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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Carta Capital: Como integrar e desenvolver a Amazônia?

A Amazônia é um projeto perene.

Diálogos Capitais

Carta Capital: Como integrar e desenvolver a Amazônia?

Uma maior participação na renda gerada pelos produtos extraídos na região impulsionaria as grandes cidades amazônicas

por Marina Teles

Criar cadeias de valor capazes de estimular a economia da Amazônia e da cidade de Belém é uma missão permanente para os gestores públicos e empreendedores instalados na região. A cidade enfrenta problemas de uma metrópole ao mesmo tempo que precisa cuidar de comunidades ribeirinhas em dezenas de ilhas de seu litoral. Na visão do secretário-executivo da Rede Nossa Belém, José Francisco Ramos, que deu o tom do Diálogos Capitais – Metrópoles Brasileiras, último evento do ciclo de debates sobre o tema,
desta feita na capital do Pará, o desenvolvimento da região precisa de planejamento, definição de áreas prioritárias para investimentos e, principalmente, de verticalização de cadeias de valor. “O Pará importa 85% do que consome. É o maior produtor de mandioca do Brasil, contudo produz pouquíssima fécula. Qual é o nosso negócio? É hora de pensar e redefinir as áreas estratégicas de desenvolvimento.”

Segundo Ramos, os planos de desenvolvimento aplicados à região poucas vezes têm continuidade e não existe uma real mensuração de seus impactos e resultados. “É preciso estabelecer metas para setores com grande potencial de geração de emprego e renda e fazer os investimentos necessários.” Ele aponta o cooperativismo como um caminho para ampliar o valor dos produtos extrativistas, entre eles o açaí e a pesca, mas alertou para os descaminhos de diversas organizações criadas, onde a falta de gestão qualificada desmobiliza e produz fracassos. “É necessário estimular a participação social, e o poder público tem o papel estruturante de oferecer recursos e qualificação para as comunidades envolvidas.”

O diretor da Rede Nossa Belém alertou para a disparidade dos investimentos realizados na cidade, com mais de 1 bilhão de reais para saneamento e menos de 20 milhões para a mobilidade. Os dois temas, segundo ele, são essenciais, mas é preciso criar um meio-termo para avançar em todas as frentes importantes de demanda social. “É preciso tratar de resíduos, melhorar a mobilidade não apenas motorizada, mas de pedestres e ciclistas, além de dar prioridade ao transporte coletivo.” Problemas repetidos em todas as metrópoles visitadas pela série de Diálogos, que em 2014 debateu os principais desafios das grandes cidades em São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre.

Belém, com pouco mais de 1,4 milhão de habitantes, tem problemas típicos da Amazônia, e vive os mesmos dramas de outras metrópoles brasileiras. Para debater os impasses do desenvolvimento local na região, CartaCapital e o Instituto Envolverde levaram ao palco três especialistas de setores diferentes: João Coral, diretor institucional e de energia da Vale; João Meirelles, diretor do Instituto Peabiru, organização social que atua na área de desenvolvimento local; e Suênia de Souza, gerente do Centro Sebrae de Sustentabilidade. A mediação ficou por conta de Dal Marcondes, diretor do Instituto Envolverde.

A carência de serviços públicos e trabalho formal cria distorções e ilegalidades nas relações de trabalho, como é o caso da exploração do açaí nas ilhas e territórios próximos à capital paraense. “Milhares de crianças e adolescentes são obrigados a subir em palmeiras para a coleta do fruto”, explica João Meirelles. De acordo com dados da Procuradoria do Trabalho em Belém, na Amazônia existem 500 mil crianças de alguma maneira forçadas a realizar um trabalho considerado perigoso, muitas delas com menos de 16 anos, idade mínima para desempenhar uma atividade produtiva. E esse cenário de risco avança sobre outros ramos importantes na região, como a pecuária, que engloba cerca de 50 mil pequenos produtores. “É a atividade com o maior número de registros de acidentes de trabalho no estado do Pará”, conta Meirelles.

Questões relativas ao trabalho formal estão entre os desafios, a começar pela baixa qualificação da população, o que faz com que empresas grandes tenham em muitos casos de trazer profissionais de fora. “Temos uma política de fortalecimento de parceiros locais e estímulo ao empreendedorismo para fornecer insumos utilizados em nossos processos”, sugere Coral, da Vale, ao reafirmar o foco de investimentos na região. A empresa, explica, realiza projetos sociais e ambientais, mas nem sempre com a capacidade de suprir carências típicas da ausência do Estado. “Entendemos que é nosso papel ajudar na geração de renda e na qualificação de empresas e fornecedores, que é nossa missão apoiar o desenvolvimento da região, mas isso não pode ser trabalho de uma única empresa ou organização.”

Na mesma linha de fortalecimento do empreendedorismo, geração de renda e trabalho atua o Sebrae. “É um desafio apoiar a criação e consolidação de empresas em um cenário adverso, onde os empreendedores nem sempre têm qualificação técnica”, diz Suênia de Souza. Dados apresentados pela executiva mostram a importância das micro e pequenas empresas no País. “Mais de 99% dos registros de empresas no Brasil são de micro e pequenas, e a maior parte dos empregos gerados também estão ligados a esse setor da economia.” A solução para grande parte dos dilemas da região, avalia Suênia de Souza, seja em Belém, seja no interior da Amazônia, depende do crescimento do número de empreendedores capazes de gerar valor a partir de insumos locais de biodiversidade, prestação de serviços ou integrados às cadeias de valor das grandes empresas atuantes na região.

O trabalho precário e a ausência do Estado na busca de soluções foram consensos no diálogo. Há, porém, demandas estruturais que atrapalham o caminho das soluções, entre elas a má distribuição tributária e a informalidade de muitas atividades, como boa parte da exploração madeireira e da pecuária, além de pouco apoio para a qualificação e formalização de atividades extrativistas. Basta citar a castanha e o açaí, entre outros produtos da floresta ou dos rios da região. Metrópole amazônica, Belém é o centro irradiador de informação, formação e cultura na região, e arca com a responsabilidade de ser um grande polo de atração de trabalhadores. “Nas comunidades ribeirinhas praticamente só tem crianças e velhos”, compara João Meirelles, o que mostra o tamanho do desafio da capital em acolher e criar condições de educação, trabalho e qualidade de vida.


Origem.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Agência Brasil: Manual da ONU promove direitos de pessoas LGBT no mercado de trabalho

A intolerância não rima com a diversidade. Cada um na sua, e o respeito a todos!

Agência Brasil: Manual da ONU promove direitos de pessoas LGBT no mercado de trabalho
 

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

 Lançamento do manual da ONU Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho, na sede da OAB do Rio. Na foto, peça publicitária da campanha (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Manual lançado hoje tem 80 páginas e apresenta compromissos e desdobramentos que empresas e empregadores podem  desenvolver  para  enfrentar  o preconceito  contra  a  população  LGBT Tomaz  Silva/Agência  Brasil

O coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, disse hoje (12) que mulheres e homens transexuais estão em situação de grande vulnerabilidade no mercado de trabalho. Segundo ele, a discriminação e o preconceito se traduzem em dificuldade de acesso e permanência no emprego. Chediek cobra “cuidado e atenção especial” dos empregadores para que esses profissionais sejam respeitados.

“A exclusão que [transexuais] sofrem desde a infância e a adolescência impede que tenham, muitas vezes, educação de qualidade, formação profissional e/ou oportunidade de inserção no mercado. Por outro lado, mesmo quando têm qualificação adequada, sofrem discriminação e têm seus direitos limitados”, afirmou o coordenador, durante o lançamento do manual da Organização das Nações Unidas (ONU) Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho, no Rio.

Elaborado em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o programa das Nações Unidas sobre Aids e HIV (Unaids), o manual tem 80 páginas e apresenta dez compromissos e desdobramentos que as empresas e empregadores podem desenvolver para enfrentar o preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros (LGBT).

De acordo com um dos autores do manual, Beto de Jesus, a ideia é estimular corporações a criar processos contra a discriminação e, quando ocorrerem casos, que sejam apurados e as equipes capacitadas. Entre as medidas, o manual cita a necessidade de os executivos se comprometerem com a questão: “A liderança da empresa deve falar sobre isso porque as pessoas, muitas vezes, têm medo de se assumir como LGBT e não sabem se serão bem acolhida”, disse.

Beto de Jesus citou como exemplo o ex-presidente da multinacional norte-americana Apple Steve Jobs, falecido em 2011, que se assumiu gay. “Ele deu uma mensagem clara para os gays daquela empresa, para quem não tinha 'saído do armário', pois sabia que podia sair”, brincou. “É preciso uma liderança que reafirme: 'nesse espaço não haverá discriminação'”, completou.

Os dez compromissos também rejeitam a homo-lesbo-transfobia no relacionamento com o público e com parceiros de negócios, sugere metas para contratação e promoção de LGBT, ações de capacitação e política de responsabilização, além de pesquisas e censos internos.

Todas as medidas, segundo o representante da ONU, “promovem interações respeitosas, potencialmente criativas e inovadoras” e tornam as empresas mais produtivas. “Isso inclui as dimensões de gênero, raça, nacionalidade e de orientações sexual”, concluiu Chediek.

Origem.

domingo, 8 de julho de 2012

JB: Qualidade do emprego no Brasil ainda é ruim, apesar do desemprego em baixa

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Hoje às 16h45 - Atualizada hoje às 17h38

Qualidade do emprego no Brasil ainda é ruim, apesar do desemprego em baixa

Alta rotatividade e a terceirização elevada contribuem para o fenômeno, diz economista
Jornal do Brasil
Carolina Mazzi

Os índices de desemprego recorde do Brasil escondem uma realidade muito mais dura: a baixa qualidade do emprego. Leis trabalhistas frágeis e a alta rotatividade acabam deixando o trabalhador desprotegido, afirma o economista José Dari Krein, do Centro de Estudos Sociais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Ceset/Unicamp). "A terceirização elevada também contribui para o fenômeno", acrescenta.

As leis trabalhistas brasileiras são flexíveis demais, aponta o especialista. “No Brasil, pode-se demitir sem nenhuma justificativa, o que é impensável em países europeus, por exemplo”.

O problema contribui para os altos níveis de rotatividade no país. Os últimos resultados disponíveis pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o nível chega a 53,8%. Isto significa que a cada 100 contratados, mais de 50 saem do emprego em menos de um ano.

"Os números representam um sério problema que afeta o funcionamento do mercado de trabalho. E para os trabalhadores, representa insegurança”, diz o relatório. Krein acredita que é preciso uma mudança na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) para que as relações trabalhistas se tornem mais "fortes".

Terceirização


A terceirização do mercado de trabalho é apontada como determinante para precarização do trabalho. Um dos dados mais reveladores sobre o assunto é a média de remuneração destas empresas. Segundo pesquisa da Associação Brasileiras das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem), a média salarial dos terceirizados é de R$ 1.122,00, cerca de 600 reais a menos que a média brasileira.

“Isto acontece porque estas empresas priorizam a contratação através da mão de obra menos qualificada, oferecendo baixa remuneração. Normalmente, os contratados também trabalham mais horas do que em outro tipo de empresa”, analisa o economista.

Com isso, a instabilidade do trabalhador é alta. Quando se analisa apenas estas empresas, por exemplo, o nível de rotatividade sobe para 63,6. E o número não deverá diminuir: as terceirizadas já representam 23,9% da população empregada com carteira assinada no país, de acordo com a mesma pesquisa. 

Temporários
O Brasil é o terceiro maior contratante de trabalho temporário do mundo, com média diária de 965 mil contratos. A constatação é da Confederação Internacional de Trabalho Temporário e Terceirização (Ciett), entidade que congrega mais de 50 países e que anualmente divulga o estudo The agency work industry around the world.

Apesar de ser contemplado por uma legislação trabalhista específica, que iguala parcialmente os seus direitos com os empregados fixos, o alto índice de trabalhadores temporários ainda mostra um mercado instável, principalmente para os contratados, analisa Krein. “É importante nas épocas, por exemplo, de maior venda do comércio. Mas para a economia no geral, e para os trabalhadores, é muito instável”.

A nutricionista Carla Faedo atua como temporária em quatro empresas diferentes. Ela vê aspectos positivos nos empregos, mas afirma que os desafios também são grandes. “Fico cansada mentalmente, pois todo mês tenho que dar um jeito de pagar as contas”, afirma. Origem.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

REFAZENDA2010-blog: Notícias da Hora 15:20 quarta 16/04/2012

A manipulação por uns e a tontisse da Agência Brasil, ou, o importante para uns e o ufanismo dilmista d'O Globo...
Atualização às 16:31 - Compare a notícia que nós tínhamos e a correção sem destaque, só mesmo a foia...

Destaco: "Na comparação com o mês de fevereiro, houve uma redução no saldo de empregos de 25,8%. Na comparação com março de 2011, houve uma elevação de 20,5%."
Agência Brasil: Criação de empregos diminui 25,8% em março, mostra Caged

Estadão: Criação de emprego formal cai 24,1% no 1º trimestre


Foto da matéria quando nós postávamos e observe o novo título ao clicar!
Folha: Geração de emprego cai 25% em março no país, aponta Caged

O Globo: Emprego com carteira sobe 20,57% em março