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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Nassif: O jeito Neves de controlar a mídia em Minas Gerais

Esperemos que tenha acabado. Nas Montanhas acabou, não, ainda não! Mas o jornaleco acabará!

Nassif: O jeito Neves de controlar a mídia em Minas Gerais

qua, 17/12/2014 - 19:59

Por Andrea C. Branco

Editor de Cultura do jornal Estado de Minas censurado


Caro Nassif,

sou diretora do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e hoje a censura sem limites da Dinastia Neves fez mais uma vítima entre nós. O editor de Cultura do Estado de Minas, João Paulo Cunha, foi censurado e pediu demissão depois de ser informado que não poderia escrever mais sobre política. Sua coluna no último sábado foi brilhante e demolidora, mas ele ousou cobrar responsabilidade do senador Aécio Neves nas páginas do jornal, o que motivou a reprimenda da direção do jornal. Além de jornalista, João Paulo Cunha é um dos grandes intelectuais mineiros e tem feito uma crítica muito contundente do processo político.

Abaixo encaminho a nota do Sindicato dos Jornalistas e o brilhante texto que motivou sua saída dos Diários Associados.

NOTA DO SINDICATO DOS JORNALISTAS
 

O Sindicato dos Jornalistas lamenta a saída de João Paulo Cunha do comando da editoria de Cultura do Estado de Minas, mais uma vítima da censura que impera nos grandes meios de comunicação e grassa em Minas Gerais. Reconhecido como um dos mais brilhantes jornalistas e intelectuais mineiros, dono de uma vasta cultura e de um texto brilhante, João Paulo pediu demissão hoje a tarde.

A decisão foi tomada depois da comunicação por parte da direção do jornal de que não poderia mais escrever sobre política na coluna que assinava semanalmente no caderno Pensar. Seu último texto foi publicado no dia 6. Batizado de "Síndrome de Capitu", criticava a falta de uma oposição responsável no Brasil. "Há grandes projetos que impulsionam uma vida e moldam expectativas de futuro, algo que ganhou o belo nome de utopia", diz um trecho do texto. E foi em nome dessa utopia que ele não aceitou essa imposição. Uma salva ao João!








Síndrome de Capitu

O Brasil já tem presidente para os próximos quatro anos, o que está faltando é oposição responsável

 
João Paulo Cunha

Existem duas verdades aparentemente óbvias que, no entanto, não têm ficado suficientemente claras para muita gente: o país mudou e a eleição já acabou. A insistência em dar continuidade ao processo que elegeu Dilma Rousseff poderia ser apenas um luto mal vivido, mas tende a se tornar perversa no campo político. Por outro lado, a recusa em enxergar a nova configuração da sociedade, resultado de seguidas políticas de distribuição de renda e inclusão social, pode gerar um impulso no mínimo grotesco em suas alusões reativas e chamamentos à ditadura.

É preciso ir adiante. A oposição, certamente, saiu fortalecida do resultado eleitoral bastante parelho. Mas corre o risco de jogar fora esse crescimento quantitativo em nome de um comportamento pouco produtivo em termos políticos. Em vez de jogar com seu eleitor fiel, interpreta os votos de acordo com suas conveniências e joga para a plateia pelos meios de comunicação, sem perceber que essa falácia já mostrou ser um paradoxo invencível: tem mais brilho que consistência, mais efeito que substância, mais eco que voz.

A oposição de hoje parece viver, no campo da política, o que Bento Santiago, o Bentinho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, viveu em seus tormentos de alma: se perde na fantasia da traição (mesmo que ela tenha sido real). Para lembrar sumariamente o enredo do romance, Bentinho se apaixona por Capitu, desde logo apresentada como portadora de “olhos de ressaca”. São jovens de classes sociais distintas. Um arranjo permite o casamento. Logo Bentinho, já pai e bem posto na vida como advogado, desconfia que está sendo traído pela mulher com o melhor amigo, em quem vê semelhança com o filho. O casal se separa, o filho morre e Bento, sozinho, leva adiante sua sina de ser casmurro e sofrer com a desconfiança até o fim da vida.

Machado de Assis, como sempre, ao falar de seus personagens, está figurando a sociedade de seu tempo. Bentinho não sofre só pela traição, mas porque não entende que o mundo mudou. Não pode aceitar que a sociedade republicana deixou para trás as amarras elitistas do Segundo Reinado e da escravidão. Bento não reconhece a mulher, a sociedade, a história. Não pode aceitar que ela tenha uma vida independente e autônoma. Tudo que ele não compreende o ameaça. Capitu não é apenas a mulher, mas tudo que perdeu em seu mundo de referências que se esvaem. Mais que sexual, a traição é histórica. Homem de outro tempo, só resta a ele tentar convencer ao leitor e a si próprio de seu destino de vítima. E soprar um melancólico saudosismo acerca dos tempos idos, que busca reconstruir em sua casa feita à semelhança do lar da meninice.

O Brasil tem uma recorrente síndrome de Capitu: tudo que a elite não tolera se torna, por meio de um discurso marcado pela força jurídica e da tradição, algo que deve ser rejeitado. Eternos maridos traídos. A tendência de empurrar a política para os tribunais é uma consequência
desse descaminho. Assim, tudo que de alguma forma aponta para a mudança e ampliação de direitos é considerado ilegítimo e, em alguns momentos, quase uma afronta que precisa ser questionada e combatida. Foi assim com a visibilidade dada aos novos consumidores populares (que foram criminalizados em rolezinhos ou objeto de ironia em aeroportos), com as cotas raciais para a universidade, com a chegada de médicos estrangeiros para ocupar postos que os brasileiros, psicanaliticamente, denegaram.

O romance de Machado de Assis tem ainda outro personagem curioso para a sociologia e psicologia do brasileiro, o agregado José Dias. Trata-se de um homem que vive às expensas da família de Bento e que, por isso, não cessa de elogiar quem o acolhe. Típico representante de certa classe média, ele é o bastião dos valores da burguesia da época, da qual só participa de esguelha. Mais burguês que os burgueses, em sua subserviência, ele gasta os superlativos e a vida a invejar e defender os “de cima”, com pânico de ser confundido com os “de baixo”. Epígonos de José Dias, hoje, são os que amam Miami, levam os filhos para ver o Pateta e participam de passeatas pedindo a volta dos militares.

Leviandade

Mas o que a síndrome de Capitu tem a ver com a política brasileira de hoje? Em primeiro lugar, ela explica por que, em vez de armar uma oposição de verdade, os partidos derrotados tentam inviabilizar a sequência do processo democrático. Em segundo lugar, pela defesa da dupla moral, que desculpa os erros do passado por causa da dimensão dos desvios de hoje, numa reedição do estilo udenista e despolitizador de analisar a conjuntura. Tudo que pode de alguma forma macular a oposição é considerado “sórdido” e “leviano”, numa substituição da política pela moral de circunstância. A corrupção, com sua espantosa abrangência, precisa ser combatida em toda sua dimensão e arco histórico. Nenhum culpado pode ficar de fora, de empresários a políticos de todos os partidos.

Por fim, a personagem machadiana ajuda a explicar a fixação em torno de determinados temas – no romance, é a traição, na vida política atual, é a inflação –, que são muito mais derivações que propriamente o que de fato interessa. A escolha dos ministros da área econômica mostrou como mesmo um governo popular e eleito democraticamente confirma as intuições de Machado de Assis. A excessiva submissão aos interesses rentistas pode ser um recuo estratégico. Mas é um recuo. Uma capitulação.

Economia não é uma ciência exata e, muito menos, isenta de componente ideológico. Um governo de esquerda precisa de uma política econômica de esquerda. Além do equilíbrio macroeconômico, o mais importante é apontar as estratégias de distribuição de renda e de investimento na área social. O deus Mercado não pode falar mais alto que os filhos de Deus. No complexo tecido que sustenta a governança, a presença das forças populares não pode ser colocada em segundo plano, como vem sendo até agora. A excessiva sujeição ao cálculo do apoio político está na base da grande corrupção que hoje enoja a todos. Por isso a reforma política popular se tornou a agenda prioritária da sociedade.

A oposição, por sua vez – e o senador Aécio Neves, candidato derrotado como seu nome de maior destaque –, tem uma tarefa a cumprir: dar um passo à frente no jogo político, com a grandeza que o momento requer. O que ainda está devendo.
Bentinho perdeu sua vida ao ficar preso a um passado de desconfianças que, de resto, até hoje divide as opiniões. Há grandes projetos que impulsionam uma vida e moldam expectativas de futuro, algo que ganhou o belo nome de utopia. Há, entretanto, obsessões que paralisam pelo rancor e ressentimento. Bentinho, é bom lembrar, nunca mais foi feliz. Foi ele mesmo o criador e a vítima da síndrome que o consumiu.​

Origem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

REDAÇÃO DA REFAZENDA2010-BLOG: EDITORIAL! A SAGA

REDAÇÃO DA REFAZENDA2010-BLOG: EDITORIAL! A SAGA

Ao final do dia de domingo, no primeiro turno das Eleições, e no ápice, trancamos o blog, removemos todo conteúdo do buscador google. No ex-poderoso yahoo, hoje da ms, não deu! Achamos um canal no yahoo grupos e mandamos um link do preso político Carone, que perdeu por duas vezes o domínio do seu novojornal. Não conferimos o resultado!

Carone em 2008, um delegado e um promotor, cassaram o domínio .com.br . Na ABI achamos isso, mas 2008, gostou! Até 11, terça-feira estava alguma coisa em espanhol. Advogados para divórcio. Hoje, surpresos, encontramos isso: "This account has been suspended. Either the domain has been overused, or the reseller ran out of resources. " Carone teve até infarto nas masmorras aecianas mineiras! E pelo que pode deduzir, só ele tinha a senha... Teve outro preso político em Minas, NiltonMonteiro, da famosa lista de Furnas, ambos hoje e finalmente, em Liberdade!

Trancamos o blog, pois tinha uma corda!...

Numa manobra diversionista e lembrando de experiências passadas, fomos trabalhar com o Consumidor!

Não vi TV, não li a Velha e Podre mídia (Vpm), por nós mesmos, a imprensaa marrom. O outro, ou o editor dele, apesar de estar em primeiro lugar na nossa Tabela de Links! É hora de mudar algumas coisas alí [ao pé de http://rf10consumidorsabido.blogspot.com.br/ ]

Fomos surpreendidos pelo segundo turno em 26 de outubro de 2014!

Achávamos que seriam em novembro!

Um pequeno hiato, não obstante grátis, resolvemos a complicada questão do nosso patrimônio: a xpg.uol! Um redirecionamento de dois segundos resolveu a questão!

O Blog voltou correndo! Mandamos e-mail for all, no cabeçalho, colocamos endereço também dos Direitos Humanos, federal!

O nosso nome e endereço residencial, no topo do Oráculo, Tele Lista ou 102 Busca, na nossa Tabela, última coluna, quinta linha!

Já tínhamos fechado as janelas! Pela primeira vez, repito, pela primeira vez, ouvi trotar na rua. O porteiro confirmou! Três cavaleiros da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais!

Colocamos, duas placas de PC na janela. Aqui nas Montanhas podia acontecer tudo e de tudo! Endereço também na nossa Tabela.

Madrugada seguinte, a toda terceirizada cemig do rio-45, ou até mesmo eletricitários... Maldade nossa! Ouvi dizer dizer que pagam um real – R$1,00, a qualquer maluco subir em um poste a uma altura estimada de oito metros! Dois picos rápidos e intensos de energia! Pronto, lá se foi modem roteador, defeito intermitente! A rede a vizinha me emprestou. Ela tem bunker...

Brigamos com a net, que aprontou ontem (12/11/2014) novamente. São Paulo retornou, cliente de vinte anos, fez proposta melhor, prometeu algumas coisa por um mês, mas Recife não admitiu!

Parece que voltou após as eleições, por três vezes!...

Mas o que queríamos falar mesmo era de um artigo de Mauro Santayana do em sua excelente obra: Os pilares da estupidez,, postamos via Tijolaço aqui e rapidamente comentamos a um amigo e colega assim:

1 - Tibieza; 2 - Fascínio pela Mercadoria, quem? Marx, Lênin? 3 - Tem mais coisa, mas seria preconceito de minha parte...
Tenho visto coisas terríveis e absurdas, pela [faltou: cidade]! E não entre, nós, iguais, ou parecidos!

Corrijo agora: Fetichismo da mercadoria , de Marx.
A opção faz e fez o País crescer, mas falta de politização, e isso desde 1964, é uma desgraça! Mas tem uma Base e cara! Não vi o resultado nas duas Casas!

Passamos por sérios problemas de saúde em 2012, mas um outro, infinitamente menor, nos destemperou... A biologia é sábia, e ainda bem!

O blog volta agora, numa velocidade bem menor e tem mais um para cuidar!

No primeiro, comenta quem quiser, no segundo tem moderação, pois envolve responsabilidade! Quem quiser cadastrar e-mail, no Fale Conosco!

Mas o a VPm tem aprontado, que não a leio mais, não é possível, tanta alienação do Poder Central!

Em 13/11/2014,

O Editor.

Atualização, mas 2014, o presidente da ABI, em janeiro, na CMI se postou assim!


Em um prédio de BH

terça-feira, 4 de novembro de 2014

TILOLAÇO(FB): Ao derrotado, o trono da mídia

O rio45 desaparecerá em pouco tempo! Vai para um cidade da Holanda! Vamp45 ri e muito, mas por dentro! bhc, chique, morrerá em Paris! Do GA, picolé de Chuchu, não sei, tem tanto masoquista em sua terra!

O Editor!

TIJOLAÇO: Ao derrotado, o trono da mídia


4 de novembro de 2014 | 10:41 Autor: Fernando Brito
rei


Hoje, você vai assistir uma espetáculo “surreal”, como diz a garotada.
É a reentrada do senador Aécio Neves no Senado.
Será tratada pela mídia como a chegada do vencedor ao qual faltou apenas um pequeno detalhe: a vitória.
Aliás, o que carrega, mesmo, é a marca da derrota, porque não apenas perdeu a eleição atirando fora o favoritismo que o clima imposto pela mídia construiu, ao leva-lo de forma arrebatadora ao segundo turno, mas porque perdeu no Estado em que suas qualidades e capacidades eram mais conhecidas: Minas Gerais.

Saiba tudo aqui!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

TIJOLAÇO[FB]: Janot dá um “passa-fora” e recusa ação do PSDB por recontagem

Agora sim, que os reacionários que se explodam!
O Editor.

Janot dá um “passa-fora” e recusa ação do PSDB por recontagem

3 de novembro de 2014 | 20:33 Autor: Fernando Brito 
papagaio

Da Agência Brasil, agora há pouco:

O procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, enviou hoje ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer contrário ao pedido do PSDB para auditar o resultado das eleições presidenciais. Segundo o procurador, o  partido “visa promover gravíssimo procedimento de auditoria sem que exista qualquer elemento concreto que o justifique”.

Leia tudo aqui

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

domingo, 15 de abril de 2012

JT Palhares: Os filhos do demo

JT Palhares continua a saga do texto A Casa da Senadora Joana
 
Os filhos do demo




A política é como o show business: você tem uma estreia fantástica, desliza por algum tempo e termina num inferno.
Ronald Reagan
Voltando aos bons tempos da FACUPLAC (Faculdades Arranjadas Corruptos Unidos do Planalto Central), a nossa turma era ótima. Tinha o João Noves-Fora, um sortudo que ganhou doze vezes na loteria, brilhante mentor da “Comissão do Orçamento” que viria a ser o protótipo do Mensalão. Ah, e o Grande Marcos Careca, que desde pequeno já o era. Não esqueço uma frase, escrita na lousa pelo inquestionável Professor de Filosofia da Arte de Furtar, Dr. Jader Ranário — aquele, cuja mulher pegou treze milhões de reais emprestados do BNDES (e nunca pagou) para construir piscinas para suas pererecas —, mas, vamos à frase: Qualquer grana que possa ser conseguida de forma escusa é indigna de ser obtida por meio do trabalho.
Marcos Careca não se conteve:
— Que absurdo, aclamado mestre! — discordou a brilhante cabeça, pensando nos batedores de carteira, nos traficantes, nos muambeiros e trombadinhas que exerciam o arriscado e trabalhoso ofício de aliviar o bolso alheio do peso da carteira.
E as aulas de oratória? — aparteia-me a memória um ex-colega, discípulo do Padre Vieira, que vitimado por febre virtuosa entrou para a Ordem dos Franciscanos e morreu prestando serviços humanitários na África do Norte. Quanto desperdício! Diz a lenda que Demóstenes, o grande orador ateniense, para se obrigar a treinar um discurso enfurnava-se no subsolo de casa e raspava metade dos cabelos da cabeça. Disciplinado, Demóstenes só deixava o porão depois que os cabelos crescessem e/ou quando sua oratória estivesse perfeita. Contam que, um dia, inimigos levaram Demóstenes às barras do Conselho de Ética. Foi difícil encontrar um presidente para dirigir a sessão; cinco recusaram a relatoria. Depois de muito debate, a penosa tarefa foi entregue ao senador que estava mais próximo da morte compulsória.
A sessão foi histórica. Composto por quinze membros, dentre os quais treze estavam com a ficha mais suja na Justiça do que pau de galinheiro, Demóstenes safou-se com este paradoxo: "Provarei que sou inocente. Se eu estiver mentindo que sou inocente perante Vossas Excelências, modelos da falta de ética, então sou culpado e devo ser absolvido por falta de ética. Se eu estiver falando a verdade ao afirmar que sou culpado, então fui inocente ao me aliar ao bicheiro Cachoeira, porém, tendo em vista que o réu não pode ser condenado por ser inocente, então devo ser absolvido por excesso de ética. Em ambas as situações, se menti ou se falei a verdade, sou inocente da acusação de quebra de decoro, tanto quanto vós, que não fostes condenados para que não se esvaziasse o Conselho".
Demóstenes foi inocentado por unanimidade.
Adeamus ad montem fodere putas cum porribus nostrus. Ah, as aulas de latim, o tratamento respeitoso, como se estivéssemos no Senado Romano. Quanta cortesia entre os colegas: “Vossa Excelência é um excelentíssimo filho da puta!”. Ao que o nobre parlamentar replicava: “Dê lembranças à vossa mãe, quando vós a visitardes na zona do baixo meretrício”.
E as aulas de medicina legal: quanta ilegalidade praticávamos! Muito úteis para aprendermos a eliminar as pistas dos assassinatos que todo político está sujeito a cometer no curso do mandato.
Bismarck e as salsichas. As salsichas, como as leis, são feitas de todo tipo de carne, principalmente das menos nobres. Para conhecer de perto a elaboração das leis, ao final de cada semestre os alunos visitavam uma fábrica de salsichas, oportunidade imperdível para se conhecer o processo de transformação dos votos em normas legais, começando pelo anteprojeto, passando pelas comissões, conchavos, superfaturamentos de emendas parlamentares e favorecimentos quando se embutiam no corpo da lei os artigos encomendados por meia dúzia de interessados —, até que a lei saísse limpinha na boca do CAIXA. A parte mais excitante da manipulação de leis era a oficina da fábrica, quando aprendíamos a arte dos grampos telefônicos, quebra de sigilo bancário, formação de Caixa 2, plantação de laranjas, instalação de microcâmeras, além da aula-bônus: “Como fraudar o painel de votação do senado. Ao término da cátedra, o educando, de quebra, estava apto a inserir modificações no texto de uma lei, mesmo depois de encerrada a votação da matéria.
Por fim, a experiência real com a Massa Falida, prática forense estudada no último semestre do curso, na cátedra denominada “Como enganar a comissão de ética”. Matéria divertidíssima, quando dançávamos, literalmente, no plenário! Quem não se lembra da Ângela Guaxinim? Pois bem, a parte mais sofrida da cadeira consistia em meter a mão na massa, mas antes tínhamos que estudar bem a receita, pra depois encontrar o ponto ótimo para se assar a Massa Falida. Da visita participaram o Roberto K. Jeca, o Larga O’Meu Queiroz, o Dudu Azedo, o Menino Malufinho, o Deflúvio do Nariz Suado, o vampiro de Banco de Leite senador Horroriz, o Rei do Gado Renúncio Encalhado e o Zé Diz Que Deu, Diz Que Dá, Diz que Deus dará, e se Deus negá, como é que vai ficá, ô nega? — desculpem, acabei me empolgando com a música do Chico Buarque.
A empresa escolhida pela Comissão de Perguntas Imbecis foi uma pizzaria chamada “Congresso Nacional”. Com o Manual de Direito Comercial na mão, Roberto K. Jeca, o aluno mais curioso da turma, metido a barítono, com sua voz de cantor de cabaré perguntou ao dono do estabelecimento que compromisso acarretaria a pontualidade nos pagamentos e se a mesada seria paga antes ou depois das votações. O pizzaiolo ficou engasgado com tamanha afronta; emudecido, fez de conta que não tinha entendido que o aprendiz de mafioso estivesse a lhe exigir propina. "É a crise econômica", justificou-se Queiroz, batendo nos ombros do dono do estabelecimento.
Enquanto alguns procuravam desculpas esfarrapadas para a compra e venda de votos, o aluno Marcos Careca entrou sorrateiramente pelos fundos da pizzaria. Na cozinha do restaurante havia uma mesa enorme e suja. E em cima dela, um monte de massa de trigo espalhada, tomates podres, mussarela embolorada e uma mala das grandes, contendo milhares de notas de cem reais amassadas dentro de cuecas usadas, camisinhas usadas, pimentão, ovos gorados e cebolas vencidas: de tudo exalava um cheiro podre, de arder as narinas, mas ao redor não se via um mísero cozinheiro. O proprietário seria o único funcionário, a quem, depois de liquidados os créditos trabalhistas e tributários, nada restara, exceto as dívidas — concluíram os estudantes, anotando os cifrões, entusiasmados, em seus Moleskines.
Nisso, saindo do banheiro, entrou na cozinha o ajudante do mestre-cuca. Deflúvio do Nariz Suado, vendo que se tratava de um ex-colega de partido, chamou-o pelo nome. Os curiosos arregalaram os olhos, espantados:
— Meu Deus! Será o Jezuíno?
Jezuíno fora aluno da Facuplac, expulso recentemente por causa do furto de cuecas da Lavanderia de Dólares. Zé Diz Que Deu foi o primeiro a experimentar o sabor da massa fedida:
— O que é isso? Hum, parece bom — disse o caipira do interior de São Paulo, lambendo os beiços.
— Sai daí, Zé. Sai logo daí, isso vai dar merda! — aconselhou Roberto K. Jeca, apontando a falange direita para o colega, em tom de ameaça.
Zé Diz Que Deu, fazendo cara de deboche, manteve uma expressão de quem não estava nem aí para a rabiola, mas no fundo sabia muito bem do que RKJ estava falando.
— Se fosse comigo, eu não saía. Eu dou um boi pra não entrar numa briga, mas quando entro dou uma boiada pra não sair! — intrometeu-se o Renúncio Encalhado.
— Pois eu já tô de partida. Prefiro perder uma teta do que a vacada inteira — revelou o vampiro de banco de leite, vulgo Horroriz.
— Será que a massa está falida? — perguntou Deflúvio do Nariz Suado, com a testa suada também; lá dentro fazia um calor dos diabos.
— É claro! Ocê num tá vendo, sô? — detonou o Careca, metendo a mão na massa e atirando a merda no ventilador de teto. Foi uma gritaria geral. Notas de cem pratas voaram pra tudo quanto é lado. Todos tentaram fugir, mas o fedor era tanto que emporcalhou a alma dos nobres aprendizes de pilantras até a terceira geração.
Dudu Azedo, um dos mais sensíveis, chegou a vomitar, dizendo ter sido enganado pelo Valfrido, enquanto o Marcos Careca rolava de rir pelo malfeito. Horroriz, fazendo cara de espantalho, gargalhava à tripa forra, e, usando luvas, esfregava a merda na cara do Encalhado:
— Você não quer ser Presidente do Senado? Então! Há que meter a mão na massa, nobre colega!
Larga O’Meu Queiroz quase teve um troço, chorava, limpava o terno com um lenço que tirou do bolso, enquanto se perguntava como ia explicar pra mamãe quando chegasse em casa com a roupa tão suja e fedorenta. Deflúvio foi mais esperto, e quando a coisa explodiu no ventilador ele já estava debaixo da mesa, escondendo os rastros dos "recursos não contabilizados". Zé Diz que Deu tentou sair de mansinho pela porta dos fundos, mas foi seguido por Roberto K. Jeca, que o acompanhou, propondo-lhe uma divisão da grana meio-a-meio. Do lado de fora, os dois quase chegaram às vias de fato, por causa de um pirulito comprado com o dinheiro que roubaram da Casa de Massas. A coisa foi tão feia que os dois viriam a ser expulsos da Faculdade.
— Não se assustem, colegas, essa massa não é de nada! Experimentem, por fora ela é fedorenta, mas por dentro é saborosa — discursava o Menino Malufinho em cima da mesa, tirando a gosma que lhe escorria pelo nariz adunco com um punhado de notas de cem reais como se fosse papel higiênico, que depois ele alegremente ajuntava dentro de uma sacola de supermercado. Malufinho lambia a merda como se fosse calda de chocolate, dizendo: — Vou levar um pouco para o beu filho!
O Menino Malufinho estava certo, o acontecido não representaria nada de grave em seu currículo. Tudo não passara de uma brincadeira de criança, ninguém pagou um centavo pelos prejuízos. E, quando perguntado sobre os milhões que escondeu debaixo do colchão, ele respondia: “Eu não roubei. Mas quem encontrar o dinheiro pode ficar com ele.”
O dinheiro da Pizzaria Congresso Nacional nunca foi recuperado. E ao final do dia, bastou um bom banho, com abundância de sabonete antiético, para que todos saíssem da Casa com as Mãos Limpas, prontos para outras estripulias.

Moral: no Direito, ao contrário do jogo do bicho, nem sempre vale o que está escrito

Trilha Sonora: Highway to Hell - ACDC

Nota: esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, de carne e osso, são meras assombrações que povoam a mente do autor.

JT Palhares em 15/04/2012

NR: Comente pelo gmail no próprio post ou aqui.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

JT Palhares: A casa da Senadora Joana


JT Palhares, escritor, colabora com o blog.(mais JT Palhares: 1 e 2)

A casa da Senadora Joana


Se você agir sempre com dignidade, talvez não consiga mudar o mundo, mas será um canalha a menos.
John F. Kennedy



O primeiro decoreba a gente nunca esquece. Alguns marcaram tanto a humanidade que parecem ter sido cunhados sob medida para os corações puros dos neófitos, como este: Jurisdição é o poder que tem o Estado de dizer o direito. Parece bobagem, mas rios e rios de sangue foram derramados até que o homem chegasse a conceito tão arrebatador.
Para que os súditos conquistassem o direito de ir e vir, e de retornar à Casa da Mãe Joana, muito cuspe foi lançado das tribunas populares. Milhares de cabeças rolaram em nome do direito sagrado de falar quando nos for conveniente, ou de permanecermos em silêncio para não ter que contar mentiras deslavadas perante a Comissão de Perguntas Imbecis da Câmara (CPI).
Para sorte dos formandos da FACUPLAC — Faculdades Arranjadas Corruptos Unidos do Planalto Central —, a Teoria Geral do Processo Culinário foi condensada em uma receita de pizza. Até hoje a massa é a mesma, só varia o recheio, Zé Sarnento que o diga.
Sou bacharel em direito, turma de 2003, mas nunca exerci a advocacia. Não tenho saco para bajular juiz. Indicado por um amigo, ingressei no quadro de funcionários fantasmas do Legislativo Federal.
Atualmente, presto serviço para quatro senadores, eleitos por estados diferentes. Opero nos bastidores, no mais absoluto sigilo. Para minha mulher e filhos digo que sou agente imobiliário com negócios em Brasília. Mas não é por que trabalho para a Casa do Espanto que me movo como um fantasma, e sim por causa do serviço espúrio que sou obrigado a fazer, e também pelo fato de ter sido nomeado por ato inexistente. Melhor ser um morto-vivo do que morrer assassinado! No mais, não tenho do que me queixar; com os R$ 52 mil que recebo por mês dá pra garantir o leite das crianças.
Duas vezes por mês venho a Brasília para receber meu pagamento, sempre em dinheiro vivo. Na última vez que estive no Planalto Central, testemunhei uma cena lamentável. O fato aconteceu na Casa da Senadora Joana, boate servida pelas garotas mais lindas do cerrado, estabelecimento requintado, onde bebe-se do melhor champagne, come-se as melhores carnes do mercado e joga-se a valer o dinheiro do contribuinte.
Eu estava em um canto escuro, negociando verbas públicas com uma francesa no colo, avião indomável que eu tentava comprar sem licitação. Vocês sabem como são as mulheres, sempre relutam em transferir tecnologia, a não ser em troca de vantagens monetárias. Não sei como a coisa começou; já havia tomado meia garrafa de uísque paga pelo Erário. Em meio à discussão sobre comissão de obra superfaturada, ouviu-se um revirar de mesas, barulho de copos quebrados, mulheres correndo e gritando, e o Senador Demole Torres, conhecido como Filho do Demo, sacou de uma pistola Glock e disparou cinco tiros; um deles acertou o braço do Bicheiro Cachoeira.
Não foi difícil abafar o busílis, a segurança da Casa da Senadora Joana é feita pela Polícia Legislativa, portanto não haveria necessidade de processo, perícia, queixa crime, nada dessas bobagens que tiram o sono das pessoas comuns. Mas, como diria o Zé Sarnento, um senador da república não é uma pessoa normal, de modos que utilizamos o helicóptero do Corpo de Bombeiros para remover o mais rápido possível o Bicheiro Cachoeira para uma clínica particular.
Eram quase seis da matina quando cheguei ao apartamento funcional, crente que tudo tivesse sido resolvido.
Uma semana depois, num domingo, eu já estava em minha residência, a mil e duzentos quilômetros de distância da Capital Federal, quando a “manchete” que nós do submundo de Brasília já conhecíamos desde os tempos em que Oscar Niemayer fumava cigarro com piteira foi trombeteada no Programa “Fantástico”: Torres atuava como satélite do Capitão Cachoeira no Senado, intermediando alterações em projetos de Lei, repassando informações privilegiadas, antecipando-se a operações da Polícia por meio de uma rede de espiões; intercedendo em nome do amigo bicheiro junto aos Tribunais Superiores; usando do prestígio de Senador da República em prol das atividades criminosas do “Senador Cachoeira”.
Segundo a Revista ISPIA SÓ!, o Senador Torres teria recebido US$ 2 milhões em subornos provenientes de esquema de jogo ilegal montado por Cachoeira, além de possuir linha exclusiva para falar com o bicheiro (um telefone Nextel com criptografia de voz para escapar dos grampos da Polícia Federal). Torres, o demolidor da corrupção, algoz do Partido dos Trabalhadores, foi pego pela operação Monte Carlo, falando pelos cotovelos. Caiu como um prédio em ruínas.
No meu tempo de estudante, isso jamais aconteceria: um senador nunca passaria a perna no colega. Seguíamos à risca a ética do Mercado da Corrupção: você protege seu contratante da Iniciativa Privada e ele te protege dentro da Administração Pública; evite aparecer; melhor um contratinho aqui, outro ali, do que chamar a atenção e ser engolido por um tubarão.
Até hoje, faço questão de ensinar isso aos meus filhos…
Nota: esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, de carne e osso, são meras assombrações que povoam a mente do autor.

JT PALHARES em 11/04/2012