3 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual: A direita vai para o impeachment

Rede Brasil Atual: A direita vai para o impeachment

Conservadores preferem uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis e dizer a verdade sobre seus propósitos

por Flávio Aguiar
 

Derrotada nas urnas, não há mais dúvida nem outro caminho: a direita vai para o impeachment. Prefere uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis, dizer a verdade sobre seus propósitos (deter a melhor repartição da renda nacional e voltar à subordinação internacional ao capitalismo central), acreditar mais em expor programas do que em golpes de ocasião (que foi o que sempre fizeram), enfim, a direita continua acreditando em paralisar o Brasil e vender seus recursos e dedos em troca dos anéis de seus privilégios.

O parecer de Ives Gandra Martins, apoiado ridiculamente (citado no artigo) por Modesto Carvalhosa, ex-presidente da Adusp e dirigente da greve de 1979, que assim torra em praça pública seu passado de democrata, é límpido nesse sentido. Não há o que sofismar: a direita vai para o impeachment. Vai se basear de novo no “domínio do fato” que importou, solerte e malandramente, de jurista alemão, que denunciou a impertinência da importação. Mas não importa.

Ainda mais quando a direita está animada pela votação que elegeu o deputado Cunha na Câmara de Deputados. E quer ir logo para o impeachment: quanto mais demore no seu propósito, pior será para ela, porque os poderes se recomporão, se aglutinarão, se reacomodarão etc.

Ou seja, o clima está mais para 54 do que para 64. A direita quer implodir o governo, “legalmente”, e depois contar com as Forças (Forcas?) Armadas para garantir a “transição”.

Faz tempo que no Brasil a direita desistiu da democracia. Ela quer mesmo o ferrolho sobre o povo, sobretudo sobre o povão, e que este fique entregue à sua condição subalterna sem rota nem voto. Política é para os sabichões das elites, os ‘pundits’ (essa turma gosta de ser chamada em anglo-saxão), o resto é mesmo “demagogia”, “populismo”, “clientelismo”. Só o assalto ao Estado que a direita promove é “virtude”.

A questão, no entanto, não é esta. A questão é o que farão as esquerdas. Ficarão abestalhadas, como em 54, apoiando o massacre do governo de Vargas até seu suicídio (a hipótese seria a queda e o novo exílio), ou vão lutar pelo que se conquistou nesta última década? Ficarão no ramerrame de atacar o governo supostamente pela esquerda, fazendo coro com a UDN,  enfraquecendo-o, enquanto assistem algo passivamente a ofensiva da direita?

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