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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A Publica: Governo mexicano participou do ataque contra estudantes de Ayotzinapa

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A Publica: Governo mexicano participou do ataque contra estudantes de Ayotzinapa

por Anabel Hernandez, Steve Fisher

Baseada em documentos e depoimentos, investigação jornalística desmente versão oficial sobre o massacre no México e compromete o Exército e a Polícia Federal nas ações que levaram à morte de três estudantes e ao desaparecimento de 43 jovens


"Protestar é um direito; reprimir é um delito", diz pintura na Escola Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa. Foto: Leandra Felipe/Agência Brasil
“Protestar é um direito; reprimir é um delito”, diz pintura na Escola Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa. Foto: Leandra Felipe/Agência Brasil

O governo do presidente mexicano Enrique Peña Nieto participou do ataque aos estudantes da escola normal rural de Ayotzinapa na noite de 26 de setembro em Iguala, no Departamento de Guerrero, que resultou em três mortos e 43 desaparecidos. Testemunhos, vídeos, relatórios inéditos e declarações judiciais que constam dos procedimentos da Procuradoria Geral de Justiça de Guerrero mostram que a Polícia Federal (PF) participou diretamente dos fatos.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Le Monde Diplomatique Brasil: O naufrágio do Estado mexicano

A sucumbência de um Estado Nacional.

LIGAÇÕES ENTRE O PODER POLÍTICO E OS BARÕES DA DROGA

Le Monde Diplomatique Brasil: O naufrágio do Estado mexicano

Tráfico de drogas, assassinatos, extorsão e, cada vez mais, administração pública. A participação de organizações criminosas no Estado mexicano parece não ter limites. O massacre de 43 estudantes em setembro catalisou a cólera da população.

por Rafael Barajas e Pedro Miguel

Quando, num país, um grupo de policiais detém 43 estudantes, desaparece com eles e os envia a um grupo criminoso organizado ligado às drogas para que este, à guisa de “lição”, os assassine, uma constatação se impõe: o Estado se transformou em narco-Estado, um sistema em que o crime organizado e o poder político são a partir de agora indissociáveis.

Quando essas mesmas forças da ordem metralham estudantes, matando seis e ferindo gravemente outros seis; quando elas se apoderam de um desses jovens, lhe arrancam a pele do rosto, tiram os olhos e o deixam estendido na rua para que seus colegas o vejam, outra evidência aparece: esse narco-Estado pratica uma forma de terrorismo.

Tudo isso aconteceu no sul do México, em Iguala, terceira cidade do estado de Guerrero. Ali, a polícia agrediu brutalmente um grupo de estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa e, a se acreditar nos testemunhos atualmente disponíveis, os conduziu para a morte. José Luis Abarca, prefeito de Iguala, e sua mulher, María de Los Ángeles (ligados a um cartel da região), suspeitos de serem os instigadores da operação, foram presos na terça-feira, 4 de novembro.


Ilustração: Lollo - LMD

As escolas normais rurais, fundadas há oito décadas, têm por objetivo difundir um ensino de qualidade no campo oferecendo a jovens educadores, oriundos do meio camponês, a possibilidade de melhorar suas condições de vida. Esse duplo objetivo, herdado da Revolução Mexicana (1910-1917), enfrenta com força total o modelo econômico neoliberal, introduzido no país nos anos 1980. Segundo a lógica a ele subjacente, a educação pública freia o desenvolvimento do mercado do ensino, enquanto o campo abriga intoleráveis maus odores do passado (comunidades indígenas ou pequenos agricultores que entravam a expansão da agroindústria da exportação). Eis o motivo pelo qual as escolas normais rurais que sobrevivem no México, quinze ao todo, estão constantemente expostas à hostilidade, o que pode ser medido ao mesmo tempo pelos cortes orçamentários que sofrem e pela maneira como são mostradas pelos meios de comunicação e pelos dirigentes políticos: “viveiros de guerrilheiros”, segundo a ex-secretária-geral do Partido Revolucionário Institucional (PRI) Elba Esther Gordillo;1 refúgios “de gente delinquente e que não serve para nada”, em um debate na rede Televisa (1o dez. 2012); e, nos últimos tempos, “tocas do crime organizado”, para o jornalista Ricardo Alemán (El Universal, 7 out. 2014).

Tal como seus colegas das outras escolas normais rurais, os estudantes de Ayotzinapa lutam para assegurar a sobrevivência de sua instituição. Eles completam os magros subsídios do Estado – o equivalente a R$ 91 milhões anuais para cobrir os custos ligados a formação, alojamento e cobertura médica de pouco mais de quinhentos estudantes, quarenta formadores e seis empregados da administração – por meio de coletas de fundos. Em 28 de setembro de 2014, os estudantes de Ayotzinapa tinham ido a Iguala precisamente para realizar uma dessas coletas, quando foram sequestrados.

Eles teriam sido atacados com a fúria que os cartéis utilizam em relação a seus inimigos. Uma testemunha ocular – um policial – revelou que, apesar de feridos, os 43 estudantes teriam efetuado longos trajetos a pé, para, no final das contas, serem espancados, humilhados, regados com diesel e queimados vivos. Os corpos teriam se consumido durante 14 horas, até que só restassem cinzas, pequenas pontas de ossos e dentes.

Ainda que nós, mexicanos, estejamos habituados a informações chocantes (decapitações, execuções, torturas etc.), a indignação despertada por essa história não diminui. A certeza de que ela revela uma forma de terrorismo que emana de um poder no qual se misturam cartéis e líderes políticos coloca questões angustiantes: qual é a extensão do narco-Estado no México? Qual é a verdadeira amplitude da repressão política que ele coloca em ação?

O narco-Estado levanta um problema estrutural: o dinheiro da droga irriga a economia mexicana. Um estudo norte-americano e mexicano sobre os bens ilícitos, publicado em 2010, estima que a cada ano os cartéis transfiram entre US$ 19 bilhões e US$ 29 bilhões dos Estados Unidos para o México.2 Segundo a agência de segurança Kroll, essa cifra oscilaria entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões.3 O narcotráfico constituiria então a principal fonte de divisas do país, à frente das exportações de petróleo (US$ 25 bilhões) e das remessas de dinheiro de residentes no estrangeiro (também US$ 25 bilhões). Esse maná alimenta diretamente o sistema financeiro, coluna vertebral do modelo neoliberal. Secar a fonte conduziria ao colapso econômico do país. Em outras palavras, o México repousa sobre uma narcoeconomia, a qual não pode se manter sem a pilotagem adaptada de um narco-Estado.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Outras Palavras: O futuro do Uruguai, após Mujica

Quebrou paradigmas. Que bom!

Outras Palavras: O futuro do Uruguai, após Mujica

Que esperar do sucessor, Tabaré Vazquez. O salto político e cultural, em dez anos de Frente Ampla. A importância da nova Lei de Mídia

Por Thiago Domenici, no Retrato do Brasil

 

02/12/2014


Mujica, senador mais votado numa vitória histórica da Frente Ampla: “Não sirvo para velho aposentado, acariciando lembranças. Ainda restam muitas injustiças. E vou seguir lutando por isso, porque o prêmio não está no final, mas no caminho”
                 Mujica, senador mais votado numa vitória histórica da Frente   Ampla:       “Não sirvo para velho aposentado, acariciando lembranças. Ainda restam muitas injustiças”

O médico oncologista Tabaré Vázquez, 74 anos, voltará a comandar o Uruguai a partir de março do ano que vem em substituição ao atual presidente, José Mujica, 79 anos, ambos da mesma coligação de esquerda, Frente Ampla (FA). Vázquez venceu o segundo turno das eleições no último final de semana com 56,6% dos votos. Seu adversário, Luis Lacalle Pou, 41 anos, do conservador Partido Nacional (PN), obteve 43,4%. Com a vitória, os frenteamplistas garantem o terceiro mandado seguido da coligação, que iniciou seu ciclo de poder com o próprio Vázquez, em 2005. No Uruguai, o mandato dura cinco anos e não há reeleição.

Como nas duas primeiras legislaturas da FA (2005–2015), Vásquez desfrutará de maioria parlamentar – a coalizão de esquerda terá nos próximos cinco anos 50 dos 99 deputados e 15 dos 30 senadores. Durante sua campanha, Vázquez tranquilizou empresários e o mercado. Afirmou que, se ganhasse, continuaria com a atual política econômica, a mesma desenvolvida durante sua presidência, com o atual vice-presidente de Mujica, Danilo Astori, novamente como ministro da Economia. Vázquez é visto por muitos como um socialista light e “amigável com os mercados”.

Como proposta eleitoral, ele apresentou uma agenda de dez pontos. Entre eles, prometeu baixar os impostos e investir em educação e tecnologia. Entre suas prioridades está também o controle da inflação, que ao fim de 2013 estava em 8,6%. Além disso, prometeu reformas nas políticas educacionais e de segurança pública, os dois temas que mais preocupam os cidadãos uruguaios ultimamente. Durante o primeiro turno eleitoral, os uruguaios votaram em um plebiscito sobre a redução da maioridade penal. Ao longo da campanha, pesquisas chegaram a indicar que a opção pela manutenção dos 18 anos como idade inicial para a responsabilidade penal perderia por mais de 20 pontos percentuais, mas a proposta de diminuição para 16 anos acabou rejeitada por 53% dos votantes.

Apesar do grande sucesso internacional do atual presidente José “Pepe” Mujica, internamente Vázquez é o político mais popular do Uruguai e a principal figura da esquerda no país. Consta em sua biografia que estudou medicina por influência de um câncer sofrido pela mãe (que também vitimou seu pai, uma irmã e um irmão).


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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Carta Maior: Décadas depois, Operação Condor ainda gera polêmica

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Décadas depois, Operação Condor ainda gera polêmica

Considerada a maior operação de terrorismo de estado praticada contra a população da América Latina, a Operação Condor ainda está envolta em controvérsia. Os pontos mais obscuros são a data efetiva do início da operação, o grau de participação dos EUA. O consenso é que a operação foi oficializada em reunião realizada no Chile, em 1975. Assinam sua ata de fundação representantes dos governos de Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile.

Najla Passos - Brasília

Brasília - Cerca de quarto décadas se passaram e a Operação Condor continua gerando controvérsias. Há polêmica, por exemplo, sobre o início efetivo da articulação que criou uma espécie de estado paralelo na América Latina, com licença para matar os opositores dos regimes ditatoriais. E também sobre o grau efetivo de participação efetiva dos Estados Unidos, a potência mundial, e do Brasil, o “subimpério da região”.

O consenso é que a operação foi oficializada em reunião realizada em Santiago, no Chile, em 1975. Assinam sua ata de fundação representantes dos governos ditatoriais de Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile. Entretanto, o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre, Jair Krischke, defende que, apesar de não constar na ata, o Brasil foi o criador do pacto. E alguns anos antes.

Segundo ele, há documentos que comprovam as prisões de dois militantes
brasileiros na Argentina, em 1970 e 1971, respectivamente. O primeiro deles é o coronel Jefferson Cardin, líder da primeira ação de guerrilha contra o golpe de 1964. O outro é o jornalista Edmur Péricles Camargo, cujo desaparecimento forçado em solo argentino antes do início da vigência do pacto foi denunciado com exclusividade pela Carta Maior.

O advogado, professor e ativista paraguaio Martin Almada acredito que o marco inicial é ainda anterior. Para ele, o golpe de estado, no Brasil, que depôs João Goulart, em 1964, iniciou a primeira fase da Operação Condor, quando a interação entre os aparatos repressivos dos estados envolvidos ainda se dava de forma bilateral. Só mais tarde, com a instalação de ditaduras militares nos demais países, se tornaria multilateral. Continue lendo.

sábado, 23 de junho de 2012

O Golpe de Estado no Paraguai, Editorial do REFAZENDA2010-blog!

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Editorial

O Golpe de Estado no Paraguai

Nunca se viu algo assim. De um dia para o outro, um mandatário foi apeado do poder. E ele, candidamente se submeteu a Lei. Imoral, mas legal, dizem, mas, não lhe foi oferecido o amplo direito de defesa!
Segundo os analistas, Lugo nunca teve maioria. Sua trajetória na presidência foi uma pedreira. E a votação no Senado, que transmitimos ao vivo, foi rápida e fulminante: 39 a 4, pela destituição.
Os motivos alegados, pífios. Julgamento político.
Oito meses para o final do mandato.
A direita reacionária derrubou o socialista. Mais neoliberalismo. E pior, a possibilidade da construção de uma base norte-americana em Iguaçu, terras paraguaias.
Por tabela, já se fala que, se o Equador(Correa) der asilo ao Assange, o governo correria riscos.
Os EUA não engolem Cuba há mais de cinquenta anos. Venezuela(Chávez), Bolívia(Morales); também. Ou seja, na América Latina a esquerda não tem vez. Por isso mesmo, os ianques, imediatamente apoiaram o golpe.
A Espanha pede respeito à democracia paraguaia, negócios...
A esta hora não está claro alguma reação pragmática da UNASUL. O pronto envio a Assunção dos chanceleres não salvou Lugo.
Triste América Latina!

O Editor, em 23/06/2012 às 12:09

(Acompanhe a nosso plantão aqui e o artigo do Laerte Braga, O Golpe Paraguaio, aqui)