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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Nassif: O jeito Neves de controlar a mídia em Minas Gerais

Esperemos que tenha acabado. Nas Montanhas acabou, não, ainda não! Mas o jornaleco acabará!

Nassif: O jeito Neves de controlar a mídia em Minas Gerais

qua, 17/12/2014 - 19:59

Por Andrea C. Branco

Editor de Cultura do jornal Estado de Minas censurado


Caro Nassif,

sou diretora do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e hoje a censura sem limites da Dinastia Neves fez mais uma vítima entre nós. O editor de Cultura do Estado de Minas, João Paulo Cunha, foi censurado e pediu demissão depois de ser informado que não poderia escrever mais sobre política. Sua coluna no último sábado foi brilhante e demolidora, mas ele ousou cobrar responsabilidade do senador Aécio Neves nas páginas do jornal, o que motivou a reprimenda da direção do jornal. Além de jornalista, João Paulo Cunha é um dos grandes intelectuais mineiros e tem feito uma crítica muito contundente do processo político.

Abaixo encaminho a nota do Sindicato dos Jornalistas e o brilhante texto que motivou sua saída dos Diários Associados.

NOTA DO SINDICATO DOS JORNALISTAS
 

O Sindicato dos Jornalistas lamenta a saída de João Paulo Cunha do comando da editoria de Cultura do Estado de Minas, mais uma vítima da censura que impera nos grandes meios de comunicação e grassa em Minas Gerais. Reconhecido como um dos mais brilhantes jornalistas e intelectuais mineiros, dono de uma vasta cultura e de um texto brilhante, João Paulo pediu demissão hoje a tarde.

A decisão foi tomada depois da comunicação por parte da direção do jornal de que não poderia mais escrever sobre política na coluna que assinava semanalmente no caderno Pensar. Seu último texto foi publicado no dia 6. Batizado de "Síndrome de Capitu", criticava a falta de uma oposição responsável no Brasil. "Há grandes projetos que impulsionam uma vida e moldam expectativas de futuro, algo que ganhou o belo nome de utopia", diz um trecho do texto. E foi em nome dessa utopia que ele não aceitou essa imposição. Uma salva ao João!








Síndrome de Capitu

O Brasil já tem presidente para os próximos quatro anos, o que está faltando é oposição responsável

 
João Paulo Cunha

Existem duas verdades aparentemente óbvias que, no entanto, não têm ficado suficientemente claras para muita gente: o país mudou e a eleição já acabou. A insistência em dar continuidade ao processo que elegeu Dilma Rousseff poderia ser apenas um luto mal vivido, mas tende a se tornar perversa no campo político. Por outro lado, a recusa em enxergar a nova configuração da sociedade, resultado de seguidas políticas de distribuição de renda e inclusão social, pode gerar um impulso no mínimo grotesco em suas alusões reativas e chamamentos à ditadura.

É preciso ir adiante. A oposição, certamente, saiu fortalecida do resultado eleitoral bastante parelho. Mas corre o risco de jogar fora esse crescimento quantitativo em nome de um comportamento pouco produtivo em termos políticos. Em vez de jogar com seu eleitor fiel, interpreta os votos de acordo com suas conveniências e joga para a plateia pelos meios de comunicação, sem perceber que essa falácia já mostrou ser um paradoxo invencível: tem mais brilho que consistência, mais efeito que substância, mais eco que voz.

A oposição de hoje parece viver, no campo da política, o que Bento Santiago, o Bentinho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, viveu em seus tormentos de alma: se perde na fantasia da traição (mesmo que ela tenha sido real). Para lembrar sumariamente o enredo do romance, Bentinho se apaixona por Capitu, desde logo apresentada como portadora de “olhos de ressaca”. São jovens de classes sociais distintas. Um arranjo permite o casamento. Logo Bentinho, já pai e bem posto na vida como advogado, desconfia que está sendo traído pela mulher com o melhor amigo, em quem vê semelhança com o filho. O casal se separa, o filho morre e Bento, sozinho, leva adiante sua sina de ser casmurro e sofrer com a desconfiança até o fim da vida.

Machado de Assis, como sempre, ao falar de seus personagens, está figurando a sociedade de seu tempo. Bentinho não sofre só pela traição, mas porque não entende que o mundo mudou. Não pode aceitar que a sociedade republicana deixou para trás as amarras elitistas do Segundo Reinado e da escravidão. Bento não reconhece a mulher, a sociedade, a história. Não pode aceitar que ela tenha uma vida independente e autônoma. Tudo que ele não compreende o ameaça. Capitu não é apenas a mulher, mas tudo que perdeu em seu mundo de referências que se esvaem. Mais que sexual, a traição é histórica. Homem de outro tempo, só resta a ele tentar convencer ao leitor e a si próprio de seu destino de vítima. E soprar um melancólico saudosismo acerca dos tempos idos, que busca reconstruir em sua casa feita à semelhança do lar da meninice.

O Brasil tem uma recorrente síndrome de Capitu: tudo que a elite não tolera se torna, por meio de um discurso marcado pela força jurídica e da tradição, algo que deve ser rejeitado. Eternos maridos traídos. A tendência de empurrar a política para os tribunais é uma consequência
desse descaminho. Assim, tudo que de alguma forma aponta para a mudança e ampliação de direitos é considerado ilegítimo e, em alguns momentos, quase uma afronta que precisa ser questionada e combatida. Foi assim com a visibilidade dada aos novos consumidores populares (que foram criminalizados em rolezinhos ou objeto de ironia em aeroportos), com as cotas raciais para a universidade, com a chegada de médicos estrangeiros para ocupar postos que os brasileiros, psicanaliticamente, denegaram.

O romance de Machado de Assis tem ainda outro personagem curioso para a sociologia e psicologia do brasileiro, o agregado José Dias. Trata-se de um homem que vive às expensas da família de Bento e que, por isso, não cessa de elogiar quem o acolhe. Típico representante de certa classe média, ele é o bastião dos valores da burguesia da época, da qual só participa de esguelha. Mais burguês que os burgueses, em sua subserviência, ele gasta os superlativos e a vida a invejar e defender os “de cima”, com pânico de ser confundido com os “de baixo”. Epígonos de José Dias, hoje, são os que amam Miami, levam os filhos para ver o Pateta e participam de passeatas pedindo a volta dos militares.

Leviandade

Mas o que a síndrome de Capitu tem a ver com a política brasileira de hoje? Em primeiro lugar, ela explica por que, em vez de armar uma oposição de verdade, os partidos derrotados tentam inviabilizar a sequência do processo democrático. Em segundo lugar, pela defesa da dupla moral, que desculpa os erros do passado por causa da dimensão dos desvios de hoje, numa reedição do estilo udenista e despolitizador de analisar a conjuntura. Tudo que pode de alguma forma macular a oposição é considerado “sórdido” e “leviano”, numa substituição da política pela moral de circunstância. A corrupção, com sua espantosa abrangência, precisa ser combatida em toda sua dimensão e arco histórico. Nenhum culpado pode ficar de fora, de empresários a políticos de todos os partidos.

Por fim, a personagem machadiana ajuda a explicar a fixação em torno de determinados temas – no romance, é a traição, na vida política atual, é a inflação –, que são muito mais derivações que propriamente o que de fato interessa. A escolha dos ministros da área econômica mostrou como mesmo um governo popular e eleito democraticamente confirma as intuições de Machado de Assis. A excessiva submissão aos interesses rentistas pode ser um recuo estratégico. Mas é um recuo. Uma capitulação.

Economia não é uma ciência exata e, muito menos, isenta de componente ideológico. Um governo de esquerda precisa de uma política econômica de esquerda. Além do equilíbrio macroeconômico, o mais importante é apontar as estratégias de distribuição de renda e de investimento na área social. O deus Mercado não pode falar mais alto que os filhos de Deus. No complexo tecido que sustenta a governança, a presença das forças populares não pode ser colocada em segundo plano, como vem sendo até agora. A excessiva sujeição ao cálculo do apoio político está na base da grande corrupção que hoje enoja a todos. Por isso a reforma política popular se tornou a agenda prioritária da sociedade.

A oposição, por sua vez – e o senador Aécio Neves, candidato derrotado como seu nome de maior destaque –, tem uma tarefa a cumprir: dar um passo à frente no jogo político, com a grandeza que o momento requer. O que ainda está devendo.
Bentinho perdeu sua vida ao ficar preso a um passado de desconfianças que, de resto, até hoje divide as opiniões. Há grandes projetos que impulsionam uma vida e moldam expectativas de futuro, algo que ganhou o belo nome de utopia. Há, entretanto, obsessões que paralisam pelo rancor e ressentimento. Bentinho, é bom lembrar, nunca mais foi feliz. Foi ele mesmo o criador e a vítima da síndrome que o consumiu.​

Origem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

REDAÇÃO DA REFAZENDA2010-BLOG: EDITORIAL! A SAGA

REDAÇÃO DA REFAZENDA2010-BLOG: EDITORIAL! A SAGA

Ao final do dia de domingo, no primeiro turno das Eleições, e no ápice, trancamos o blog, removemos todo conteúdo do buscador google. No ex-poderoso yahoo, hoje da ms, não deu! Achamos um canal no yahoo grupos e mandamos um link do preso político Carone, que perdeu por duas vezes o domínio do seu novojornal. Não conferimos o resultado!

Carone em 2008, um delegado e um promotor, cassaram o domínio .com.br . Na ABI achamos isso, mas 2008, gostou! Até 11, terça-feira estava alguma coisa em espanhol. Advogados para divórcio. Hoje, surpresos, encontramos isso: "This account has been suspended. Either the domain has been overused, or the reseller ran out of resources. " Carone teve até infarto nas masmorras aecianas mineiras! E pelo que pode deduzir, só ele tinha a senha... Teve outro preso político em Minas, NiltonMonteiro, da famosa lista de Furnas, ambos hoje e finalmente, em Liberdade!

Trancamos o blog, pois tinha uma corda!...

Numa manobra diversionista e lembrando de experiências passadas, fomos trabalhar com o Consumidor!

Não vi TV, não li a Velha e Podre mídia (Vpm), por nós mesmos, a imprensaa marrom. O outro, ou o editor dele, apesar de estar em primeiro lugar na nossa Tabela de Links! É hora de mudar algumas coisas alí [ao pé de http://rf10consumidorsabido.blogspot.com.br/ ]

Fomos surpreendidos pelo segundo turno em 26 de outubro de 2014!

Achávamos que seriam em novembro!

Um pequeno hiato, não obstante grátis, resolvemos a complicada questão do nosso patrimônio: a xpg.uol! Um redirecionamento de dois segundos resolveu a questão!

O Blog voltou correndo! Mandamos e-mail for all, no cabeçalho, colocamos endereço também dos Direitos Humanos, federal!

O nosso nome e endereço residencial, no topo do Oráculo, Tele Lista ou 102 Busca, na nossa Tabela, última coluna, quinta linha!

Já tínhamos fechado as janelas! Pela primeira vez, repito, pela primeira vez, ouvi trotar na rua. O porteiro confirmou! Três cavaleiros da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais!

Colocamos, duas placas de PC na janela. Aqui nas Montanhas podia acontecer tudo e de tudo! Endereço também na nossa Tabela.

Madrugada seguinte, a toda terceirizada cemig do rio-45, ou até mesmo eletricitários... Maldade nossa! Ouvi dizer dizer que pagam um real – R$1,00, a qualquer maluco subir em um poste a uma altura estimada de oito metros! Dois picos rápidos e intensos de energia! Pronto, lá se foi modem roteador, defeito intermitente! A rede a vizinha me emprestou. Ela tem bunker...

Brigamos com a net, que aprontou ontem (12/11/2014) novamente. São Paulo retornou, cliente de vinte anos, fez proposta melhor, prometeu algumas coisa por um mês, mas Recife não admitiu!

Parece que voltou após as eleições, por três vezes!...

Mas o que queríamos falar mesmo era de um artigo de Mauro Santayana do em sua excelente obra: Os pilares da estupidez,, postamos via Tijolaço aqui e rapidamente comentamos a um amigo e colega assim:

1 - Tibieza; 2 - Fascínio pela Mercadoria, quem? Marx, Lênin? 3 - Tem mais coisa, mas seria preconceito de minha parte...
Tenho visto coisas terríveis e absurdas, pela [faltou: cidade]! E não entre, nós, iguais, ou parecidos!

Corrijo agora: Fetichismo da mercadoria , de Marx.
A opção faz e fez o País crescer, mas falta de politização, e isso desde 1964, é uma desgraça! Mas tem uma Base e cara! Não vi o resultado nas duas Casas!

Passamos por sérios problemas de saúde em 2012, mas um outro, infinitamente menor, nos destemperou... A biologia é sábia, e ainda bem!

O blog volta agora, numa velocidade bem menor e tem mais um para cuidar!

No primeiro, comenta quem quiser, no segundo tem moderação, pois envolve responsabilidade! Quem quiser cadastrar e-mail, no Fale Conosco!

Mas o a VPm tem aprontado, que não a leio mais, não é possível, tanta alienação do Poder Central!

Em 13/11/2014,

O Editor.

Atualização, mas 2014, o presidente da ABI, em janeiro, na CMI se postou assim!


Em um prédio de BH

terça-feira, 4 de novembro de 2014

TILOLAÇO(FB): Ao derrotado, o trono da mídia

O rio45 desaparecerá em pouco tempo! Vai para um cidade da Holanda! Vamp45 ri e muito, mas por dentro! bhc, chique, morrerá em Paris! Do GA, picolé de Chuchu, não sei, tem tanto masoquista em sua terra!

O Editor!

TIJOLAÇO: Ao derrotado, o trono da mídia


4 de novembro de 2014 | 10:41 Autor: Fernando Brito
rei


Hoje, você vai assistir uma espetáculo “surreal”, como diz a garotada.
É a reentrada do senador Aécio Neves no Senado.
Será tratada pela mídia como a chegada do vencedor ao qual faltou apenas um pequeno detalhe: a vitória.
Aliás, o que carrega, mesmo, é a marca da derrota, porque não apenas perdeu a eleição atirando fora o favoritismo que o clima imposto pela mídia construiu, ao leva-lo de forma arrebatadora ao segundo turno, mas porque perdeu no Estado em que suas qualidades e capacidades eram mais conhecidas: Minas Gerais.

Saiba tudo aqui!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Artigo: JT Palhares: Sete Narizes

Sete narizes

 nariz

   Algo cheirava mal no Reino de Araque. Após disputa entre o Príncipe e os cidadãos por questões de planejamento urbano, diante da falta de transparência visando acobertar o tráfico de informações privilegiadas na compra e venda de lotes na Colina da Gola Verde, extensa área de terra desapropriada para construção do novo Palácio da Administração, o escultor, poeta e filósofo R.B. Furtado espalhou moldes de seu próprio nariz pelos muros e paredes da cidade. Aquele que encontrasse os sete narizes, reza a lenda, seria agraciado com riqueza financeira. Eu os encontrei, mas isso seria a minha ruína. 


Naquele tempo de abutres atropelados por aeronave fantasma, ovelhas azuis lambiam as últimas gotas barrentas da Cantareira, enquanto Pinto, o pequeno, atolado em dívidas, ciscava no terreiro da fazenda em busca de grana.

Ainda era de madrugada, quando Al Arak, furioso por ter sido acordado uma hora antes do meio-dia, emitiu correio telegráfico: “Demita os faxineiros, crie mais cinco mil cargos e dobre o salário dos comissionados”.

E assim foi feito. Talvez por desejo de imitar Calígula, dizem, nessa mesma época o Príncipe dos Nababos nomeou um jegue para a Superintendência de Pesos e Tarefas. Ninguém entendia nada do que ele falava, mas o quadrúpede recebia 35 mil pratas por mês para abrir e fechar palestras.

A título de esclarecimento, cinco anos antes do tempo em que escrevo, o Príncipe de Araque, preocupado com a situação falimentar do Reino, mandara erguer um novo Palácio de dois bilhões de dracmas sem consultar o povo ignorante, que decerto preferiria desperdiçar o dinheiro dos tributos em saúde e educação — problemas habilmente contornados pelo governante quintuplicando-se os gastos com publicidade, obtendo assim o mágico resultado de fazer com que os súditos habitassem o mundo feliz da propaganda.

Pagar em dia os juros da dívida, zerar o déficit que não parava de crescer — isso é obrigação de todo governante, basta torturar os números que o superávit logo aparece.

Preciso fazer com que os jornais publiquem somente o que me favoreça — decidiu-se Arak.



Ninguém melhor para executar engenhosa tarefa, senão Kassandra, a Mandachuva da Imprensa. A feiosa não perdeu tempo: paparicou com generosas verbas os jornais amigos, e mandou prender, empastelar, amordaçar e arrebentar a mídia oposicionista, bloqueando acesso aos sítios pagãos onde os desafetos se reuniam para entoar cânticos contra o governo do irmão.

Aproximava-se o dia da eleição do homem mais bonito do Reino. Oportunidade única para desmascarar o tirano, sempre ocupado com a aparência. Durante uma festa pantagruélica, auxiliado por um garçom amigo, infiltrei-me no Castelo de Taras. Durante a madrugada, escondi-me no quarto do soberano.

Por volta de treze horas o príncipe deixou o banho e entrou no quarto. Havia ali um grande espelho. Agradava-lhe a imagem refletida: olhos negros, cabelos castanhos e revoltos, a pele rejuvenescida por aplicações de botox, no rosto nenhuma ruga de preocupação.

— Espelho cristalino, diga-me, o que devo fazer para derrotar aquelas duas feiosas? — perguntou para si mesmo, referindo-se às adversárias, Bulgra Karloff e Lagartixa Verde, cada uma com seus poderes e feitiçarias: a primeira, dona de varinha mágica, capaz de mover montanhas de grana; a outra, lagartixa da floresta, quando confrontada exalava uma cortina de fumaça verde, inebriando ateus e crentes.

Espremido entre roupas e caixas de sapato, eu não possuía visão completa do aposento. Estando de cócoras, levantei-me com cautela, afastando um pouco a cortina, e só então pude reparar melhor: o príncipe estava sem o nariz!

Abaixo dos olhos, no ponto da face onde se dividia o septo nasal, dois buracos esbranquiçados, e nada de nariz! Incrédulo, continuei atento. Nem se eu quisesse conseguiria fechar meus olhos para o fato: o príncipe Al Arak era um ser biônico.

Se vocês estão lendo este relato é porque estou morto ou apodrecendo nas masmorras do Castelo. Como jornalista, de que me valeria descobrir que o Rei está nu se eu não pudesse contar para ninguém? O que vou lhes revelar é segredo de Estado: todas as noites, ao retornar da balada, o Príncipe tirava o nariz antes de ir para a cama.

Ao contrário de Kovaliov, cidadão russo que perdera o nariz nas ruas de São Petersburgo, Arak não entrou em desespero. O extraordinário, no entanto, ainda estava por acontecer.

Foi então que eu vi, com os olhos quase saltando das órbitas, o momento em que o Príncipe acionou um mecanismo por detrás do espelho. Ouviu-se um estalido. A superfície do espelho deslizou para a direita, revelando uma coleção de narizes, um para cada dia da semana!

— Que dia é hoje? Oh, mas que cabeça, ontem eu fui ao baile de Máscaras na Casa da Turca…

Sanada a dúvida mundana, o Príncipe extraiu o objeto adiposo do cabide onde se lia “quarta-feira”. Examinou o nariz, removendo uma película protetora. Olhos fixos no espelho, com dois movimentos precisos, direita, esquerda, Al Arak encaixou a cartilagem artificial no centro da face. Depois, com a boca fechada, aspirou profundamente o ar pelas narinas, soltando do mesmo modo, e com toda força, o ar nos pulmões acumulado. O nariz funcionava perfeitamente.

— Espelho cristalino, responda-me uma pergunta somente: se sou o mais belo e inteligente, por que lhe parece impossível que eu seja eleito presidente?

Ato contínuo, como se estivesse a ensaiar discurso para a campanha do homem mais bonito do reino, Al Arak treinou sua retórica, enchendo o recinto com dúzias de clichês políticos…

Nota: esta é uma obra de ficção, a semelhança com o nariz de qualquer pessoa de carne e osso é mera coincidência.

JT Palhares em 12/09/2014, enviado nesta data.

Do mesmo autor: A MALDIÇÃO DE AÉCIO 

Premonição em 12 de janeiro de 2012!

Acertará???!!!! 

JT Palhares é um antigo articulista da REFAZENDA2010. Está voltando agora com o seu brilhantismo habitual!


A MALDIÇÃO DE AÉCIO

A presidência caiu no colo de Tancredo por obra e graça dos militares, como efeito retardado da segunda bomba que não explodiu no Rio Centro. Devido ao seu perfil conciliador, Tancredo era o político ideal para que os milicos garantissem o controle da situação, durante a transição de uma Ditadura Envergonhada para uma Ditadura Consentida. Conciliação era a palavra chave. A mesma conciliação que garantiria a impunidade dos militares brasileiros, os únicos da América Latina a serem anistiados pelo Supremo Tribunal Federal por crimes imprescritíveis contra a Humanidade. Consenso é o pavor do que não se expressa, já dizia Derrida.

Essa conversa de conciliação, aliada ao papo de ser a presidência um destino e não uma escolha, marcou o espírito de Aécio como uma martelada na cabeça. 
Naquele momento crucial, "DIRETAS JÁ!", passeatas, comícios com a presença de grandes cantores da MPB, Tancredo representou de forma excepcional o papel de Lavador de Almas, “o escolhido", o homem disposto a subir no cadafalso do Colégio Eleitoral em prol do povo brasileiro.

A emoção estava no ar, vinte e quatro horas. Os especialistas em manipular massas sabem que a emoção é uma droga, que se bem administrada alastra-se como vício, gerando no usuário o desejo de reviver os momentos trágicos ou mágicos, a depender do desfecho da picada. De uma forma ou de outra, a âncora da emoção sempre deixa sua marca irrevogável na mente do cliente.

O desfecho da transição democrática vocês já conhecem: trinta e oito dias de agonia, tudo filmado e refilmado à exaustão, Tancredo sendo exibido como um boneco sem fala pelos médicos do Hospital de Base de Brasília em foto tirada no dia 25 de março de 1985, até a comoção causada pelo anúncio da morte e o sepultamento do corpo do Presidente em São João Del Rey.
A morte do avô carimbou profundamente o destino político de Aécio, que passou a se enxergar sempre pela ótica de Tancredo: "o melhor presidente que o Brasil nunca teve”. Desde então, Aécio está condenado a repetir o destino manifesto de Tancredo: continuar sendo o que sempre foi sem nunca chegar a ser o que poderia ter sido. Confuso, não?

Nem tanto, foi mais ou menos essa a resposta que Aécio deu ao jornalista Josias de Souza: “tenho dificuldade de entender as surpresas ou frustrações que alguém possa ter com o fato de eu continuar sendo o que sempre fui e fazer o que sempre fiz na minha vida pública”.

Ou seja, Aécio quer continuar fazendo o que sempre fez: (insira aqui a palavra que exprime a relevância de Aécio para a renovação política brasileira).

Basta que Aécio mantenha o seu nome nas bocas, frequente as passarelas, fuja do debate, não entre em polêmicas, e no momento propício, ao contrário da onda que se quebra na areia, Aécio continuará sendo de novo do jeito que sempre foi um dia. Ficou mais confuso? Paciência, a História dá voltas em espiral, o mesmo aconteceu com Tancredo, político dotado de uma habilidade incrível para se colocar sempre no lugar certo nas horas mais incertas.

Repetindo, pra frisar bem, Aécio não se livrou da maldição do avô, maldição que consiste em ser o que se é sem nunca chegar a ser o que poderá ter sido. Daí a importância da morte. Aliada secreta, a morte com sua foice é o ponto de irrigação política do nome de Aécio, figura responsável por manter acesa a chama de uma candidatura à presidência cada vez mais distante.

Dia desses o Jornal Estado de Minas soltou uma nota falando que Aécio poderá se candidatar ao Governo de Minas em 2014.

Já dizia Lulu Santos, “não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo”. Pois então, Aécio, para se encontrar com seu destino, viabilizando-se como candidato a Presidente, depende da morte de terceiros. Não apenas da morte biológica, mas também da morte de modelos, do esgotamento de alianças. Por isso Aécio está sempre se movendo nos bastidores, buscando cooptar aliados entre os apoiadores do Governo atual, preservando de críticas os ministros mais incompetentes, de olho nas rebarbas políticas. Quando as portas da História se abrirem para ele, Aécio não terá pudores em se aliar às mesmas forças fisiológicas que sustentaram o Governo do PT desde a ascensão de Lula. Desde que seja para o bem do povo, Aécio não se importaria de ser eleito Presidente sem romper com as forças políticas mais retrógradas.

Mas, para que o plano secreto de Aécio dê certo, é preciso que algo de extraordinário aconteça. Em se tratando de possíveis candidatos a uma morte extraordinária, esse defunto não precisa necessariamente ser o do José Serra, pode ser a morte simbólica de um modelo de governo, de um projeto político, ou até mesmo o passamento de um líder popular, fazendo por linhas tortas com que a bola da Presidência caia no peito de Aécio.

Quando esse fato extraordinário acontecer, e Aécio tiver a chance de tornar-se Presidente do Brasil por força do acaso, como deu-se com Tancredo, a maldição legada ao neto pelo avô terá chegado ao Fim.

Pena que quando esse dia chegar, Aécio estará com 76 anos. E no dia anterior à sua posse como Presidente da República, Aécio inventará de comemorar a vitória surfando em uma praia escondida da Austrália, e ele, relembrando os tempos em que surfava no Rio, arriscará uma manobra arrojada, perderá o controle da prancha e baterá com a cabeça numa pedra, vindo a morrer na praia como sempre sonhou.


JT Palhares

Atualizado em 05/10/2014

Da Tribuna de Minas de Juiz de Fora em http://www.tribunademinas.com.br