Agência Brasil [Agência Lusa]: Governo grego cria plano de ajuda aos mais afetados pela crise
Diário de Notícias: Tsipras anuncia aumento gradual do salário mínimo para 751 euros até 2016 e pede à Europa acordo de transição até ao verão
Barra
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta Grécia. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta Grécia. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Notícias do Dia - Grécia - Internacional
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
Agência Brasil,
Agência Lusa,
BCE,
Diário de Notícias,
economia,
esquerda,
Europa,
fome Grécia,
Grécia,
Internacional,
miséria Grécia
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Editorial do REFAZENDA2010-blog: Inferno em Janeiro
Inferno
em Janeiro
Esse janeiro que se finda –
e que já vai tarde – na verdade começou ao final de 2014, com as edições das
Medidas Provisórias 664 e 665 em 30 de dezembro último. O Trabalhador já começa
a pagar o pato.
Mal o mês começou, no plano internacional,
atentados na França, mas muito mais mortes na Nigéria e no Iêmen. Mas a mídia
ocidental se compadece muito mais com os franceses.
Por nossas bandas, já não
bastasse a opção tímida e conservadora do segundo mandato da presidenta Dilma,
que implicará em recessão ou o nome que se quiser dar, e segundo o próprio
ministro, para o investidor ver; sobrevêm uma crise hídrica sem precedentes no
Sudeste e, talvez, uma crise energética.
Simples, não choveu, mas
também faltou planejamento. Porque não choveu, não se sabe. Temperaturas
tórridas e alguns danos advindos, especialmente na agricultura e na
pecuária, que serão os primeiros. A maior cidade do País pena, mas o
govenador prefere eufemismos.
Alguma coisa boa aconteceu
na Grécia. Espera-se que consigam romper com, digamos, a abutragem financeira internacional!
Por fim, estão conseguindo
destruir a Petrobras e por incrível que pareça a sua administração ajuda.
Amadorismo clamou a primeira mandatária. E foi mesmo. Como paradoxo advindo,
pode-se vislumbrar o fim a indústria da construção nacional.
Imaginava-se um 2015 difícil,
mas não tanto!
O Editor. Publicado em 31/01/2015.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
ataque,
BCE,
economia,
Editorial,
Europa,
França,
Grécia,
Internacional,
juros,
neoliberalismo,
Nigéria,
Petrobras,
planeta,
política,
terror
Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos
Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos
A Carta Maior oferece um especial de matérias e análises sobre a experiência em curso na Grécia que deve ser acompanhada de perto pelos brasileiros.
Joaquim Ernesto Palhares - Diretor da Carta Maior
Uma das grandes vitórias do neoliberalismo em nosso tempo foi subtrair do capitalismo o seu conteúdo político e social.
A naturalização daquilo que está assentado em uma indissociável relação de poder consumou uma das mais eficazes operações ideológicas do nosso tempo.
A serviço dessa assepsia vicejam as editorias de economia e o colunismo dos vulgarizadores do capital metafísico.
Cabe-lhes o diuturno trabalho de reafirmar a petulante condição de ciência a uma economia encarregada de reproduzir um sistema ordenado pelo virulento antagonismo com o bem comum da sociedade.
Não se negue à economia leis próprias, circunstâncias limitadoras e incertezas a exigir gestão, equilíbrio e bom senso.
Mas dizer ‘economia de mercado’ e não ‘capitalismo’, ou ‘intervencionismo’, em contraposição a ‘eficiência’, faz parte do serviço de entorpecimento social encarregado de preservar e engordar interesses sabidos.
De quando em vez, a operação falha.
Nas crises cíclicas do sistema, quando se descarrega sobre a sociedade um fardo de sacrifícios dificilmente vendável como ciência ou fatalidade, o labor da catequese midiática é afrontado pela natureza crua do regime.
Foi o que aconteceu na Grécia, de onde faísca agora um clarão de discernimento que ameaça iluminar o imaginário social para muito além de suas fronteiras.
A vitória eleitoral da frente de esquerda, o Syriza, no último domingo, carrega essa dimensão de um simbolismo com poder epidêmico.
Leia tudo.
A Carta Maior oferece um especial de matérias e análises sobre a experiência em curso na Grécia que deve ser acompanhada de perto pelos brasileiros.
Joaquim Ernesto Palhares - Diretor da Carta Maior
Uma das grandes vitórias do neoliberalismo em nosso tempo foi subtrair do capitalismo o seu conteúdo político e social.
A naturalização daquilo que está assentado em uma indissociável relação de poder consumou uma das mais eficazes operações ideológicas do nosso tempo.
A serviço dessa assepsia vicejam as editorias de economia e o colunismo dos vulgarizadores do capital metafísico.
Cabe-lhes o diuturno trabalho de reafirmar a petulante condição de ciência a uma economia encarregada de reproduzir um sistema ordenado pelo virulento antagonismo com o bem comum da sociedade.
Não se negue à economia leis próprias, circunstâncias limitadoras e incertezas a exigir gestão, equilíbrio e bom senso.
Mas dizer ‘economia de mercado’ e não ‘capitalismo’, ou ‘intervencionismo’, em contraposição a ‘eficiência’, faz parte do serviço de entorpecimento social encarregado de preservar e engordar interesses sabidos.
De quando em vez, a operação falha.
Nas crises cíclicas do sistema, quando se descarrega sobre a sociedade um fardo de sacrifícios dificilmente vendável como ciência ou fatalidade, o labor da catequese midiática é afrontado pela natureza crua do regime.
Foi o que aconteceu na Grécia, de onde faísca agora um clarão de discernimento que ameaça iluminar o imaginário social para muito além de suas fronteiras.
A vitória eleitoral da frente de esquerda, o Syriza, no último domingo, carrega essa dimensão de um simbolismo com poder epidêmico.
Leia tudo.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
BCE,
Carta Maior,
economia,
Europa,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
Grécia,
Internacional,
neoliberalismo,
política
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Agência Brasil [Agência Lusa]-> Grécia: Syriza vence e declara fim da troika e da austeridade
Agência Brasil [Agência Lusa]-> Grécia: Syriza vence e declara fim da troika e da austeridade
Da Agência Lusa
O partido de esquerda grego Syriza, antiausteridade, obteve vitória clara nas eleições gerais desse domingo (25). O líder, Alexis Tsipras, declarou o fim da austeridade e da troika.
“O veredito do povo grego significa o fim da troika", a estrutura de supervisão da economia da Grécia constituída pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional que desde 2010 avalia as medidas impostas em troca de empréstimos de 240 mil milhões de euros.
Tsipras, 40 anos, afirmou que “o povo escreveu a história” e “deu um mandato claro” ao Syriza, “depois de cinco anos de humilhação”. Assegurou que vai negociar com os credores “nova solução viável” para o país.
O Syriza obteve clara vitória com 35,9% dos votos, quando estavam contados 50% dos boletins. O resultado não garante maioria absoluta (151 de 300 deputados) e vai possivelmente exigir negociações para uma coligação parlamentar.
A Nova Democracia (direita), do primeiro-ministro Antonis Samaras, obteve 28,3%. O terceiro partido mais votado foi o neonazi Aurora Dourada, com 6,4%.
Samaras reconheceu a derrota mas, tendo feito campanha pelo perigo de uma vitória do Syriza levar a uma saída da Grécia da zona do euro, deu curta declaração à imprensa: “Entrego um país que é parte da União Europeia [UE] e do euro. Para o bem desse país, espero que o próximo governo mantenha o que foi alcançado”.
Em Bruxelas, o presidente do grupo dos Socialistas Europeus no Parlamento Europeu, Gianni Pitella, considerou que o povo grego optou claramente por romper com a austeridade imposta pela troika. Segundo o líder, o povo grego quer que o novo governo traga mais justiça social, a renegociação da dívida e a extensão do seu programa de ajustamento. “A vontade do povo grego deve ser respeitada por todas as instituições da UE e Estados-Membros”, destacou.
O presidente do Bundesbank, banco central alemão, Jens Weidmann, considerou que a economia da Grécia continua a precisar de apoio externo. Ele disse esperar que "o novo governo grego não faça promessas ilusórias que o país não pode se permitir" e que continue com as reformas estruturais necessárias.
Origem.
Da Agência Lusa
O partido de esquerda grego Syriza, antiausteridade, obteve vitória clara nas eleições gerais desse domingo (25). O líder, Alexis Tsipras, declarou o fim da austeridade e da troika.
“O veredito do povo grego significa o fim da troika", a estrutura de supervisão da economia da Grécia constituída pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional que desde 2010 avalia as medidas impostas em troca de empréstimos de 240 mil milhões de euros.
Tsipras, 40 anos, afirmou que “o povo escreveu a história” e “deu um mandato claro” ao Syriza, “depois de cinco anos de humilhação”. Assegurou que vai negociar com os credores “nova solução viável” para o país.
O Syriza obteve clara vitória com 35,9% dos votos, quando estavam contados 50% dos boletins. O resultado não garante maioria absoluta (151 de 300 deputados) e vai possivelmente exigir negociações para uma coligação parlamentar.
A Nova Democracia (direita), do primeiro-ministro Antonis Samaras, obteve 28,3%. O terceiro partido mais votado foi o neonazi Aurora Dourada, com 6,4%.
Samaras reconheceu a derrota mas, tendo feito campanha pelo perigo de uma vitória do Syriza levar a uma saída da Grécia da zona do euro, deu curta declaração à imprensa: “Entrego um país que é parte da União Europeia [UE] e do euro. Para o bem desse país, espero que o próximo governo mantenha o que foi alcançado”.
Em Bruxelas, o presidente do grupo dos Socialistas Europeus no Parlamento Europeu, Gianni Pitella, considerou que o povo grego optou claramente por romper com a austeridade imposta pela troika. Segundo o líder, o povo grego quer que o novo governo traga mais justiça social, a renegociação da dívida e a extensão do seu programa de ajustamento. “A vontade do povo grego deve ser respeitada por todas as instituições da UE e Estados-Membros”, destacou.
O presidente do Bundesbank, banco central alemão, Jens Weidmann, considerou que a economia da Grécia continua a precisar de apoio externo. Ele disse esperar que "o novo governo grego não faça promessas ilusórias que o país não pode se permitir" e que continue com as reformas estruturais necessárias.
Origem.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
Agência Brasil,
Agência Lusa,
BCE,
desemprego Grécia,
economia,
fome Grécia,
Grécia,
miséria Grécia,
neoliberalismo,
política
domingo, 25 de janeiro de 2015
JB: Premier grego reconhece vitória da oposição nas eleições legislativas
JB: Premier grego reconhece vitória da oposição nas eleições legislativas
Jornal do Brasil
O primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, reconheceu a derrota nas eleições legislativas disputadas neste domingo e parabenizou a coalizão de esquerda Syriza, liderada por Alexis Tsipras, pela vitória nas urnas.
Samaras, que lidera o partido Nova Democracia, disse que respeita a decisão do povo grego, mas permanecerá pronto para exercer um papel decisivo no futuro.
Sete partidos terão representantes no Parlamento grego, entre eles o neonazista Amanhecer Dourado.
Durante a campanha eleitoral, o Syriza propôs a renegociação de grande parte da dívida grega e o fim de medidas de austeridade. Segundo projeção oficial, o Syriza deve ter entre 149 e 151 cadeiras no parlamento.
O partido postou em seu Twitter que "a esperança venceu" e que deve fazer mudanças.
Mais cedo, Tsipras disse se inspirar no primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, para mudar o país. "Eu não conheço Renzi pessoalmente, mas as nossas equipes entraram em contato e a nossa sintonia é natural. Vamos mudar a Europa porque a austeridade está estrangulando a todos", destacou Tsipras.
Origem. Publicado em 26/01/2015.
Jornal do Brasil
O primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, reconheceu a derrota nas eleições legislativas disputadas neste domingo e parabenizou a coalizão de esquerda Syriza, liderada por Alexis Tsipras, pela vitória nas urnas.
Samaras, que lidera o partido Nova Democracia, disse que respeita a decisão do povo grego, mas permanecerá pronto para exercer um papel decisivo no futuro.
Sete partidos terão representantes no Parlamento grego, entre eles o neonazista Amanhecer Dourado.
Durante a campanha eleitoral, o Syriza propôs a renegociação de grande parte da dívida grega e o fim de medidas de austeridade. Segundo projeção oficial, o Syriza deve ter entre 149 e 151 cadeiras no parlamento.
O partido postou em seu Twitter que "a esperança venceu" e que deve fazer mudanças.
Mais cedo, Tsipras disse se inspirar no primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, para mudar o país. "Eu não conheço Renzi pessoalmente, mas as nossas equipes entraram em contato e a nossa sintonia é natural. Vamos mudar a Europa porque a austeridade está estrangulando a todos", destacou Tsipras.
Origem. Publicado em 26/01/2015.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
desemprego Grécia,
economia,
Europa,
fome Grécia,
Internacional,
JB,
miséria Grécia,
neoliberalismo,
política
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Carta Maior [Saul Leblon]: Somos todos o quê?
Carta Maior [Saul Leblon]: Somos todos o quê?
A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau. O endurecimento contra imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre em Paris.
por: Saul Leblon
O emblema totalizante, ‘somos todos Charlie’ teve curta unanimidade no ambiente trincado de uma Europa onde, de fato, não há lugar para todos serem a mesma coisa em parte alguma.
Os números da exclusão em marcha no continente são suficientes para esfarelar essas ‘uniões’ nascidas da emoção da tragédia, como é o caso, mas que historicamente se mostram insuficientes para regenerar as partes de um todo que já não se encaixava mais.
Como recompor o cristal da liberdade, da igualdade e da fraternidade, diante de uma Europa unificada pela lógica do mal estar social?
Com políticas pública que hoje irradiam chantagem, regressão , niilismo, intolerância e medo diante do futuro rarefeito?
Somos todos o quê?
É justo perguntar quando o Estado a serviço dos mercados mastigou todas as pontes para a construção de uma cidadania convergente e soberana.
A polêmica linha de humor do ‘Charlie Hebdo’ deve seu sucesso, em grande parte, justamente à acentuação dessa rachadura em uma chave religiosa.
Deve-se respeitar a sua liberdade. Mas a forma como escolheu exerce-la fez do jornal parte do estilhaçamento que procurava criticar; tornou-se assim mais um referido do que referência.
A Europa tem hoje 8 milhões de imigrantes sem papeis; 120 milhões de pobres e 27 milhões de desempregados.
Após seis anos de arrocho neoliberal, o desemprego e o esfarelamento do padrão de vida dos trabalhadores e da classe média –condensado em uma geração de jovens que dificilmente repetirá a faixa de renda dos pais, turbinou a rejeição ao estrangeiro, criou o medo da 'islamização da sociedade', alimentou a extrema direita e liberou a demência terrorista.
Não necessariamente nessa ordem, mas com essa octanagem abrangente.
A imponente marcha em Paris neste domingo não escapou do liquidificador de nitroglicerina.
Seria irônico , não fosse trágico.
Na comissão de frente da principal coluna da manifestação, que reuniu um milhão de pessoas, ao lado do presidente François Hollande , e de Merkel, lá estava Benjamin Netanyahu.
Sim, o premiê de Israel.
Ele que acaba de se aliar à extrema direita para transformar o Estado israelense em um estado religioso.
Responsável por alguns dos mais impiedosos massacres do século XXI, contra populações civis encurraladas por Israel na Faixa de Gaza, a presença de Netanyahu a engrossar o ‘somos todos Charlie’ convida a pensar sobre o alcance das unanimidades.
É um silogismo barato afirmar que a recusa ao bordão dominante endossa o abismo ensandecido do terrorismo.
Num texto de 1911, ‘Porque os marxistas se opõem ao terrorismo individual’, e quando ainda nem desconfiava que ele próprio seria uma vítima futura, León Trostsky criticou exemplarmente aquilo que, nas suas palavras, ‘mesmo que obtenha "êxito" (e) crie confusão na classe dominante (...) terá vida curta; o estado capitalista não é eliminado; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento. Todavia, a desordem que um atentado terrorista produz nas fileiras da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido?’, criticava o líder da Revolução de Outubro, banido e assassinado por Stálin, para concluir em seguida: ‘Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência e (desvia) seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador, que algum dia virá cumprir sua missão’.
Cento e quatro anos depois, o alerta ganha atualidade diante das medidas cogitadas após o massacre em Paris.
Os indefectíveis Le Pen, pai e filha, pedem, nada menos que a restauração da pena de morte, abolida em 1981.
A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau do patíbulo.
O endurecimento contra os imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre da quarta-feira (07/01) .
Agora, porém, que ‘somos todos Charlie’, quem irá detê-lo –se até Netanyahu aderiu?
Ofuscados habilmente pelo ‘consenso’, os antecedentes da tormenta esticam o elástico de uma gigantesca armadilha histórica.
Desemprego com deflação e captura do Estado e da política pela alta finança.
É disso que se trata a tragédia europeia, vista de corpo inteiro.
A zona do euro enfrenta deflação recessiva; a Itália tem desemprego recorde; Alemanha e França assistem a uma espiral de xenófobia; Grécia tem 59% da juventude fora do mercado; Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social.
Assim por diante.
Foi preciso que um economista moderado, Thomas Piketty, coligisse uma enciclopédia estatística do avanço rentista sobre a riqueza da sociedade para que o tema da desigualdade merecesse algum espaço –fugaz— no debate econômico e midiático sobre a crise europeia.
E mesmo assim colateral às decisões da troika, que estala o relho no lombo da cidadania e exige ordem unida ao abismo.
É sobre essa base de rigidez que a alavanca da tragédia move o curso da história.
Não Maomé, não Charlie Hebdo, não a juventude niilista.
Não os filhos de imigrantes pobres , que se convertem cada vez mais ao islamismo como ponto de fuga à meia cidadania da desordem neoliberal que nada tem a lhes propor hoje.
E não o fará amanhã também.
Entregue aos ajustes fiscais, na ressaca dos mercados após o fastígio neoliberal, a Europa é hoje um museu de lembranças do acolhimento humanitário e político, que a transformaria em legenda da civilização e da fraternidade.
Na Itália, sob o afável Berlusconi, o Estado elevou para seis meses o tempo que imigrantes ilegais podem ser detidos em ‘ centros especiais’ e autorizou a criação de falanges civis para “ajudar a polícia a combater o crime nas ruas”.
Na Grécia, onde as taxas de desemprego triplicaram sob o chicote de Frau Merkel, os integrantes do partido Aurora Dourada sequer dissimulam a inspiração nazista: sua faxina étnica avança contra árabes, africanos, ambulantes, ciganos e homossexuais.
‘Somos todos Charlie’?
As notícias contraditórias que chegam dos EUA, surfando em uma recuperação feita de empregos com salários aviltados, e da Europa sem Estado à altura para reagir, evidenciam a profundidade de uma desordem que não cederá tão cedo, nem tão facilmente.
A consciência dessa longa travessia é um dado fundamental para renovar a ação política em nosso tempo.
Recuos e derrotas acumulados pela esquerda mundial desde os anos 70, sobretudo a colonização de seu arcabouço pelos interditos neoliberais, alargaram os vertedouros ao espraiamento de uma dominância financeira que agora produz manifestações mórbidas em todas as esferas da vida.
Quando a economia se avoca um templo sagrado, dotado de leis próprias, revestido de esférica coerência endógena, avessa ao ruído das ruas, das urnas e das aspirações por cidadania plena, o que sobra à democracia?
A pauta dos mercados autorregulados revelou-se uma fraude.
Gigantesca.
Era o fim da história, replicava o colunismo áulico.
Não era, mostrou setembro de 2008.
Pior que isso.
O sete de janeiro francês avisa que se a sociedade continuar apartada do seu destino, os próximos capítulos serão dramáticos.
No Brasil, os que incitavam o governo a jogar o país ao mar em 2008, retrucam que o custo de não tê-lo afogado na hora certa acarretou custos insustentáveis.
E eles terão que ser pagos agora.
Na forma de um afogamento incondicional.
Recomenda-se vivamente beber a cota do dilúvio desdenhada em 2008 em uma talagada única.
Não há alternativa, diria Margareth Tatcher.
As escolhas intrínsecas a uma repactuação do desenvolvimento brasileiro, de fato, não são singelas.
Nada que se harmonize do dia para a noite.
Por isso, o crucial é erguer linhas de passagem, repactuar metas, ganhos, perdas, salvaguardas e prazos.
Mas há um requisito para isso: tirar a economia do altar sagrado da ortodoxia e expô-la ao debate democrático do qual participem todas as forças sociais.
Quando a mídia conservadora tenta tropicalizar o bordão ‘somos todos Charlie’, seu objetivo mal disfarçado vai no sentido oposto.
Tenta-se reduzir uma tragédia ciclópica a um atentado à liberdade de expressão.
E de forma rudimentar desdobrar a comoção aqui em um veto ao projeto de regulação da mídia brasileira.
Para quê? Justamente para interditar o debate sobre o passo seguinte do desenvolvimento do país.
O apego da emissão conservadora à liberdade de expressão, como se sabe, é relativo.
No dia seguinte ao massacre em Paris, a Folha de São Paulo, por exemplo, dedicou 256 palavras, uma nota de rodapé, para tratar do caso do blogueiro saudita, Raif Baddawi.
Baddawi dirigia o fórum on-line ‘Liberais Sauditas Livres’; foi condenado por isso a dez anos de prisão e multa de US$ 260 mil.
Seu caso é uma referência do padrão de justiça que impera na democrática sociedade saudita, principal aliada dos EUA no mundo árabe, onde mulheres não podem dirigir sequer automóveis e inexiste judiciário independente da vontade dos mandatários.
Além de dez anos de prisão, Baddawi também será punido com mil chibatadas por "insultar o Islã" – 50 por semana, durante 20 semanas.
A primeira cota foi aplicada na última 6ª feira.
Uma nota com 256 palavras foi tudo o que o liberal Baddawi obteve de um dos principais veículos de informação do país.
Compare-se com as cataratas de tinta, imagem e som dedicadas à blogueira cubana Yoani Sánchez que, livre, leve e solta, viajando pelo mundo, mereceu da mesma Folha de SP mais de 90 mil citações; 155 mil no Globo e 110 mil no Estadão.
É difícil imaginar algo do tipo ‘somos todos Baddawi’ alastrando-se pelo colunismo pátrio que dispensou às visitas de Yoani um tratamento de chefe de Estado.
São dois pesos e mil chibatadas.
Uma diferença sugestiva.
Que recomenda cautela com as unanimidades produzidas pela mesma fonte.
Aqui ou em Paris.
Origem. Publicado em 13/01/2015.
A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau. O endurecimento contra imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre em Paris.
por: Saul Leblon
O emblema totalizante, ‘somos todos Charlie’ teve curta unanimidade no ambiente trincado de uma Europa onde, de fato, não há lugar para todos serem a mesma coisa em parte alguma.
Os números da exclusão em marcha no continente são suficientes para esfarelar essas ‘uniões’ nascidas da emoção da tragédia, como é o caso, mas que historicamente se mostram insuficientes para regenerar as partes de um todo que já não se encaixava mais.
Como recompor o cristal da liberdade, da igualdade e da fraternidade, diante de uma Europa unificada pela lógica do mal estar social?
Com políticas pública que hoje irradiam chantagem, regressão , niilismo, intolerância e medo diante do futuro rarefeito?
Somos todos o quê?
É justo perguntar quando o Estado a serviço dos mercados mastigou todas as pontes para a construção de uma cidadania convergente e soberana.
A polêmica linha de humor do ‘Charlie Hebdo’ deve seu sucesso, em grande parte, justamente à acentuação dessa rachadura em uma chave religiosa.
Deve-se respeitar a sua liberdade. Mas a forma como escolheu exerce-la fez do jornal parte do estilhaçamento que procurava criticar; tornou-se assim mais um referido do que referência.
A Europa tem hoje 8 milhões de imigrantes sem papeis; 120 milhões de pobres e 27 milhões de desempregados.
Após seis anos de arrocho neoliberal, o desemprego e o esfarelamento do padrão de vida dos trabalhadores e da classe média –condensado em uma geração de jovens que dificilmente repetirá a faixa de renda dos pais, turbinou a rejeição ao estrangeiro, criou o medo da 'islamização da sociedade', alimentou a extrema direita e liberou a demência terrorista.
Não necessariamente nessa ordem, mas com essa octanagem abrangente.
A imponente marcha em Paris neste domingo não escapou do liquidificador de nitroglicerina.
Seria irônico , não fosse trágico.
Na comissão de frente da principal coluna da manifestação, que reuniu um milhão de pessoas, ao lado do presidente François Hollande , e de Merkel, lá estava Benjamin Netanyahu.
Sim, o premiê de Israel.
Ele que acaba de se aliar à extrema direita para transformar o Estado israelense em um estado religioso.
Responsável por alguns dos mais impiedosos massacres do século XXI, contra populações civis encurraladas por Israel na Faixa de Gaza, a presença de Netanyahu a engrossar o ‘somos todos Charlie’ convida a pensar sobre o alcance das unanimidades.
É um silogismo barato afirmar que a recusa ao bordão dominante endossa o abismo ensandecido do terrorismo.
Num texto de 1911, ‘Porque os marxistas se opõem ao terrorismo individual’, e quando ainda nem desconfiava que ele próprio seria uma vítima futura, León Trostsky criticou exemplarmente aquilo que, nas suas palavras, ‘mesmo que obtenha "êxito" (e) crie confusão na classe dominante (...) terá vida curta; o estado capitalista não é eliminado; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento. Todavia, a desordem que um atentado terrorista produz nas fileiras da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido?’, criticava o líder da Revolução de Outubro, banido e assassinado por Stálin, para concluir em seguida: ‘Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência e (desvia) seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador, que algum dia virá cumprir sua missão’.
Cento e quatro anos depois, o alerta ganha atualidade diante das medidas cogitadas após o massacre em Paris.
Os indefectíveis Le Pen, pai e filha, pedem, nada menos que a restauração da pena de morte, abolida em 1981.
A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau do patíbulo.
O endurecimento contra os imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre da quarta-feira (07/01) .
Agora, porém, que ‘somos todos Charlie’, quem irá detê-lo –se até Netanyahu aderiu?
Ofuscados habilmente pelo ‘consenso’, os antecedentes da tormenta esticam o elástico de uma gigantesca armadilha histórica.
Desemprego com deflação e captura do Estado e da política pela alta finança.
É disso que se trata a tragédia europeia, vista de corpo inteiro.
A zona do euro enfrenta deflação recessiva; a Itália tem desemprego recorde; Alemanha e França assistem a uma espiral de xenófobia; Grécia tem 59% da juventude fora do mercado; Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social.
Assim por diante.
Foi preciso que um economista moderado, Thomas Piketty, coligisse uma enciclopédia estatística do avanço rentista sobre a riqueza da sociedade para que o tema da desigualdade merecesse algum espaço –fugaz— no debate econômico e midiático sobre a crise europeia.
E mesmo assim colateral às decisões da troika, que estala o relho no lombo da cidadania e exige ordem unida ao abismo.
É sobre essa base de rigidez que a alavanca da tragédia move o curso da história.
Não Maomé, não Charlie Hebdo, não a juventude niilista.
Não os filhos de imigrantes pobres , que se convertem cada vez mais ao islamismo como ponto de fuga à meia cidadania da desordem neoliberal que nada tem a lhes propor hoje.
E não o fará amanhã também.
Entregue aos ajustes fiscais, na ressaca dos mercados após o fastígio neoliberal, a Europa é hoje um museu de lembranças do acolhimento humanitário e político, que a transformaria em legenda da civilização e da fraternidade.
Na Itália, sob o afável Berlusconi, o Estado elevou para seis meses o tempo que imigrantes ilegais podem ser detidos em ‘ centros especiais’ e autorizou a criação de falanges civis para “ajudar a polícia a combater o crime nas ruas”.
Na Grécia, onde as taxas de desemprego triplicaram sob o chicote de Frau Merkel, os integrantes do partido Aurora Dourada sequer dissimulam a inspiração nazista: sua faxina étnica avança contra árabes, africanos, ambulantes, ciganos e homossexuais.
‘Somos todos Charlie’?
As notícias contraditórias que chegam dos EUA, surfando em uma recuperação feita de empregos com salários aviltados, e da Europa sem Estado à altura para reagir, evidenciam a profundidade de uma desordem que não cederá tão cedo, nem tão facilmente.
A consciência dessa longa travessia é um dado fundamental para renovar a ação política em nosso tempo.
Recuos e derrotas acumulados pela esquerda mundial desde os anos 70, sobretudo a colonização de seu arcabouço pelos interditos neoliberais, alargaram os vertedouros ao espraiamento de uma dominância financeira que agora produz manifestações mórbidas em todas as esferas da vida.
Quando a economia se avoca um templo sagrado, dotado de leis próprias, revestido de esférica coerência endógena, avessa ao ruído das ruas, das urnas e das aspirações por cidadania plena, o que sobra à democracia?
A pauta dos mercados autorregulados revelou-se uma fraude.
Gigantesca.
Era o fim da história, replicava o colunismo áulico.
Não era, mostrou setembro de 2008.
Pior que isso.
O sete de janeiro francês avisa que se a sociedade continuar apartada do seu destino, os próximos capítulos serão dramáticos.
No Brasil, os que incitavam o governo a jogar o país ao mar em 2008, retrucam que o custo de não tê-lo afogado na hora certa acarretou custos insustentáveis.
E eles terão que ser pagos agora.
Na forma de um afogamento incondicional.
Recomenda-se vivamente beber a cota do dilúvio desdenhada em 2008 em uma talagada única.
Não há alternativa, diria Margareth Tatcher.
As escolhas intrínsecas a uma repactuação do desenvolvimento brasileiro, de fato, não são singelas.
Nada que se harmonize do dia para a noite.
Por isso, o crucial é erguer linhas de passagem, repactuar metas, ganhos, perdas, salvaguardas e prazos.
Mas há um requisito para isso: tirar a economia do altar sagrado da ortodoxia e expô-la ao debate democrático do qual participem todas as forças sociais.
Quando a mídia conservadora tenta tropicalizar o bordão ‘somos todos Charlie’, seu objetivo mal disfarçado vai no sentido oposto.
Tenta-se reduzir uma tragédia ciclópica a um atentado à liberdade de expressão.
E de forma rudimentar desdobrar a comoção aqui em um veto ao projeto de regulação da mídia brasileira.
Para quê? Justamente para interditar o debate sobre o passo seguinte do desenvolvimento do país.
O apego da emissão conservadora à liberdade de expressão, como se sabe, é relativo.
No dia seguinte ao massacre em Paris, a Folha de São Paulo, por exemplo, dedicou 256 palavras, uma nota de rodapé, para tratar do caso do blogueiro saudita, Raif Baddawi.
Baddawi dirigia o fórum on-line ‘Liberais Sauditas Livres’; foi condenado por isso a dez anos de prisão e multa de US$ 260 mil.
Seu caso é uma referência do padrão de justiça que impera na democrática sociedade saudita, principal aliada dos EUA no mundo árabe, onde mulheres não podem dirigir sequer automóveis e inexiste judiciário independente da vontade dos mandatários.
Além de dez anos de prisão, Baddawi também será punido com mil chibatadas por "insultar o Islã" – 50 por semana, durante 20 semanas.
A primeira cota foi aplicada na última 6ª feira.
Uma nota com 256 palavras foi tudo o que o liberal Baddawi obteve de um dos principais veículos de informação do país.
Compare-se com as cataratas de tinta, imagem e som dedicadas à blogueira cubana Yoani Sánchez que, livre, leve e solta, viajando pelo mundo, mereceu da mesma Folha de SP mais de 90 mil citações; 155 mil no Globo e 110 mil no Estadão.
É difícil imaginar algo do tipo ‘somos todos Baddawi’ alastrando-se pelo colunismo pátrio que dispensou às visitas de Yoani um tratamento de chefe de Estado.
São dois pesos e mil chibatadas.
Uma diferença sugestiva.
Que recomenda cautela com as unanimidades produzidas pela mesma fonte.
Aqui ou em Paris.
Origem. Publicado em 13/01/2015.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
ataque,
Carta Maior,
desemprego,
economia,
Editorial,
Espanha,
França,
Grécia,
Itália,
miséria,
neoliberalismo,
Portugal,
Saul Leblon,
terror,
xenofobia
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'
A revista conservadora está apavorada, a Alemanha também. Já é hora de se romper o status quo que só aumenta a pobreza e a miséria. Modelo esse que só beneficia os bancos e o sistema financeiro internacional. Relacionado.
Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'
por Patrícia Viegas
Economista Simon Baptist acusa a UE de ter memória curta. Syriza mantém-se em primeiro nas sondagens para eleições de dia 25.
Apesar de os líderes do Syriza garantirem que não estão contra a Europa e que não pretendem sair do euro caso o partido chegue ao poder após as legislativas de dia 25, a influente The Economist, publicada a partir de Londres, continua a garantir que, da forma como as coisas estão, a Grécia só pode rebentar com o projeto europeu.
A Itália e Portugal serão os primeiros a ser apanhados na onda de choque, acredita Simon Baptist, o economista-chefe da The Economist Intelligence Unit (EIU). A revista é uma das mais influentes na difusão das ideias de política económica do paradigma dominante. Numa nota enviada aos jornais intitulada "Memória curta", Simon Baptist acusa tudo e todos: os gregos, as instituições europeias, os mercados. Está pessimista.
Origem.
Diário de Notícias: Grécia vai arrastar Itália e Portugal, diz a revista 'The Economist'
por Patrícia Viegas
Economista Simon Baptist acusa a UE de ter memória curta. Syriza mantém-se em primeiro nas sondagens para eleições de dia 25.
Apesar de os líderes do Syriza garantirem que não estão contra a Europa e que não pretendem sair do euro caso o partido chegue ao poder após as legislativas de dia 25, a influente The Economist, publicada a partir de Londres, continua a garantir que, da forma como as coisas estão, a Grécia só pode rebentar com o projeto europeu.
A Itália e Portugal serão os primeiros a ser apanhados na onda de choque, acredita Simon Baptist, o economista-chefe da The Economist Intelligence Unit (EIU). A revista é uma das mais influentes na difusão das ideias de política económica do paradigma dominante. Numa nota enviada aos jornais intitulada "Memória curta", Simon Baptist acusa tudo e todos: os gregos, as instituições europeias, os mercados. Está pessimista.
Origem.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
desemprego Grécia,
Diário de Notícias,
economia,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
Grécia,
Internacional,
miséria Grécia,
miséria Portugal,
neoliberalismo,
The Economist
sábado, 3 de janeiro de 2015
Outras Palavras [Nuno Ramos de Almeida]: A democracia começa na Grécia
A Islândia rompeu com o modelo de exploração bancária e se deu bem!
Outras Palavras: A democracia começa na Grécia
Por Nuno Ramos de Almeida
Talvez 2015 — um ano que promete tudo, menos pasmaceira — tenha começado antecipadamente nesta quarta-feira, 29/12. Fracassou uma manobra do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, para assegurar seu próprio mandato até 2016. Como resultado, haverá eleições parlamentares antecipadas em 25/1. Segundo as pesquisas, a Syriza — Frente de Esquerda Radical — é favorita para formar novo governo. Seu principal líder, Alexis Tsipras, declarou, minutos depois: “uma página foi virada. Em pouco tempo, as políticas de ‘austeridade’ impostas ao país farão parte do passado”. São, em dose mais radical, o mesmo que Joaquim Levy, o ministro da Fazenda escolhido por Dilma Roussef, quer impor ao Brasil, também a partir de 2015…
Uma vitória da Syriza teria consequências além da Grécia e da Europa. Desafiaria o estranho retorno do neoliberalismo — a política ultracapitalista que provocou a crise iniciada em 2008, mas que paradoxalmente recuperou influência, por faltarem, ainda, opções sistêmicas. Por isso, não será fácil. Imediatamente após anunciadas as eleições, o Fundo Monetário Internacional (FMI) suspendeu o pagamento de um empréstimo à Grécia, com o qual havia se comprometido. E o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaueble, dirigiu-se aos gregos repetindo, “ipsis literis”, a frase de Margareth Thatcher: “não há alternativas”…
Os gregos se curvarão? Talvez seja o primeiro grande desafio de 2015, o primeiro ato a definir seu sentido. “Outras Palavras” celebrará, nas próximas horas: por um ano que sacuda os acomodados e acalente os inquietos! Foi ótimo ter sua companhia em 2014. Estejamos juntos nos tempos áridos, porém cheios de oportunidades, que se abrirão. Tin-tim! (A.M.)[Antonio Martins]
Quando os EUA ocuparam o Iraque enviaram um homem para mandar no país: Paul Bremer foi o escolhido. O homem que usava terno e gravata com botas militares notabilizou-se por ter defendido publicamente o seguinte: os iraquianos vão ter uma democracia, vão poder eleger todo mundo, menos os partidos com que os americanos não estão de acordo.
Apesar de o Iraque desse tempo viver sob ocupação militar e a União Europeia ser um espaço formalmente constituído por países independentes, esta é a situação dos povos a mando da troika [FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu]: os povos são livres para votar, desde que não ponham em causa a ordem imposta a partir do eixo Berlim-Bruxelas. E para lembrar isso aos mais recalcitrantes, usam-se todas armas disponíveis: depois de o FMI anunciar a suspensão do pagamento da sexta parcela de um empréstimo, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble veio a público afirmar que “os gregos não têm alternativa” às políticas de austeridade.
A receita da chantagem e da pressão é velha, mas tem dado até agora os seus resultados. Em 2011 a troika anunciou também a suspensão de uma parcela, do primeiro empréstimo à Grécia. A decisão de ouvir o povo e fazer um referendo às medidas da troika, anunciada pelo então primeiro-ministro grego, Papandreu, deixou Berlim e Bruxelas em estado de guerra. O governo grego foi obrigado a recuar em toda a linha e a assumir que as imposições da troika não estavam sujeitas às decisões democráticas.
Nesta segunda tentativa de chantagem, a Grécia tem mais uns anitos de medidas impostas pelo estrangeiro que levaram à destruição do país e ao empobrecimento da sua população, o que faz com que nenhum habitante ignore que esta chantagem pode ser poderosa, porque apela ao medo do desconhecido. Mas sabem o fundamental: que a política da troika se limitou a garantir os lucros dos especuladores: roubar aos pobres para dar aos ricos. Nenhum dos problemas estruturais da economia grega foi resolvido: o país produz menos, tem mais desempregados, deve mais e está mais pobre e desigual. A única coisa que estas políticas, com selo da chanceler alemã, conseguiram foi dar mais dinheiro aos do costume: os especuladores e os muito ricos.
No dia 25 de Janeiro realizam-se eleições legislativas antecipadas na Grécia e pela primeira vez um partido antitroika pode ganhar. As sondagens dão como vencedor o Syriza (coligação de esquerda radical). Este pode ser o primeiro episódio de uma mudança diversa mas considerável na Europa. Depois da possível vitória da extrema-esquerda na Grécia, as sondagens dizem que em Espanha o Podemos poderá disputar o primeiro lugar das eleições. Na França, pode vir a triunfar a Frente Nacional e no Reino Unido cresce o UKIP. Todos estes partidos são diferentes, a única coisa que os une é responderem a um mal-estar crescente dos povos em relação à integração europeia e às políticas ditadas pelo governo de Berlim.
Leia tudo.
Outras Palavras: A democracia começa na Grécia
Por Nuno Ramos de Almeida
![]() |
| Gregos vão às urnas em 25/1, podendo derrubar políticas de “austeridade” e iniciar uma revolução democrática. Por isso, FMI e Alemanha já chantageiam… Do Outras Palavras. |
Talvez 2015 — um ano que promete tudo, menos pasmaceira — tenha começado antecipadamente nesta quarta-feira, 29/12. Fracassou uma manobra do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, para assegurar seu próprio mandato até 2016. Como resultado, haverá eleições parlamentares antecipadas em 25/1. Segundo as pesquisas, a Syriza — Frente de Esquerda Radical — é favorita para formar novo governo. Seu principal líder, Alexis Tsipras, declarou, minutos depois: “uma página foi virada. Em pouco tempo, as políticas de ‘austeridade’ impostas ao país farão parte do passado”. São, em dose mais radical, o mesmo que Joaquim Levy, o ministro da Fazenda escolhido por Dilma Roussef, quer impor ao Brasil, também a partir de 2015…
Uma vitória da Syriza teria consequências além da Grécia e da Europa. Desafiaria o estranho retorno do neoliberalismo — a política ultracapitalista que provocou a crise iniciada em 2008, mas que paradoxalmente recuperou influência, por faltarem, ainda, opções sistêmicas. Por isso, não será fácil. Imediatamente após anunciadas as eleições, o Fundo Monetário Internacional (FMI) suspendeu o pagamento de um empréstimo à Grécia, com o qual havia se comprometido. E o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaueble, dirigiu-se aos gregos repetindo, “ipsis literis”, a frase de Margareth Thatcher: “não há alternativas”…
Os gregos se curvarão? Talvez seja o primeiro grande desafio de 2015, o primeiro ato a definir seu sentido. “Outras Palavras” celebrará, nas próximas horas: por um ano que sacuda os acomodados e acalente os inquietos! Foi ótimo ter sua companhia em 2014. Estejamos juntos nos tempos áridos, porém cheios de oportunidades, que se abrirão. Tin-tim! (A.M.)[Antonio Martins]
Quando os EUA ocuparam o Iraque enviaram um homem para mandar no país: Paul Bremer foi o escolhido. O homem que usava terno e gravata com botas militares notabilizou-se por ter defendido publicamente o seguinte: os iraquianos vão ter uma democracia, vão poder eleger todo mundo, menos os partidos com que os americanos não estão de acordo.
Apesar de o Iraque desse tempo viver sob ocupação militar e a União Europeia ser um espaço formalmente constituído por países independentes, esta é a situação dos povos a mando da troika [FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu]: os povos são livres para votar, desde que não ponham em causa a ordem imposta a partir do eixo Berlim-Bruxelas. E para lembrar isso aos mais recalcitrantes, usam-se todas armas disponíveis: depois de o FMI anunciar a suspensão do pagamento da sexta parcela de um empréstimo, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble veio a público afirmar que “os gregos não têm alternativa” às políticas de austeridade.
A receita da chantagem e da pressão é velha, mas tem dado até agora os seus resultados. Em 2011 a troika anunciou também a suspensão de uma parcela, do primeiro empréstimo à Grécia. A decisão de ouvir o povo e fazer um referendo às medidas da troika, anunciada pelo então primeiro-ministro grego, Papandreu, deixou Berlim e Bruxelas em estado de guerra. O governo grego foi obrigado a recuar em toda a linha e a assumir que as imposições da troika não estavam sujeitas às decisões democráticas.
Nesta segunda tentativa de chantagem, a Grécia tem mais uns anitos de medidas impostas pelo estrangeiro que levaram à destruição do país e ao empobrecimento da sua população, o que faz com que nenhum habitante ignore que esta chantagem pode ser poderosa, porque apela ao medo do desconhecido. Mas sabem o fundamental: que a política da troika se limitou a garantir os lucros dos especuladores: roubar aos pobres para dar aos ricos. Nenhum dos problemas estruturais da economia grega foi resolvido: o país produz menos, tem mais desempregados, deve mais e está mais pobre e desigual. A única coisa que estas políticas, com selo da chanceler alemã, conseguiram foi dar mais dinheiro aos do costume: os especuladores e os muito ricos.
No dia 25 de Janeiro realizam-se eleições legislativas antecipadas na Grécia e pela primeira vez um partido antitroika pode ganhar. As sondagens dão como vencedor o Syriza (coligação de esquerda radical). Este pode ser o primeiro episódio de uma mudança diversa mas considerável na Europa. Depois da possível vitória da extrema-esquerda na Grécia, as sondagens dizem que em Espanha o Podemos poderá disputar o primeiro lugar das eleições. Na França, pode vir a triunfar a Frente Nacional e no Reino Unido cresce o UKIP. Todos estes partidos são diferentes, a única coisa que os une é responderem a um mal-estar crescente dos povos em relação à integração europeia e às políticas ditadas pelo governo de Berlim.
Leia tudo.
Labels:
'REFAZENDA2010-blog,
capitalismo,
desemprego Grécia,
FMI,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
Grécia,
Internacional,
Islândia,
Outras Palavras
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Outras Palaras-> Chomsky: “Triste espécie. Pobre coruja de Minerva”
O mundo unilateral!...
Chomsky: “Triste espécie. Pobre coruja de Minerva”
Por
Noam Chomsky
– on 07/10/2014Categorias: Geopolítica, Home Autor, Mundo, PostsNoam Chomsky

“Nossa civilização teve início há 10 mil anos,
entre o Tigre e o Eufrates. O que lá ocorre hoje fornece lições
dolorosas sobre o abismo a que podemos chegar”
Por Noam Chomsky | Tradução: Tiago Franco
Não é agradável contemplar os pensamentos que devem
estar passando pela mente da Coruja de Minerva, que alça voo ao cair do
crepúsculo e toma para si a tarefa de interpretar cada era da
civilização humana — esta mesma que pode, agora, estar se aproximando de
um final inglório.
Nossa era começou há quase 10 mil anos, na região da
Crescente Fértil. Estendeu-se, a partir das terras do Tigre e Eufrates,
pela Fenícia, na costa oriental do Mediterrâneo, chegando ao vale do Rio
Nilo e de lá para além da Grécia. O que está acontecendo nesta região
fornece dolorosas lições sobre o abismo ao qual a espécie humana pode
chegar.
As terras do rios Tigre e Eufrates têm sido palco de
horrores indescritíveis nos últimos anos. A ofensiva de George W. Bush e
Tony Blair em 2003, que muitos iraquianos compararam à invasão mongol
do século XIII, foi mais um golpe letal. Destruiu grande parte do que
havia sobrevivido às sanções da ONU, dirigidas por Bill Clinton contra o
Iraque e condenadas como “genocídio” por ilustres diplomatas como Denis
Halliday e Hans von Sponeck, que as administravam antes de renunciarem
em protesto. Os devastadores relatórios de Halliday e von Sponeck
receberam o tratamentos usualmente dispensado a fatos indesejados…
Leia tudo aqui!
Labels:
“Triste espécie. Pobre coruja de Minerva”,
Artigo,
Cenário Internacional,
Chomsky,
geopolítica não considera direitos,
Outras Palavras,
REFAZENDA2010-blog
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Caros Amigos: A ameaça nazista que surge dos escombros da crise grega
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
![]() |
| Caros Amigos |
A ameaça nazista que surge dos escombros da crise grega
Publicado em Quarta, 01 Agosto 2012 13:58 Escrito por Caros Amigos
Aurora Dourada cresce na esteira da crise econômica e social
Por Caio Zinet e Gabriela Moncau
Caros Amigos
“No choque, as pessoas perdem seus antigos pontos de orientação. Elas estão abertas a novas políticas, de direita ou de esquerda”. A frase do filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek em seu livro mais recente, “Vivendo no Fim dos Tempos” (Boitempo), se encaixa como uma luva na atual conjuntura da Europa em crise.
Publicado em Quarta, 01 Agosto 2012 13:58 Escrito por Caros Amigos
Aurora Dourada cresce na esteira da crise econômica e social
Por Caio Zinet e Gabriela Moncau
Caros Amigos
“No choque, as pessoas perdem seus antigos pontos de orientação. Elas estão abertas a novas políticas, de direita ou de esquerda”. A frase do filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek em seu livro mais recente, “Vivendo no Fim dos Tempos” (Boitempo), se encaixa como uma luva na atual conjuntura da Europa em crise.
A Grécia, primeiro país a experimentar a austeridade imposta pela Troika (Banco Central Europeu, União Europeia e Fundo Monetário Internacional), vivencia ao extremo essa realidade. De um lado a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) experimentou um crescimento vertiginoso no seu resultado eleitoral saltando de 4% em 2009 para 27% nas últimas eleições de junho de 2012, quando por apenas 2% não ganhou do direitista Nova Democracia que conseguiu eleger Antonis Samarás como primeiro-ministro.
Na outra ponta, o partido de ultra direita Aurora Dourada (AD) também teve um crescimento espantoso saltando de 0,3% em 2009 para 7% nas últimas eleições. Pela primeira vez o partido conseguiu entrar no parlamento, ocupando 19 cadeiras. Isso sem contar os nacionalistas de direita, Gregos Independentes, que tiveram 7,51% dos votos elegendo 20 deputados, e os também reacionários do LAOS que tiveram 1,57% dos votos.
O crescimento e a força de partidos de direita não é novidade na Europa. São comuns partidos ganharem expressão eleitoral se baseando em uma plataforma xenófoba que culpa os imigrantes pela falta de empregos, defendendo sua expulsão do país e o endurecimento de políticas anti-imigrantes.
Na França, por exemplo, a Frente Nacional de Jean Marie Le Pen e sua filha, Marine Le Pen, obtém expressivos resultados eleitorais desde pelo menos 2002, quando teve 19% dos votos e por pouco não ganhou as eleições daquele ano. No último pleito, que ocorreu esse ano, Marine obteve quase 18% dos votos ficando em terceiro lugar logo atrás de Nicolas Sarkozy e François Hollande.
O que vemos na Grécia, no entanto, parece estar um patamar acima dessas experiências. Para além de palavras e discursos racistas e anti-imigrantes, os membros do Aurora Dourada tem tomado as ruas com práticas violentas. Dia sim, e o outro também, as manchetes dos jornais gregos estampam notícias sobre espancamentos cometidos por grupos de cerca de dez pessoas contra imigrantes (em especial paquistaneses e afegãos).
Na noite do dia da última eleição, em 17 de junho, por exemplo, um imigrante paquistanês foi espancado dentro de uma estação de trem de Atenas. Testemunhas disseram à polícia que 11 homens vestidos de preto, espécie de uniforme do partido, deram socos e pontapés no imigrante e em seguida o esfaquearam. A vítima foi encaminhada para o hospital, e embora tenha sido muito machucada, sobreviveu ao atentado.
Militantes de esquerda também têm sido alvo de ataques. Uma barraca do Partido Comunista Grego (KKE) foi atacada no dia 15 de junho, dois dias antes das eleições num bairro mais afastado do centro de Atenas. Na mesma noite, o mesmo aconteceu com um espaço da Syriza.
O Aurora Dourada nega ser o organizador dos ataques, mas várias lideranças do partido foram identificadas após agredirem pessoas na rua. Além disso, a maioria dos ataques segue um padrão. Um grande grupo, em torno de dez ou mais pessoas, todas vestidas de preto e em sua maioria homens carecas, no período da noite, cercam e espancam um imigrante.
Poucos foram agressores foram presos, e menos pessoas ainda foram condenadas pelos ataques. Uma das razões que explica isso é que se estima que o partido tenha 50% de apoio entre os policiais militares da Grécia.
“Eu já estive em manifestações no Brasil, na av. Paulista, por exemplo, contra o aumento da tarifa do ônibus. Vi muito repressão policial. Mas quando vem uma ordem de cima dizendo para eles pararem, eles param. Aqui não tem essa. Eles atuam por iniciativa própria, porque gostam de combater as pessoas, estão convencidos ideologicamente contra a esquerda, contra os pobres, contra os imigrantes”, afirmou Kriton Iliópulos, tradutor, membro do coletivo Alana e da revista que leva o mesmo nome e que morou no Brasil durante cinco anos. Continue lendo.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Carta Maior[Saul Leblon]: O "novo normal"
Ao mesmo tempo em que demonstra infinita capacidade de se multiplicar enquanto capital fictício - existem US$ 600 trilhões em supostos direitos de saque sobre um PIB mundial de US$ 60 trilhões - o capitalismo financeiro impõe normas e interditos à sociedade que a impedem de ativar seu pleno potencial produtivo. Capturado por esse redil, o Estado abdica de exercer uma tributação efetiva sobre a plutocracia. A 'opção' pelo endividamento de modo a cumprir funções básicas restringe sua capacidade de ordenar o crescimento e, sobretudo, tracionar a economia em período de recessão, como agora. Às vezes o recurso até existe, mas a estrutura para operacionalizá-lo foi desmontada. O governo Dilma sabe o que isso significa.
A espiral da dívida pública, inerente à sub-taxação, faz dos títulos soberanos o novo lastro da riqueza financeira. Graças à livre mobilidade dos capitais , hoje essa 'funcionalidade' é exercida pelos títulos alemães, suíços e norte-americanos. Seus bônus pagam juro negativo, mas representam um cais de repouso confiável à ' bolha financeira', ou ao que restou dela.
A contrapartida é a quebradeira de Estados zumbis que não conseguem captar nem pagando taxas recordes, caso da Espanha, Portugal, Grécia entre outros. Dá-se assim o desconcertante paradoxo: de um lado sobram recursos a certos Tesouros que se financiam a taxas negativas. De outro, imensas poças de potencial produtivo se acumulam no resto do mundo na forma de desemprego obsceno, fome bíblica , infra-estrutura em frangalhos, cidades caóticas, periferias conflagradas, pobreza e sub-consumo.
Convencer a sociedade de que esse é o 'novo normal' parece ser o plano B do neoliberalismo para ganhar tempo e digerir seu imenso passivo, sem alterar o escopo de poder que o consagra. Nos EUA já se especula que uma taxa de desemprego da ordem de 8% seria o 'novo normal'. Na Europa, admite-se que uma década de atividade rebaixada, até a conclusão do ciclo de ajuste, seria o novo normal do euro.
Eventos climáticos extremos são reportados como o novo normal, dada a impossibilidade de se carrear recursos para projetos globais de reordenação energética e controle de emissões.Continue lendo.
Labels:
bancos,
capitalismo,
Carta Maior,
economia,
Europa,
fome,
neoliberalismo,
planeta,
REFAZENDA2010-blog
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Carta Capital[José Antonio Lima]: Crise abala fé no capitalismo, mas não entre os brasileiros
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
José Antonio Lima
12.07.2012 14:30
Uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos, mostra como a crise econômica mundial tem abalado a crença de que o capitalismo é o melhor sistema para se viver. O levantamento do Pew, feito com 26 mil pessoas em 21 países entre março e abril, revelou que no mundo desenvolvido, mais afetado pela crise, o apoio ao capitalismo vem ruindo. Ao mesmo tempo, os brasileiros despontam como um dos principais entusiastas do sistema.
O Pew mede o apoio ao capitalismo questionando os entrevistados em que medida eles concordam com a frase “as pessoas estão bem numa economia livre mercado, mesmo que existam alguns pobres e alguns ricos”. Em 13 dos 21 países, 50% ou mais das pessoas responderam favoravelmente. Entre os oito onde a maioria “rejeita” o capitalismo estão a Espanha (47% apoiam) e a Grécia (44%), duas das nações mais afetadas pela crise.
As piores margens de apoio estão no Japão (38%) e no México (34%). Dos 21 países, 16 já haviam sido pesquisados pelo Pew anteriormente. Em nove desses 16 país o apoio ao capitalismo vem caindo. O maior declínio foi verificado na Itália (23 pontos percentuais) e na Espanha (20 pontos).
No Brasil, entretanto, as coisas são diferentes. Três em cada quatro pessoas entrevistadas no País disseram concordar com a frase “as pessoas estão bem numa economia livre mercado, mesmo que existam alguns pobres e alguns ricos”. O resultado chama a atenção, uma vez que, em 2002 e 2006, ao eleger Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2010, ao escolher Dilma Rousseff, os brasileiros colocaram no poder governantes que tinham no combate à desigualdade social uma de suas prioridades. Continue lendo.
Labels:
capitalismo,
Carta Capital,
economia,
neoliberalismo,
REFAZENDA2010-blog
sábado, 7 de julho de 2012
Carta Maior: Escândalo da taxa libor pode ser um "golpe devastador"
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
Sempre os bancos... Ladrões!
Escândalo da taxa libor pode ser um "golpe devastador"
O escândalo envolve cerca de 20 grandes bancos internacionais e um mercado de cerca de 500 trilhões de dólares, quatro vezes o PIB dos Estados Unidos. Em entrevista à Carta Maior, o professor de Economia do Centro de Investigação de Mudança Sócio-Cultural (CRESC), da Universidade de Manchester, Michael Moran, assinalou que este escândalo pode ser um golpe devastador na frágil credibilidade do sistema financeiro internacional. A reportagem é de Marcelo Justo, direto de Londres.
Marcelo Justo - Londres
Londres - A atual crise econômica mundial é filha do estouro financeiro de 2008. O resgate das principais instituições financeiras, os pacotes de estímulo fiscal e a recessão mundial conduziram à crise da dívida soberana com epicentro na eurozona. Os resgates de Grécia, Portugal e Irlanda serviram para evitar uma crise dos bancos e entidades credoras desses países. Na Irlanda, o Estado assumiu toda a dívida construída por seus principais bancos: o balanço fiscal passou do superávit de 2007 para um prejuízo equivalente a 32% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.
O escândalo da manipulação da taxa interbancária Libor que estourou na semana passada é uma nova etapa desta longa crise do sistema financeiro. O escândalo envolve cerca de 20 grandes bancos internacionais e um mercado de cerca de 50 trilhões de dólares, quatro vezes o PIB dos Estados Unidos. Em entrevista à Carta Maior, o professor de Economia do Centro de Investigação de Mudança Sócio-Cultural (CRESC), da Universidade de Manchester, Michael Moran, assinalou que este escândalo pode ser um golpe devastador na frágil credibilidade do sistema financeiro internacional.
Há nove entidades reguladoras investigando a manipulação das taxas Libor. É um escândalo global, mas tem o mesmo potencial sistêmico que teve a quebra do Lehman Brothers em 2008?
A taxa Libor tem um impacto mundial. Ela determina a taxa pela qual se empresta aos bancos e isso, por sua vez, se transmite às taxas de juros pagas pelos consumidores e pelo mundo produtivo em seus empréstimos. Como Londres é o centro financeiro mais importante do mundo, juntamente com Nova York e Tóquio, uma manipulação dessa taxa afeta o sistema bancário no Brasil ou na Tailândia. Além disso, o escândalo expõe o nível de desregulação e descontrole com que operam os mercados financeiros. O que ocorreu não foi uma conduta ilícita de 14 traders como disse quarta-feira o diretor do Barclays, Bob Diamond, ante o parlamento britânico.
O atual escândalo é um novo golpe na confiança de que necessita um sistema financeiro para existir. Acaba de começar, mas tem meses e mesmo anos pela frente. Nos Estados Unidos podemos ter uma catarata de demandas judiciais. No Reino Unido, reabriu em toda sua dimensão o debate sobre a regulação do sistema financeiro no momento em que ainda está se discutindo a nova lei, que até agora parecia uma versão muito aguada da proposta original. Acreditamos que agora vai aumentar muito a exigência para que as bancas comercial e especulativa fiquem claramente separadas.
Como se manipula uma taxa interbancária?
A taxa Libor não reflete o que os bancos estão fazendo no mercado. Ela reflete o que os bancos dizem. Os 16 bancos mais importantes de Londres dizem diariamente que taxa de juro pensam que terão que pagar por pedir dinheiro emprestado. A Associação bancária que coordena a valoração da taxa descarta as estimativas mais altas e as duas mais baixas, tirando uma média com o restante das estimativas dos bancos. Essa taxa média é o Libor que funciona como ponto de referência para a determinação da taxa pela qual os bancos vão emprestar dinheiro. A estimativa feita por cada banco não é arbitrária: ela tem que cair dentro de uma zona de credibilidade. Mas com o volume de operações em jogo, uma variação de 0,5% significa bilhões.
Além dos bancos, quem são os ganhadores e os perdedores com essas manobras?
A manipulação ocorreu tanto para baixo como para cima, com o que havia grupos que podiam perder em um momento e ganhar em outro: os bancos ficavam sempre em melhor situação. Ou seja, se a taxa libor baixa isso tem um impacto na taxa que os consumidores pagam por seus empréstimos: os consumidores se beneficiam. Mas, ao mesmo tempo, os investidores, os fundos de pensão, recebem menos juro por seus empréstimos. Um dos dramas é que atores muito importantes do mercado financeiro acreditava que a taxa Libor era parte de um cálculo honesto e transparente da taxa de juros.
Lembremos também que o escândalo está centrado, no momento, no Barclays porque ele foi o primeiro a ser multado pelas autoridades regulatórias dos Estados Unidos e do Reino Unido, mas há quase 20 outros bancos envolvidos. É óbvio que o escândalo crescerá. Nas próximas semanas começaremos a entender a verdadeira dimensão desse escândalo. Em última instância, o que está em jogo é a estrutura do sistema bancário e do sistema regulador.
Tudo isso está ocorrendo paralelamente à crise da eurozona, na qual a vulnerabilidade do sistema bancário é muito clara. Pode haver um contágio deste escândalo que piore a situação dos bancos europeus? Pode haver uma repetição de 2008?
A crise europeia implicou uma contínua injeção de recursos para alavancar os bancos. Isso teve um forte impacto político nos países resgatados. Ao mesmo tempo, as intervenções do Banco Central Europeu (BCE) para alavancar os bancos resultaram na absorção de dívidas incobráveis dessas entidades. Em algum momento, o próprio BCE terá que dar conta dessas dívidas. O sistema é muito frágil. Seria uma estupidez descartar uma repetição do que ocorreu em 2008. Isso pode ocorrer de várias maneiras. A mais óbvia é a derrocada da eurozona. Um grande mistério é qual a situação real dos bancos britânicos face à essa situação. Sabemos que estão bastante expostos a Espanha, por exemplo. Não sabemos, porém, que impacto todo esse escândalo da taxa libor terá sobre o sistema financeiro britânico. Origem.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Labels:
bancos,
Carta Maior,
economia,
Inglaterra,
juros,
manipulação
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Outras Palavras: A Grécia revive uma “vitória de Pirro”
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
A Grécia revive uma “vitória de Pirro”
– 19/06/2012
Partidos tradicionais vencem eleições, mas deparam-se com país arruinado e intransigência da “troika”. Nova esquerda planeja futuro. Mercados atacam Espanha
Por Antonio Martins
Considerado um dos maiores generais da Grécia antiga, Pirro, rei do Épiro, invadiu a Península Itálica em 280 a.C. disposto a frear a expansão dos romanos. Seu exército numeroso e muito bem-armado, dotado de vasta cavalaria e elefantes, alcançou inicialmente alguns triunfos. Mas, ao contrário do adversário, não tinha apoio da população local – e foi definhando ao longo dos combates. Em 279 a.C., Pirro venceu os romanos em Ásculo, mas perdeu 3,5 mil homens. Quando seus oficiais foram cumprimentá-lo pelo triunfo, respondeu com amargura: “mais uma vitória destas e estou arruinado”.
É possível que uma sensação semelhante tenha se apoderado, a esta altura, de Antonio Samaras, o grego que lidera o partido (de centro-direita) Nova Democracia. Depois de vencer por estreita margem as eleições parlamentares do domingo (29,7% x 26,9%), ele quer formar um novo governo, com duas outras agremiações menores – Pasok e Esquerda Democrática – que também se submeteram aos acordos impostos ao país pela oligarquia financeira e pela troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI). Três fantasmas o assombram.
Primeiro, terá de apresentar, a um país já muito combalido, nova bateria de más notícias, previstas no compromisso que seu partido endossou. Não há sinais de alívio. Horas depois do pleito, a troika exigiu respeito ao pacto e avisou que não fará concessões. Por fim, a Syriza, coalizão política que reúne partidos e movimentos cidadãos, anunciou que continuará na oposição e na luta por um Programa de Reconstrução Nacional. Samaras precisa de um fato novo que modifique repentinamente todo o cenário – ou suas chances de fazer um governo estável serão próximas de zero. Continue lendo.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Caros Amigos: Nova Democracia inicia negociações para compor seu governo
(Experimente o uso dos marcadores - tags, abaixo de cada post, em vermelho, é mais rápido do que a busca, acima, a esquerda.)
Nova Democracia inicia negociações para compor seu governo
Esta segunda-feira foi dia de reuniões e negociações em Atenas
Por Caio Zinet
Esta segunda-feira foi dia de reuniões e negociações em Atenas
Por Caio Zinet
Enviado Especial de Caros Amigos
ATENAS - Os principais líderes do Nova Democracia passaram toda essa segunda-feira em reuniões na tentativa de conformar coalizões com os demais partidos para formar um governo. Antonio Samaras, principal líder e provável futuro primeiro-ministro da Grécia, afirmou ontem que quer fazer um governo de União Nacional com todos os partidos. Seu desejo, no entanto, não irá se concretizar.
Os conservadores dos Gregos Independentes (racha do Nova Democracia), que são contra as medidas de austeridade, também não devem fazer parte do governo com o Nova Democracia. “Não podemos fazer parte de um governo nas condições que Samaras coloca”, afirmou Pannos Kamennos.
Sem Alianças
O Partido Comunista Grego (KKE) já havia dito que não faria coalizões, qualquer que fosse o resultado das eleições de 17 de junho. O Nova Democracia decidiu não fazer reunião com o fascista Amanhar Dourado. Dessa forma, as últimas opções de coalizão para o Nova Democracia são o Esquerda Democrática (racha da Syriza) e o Pasok (Movimento Socialista Pan-Helênico). O primeiro deixou claro antes das eleições que acredita que o mais importante para a Grécia nesse momento é conformação de um governo, e portanto devem fazer parte de uma coligação que dê suporte ao novo primeiro-ministro grego.
A aliança com o Pasok, que antes da eleição era dada com certa, ainda não está confirmada. Evangelos Veninzelos, líder do partido, surpreendeu os gregos em seu discurso ontem a noite quando afirmou que só participaria de um governo com o Nova Democracia caso a Syriza também participasse. “Precisamos da uma governo nacional de co-responsabilidade”, afirmou.
Como esse cenário está descartado, há uma possibilidade de o Pasok não compor o novo governo. A expectativa, no entanto, é que Venizelos recue da posição adotada no discurso pós-eleitoral e participe do governo.
Pela legislação grega, o primeiro partido nas eleições tem 3 dias para formar um governo, mas a expectativa é que a composição final seja anunciada nesta terça (19) quando todos os partidos principais se reunirão. O novo governo deverá ter a participação da Esquerda Democrática e do Pasok, além do vencedor nas eleições, Nova Democracia. Nesse cenário, a base de apoio de governo teria 179 deputados dos 300 que compõem o parlamento.
Amanhecer Dourado “comemora” resultado
Os fascistas do Amanhecer Dourado realizaram mais um ataque na noite de ontem. A vítima foi um imigrante paquistanês que foi esfaqueado em uma estação de trem de Atenas. Testemunhas dizem que 11 homens vestidos de preto, espécie de uniforme do partido, deram socos e pontapés no imigrante e em seguida o esfaquearam. A vítima foi encaminhada para o hospital, e embora esteja muito machucado não corre risco de morte.
Esses ataques se tornaram comuns, em especial depois das eleições de 6 de maio que deram 7% de votos para os nazistas. Poucos responsáveis foram presos, e nenhum foi punido até o momento. O principal motivo para a impunidade é que os principais apoiadores dos fascistas estão na polícia grega. Estima-se que 50% dos policiais votaram no Amanhecer Dourado que manteve os resultados das últimas eleições e terá direito a 18 cadeiras. Origem.
Labels:
Caros Amigos,
economia,
FMI Fome Miséria Internacional,
fome Grécia,
Grécia,
miséria Grécia,
REFAZENDA2010-blog
Assinar:
Postagens (Atom)


