Premonição em 12 de janeiro de 2012!
Acertará???!!!!
JT Palhares é um antigo articulista da REFAZENDA2010. Está voltando agora com o seu brilhantismo habitual!
A MALDIÇÃO DE AÉCIO
A
presidência caiu no colo de Tancredo por obra e graça dos militares,
como efeito retardado da segunda bomba que não explodiu no Rio
Centro. Devido ao seu perfil conciliador, Tancredo era o político ideal
para que os milicos garantissem o controle da situação, durante a
transição de uma Ditadura Envergonhada para uma Ditadura Consentida.
Conciliação era a palavra chave. A mesma conciliação que garantiria a
impunidade dos militares brasileiros, os únicos da América Latina a
serem anistiados pelo Supremo Tribunal Federal por crimes
imprescritíveis contra a Humanidade. Consenso é o pavor do que não se
expressa, já dizia Derrida.
Essa
conversa de conciliação, aliada ao papo de ser a presidência um destino
e não uma escolha, marcou o espírito de Aécio como uma martelada na
cabeça.
Naquele
momento crucial, "DIRETAS JÁ!", passeatas, comícios com a presença de
grandes cantores da MPB, Tancredo representou de forma excepcional o
papel de Lavador de Almas, “o escolhido", o homem disposto a subir no
cadafalso do Colégio Eleitoral em prol do povo brasileiro.
A
emoção estava no ar, vinte e quatro horas. Os especialistas em
manipular massas sabem que a emoção é uma droga, que se bem administrada
alastra-se como vício, gerando no usuário o desejo de reviver os
momentos trágicos ou mágicos, a depender do desfecho da picada. De uma
forma ou de outra, a âncora da emoção sempre deixa sua marca irrevogável
na mente do cliente.
O
desfecho da transição democrática vocês já conhecem: trinta e oito dias
de agonia, tudo filmado e refilmado à exaustão, Tancredo sendo exibido
como um boneco sem fala pelos médicos do Hospital de Base de Brasília em
foto tirada no dia 25 de março de 1985, até a comoção causada pelo
anúncio da morte e o sepultamento do corpo do Presidente em São João Del
Rey.
A
morte do avô carimbou profundamente o destino político de Aécio, que
passou a se enxergar sempre pela ótica de Tancredo: "o melhor presidente
que o Brasil nunca teve”. Desde então, Aécio está condenado a repetir o
destino manifesto de Tancredo: continuar sendo o que sempre foi sem
nunca chegar a ser o que poderia ter sido. Confuso, não?
Nem tanto, foi mais ou menos essa a resposta que Aécio deu ao jornalista Josias de Souza: “tenho
dificuldade de entender as surpresas ou frustrações que alguém possa
ter com o fato de eu continuar sendo o que sempre fui e fazer o que
sempre fiz na minha vida pública”.
Ou
seja, Aécio quer continuar fazendo o que sempre fez: (insira aqui a
palavra que exprime a relevância de Aécio para a renovação política
brasileira).
Basta
que Aécio mantenha o seu nome nas bocas, frequente as passarelas, fuja
do debate, não entre em polêmicas, e no momento propício, ao contrário
da onda que se quebra na areia, Aécio continuará sendo de novo do jeito
que sempre foi um dia. Ficou mais confuso? Paciência, a História dá
voltas em espiral, o mesmo aconteceu com Tancredo, político dotado de
uma habilidade incrível para se colocar sempre no lugar certo nas horas
mais incertas.
Repetindo,
pra frisar bem, Aécio não se livrou da maldição do avô, maldição que
consiste em ser o que se é sem nunca chegar a ser o que poderá ter
sido. Daí a importância da morte. Aliada secreta, a morte com sua foice é
o ponto de irrigação política do nome de Aécio, figura responsável por
manter acesa a chama de uma candidatura à presidência cada vez mais
distante.
Dia desses o Jornal Estado de Minas soltou uma nota falando que Aécio poderá se candidatar ao Governo de Minas em 2014.
Já
dizia Lulu Santos, “não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo”. Pois
então, Aécio, para se encontrar com seu destino, viabilizando-se como
candidato a Presidente, depende da morte de terceiros. Não apenas da
morte biológica, mas também da morte de modelos, do esgotamento de
alianças. Por isso Aécio está sempre se movendo nos bastidores, buscando
cooptar aliados entre os apoiadores do Governo atual, preservando de
críticas os ministros mais incompetentes, de olho nas rebarbas
políticas. Quando as portas da História se abrirem para ele, Aécio não
terá pudores em se aliar às mesmas forças fisiológicas que sustentaram o
Governo do PT desde a ascensão de Lula. Desde que seja para o bem do
povo, Aécio não se importaria de ser eleito Presidente sem romper com as
forças políticas mais retrógradas.
Mas,
para que o plano secreto de Aécio dê certo, é preciso que algo de
extraordinário aconteça. Em se tratando de possíveis candidatos a uma
morte extraordinária, esse defunto não precisa necessariamente ser o do
José Serra, pode ser a morte simbólica de um modelo de governo, de um
projeto político, ou até mesmo o passamento de um líder popular, fazendo
por linhas tortas com que a bola da Presidência caia no peito de Aécio.
Quando
esse fato extraordinário acontecer, e Aécio tiver a chance de tornar-se
Presidente do Brasil por força do acaso, como deu-se com Tancredo, a
maldição legada ao neto pelo avô terá chegado ao Fim.
Pena
que quando esse dia chegar, Aécio estará com 76 anos. E no dia anterior
à sua posse como Presidente da República, Aécio inventará de comemorar a
vitória surfando em uma praia escondida da Austrália, e ele,
relembrando os tempos em que surfava no Rio, arriscará uma manobra
arrojada, perderá o controle da prancha e baterá com a cabeça numa
pedra, vindo a morrer na praia como sempre sonhou.
JT Palhares
Atualizado em 05/10/2014