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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO

Ou de como a carruagem foi se transformando em abóbora

            Max Antônio Amaral

Ao final do clássico e com o vice-campeonato matematicamente confirmado confesso que comemorei como fosse um título.
Não, não foi festa de quem está no jejum há muito tempo. A explicação é muito simples.
O vice-campeonato significava e significa a participação definitiva e direta do Atlético no principal torneio do continente. E mais: com tempo de se preparar e fazer uma pré-temporada condizente com as exigências do torneio.
Ingenuamente acreditava que o Atlético iria se reforçar pontual e estrategicamente para disputar a próxima Libertadores.
Achava que a experiência acumulada pelo diretor Eduardo Maluf no rival e a ambição do presidente que, no meu entendimento, deveria estar sonhando em ser o primeiro presidente do Atlético a colocar no peito as faixas de campeão da Libertadores e do mundo, norteariam o planejamento e as contratações do clube para a próxima temporada.
Mas não, tudo não passou de um sonho. Mal 2013 se inicia e o sonho já se converteu em uma grande frustração.
Hoje vejo com clareza que eu estava redondamente enganado. Inexplicavelmente o Atlético, além de não se reforçar como devia, inicia a temporada 2013 praticamente com o mesmo elenco e com os mesmos problemas de composição e, portanto, com as mesmas deficiências e com os mesmos problemas que inviabilizaram a conquista do título brasileiro de 2012.
Por exemplo: o buraco tático aberto com a saída mal explicada e mal administrada de Danilinho remanesce. Assim, os riscos de que Guilherme uma vez mais seja submetido àquele imoral, cruel e absurdo sacrifício tático que o treinador lhe impusera no ano passado, são mais do que reais. Diria eu que até são óbvios.
O que Guilherme poderá esperar da torcida alvinegra diante de possíveis novos maus desempenhos em função de mais sacrifícios táticos que certamente Cuca lhe imporá nesta temporada? A resposta é simples: mais incompreensão, mais intolerância, mais desgaste, mais críticas injustas, mais vaias.
E o que dizer das caras novas anunciadas até agora?
Gilberto Silva é um excepcional jogador. O fato complicador é a idade avançada. Não tenho nenhuma duvida de que ele será utilizado de forma estratégica e tática. Mas, por certo, não veio para ser titular absoluto. De qualquer maneira, seja bem vindo.
Rosinei é uma incógnita. Se bem me lembro, ele é um volante que sai para o jogo. Um Serginho melhorado. Ouvi dizer que ele teria sido contratado para ocupar o espaço deixado por Danilinho. Para jogar em sua posição e cumprindo funções de acordo com as suas características Rosinei é muito bem vindo. Mas, para ser a solução definitiva do time na armação pelo lado direito acho isso uma temeridade. Além disso, o seu histórico recente de contusões deixa muito suspense quanto ao que ele poderá mostrar no Atlético.
Luan é jovem demais, inexperiente e, além de tudo isso, está contundido e a sua recuperação irá certamente comprometer a sua pré-temporada.
Alecsandro tem, em princípio, tudo para ser titular. Apesar de ser apenas um bom atacante, sem nenhum brilho especial, é melhor do que Jô, o que, aliás, não é vantagem, é obrigação de qualquer atacante que queira jogar no Atlético.
A Libertadores exige um perfil de jogadores do qual o elenco atual do Atlético é absolutamente carente.
Preocupa-me bastante o lado emocional, psicológico e o equilíbrio do time. A campanha bizarra do segundo turno do brasileirão 2012 me deixa com muitas pulgas atrás das minhas orelhas.
Aliás, não só a equipe se mostrou oscilante durante todo o segundo turno, como Cuca também usou e abusou do direito de errar. O comando central errou feio ao não identificar e corrigir os desvios de rota que se verificaram um sem numero de vezes e que arrasaram a equipe especialmente no segundo turno da competição.
É bom lembrar que os problemas que pipocaram durante o segundo turno já se pré-anunciavam há algum tempo e demandavam ações corretivas que, infelizmente, jamais foram desenvolvidas por quem de direito.
Não fosse a incrível gordura acumulada no primeiro turno, talvez não tivéssemos conseguido nos classificar nem para a fase de pré-libertadores.
O empréstimo inexplicável, absurdo, temerário e absolutamente fora de hora de André para o Santos, talvez em um inoportuno acerto de caixa, a saída intempestiva de Danilinho, o sacrifício tático de Guilherme, a não utilização de Juninho, de Leleu e de Paulo Henrique, a ortodoxia tática, a insistência com os chutões para que Jô funcionasse como pivô (jogada manjada e facilmente marcada por todos os nossos adversários com o passar dos jogos) e o mau planejamento na formação do elenco que provocou deficiências de banco, ao contrario do que “vendia” uma propaganda maldosamente dirigida por determinados segmentos da mídia para iludir a massa, foram alguns, dentre outros, dos principais problemas do Atlético que sopitaram fundamentalmente no segundo turno do brasileirão, fazendo com que entregássemos o título de bandeja para o Fluminense e por pouco cedêssemos a outros clubes a nossa vaga na Libertadores.
Ao não reforçar o elenco e o time como era de se esperar, o comando alvinegro revela falha imperdoável de diagnóstico, imaginando que o simples fato de manter a base já seja suficiente para garantir sucesso nas empreitadas que o Atlético tem pela frente.
É bom lembrar que neste ano (2013) o Atlético deverá disputar além da Libertadores o campeonato mineiro, o campeonato brasileiro e a Copa do Brasil. Se vencermos a Libertadores o que é muito difícil, mas não impossível, também entrará na nossa agenda o Mundial Interclubes.
O calendário é complicado e prevê acúmulo de jogos e, portanto, exige um elenco reforçado e robusto, com um leque de opções elástico e eclético. Ou seja, com um elenco que o Atlético de hoje está longe de possuir.
De tudo isso, e a bem da verdade e da justiça, é preciso reconhecer que a realidade está a exigir do Atlético planejamento, estrutura, projeto, ousadia e visão, muito acima da capacidade de resposta de um clube que esteve submerso em um violento processo de definhamento nas últimas cinco décadas no mínimo.
É que não se passa de uma fase para outra em um simples estalar de dedos.
É preciso uma mudança ampla e geral de conceitos, de cultura, de metodologia administrativa e de estrutura. Ou seja, é preciso um projeto consistente que objetive a inserção definitiva do Atlético no primeiro mundo do futebol.
Para se atingir este patamar é preciso que o Atlético rompa de vez as barreiras de Minas e as limitações do mercado publicitário mineiro, maximizando com efetividade as suas receitas.
E isto demanda tempo. Tempo que a torcida não concede e jamais concederá.
Durante muito tempo o Atlético vem confundindo pensar com os pés no chão com pensar pequeno. Durante este mesmo tempo o Atlético vem confundindo também despesa com investimento. Ambos exigem gastos, apenas o segundo gera retorno, se bem planejado.
Inegavelmente o desafio do presidente e de quem quer que esteja à frente do clube é imenso.
O Atlético tem um fator propulsor tremendamente importante e amplamente favorável à construção e a alavancagem deste projeto: a fortuita contratação de Ronaldinho Gaúcho e a feliz renovação de seu contrato. Este é o fermento do bolo que, se bem preparado, bem que poderia comportar não apenas uma cereja, mas varias outras.
R49 é fabrica de dinheiro e arma de marketing extraordinária. O recente lançamento de seu filme na Índia mostra isso à exaustão.
Se bem utilizado e com planejamento adequado pode render frutos impressionantes para o clube. Com a sua contratação o Atlético caminhou dez anos em um e não pode se permitir qualquer tipo de retrocesso.
Ainda há tempo de se trazer a tal cereja para o nosso bolo. Mas, para isso, é preciso ousadia, sacrifício e atitude.
Tardelli não esconde que quer voltar. Existem outros clubes brasileiros interessados e que já estão se movimentando para contratá-lo.
É preciso ter em mente que Tardelli, antes de qualquer coisa, é profissional e não é obrigado a jogar no Atlético de graça.
Além disso, qualquer outro clube, sem exceção tem o direito de tentar contratá-lo e de lhe fazer propostas. Não se pode exigir que o atleta e o seu empresário não ouçam outras propostas.
O presidente, se ainda quiser contratá-lo, tem que ir até a fonte, ou seja, conversar diretamente com o dirigente máximo do clube árabe detentor dos direitos do craque. QUEM QUER VAI, QUEM NÃO QUER MANDA.
Quem chega à fonte primeiro bebe água limpa e se livra dos incômodos leiloes.
Que é uma contratação difícil ninguém duvida, mas não é impossível. E vale qualquer sacrifício.
O mesmo se aplica a Robinho.
Particularmente, tenho a forte sensação de que, desta vez, o Atlético não se movimentou para efetuar qualquer contratação de vulto, não quer e, muito provavelmente, não irá fazê-lo.
Via de regra, o atual presidente, apaixonado e destemido à sua maneira, quando quer vai. Desta vez, não. Se até agora nenhuma contratação de peso foi feita é porque não se andou de fato nesta direção. Uma pena.
Talvez os compromissos assumidos para honrar o contrato com Ronaldinho tenham intimidado o presidente.
É bom lembrar que a contratação de Alexandre Pato pelo Corinthians tem o dedo dos parceiros da equipe paulista e que uma transação deste porte já vem sendo imaginada e planejada há algum tempo. Não é coisa definida de um dia para o outro.
A Libertadores, entretanto, já está aí e o tempo é mais do que curto. Independentemente da chegada da tal cereja, resta ao Atlético agora fazer dos seus limões uma limonada tragável e suculenta.
Assim, entendo que dentre os jogadores que estavam emprestados Nikão, Eron e Geovani Augusto, amadurecidos e respaldados pelas excelentes campanhas que realizaram nas equipes onde estavam jogando e Mancini, em função da experiência, devem ser naturalmente reintegrados.
Com todo respeito a esta rapaziada, quem não tem cão, caça com gato.
E como disse acima, se der para trazer um dragão, Tardelli ou Robinho, todo sacrifício vale a pena.
Saudações atleticanas.
            


sexta-feira, 2 de março de 2012

Redação do REFAZENDA-blog, Blog do Pedro Porfírio: O descaminho para um Estado nanico num país onde soberania já é palavrão

O amigo da REFAZENDA2010, o jornalista cearense e radicado no Rio desde a adolescência, Pedro Porfírio, continua insuperável em sua pena. Desmascara as tramóias e maracutaias que dominam os governos mundiais em quase sua totalidade. A prevalência dos bancos sobre os governos covardes e comprometidos só aumenta.

Ontem(01/03) publicamos notícia da Agência Brasil em que diz que o parlamento grego aprovou a redução dos gastos com a saúde. Naturalmente, exigência perversa dos credores.

Portanto o neoliberalismo não arrefeceu, como quer parecer alguns autores. Pelo contrário, o que vemos atualmente, é o acirramento do predomínio do sistema financeiro internacional. Grécia, Portugal, Espanha, EUA(tem gente comendo rato lá!...) e sabe-se lá quantos países mais.

No Brasil não é diferente. Fórmulas maquiavélicas são inventadas e implementadas todos os dias.

As populações anestesiadas pela explosão do consumo - justa, boa e necessária - não percebem os ataques ao serviço público. Podem achar até interessante, esses marajás cheios de benefícios, pensam elas. Naturalmente, esse raciocínio fora incutido nelas pela velha mídia, assecla do sistema financeiro.

O prejuízo em médio e longo prazos está por vir. Foi assim com a saúde, foi assim com escola pública e poderá ser assim com a previdência privada, ou você aposta suas fichas em um investimento de horizonte de 30-45 anos?!

Infelizmente, no Brasil, os partidos estão fazendo pouca diferença...(posts relacionados)

quinta-feira, 1 de março de 2012

O descaminho para um Estado nanico num país onde soberania já é palavrão

A impressão que passam é a de que a salvação da lavoura  está na imolação dos servidores públicos

“Ninguém quer o bem público que não está de acordo com o seu”.
Jean-Jacques Rousseau, escritor e filósofo (1712-1778)


No Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, médicos e funcionários mobilizam a comunidade para exigir contratação de concursados e condições de bom atendimento a um bairro com mais de 200 mil habitantes. Esses servidores dedicados  a mídia não mostra. Do blog do Pedro Porfírio.
    O pretexto para aprovar a limitação das aposentadorias dos servidores públicos e descarregá-los num fundo de direito privado é falso e reflete uma adesão imprudente a um modelo envergonhado de privatização do Estado, segundo uma escalada urdida no bojo do projeto de globalização e desmanche das fronteiras nacionais sob a égide do Banco Mundial.

    Pode não parecer à primeira vista, mas essas mudanças no âmbito previdenciário, entrelaçadas com a Emenda Constitucional que suprimiu o regime jurídico único e a estabilidade, estão criando um novo tipo de servidor público, o empregado temporário, vulnerável aos leilões eventuais do “mercado”.

    Em miúdos, desfiguram a personalidade natural do servidor público e transformam o Estado numa espécie de patrão desnaturado, forjando uma pálida relação sem mística e sem compromissos mútuos, com a desvantagem da alternância política de comandos.


Dizer que toda essa metamorfose administrativa só alcança os novos concursados é temerário. Neste momento, mudanças anteriores estão atingindo desfavoravelmente servidores antigos, cuja contagem do tempo de serviço e os limites de idade estão sendo afetados por outras variáveis, que prevêem “pedágios” com mais tempo na ativa do que os decorrentes das normas previstas. Continue lendo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Redação do REFAZENDA-blog, Max A. A. Pereira, Pedro Porfírio: Todos contra o PL 1992!

Antes da folia recebi o e-mail abaixo do amigo que subscreve o alerta, hoje foi a vez do amigo da REFAZENDA2010 (fomos o maior Portal individual da Previdência Pública, o pouco que sobrou pode ser visto aqui), o brilhante jornalista Pedro Porfírio. Ambos tratam do mesmo assunto. A privatização da Previdência do funcionário público.

Desastre no Chile, desastre na Argentina. Ou você que tem um plano de previdência privada se sente realmente seguro em um  horizonte de trinta, quarenta anos? Imagine que o administrador do fundo que você faça parte tivesse aplicado a sua longa e suada poupança em títulos da dívida grega, ou ainda, em papéis lastreados no famoso subprime americano, que foi o gatilho deste caos todo por que passa a economia mundial.

Ou se tem a disciplina necessária para se poupar individualmente ou que reze muito para que os administradores de tais fundos tenham sempre a bola de cristal funcionando! A solução é que se expulse pelo voto ou não, o neoliberalismo da face da Terra. E que os Estados Nacionais voltem a ter soberania e deixem de ficar reféns do sistema financeiro internacional, mas as populações continuam votando na direita, Espanha, França...

Vote contra o PL 1992 e lute contra a privatizacão do Fisco

 

A briga contra a privataria da previdência está longe de chegar ao fim. O desenlace foi apenas adiado. Vem nova votação por aí. E vai acontecer dentro de poucos dias.

E como coisa ruim sempre vem sempre acompanhada é melhor colocarmos as nossas barbas de molho. O Governo Federal, melhor dizendo a própria presidente, vem sendo alvo de um processo de convencimento no sentido de, após a privatização da previdência, desenvolver outras medidas do que chamam de preparo para o enfrentamento inevitável da crise que fatalmente atravessara o Atlântico

Estas medidas se constituiriam num emagrecimento da maquina publica que, para muitos, dentre eles tucanos e petistas, estaria muito inchada em todos os poderes e em todos os níveis

Como sempre, são o Estado e o povo que devem cortar a própria carne e oferecer-se para o sacrifício, enquanto bancos e o grande capital recebem salvaguardas imorais.

Aqui é bom lembrar a experiência desastrosa da Argentina e do Chile. Estes países, além de privatizar a previdência, privatizaram, também, dentre outros, e na sequência,  o Fisco. Desnecessário ir a fundo na devastação econômica e no acumulo de problemas, especialmente no campo social, na saúde  e na educação Foi um caos total.

O instituto da aposentadoria foi para o saco. Explodiram manifestações de insatisfação na grande maioria da população e verificaram-se vários suicídios de aposentados que ficaram meses sem receber. Afinal, seus proventos de aposentadoria, vinculados na nova ordem que se erigira aos humores do mercado financeiro, eis que passaram a ser atrelados a diversos papeis de desempenho duvidoso, alguns verdadeiros micos pretos, viraram fumaça.

Já se fala timidamente em Brasília em adotar aqui no Brasil modelo semelhante.

Um fenômeno que acomete povos de nações diferentes mundo afora, grupos e segmentos de qualquer sociedade e qualquer categoria profissional é a inação, cujos malefícios são geralmente catastróficos.

Por pura acomodação e apego a zona de conforto, não nos permitimos antever os perigos que nos rondam e, em consequência, não nos mobilizamos como deveríamos e, nem tampouco, construímos as estratégias necessárias ao enfrentamento das ameaças

De há muito venho chamando a atenção para o fato de que as carreiras de Estado neste pais vem sendo alvo de um ataque cruel e sem limites.

Neste sentido, torna-se imperioso reagir e, mais do que exigir de nossas entidades representativas de classe que se antenem
e ajam consoantes aos fatos do momento, TOMAR A FRENTE DA LUTA. É aquela historia do "SE NÃ O VAI COM TU, VAI COM TU MESMO.

Se queremos o respeito temos que nos fazer respeitar. Se queremos um futuro digno e tranquilo, temos que construí-lo.

QUEM QUER VAI, QUEM NÃO QUER MANDA RECADO.

Max A. A. Pereira


Comentei no dia que recebi: O alerta está dado. Após Cinzas esperemos que a turma se mexa, se não Cinzas será não mais um data móvel, mas sim, 28 de fevereiro de 2012! 

Blog do Pedro Porfírio: 

No sacrifício dos servidores mais uma de bandeja para o sistema financeiro

Depois do carnaval, Câmara vota maior fundo de
aposentadoria complementar de viés privatizante

“O Funpresp apresenta um viés totalmente voltado para o mercado. A Lei não define a participação do trabalhador na construção do fundo, pelo contrário, ele terá autogestão e será manipulado por instituições privadas. Ou seja, será concebido como uma máquina do capital, sendo usado pelos bancos e instituições financeiras em transações e especulações.”
João Paulo Ribeiro, secretário da Central dos Trabalhadores do Brasil.

Tão logo passe o carnaval, o bicho vai pegar em Brasília.  Está tudo ensaiado para a  votação na Câmara Federal do novo regime de previdência dos servidores públicos, medida, que, de fato,  se insere no conjunto de constrangimentos destinados a desfigurar a própria natureza do Estado com a desmotivação do seu pessoal até a terceirização e privatização de seus serviços.
Pelo projeto  1992, de 2007, subproduto da “reforma” de 2003, os novos servidores e os que “optarem” agora passarão a contribuir para um fundo de pensão estruturado na forma de fundação com personalidade jurídica de direito privado, e entrarão no mesmo limbo de incertezas que hoje subordina o benefício aos caprichos do “mercado”.

Isto é,  balizados pelo parágrafo 15 do artigo 40 da Constituição Federal (enxerto inconstitucional da Emenda 41) os benefícios obedecerão aos limites da “contribuição definida”. O que resultará dela vai depender dos humores contábeis, que poderão descarregar sobre os aposentados todo o prejuízo de uma má gestão ou das conjecturas  econômicas.

Essa fórmula foi introduzida no Brasil sob influência do modelo norte-americano e já provocou muitas frustrações nos países que a adotaram. O gestor do fundo se sente de certa forma desobrigado a trabalhar direito, já que não precisa se preocupar com o benefício determinado, como acontecia no modelo anterior de previdência complementar.

No bojo dessa proposta, um tremendo imbróglio pela inexistência de garantias sobre a portabilidade dos benefícios numa eventual migração do servidor entre os vários segmentos do poder público. Este é, aliás, o maior prejuízo detectado pelas entidades classistas, que apontam a precariedade do trato da matéria sem as salvaguardas pertinentes. Continue lendo.