como vencedor o Syriza (coligação de esquerda radical). Este pode ser o primeiro episódio de uma mudança diversa mas considerável na Europa. Depois da possível vitória da extrema-esquerda na Grécia, as sondagens dizem que em Espanha o Podemos poderá disputar o primeiro lugar das eleições. Na França, pode vir a triunfar a Frente Nacional e no Reino Unido cresce o UKIP. Todos estes partidos são diferentes, a única coisa que os une é responderem a um mal-estar crescente dos povos em relação à integração europeia e às políticas ditadas pelo governo de Berlim.
Leia tudo.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
capitalismo,
desemprego Grécia,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
Grécia,
Internacional,
Islândia,
Outras Palavras
domingo, 12 de agosto de 2012
Le Monde Diplomatique Brasil: A lei dos canalhas
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
A lei dos canalhas
Nosso mundo está infestado de dados arbitrários ou distorcidos, em nome dos quais populações inteiras são martirizadas, como na Espanha
por Serge Halimi
Em uma das cenas cult do filme de Michael Curtis, Casablanca(1942), o capitão Renault, chefe da polícia local, está rodeado por seus homens e, ao interditar o café de Rick (Humphrey Bogart), proclama: “Estou chocado, realmente chocado em saber que vocês jogam por dinheiro aqui!”. Um instante depois, um crupiê estende um maço de notas ao policial: “Sua parte, senhor”. O capitão agradece com um sussurro, embolsa o dinheiro e ordena: “Todos para fora, rápido!”.
No escândalo financeiro que envolve a instauração fraudulenta de uma taxa interbancária britânica – a London Interbank Offered Rate (Libor) –, é difícil identificar o policial desonesto, pois os candidatos ao papel são muitos. Todos os dias, uma média de vinte grandes estabelecimentos financeiros (Barclays, Deutsche Bank, HSBC, Bank of America etc.) define o valor da Libor, que serve de base para transações que somam cerca de US$ 800 bilhões (não, esse número não é um engano do autor), sobretudo no mercado de derivativos.1 Os valores em questão são tão exorbitantes que incentivam a imprensa não financeira a concentrar sua atenção em problemas menores, mas de escala humana: pais que recebem auxílio do governo sem garantir a presença dos filhos na escola, assalariados gregos que complementam a baixa renda trabalhando no mercado negro. A indignação se volta contra essas pessoas, que também acabam absorvendo a cólera destinada aos governantes e ao Banco Central Europeu.
Embora a manipulação da Libor pareça complicada, ela é tão esclarecedora como a cena de Casablanca. Preocupados em melhorar sua saúde financeira e alavancar seus fundos no mercado, os grandes bancos, cuja palavra era digna de confiança, diminuíram suas taxas de empréstimo ao longo dos anos. Essa taxa declarada determinou em seguida a da Libor e, portanto, a dos futuros empréstimos. Ao “adoecer” pela “descoberta” de fraude em seu banco, o patrão do Barclays pediu demissão no dia 3 de julho. O diretor do Banco da Inglaterra também diz ter entendido há apenas algumas semanas a fraude em questão.2
“Chocado, realmente chocado em descobrir” a pólvora? O Barclays e o Banco da Inglaterra não devem ler a imprensa financeira, pois no dia 16 de abril de 2008 o Wall Street Journal havia publicado um artigo intitulado “Banqueiros questionam uma taxa-chave”. Primeiro parágrafo: “Um dos barômetros mais importantes da saúde do mundo financeiro poderia enviar sinais falsos”.
Nosso mundo está infestado de dados arbitrários ou distorcidos (Libor, “regra de ouro”, nível da dívida ou limites para o déficit público...), em nome dos quais populações inteiras são martirizadas, como na Espanha (ver texto "O gato de Felipe González" - Edição 61 Le Monde Diplomatique Brasil). Os que infligem esses castigos com mais crueldade são os mesmos que mantêm uma auréola de respeito por serem presidentes de um banco central ou de uma agência de risco. Quatro anos após a eclosão de uma das maiores crises financeiras da história, contudo, a utilidade social desses organismos está abalada. Origem.
Serge Halimi é o diretor de redação de Le Monde Diplomatique (França).
1 Ler Ibrahim Warde, “La dérive des nouveaux produits financiers” [A deriva dos novos produtos financeiros], Le Monde Diplomatique, jul. 1994.
2 Cf. “Missteps on Libor doomed top executives at Barclays” [Erros na Libor condenaram altos executivos da Barclays], The Wall Street Journal, Nova York, 15 jul. 2012.
Labels:
bancos,
desemprego,
economia,
Espanha,
FMI Fome Miséria Internacional,
Le Monde Diplomatique Brasil,
libor,
neoliberalismo,
REFAZENDA2010-blog,
sacanagens do neoliberalismo
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Outras Palavras: A Grécia revive uma “vitória de Pirro”
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
A Grécia revive uma “vitória de Pirro”
– 19/06/2012
Partidos tradicionais vencem eleições, mas deparam-se com país arruinado e intransigência da “troika”. Nova esquerda planeja futuro. Mercados atacam Espanha
Por Antonio Martins
Considerado um dos maiores generais da Grécia antiga, Pirro, rei do Épiro, invadiu a Península Itálica em 280 a.C. disposto a frear a expansão dos romanos. Seu exército numeroso e muito bem-armado, dotado de vasta cavalaria e elefantes, alcançou inicialmente alguns triunfos. Mas, ao contrário do adversário, não tinha apoio da população local – e foi definhando ao longo dos combates. Em 279 a.C., Pirro venceu os romanos em Ásculo, mas perdeu 3,5 mil homens. Quando seus oficiais foram cumprimentá-lo pelo triunfo, respondeu com amargura: “mais uma vitória destas e estou arruinado”.
É possível que uma sensação semelhante tenha se apoderado, a esta altura, de Antonio Samaras, o grego que lidera o partido (de centro-direita) Nova Democracia. Depois de vencer por estreita margem as eleições parlamentares do domingo (29,7% x 26,9%), ele quer formar um novo governo, com duas outras agremiações menores – Pasok e Esquerda Democrática – que também se submeteram aos acordos impostos ao país pela oligarquia financeira e pela troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI). Três fantasmas o assombram.
Primeiro, terá de apresentar, a um país já muito combalido, nova bateria de más notícias, previstas no compromisso que seu partido endossou. Não há sinais de alívio. Horas depois do pleito, a troika exigiu respeito ao pacto e avisou que não fará concessões. Por fim, a Syriza, coalizão política que reúne partidos e movimentos cidadãos, anunciou que continuará na oposição e na luta por um Programa de Reconstrução Nacional. Samaras precisa de um fato novo que modifique repentinamente todo o cenário – ou suas chances de fazer um governo estável serão próximas de zero. Continue lendo.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Caros Amigos: Nova Democracia inicia negociações para compor seu governo
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
Nova Democracia inicia negociações para compor seu governo
Esta segunda-feira foi dia de reuniões e negociações em Atenas
Por Caio Zinet
Esta segunda-feira foi dia de reuniões e negociações em Atenas
Por Caio Zinet
Enviado Especial de Caros Amigos
ATENAS - Os principais líderes do Nova Democracia passaram toda essa segunda-feira em reuniões na tentativa de conformar coalizões com os demais partidos para formar um governo. Antonio Samaras, principal líder e provável futuro primeiro-ministro da Grécia, afirmou ontem que quer fazer um governo de União Nacional com todos os partidos. Seu desejo, no entanto, não irá se concretizar.
Os conservadores dos Gregos Independentes (racha do Nova Democracia), que são contra as medidas de austeridade, também não devem fazer parte do governo com o Nova Democracia. “Não podemos fazer parte de um governo nas condições que Samaras coloca”, afirmou Pannos Kamennos.
Sem Alianças
O Partido Comunista Grego (KKE) já havia dito que não faria coalizões, qualquer que fosse o resultado das eleições de 17 de junho. O Nova Democracia decidiu não fazer reunião com o fascista Amanhar Dourado. Dessa forma, as últimas opções de coalizão para o Nova Democracia são o Esquerda Democrática (racha da Syriza) e o Pasok (Movimento Socialista Pan-Helênico). O primeiro deixou claro antes das eleições que acredita que o mais importante para a Grécia nesse momento é conformação de um governo, e portanto devem fazer parte de uma coligação que dê suporte ao novo primeiro-ministro grego.
A aliança com o Pasok, que antes da eleição era dada com certa, ainda não está confirmada. Evangelos Veninzelos, líder do partido, surpreendeu os gregos em seu discurso ontem a noite quando afirmou que só participaria de um governo com o Nova Democracia caso a Syriza também participasse. “Precisamos da uma governo nacional de co-responsabilidade”, afirmou.
Como esse cenário está descartado, há uma possibilidade de o Pasok não compor o novo governo. A expectativa, no entanto, é que Venizelos recue da posição adotada no discurso pós-eleitoral e participe do governo.
Pela legislação grega, o primeiro partido nas eleições tem 3 dias para formar um governo, mas a expectativa é que a composição final seja anunciada nesta terça (19) quando todos os partidos principais se reunirão. O novo governo deverá ter a participação da Esquerda Democrática e do Pasok, além do vencedor nas eleições, Nova Democracia. Nesse cenário, a base de apoio de governo teria 179 deputados dos 300 que compõem o parlamento.
Amanhecer Dourado “comemora” resultado
Os fascistas do Amanhecer Dourado realizaram mais um ataque na noite de ontem. A vítima foi um imigrante paquistanês que foi esfaqueado em uma estação de trem de Atenas. Testemunhas dizem que 11 homens vestidos de preto, espécie de uniforme do partido, deram socos e pontapés no imigrante e em seguida o esfaquearam. A vítima foi encaminhada para o hospital, e embora esteja muito machucado não corre risco de morte.
Esses ataques se tornaram comuns, em especial depois das eleições de 6 de maio que deram 7% de votos para os nazistas. Poucos responsáveis foram presos, e nenhum foi punido até o momento. O principal motivo para a impunidade é que os principais apoiadores dos fascistas estão na polícia grega. Estima-se que 50% dos policiais votaram no Amanhecer Dourado que manteve os resultados das últimas eleições e terá direito a 18 cadeiras. Origem.
Labels:
Caros Amigos,
economia,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
Grécia,
miséria Grécia,
REFAZENDA2010-blog
domingo, 17 de junho de 2012
El Mundo: Los partidos proeuro logran la mayoría en el Parlamento griego mais JB
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
Este movimento de retorno para a direita já foi visto na Espanha. O que aconteceu?!...
| Clique na imagem para ampliar - El Mundo |
Los partidos proeuro logran la mayoría en el Parlamento griego
Nueva Democracia intentará formar un Gobierno de coalición
Los datos oficiales, con el 96,92% de los votos escrutados, dan la victoria al partido pro-europeísta de Nueva Democracia sobre la coalición de izquierda radical Syriza. Hasta ahora, Nueva Democracia ha conseguido el 29,71% de los votos, mientras que el partido a favor de abolir las medidas de austeridad ha logrado al 26,85%.
Eso significa que Nueva Democracia se anota el bonus de 50 diputados que la legislación griega reserva al vencedor. Y que junto con el socialista Pasok, el partido que ha aprobado los duros ajustes impuestos a la población griega, podrían formar Gobierno al haber conseguido más de 150 escaños entre los dos (162 de los 300 escaños que componen el Parlamento).
Pero, aunque tengan suficientes escaños, no está claro que Nueva Democracia y Pasok vayan a poner en pie un Ejecutivo. El Pasok pone como condición para entrar a formar parte de una Gobierno con los conservadores de Nueva Democracia que también la izquierda radical de Syriza forme parte del mismo. Y Siriza se niega en redondo a gobernar con los dos partidos que han apoyado las medidas de austeridad. Continue lendo.
JB: Projeção oficial aponta vitória de conservadores em eleição na Grécia
Hoje às 16h48 - Atualizada hoje às 16h52
Jornal do Brasil
De acordo com a projeção oficial anunciada pelo governo grego, o partido conservador Nova Democracia liderava neste domingo (17) a contagem de votos com 29,5% das preferências, contra 27,1% do esquerdista radical Syriza.
Dados recentes do Ministério do Interior grego indicam que a Nova Democracia obteve 128 lugares no Parlamento, enquanto o Syriza conseguiu 72 lugares. Os socialistas do partido PSOK ficaram com 33 lugares.
As eleições gregas geram grande expectativa em todo o mundo por sua importância na Zona do Euro. Enquanto a Nova Democracia apoia o plano de resgate financeiro da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, o Syriza promete romper com os termos do pacote para evitar a derrocada da Grécia, o que potencialmente levaria o país para fora da Eurozona. Origem.
Labels:
desemprego Grécia,
economia,
El Mundo,
Espanha,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
Grécia,
JB,
miséria Grécia,
REFAZENDA2010-blog
sexta-feira, 15 de junho de 2012
E Mundo: El FMI pide a España que recorte sueldos públicos y suba ya el IVA
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
A velha e perversa fórmula de sempre: diminuir salários dos funcionários públicos e subir os impostos. Em um país em crise, acirra-se a crise, mas o dinheiro dos bancos, sim, está preservado. Canalhas!
El Fondo Monetario Internacional (FMI) reclama a España que baje los sueldos de los empleados públicos en el futuro y suba el IVA y los impuestos especiales ya, aunque de forma temporal, para ajustar el déficit a la espera de concretarse los recortes estructurales.
El organismo internacional pide además la eliminación de la deducción de compra de vivienda y la privatización de empresas públicas, medidas parecidas a las exigidas por la Comisión Europea esta misma semana.
El FMI defiende que la reducción del déficit debería ser "menos ajustada en el corto plazo" porque se puede crear un "círculo vicioso" entre crecimiento y préstamos fallidos. "Los objetivos a medio plazo son generalmente adecuados, pero una senda más suave sería apropiada durante un período de extrema debilidad", señala.
En cualquier caso, "es fundamental que las medidas ofrezcan ganancias permanentes y no puntuales. Por ejemplo, no debería haber más amnistías -fiscales- o aumentos transitorios de tipo", advierte la institución antes de pedir que se proteja el gasto en los más vulnerables. Continue lendo.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Redação do REFAZENDA2010-blog : Rei espanhol está no Brasil; com El País, El Mundo e Brasil247
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
![]() |
| Clique na imagem para ampliar - Reprodução, editada para destaque |
Na Espanha a crise está tão feia que o Jornal El País colocou na capa link para uma seção da visita do rei ao Brasil. Parece que sua majestade não escolheu uma boa hora para a visita... Quem sabe que possamos vender alguma coisa a eles...
El País: “España tiene solidez para superar la crisis”, proclama el Rey en Brasil
El Mundo: El banquero de rojo, ante el Rey
Regularizando a lavanderia...
El País: El Gobierno se fiará de los defraudadores en la amnistía fiscal
El Mundo: El banquero de rojo, ante el Rey
Regularizando a lavanderia...
El País: El Gobierno se fiará de los defraudadores en la amnistía fiscal
| Foto: UESLEI MARCELINO/REUTERS - Brasil247 |
Labels:
abutres de Wall Street,
bancos,
BCE,
Brasil247,
economia,
El Mundo,
El País,
Espanha,
FMI Fome Miséria Internacional,
protestos Espanha,
Redação do Refazenda2010-blog,
REFAZENDA2010-blog
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Carta Maior[Oscar Guisoni]: O presidente, o banco, o déficit e a taxa de risco
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
O presidente, o banco, o déficit e a taxa de risco
Enquanto os dirigentes políticos não atinam em encontrar soluções para a crise, o descontentamento nas ruas vai aumentando e a Europa começa a suspeitar que a Grécia seja só a ponta do iceberg e que é a Espanha o verdadeiro epicentro do furacão financeiro que pode varrer com o euro. O estouro da crise do Bankia, o novo banco, produto da unificação da maioria das caixas de poupança regionais, foi a cereja do bolo que está resultando fatal para o governo do conservador Mariano Rajoy. O artigo é de Oscar Guisoni, direto de Madri.
Oscar Guisoni, de Madri
Madri - A crise econômica espanhola se parece cada vez mais a uma tragédia grega. O mix de desemprego, déficit fiscal incontrolável, risco país galopante e um buraco bancário que ninguém se anima a dimensionar com certeza está resultando fatal para o governo de Mariano Rajoy, que tem apenas meio ano à frente do Executivo. A situação chegou a limites extremos esta semana, quando o presidente do Banco da Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, apresentou sua renúncia sob os efeitos do estouro do Bankia, o gigante bancário recém-nacionalizado que ameaça fazer naufragar o já frágil sistema financeiro nacional. Enquanto os dirigentes políticos não atinam em encontrar soluções para a crise, o descontentamento nas ruas vai aumentando e a Europa começa a suspeitar que a Grécia seja só a ponta do iceberg e que é a Espanha o verdadeiro epicentro do furacão financeiro que pode varrer com o euro.
Os frios e aristocráticos corredores do Banco da Espanha foram testemunha, na terça-feira passada, da penúltima cena do drama. Miguel Ángel Fernández Ordoñez, o pressionado presidente da máxima autoridade monetária, jogou a toalha um mês antes da data prevista para que abandone seu cargo. Coroava com uma violenta batida de porta um longo processo que começou no final de 2008, quando começaram a levantarem-se vozes críticas contra sua gestão por não haver impedido a formação da bolha imobiliária cujo estouro deu origem à pior crise financeira espanhola das últimas décadas.
Homem de marcadas convicções neoliberais, Fernández Ordoñez havia assumido o Banco Central Espanhol em 2006, indicado pela administração do socialista José Luís Rodríguez Zapatero, de cujo staff formava parte como Secretário da Fazenda e Orçamento, às ordens do Ministro de Economia Pedro Solbes, outro reconhecido representante das teorias econômicas mais conservadoras, apesar de sua filiação socialdemocrata. Logo que assumiu, Fernández Ordoñez enfrentou o poderoso corpo de fiscais e supervisores que o acusavam de não ter conhecimento suficiente em matéria financeira. Isso não o impediu de fazer um severo diagnóstico da situação que se encontrava a economia do país, ainda que em vez de meter as mãos no complexo e embarrado mapa bancário, como demandava a situação, se dedicou a apregoar as virtudes das reformas neoliberais, exasperando o governo que o havia colocado à frente da entidade e fazendo as delicias do Partido Popular, na oposição.
Em 2011 a sorte de seu antigo chefe político acabou e Rodríguez Zapatero teve que abandonar o governo com o pior índice de popularidade de qualquer outro presidente da era democrática. Mas o novo governo do PP não estava disposto a seguir batendo no ombro de seu outrora aliado. Fernández Ordóñez se revelou rapidamente um peso para a gestão do novo governo conservador e as críticas a sua gestão da crise cresciam. Não só lhe acusavam de “falta de decisão para intervir a tempo nas entidades com graves problemas pela ‘crise imobiliária’”, segundo o jornalista do El País Miguel Ángel Noceda, mas também de “ineficiência para abordar a reforma financeira desde o principio” e de “fraqueza para enfrentar os poderes políticos”. O estouro da crise do Bankia, o novo banco, produto da unificação da maioria das caixas de poupança regionais, foi a cereja do bolo. Continue lendo.
Labels:
abutres de Wall Street,
Carta Maior,
desemprego Grécia,
economia,
Espanha,
FMI Fome Miséria Internacional,
miséria Grécia,
miséria Portugal,
REFAZENDA2010-blog
domingo, 27 de maio de 2012
Carta Capital[Mino Carta]: Que diria Tucídides?
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
O Estado ideal não existe e talvez nunca tenha existido. A Grécia antiga e suas cidades estado eram sustentadas pela escravidão. O surgimento dos estados nacionais com fim do feudalismo na Europa só foi uma troca de poder. Um breve período do chamado bem estar social foi substituído pelo neoliberalismo. Hoje, acima os estados nacionais, os bancos.
Que diria Tucídides?
Pensadores de alentado calibre ao analisar a crise econômica mundial sustentam que o próprio capitalismo está em xeque. Trata-se, se bem entendo, de um monumental fenômeno de autofagia, algo assim como o neoliberalismo a deglutir o liberalismo nascido da Revolução Industrial inglesa e da Revolução Francesa, e codificado por Adam Smith. Pergunto aos meus perplexos botões se algo mais não estaria em xeque, de certa forma maior. A própria democracia, na sua concepção tradicional.
Sem precisar de lupa, o que vemos? Vemos o nosso mundinho dominado por oligarquias financeiras cujo peso específico se tem provado muito superior àquele dos governos de Estado. Amparados pelo terrorismo das agências de rating, os autores da valorização da produção de puro dinheiro em detrimento da produção de bens e serviços, assenhoream-se do destino da população global, crescente e cada vez mais desigual.
Onde fica a vetusta ideia de democracia, aquela sonhada pelos iluministas e pelos pais fundadores americanos? E até posta em prática em certos países e em certos momentos de forma quase satisfatória. Tomados de singular melancolia, os botões ousam evocar a Guerra do Peloponeso, travada entre a culta Atenas e a tosca Esparta. Vitória espartana, mas se Atenas chorou, Esparta não riu. Há quem saiba da história pela pena de Tucídides, um dos primeiros historiadores, se não o primeiro, a entender que inúmeros eventos podem ser previstos a partir da correta análise das circunstâncias que os precedem. Continue lendo.
Pensadores de alentado calibre ao analisar a crise econômica mundial sustentam que o próprio capitalismo está em xeque. Trata-se, se bem entendo, de um monumental fenômeno de autofagia, algo assim como o neoliberalismo a deglutir o liberalismo nascido da Revolução Industrial inglesa e da Revolução Francesa, e codificado por Adam Smith. Pergunto aos meus perplexos botões se algo mais não estaria em xeque, de certa forma maior. A própria democracia, na sua concepção tradicional.
Sem precisar de lupa, o que vemos? Vemos o nosso mundinho dominado por oligarquias financeiras cujo peso específico se tem provado muito superior àquele dos governos de Estado. Amparados pelo terrorismo das agências de rating, os autores da valorização da produção de puro dinheiro em detrimento da produção de bens e serviços, assenhoream-se do destino da população global, crescente e cada vez mais desigual.
Onde fica a vetusta ideia de democracia, aquela sonhada pelos iluministas e pelos pais fundadores americanos? E até posta em prática em certos países e em certos momentos de forma quase satisfatória. Tomados de singular melancolia, os botões ousam evocar a Guerra do Peloponeso, travada entre a culta Atenas e a tosca Esparta. Vitória espartana, mas se Atenas chorou, Esparta não riu. Há quem saiba da história pela pena de Tucídides, um dos primeiros historiadores, se não o primeiro, a entender que inúmeros eventos podem ser previstos a partir da correta análise das circunstâncias que os precedem. Continue lendo.
Labels:
BCE,
Carta Capital,
desemprego Grécia,
economia,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
neoliberelismo
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Vi o mundo[Azenha]: Seumas Milne - Quando a mídia coloca fascistas e a esquerda no balaio dos ‘extremistas’
Seumas Milne: Quando a mídia coloca fascistas e a esquerda no balaio dos ‘extremistas’
publicado em 15 de maio de 2012 às 23:41
por Luiz Carlos Azenha
Seumas Milne escreveu no diário britânico Guardian que ou a esquerda lidera a rebelião contra a austeridade, ou outros o farão.
“Da Holanda à Romênia, governos estão caindo sob o peso dos cortes de orçamento e aumentos de impostos exigidos pelo novo tratado permanente de deflação da zona do euro”, disse ele.
E mais: “A austeridade não está funcionando, mesmo em seus próprios termos. Cortar empregos e salários e aumentar os impostos não está reduzindo os empréstimos e a dívida, quanto mais levando à recuperação econômica. Está aprofundando a recessão, aumentando o endividamento e destruindo empregos, reduzindo os padrões de vida em toda a zona do euro — em países como a Espanha e a Grécia, catastroficamente –, assim como no Reino Unido”.
E ainda: “A revolta política na Grécia, no entanto, pode ter consequências mais amplas. O colapso econômico da Grécia, disparado pelo crash de 2008 e aprofundado pela austeridade exigida pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, é um desastre social no nível da depressão dos Estados Unidos nos anos 30. Os salários reais tiveram perda de 25% em dois anos, de acordo com a OECD. Não é surpresa que o apoio aos partidos governistas que levaram a Grécia a tal situação caiu de 80% para 30%, enquanto os partidos de esquerda que rejeitaram os cortes da EU-FMI, as privatizações e os pagamentos insustentáveis da dívida tiveram votação maior que o desacreditado establishment e a direita nacionalista”. Continue lendo.
publicado em 15 de maio de 2012 às 23:41
por Luiz Carlos Azenha
Seumas Milne escreveu no diário britânico Guardian que ou a esquerda lidera a rebelião contra a austeridade, ou outros o farão.
“Da Holanda à Romênia, governos estão caindo sob o peso dos cortes de orçamento e aumentos de impostos exigidos pelo novo tratado permanente de deflação da zona do euro”, disse ele.
E mais: “A austeridade não está funcionando, mesmo em seus próprios termos. Cortar empregos e salários e aumentar os impostos não está reduzindo os empréstimos e a dívida, quanto mais levando à recuperação econômica. Está aprofundando a recessão, aumentando o endividamento e destruindo empregos, reduzindo os padrões de vida em toda a zona do euro — em países como a Espanha e a Grécia, catastroficamente –, assim como no Reino Unido”.
E ainda: “A revolta política na Grécia, no entanto, pode ter consequências mais amplas. O colapso econômico da Grécia, disparado pelo crash de 2008 e aprofundado pela austeridade exigida pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, é um desastre social no nível da depressão dos Estados Unidos nos anos 30. Os salários reais tiveram perda de 25% em dois anos, de acordo com a OECD. Não é surpresa que o apoio aos partidos governistas que levaram a Grécia a tal situação caiu de 80% para 30%, enquanto os partidos de esquerda que rejeitaram os cortes da EU-FMI, as privatizações e os pagamentos insustentáveis da dívida tiveram votação maior que o desacreditado establishment e a direita nacionalista”. Continue lendo.
Labels:
BCE,
desemprego,
desemprego Grécia,
economia,
Europa,
FMI Fome Miséria Internacional,
miséria,
miséria Grécia,
REFAZENDA2010-blog,
viomundo
sexta-feira, 11 de maio de 2012
REFAZENDA2010-blog: Notícias da Hora 11:48 quinta 11/05/2012
Justiça burguesa = covardia!
O Tempo: Militares isolam área e negociam desocupação no Barreiro com 350 famílias
O Tempo: Militares isolam área e negociam desocupação no Barreiro com 350 famílias
| Crianças são obrigadas a saltar sobre esgoto que corre a céu aberto por bairro em Santa Luzia - Marcelo Prates - HD |
Hoje em Dia: Saneamento ambiental precário castiga RMBH
JB: Deputados da CPMI querem impedir venda da construtora Delta
JB: Deputados da CPMI querem impedir venda da construtora Delta
The bad boys!
Agência Brasil: Em depoimento, delegado confirma venda da casa de Perillo para Cachoeira e remessa de dinheiro ao Palácio das Esmeraldas
Folha: UE projeta crescimento nulo para Grécia e fraco para Portugal
Estadão: UE vê sinais de recuperação da economia, mas riscos persistem
Labels:
BCE,
caso Cachoeira,
desocupação,
FMI Fome Miséria Internacional,
justiça burguesa,
miséria Grécia,
miséria Portugal,
Pinheirinho,
PSDB,
REFAZENDA2010-blog,
saneamento,
turma chapéu
sexta-feira, 27 de abril de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Redação REFAZENDA2010-blog: A Crise e os protestos na Grécia mais Folha: Parlamento grego aprova plano de austeridade e resgate financeiro
Nem com todos os protestos os gregos conseguiram evitar o plano de intervenção econômico-financeiro da União Européia. Como de costume pagarão a conta os aposentados, o funcionalismo e todos os mais fracos. Fome e miséria! (posts relacionados: 1, 2, 3 vídeo)
| Webcam: Parlamento Grego agora(não atualizado automaticamente). Acompanhe! |
| Foto: www.elora.gr |
Labels:
BCE,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
intervenção ecômica-financeira Grécia,
miséria na Grécia,
protestos,
REFAZENDA2010-blog,
webcam live parlamento grego
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
REFAZENDA2010-blog: Notícias da Hora 11:42 quinta 09/02/2012
Comentário de internauta da matéria no Estadão: "roberto tosi
Comentado em: Rascunho de acordo da Grécia prevê corte de 150 mil servidores até 2015
9 de Fevereiro de 2012 | 8h46
sempre a mesma receita, "mate a vaca para acabar com a doença". Um país como a Grécia ou Portugal que não produz praticamente nada não pode ter padrão de vida muito superior a de países notoriamente pobres. A UE e o euro ofereceram o paraíso a eles e agora o capeta fmi vem cobrar as almas gregas e lusas. (post relacionado)
Quase metade dos jovens gregos está desempregada
Comentado em: Rascunho de acordo da Grécia prevê corte de 150 mil servidores até 2015
9 de Fevereiro de 2012 | 8h46
sempre a mesma receita, "mate a vaca para acabar com a doença". Um país como a Grécia ou Portugal que não produz praticamente nada não pode ter padrão de vida muito superior a de países notoriamente pobres. A UE e o euro ofereceram o paraíso a eles e agora o capeta fmi vem cobrar as almas gregas e lusas. (post relacionado)
Quase metade dos jovens gregos está desempregada
Labels:
BCE,
desemprego Grécia,
Estadão,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
miséria Grécia,
Quase metade dos jovens gregos está desempregada,
REFAZENDA2010-blog
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Estadão: Rascunho de acordo da Grécia prevê corte de 150 mil servidores até 2015
Pode até ser que os governos gregos tenham exagerado nos gastos ao longo dos anos. Mas simplesmente descartar essa enorme força de trabalho é acabar de vez com os mais fracos e certamente aumentar o custo social; ou deixar para morrerem todos! (post relacionado)
Acordo do país com a troica ainda incluiria a abolição da estabilidade de emprego no setor público
08 de fevereiro de 2012 | 18h 23
Ricardo Gozzi e Gustavo Nicoletta, da Agência Estado
Texto atualizado às 20h20
ATENAS - O rascunho do acordo entre a Grécia e o trio de credores internacional de Atenas prevê a dispensa de 150.000 servidores públicos até 2015. Ao mesmo tempo, a versão preliminar do pacto entre a Grécia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) inclui uma redução de 22% no salário mínimo do setor privado e a abolição da estabilidade de emprego no setor público. Continue lendo.
Assinar:
Postagens (Atom)

